Terça-feira, 26/09/2017. Boa tarde. Seja Bem-vindo(a)!

Textos

1901: EMIL A. VON BEHRING

Artigo científico escrito por: Priscila Petry e Rafael Nunes - Faculdade de Medicina UPF.

 

RESUMO

O presente trabalho dará ênfase à primeira edição do Prêmio Nobel de Medicina. Prêmio este, atribuído anualmente pelo Instituto Karolinska, da Suécia, recompensando cientistas responsáveis por descobertas cruciais para o desempenho da medicina. Em 1901, Emil Adolf Von Behring, abre as sucessivas premiações com sua pesquisa relacionada à difteria. No decorrer deste artigo, apresentar-se-ão dados biográficos do ilustre pesquisador, assim como, informações correlacionadas à decorrência e os métodos a qual direcionou a investigação do cientista. Pode-se adiantar que o fruto do empenho de Von Behring, indubitavelmente, teve um choque significativo quanto à taxa de natalidade da população da época.    
 
Palavras Chaves: Prêmio Nobel de medicina 1901; terapia do soro; difteria.
 

ABSTRACT

The present work will give to emphasis to the first edition of the Prize Nobel de Medicina. Prize this, attributed annually for the Karolinska Institute, of Sweden, rewarding responsible scientists for crucial discoveries for the performance of the medicine. In 1901, Emil Adolf Von Behring, opens the successive awardings with its research related to the diphtheria. In elapsing of this article, to present it the biographical data of the illustrious researcher, as well as, information correlated to the result and the methods which directed the inquiry of the scientist. He can yourself be advanced that the fruit of the persistence of Von Behring, doubtlessly, had a significant shock how much to the tax of natality of the population of the time.
Key Words: Nobel Prize of medicice 1901, serum therapy, diphtheria.
 

INTRODUÇÃO

O objetivo deste artigo é relatar informações sobre o trabalho de investigação que resultou no ganhador da primeira edição do Prêmio Nobel – realizado em 1901 –, Emil Adolf Von Behring.  
No final do século XIX, uma das doenças que amedrontava a população européia era a difteria (doença é causada pela toxina diftérica, produzida pelo bacilo Corynebacterium diphteriae, que se aloja nas amídalas, faringe, laringe e fossas nasais, onde cria placas brancas ou acinzentadas, muitas vezes visíveis a olho nu). Um enorme número de óbitos na idade infantil colocava em risco a dinâmica da sociedade. Problema, este, que incitou os méritos científicos de Von Behring a fim de por um bastar nesta atrocidade imposta pela natureza. Após anos de dedicação, a terapia do soro veio a calhar como a solução, não só para os afetados pela doença, como para a população em risco de adquirir o medonho bacilo. 
A significância da descoberta mostrou-se conspícua. As mães que apenas podiam lamentar a doença do filho, agora saúdam a terapia do soro, que inoculava as crianças contra a doença em questão. Dessa forma, o número de crianças hígidas mostrou-se ser quase que em um todo, sendo motivo de orgulho para Von Behring.       
O estudo consiste numa breve apresentação a respeito do Prêmio Nobel, seguida de uma análise bibliográfica do renomado cientista Von Behring, juntamente com a descrição da pesquisa que levou o mesmo a ser homenageado através daquele prêmio. 
 

DESENVOLVIMENTO

Juntamente com o início do século XX, deu-se a criação de sucessivas premiações anuais para graduadas descobertas cientificas. Tal gratificação, nomeada como Prêmio Nobel, de todo um modo, teve sua construção baseada no conspícuo pensamento de incentivar os profissionais da área de pesquisa na busca de grandes novidades de cunho benéfico à sociedade. Na primeira edição da série, em 1901, um psicólogo – Emil Adolf Von Behring – foi o homenageado por seu fabuloso trabalho relacionado à terapia do soro de encontro à difteria. Também conhecida como crupe, a difteria é altamente contagiosa, normalmente ocorre nos meses frios e atinge, principalmente, crianças de até 10 anos de idade. A doença é causada pela toxina diftérica, produzida pelo bacilo Corynebacterium diphteriae, que se aloja nas amídalas, faringe, laringe e fossas nasais, onde cria placas brancas ou acinzentadas, muitas vezes visíveis a olho nu. Ambientes fechados facilitam a transmissão, que pode ser causada por portadores assintomáticos (que não manifestam a doença) ou mesmo por ex-doentes, já que estes continuam a eliminar o bacilo até seis meses após a cura. Além das placas na garganta, a toxina diftérica também causa febre baixa (entre 37,5 e 38° Celsius), abatimento, palidez e dor de garganta discreta. Se não for devidamente tratada, a difteria evolui, causando inchaço no pescoço (nos gânglios e nas cadeias cervicais), que, dependendo de seu tamanho, pode asfixiar o paciente. Graças a grandiloqüência da produção de Behring integrada a um maior domínio da ciência médica, atualmente, a difteria é uma doença rara.
(http://www.morasha.com.br)
 
          Emil Adolf Von Behring nasceu em 15 de março de 1854 em Hansdorl, Prússia do leste, em uma família vasta e com baixos poderes econômicos. Seu pai, mestre de escola, tinha enorme desejo que Emil estuda-se teologia.  No entanto, um doutor militar, amigo da família Behring, foi um dos fatores mais significativos para alinhar o destino profissional de Emil conta o desejo de seu pai. Emil inscreveu-se, em 1874, na academia médica do exército Well-Known em Berlim. Recebeu se grau médico em 1878. Após, carregou a obrigação de permanecer no serviço militar por muitos anos. Em 1880, passou seu exame de estado. Mesmo ano em que aflorou na Alemanha uma devastadora epidemia de difteria que rendeu milhares de mortes. Como militar, foi enviado a Posen na Polônia. Além do trabalho muito prático, realizou feitos experimentais sobre as enfermidades sépticas no departamento químico da estação experimental. Entre 1881 e 1883 realizou investigações importantes na ação do iodoformo, indicando que não mata os germes, porém neutraliza as toxinas que estes secretam. Suas primeiras publicações foram em 1882.
 (http://www.nobelprize.org) e (http://www.morasha.com.br)
 
          O governo concernido com a saúde militar, que estava especialmente interessada na prevenção e combate das epidemias, estando ciente da habilidade de Behring, emitiu-o ao farmacologista C. Binz em Bona para um treinamento mais adicional em métodos experimentais. Em 1888 regresso a Berlin ao instituto de higiene, sob a direção de Robert Kock, onde direcionou seus estudos as enfermidades infecciosas. Ali, formaria uma equipe, juntamente com Paul Ehrlich Wernicke, em que desenvolveram a primeira terapia para a difteria em 1890.  Em paralelo, junto com Shiibasaburo Kitasato, desenvolveram um soro terapêutico eficaz para o tétano.  Em 1894 foi designado titular da cadeira de higiene da Universidade de Halle e, no ano seguinte, foi diretor no instituto da Universidade de Marburgo, onde permaneceu até se aposentar, em 1916. 
(Ibid)
 
          Durante seus estudos, Behring pensou em uma maneira de esterilizar o organismo quando fosse infectado pelas bactérias. Usou técnicas das experiências do exercício empregando compostos do iodoformo, do acetileno e do mercúrio como limpeza de feridas com uma finalidade antisépica para matar bactérias infectantes. No entanto, todas estas tentativas vieram a falhar.  Durante suas experiências, observou que os ratos nunca estiveram atacados pelo antraz. Descobriu que o soro do rato podia destruir o bacio do antraz. Esta se transformou na base de suas experiências mais adicionais. 
(http://www.mhhe.com/biosci)
 
          Tratou de culturas do bacilo da difteria com o tri cloreto de iodo com o qual inoculou um número de cobaias. Encontrou que alguns sobreviveram e se tornaram imunes a difteria. O que teria acontecido? Isso era devido aos agentes químicos ou a alguma reação de seu próprio organismo? Von Behring fez uma série de experiências podia mostrar que as quantidades minuciosas de toxina da difteria podiam imuniza os animais. Fazendo exame de soro do sangue de uma cobaia imunizada e injetando-o em outro animal, descobriu que podia transferir a proteção à segunda cobaia. Um animal que já sofre da toxina da difteria podia às vezes ser curado. Descobriu que o soro não afetou os bacilos da difteria, mas neutralizou a toxina que produziram. Usou a antitoxina da palavra, que foi dirigido de encontro a este antígeno produzido por bactérias e não a estas mesmas. Então, tratou animais com o soro de um animal que sobrevivesse a doença. Os resultados direcionavam as conclusões de Behring, o soro de um animal que fosse curado poderia curar outros animais. Isto foi chamado “terapia do soro”. 
(http://pt.wikipedia.org)
 
          Von Behring descreveu suas próprias experiências com difteria usando então a palavra antitoxina, pois acreditou que o organismo animal era capaz de formar substâncias defensivas – antitoxinas – contra as nocivas toxinas, e o soro que as continha podia logo atuar contra a enfermidade em questão, de um modo preventivo – quando o injeta durante um período de incubação da doença infecciosa – ou curativo – quando se faz depois de aparecer os primeiros sintomas – . Este termo, antitoxina, foi ridicularizado pela sociedade científica, pois, aparentemente, não tinha embasamento concreto. Mas certamente o cientista tinha feito sua marca neste trabalho de antitoxina.   (http://www.historiadelamedicina.org)
 
          Behring, então, teve que extrair bastante soro de sangue que continha sua antitoxina da difteria para começar experimentações em seres humanos. Começou com cobaias imunizadas, progrediu aos coelhos e depois aos carneiros. O primeiro tratamento terapêutico bem sucedido do soro em uma criança que sofria de difteria ocorreu em 1891. Até então mais de 50.000 crianças na Alemanha morriam anualmente dessa enfermidade. Essa imunização era um sucesso notável. Após testar cuidadosamente no hospital de Charité de Berlim e mais tarde em Leipzig, o soro foi feito disponível aos doutores. Nesse avanço significativo para a saúde publica, Von Behring produziu a vacina “T.A” para a difteria. 
(ibid)
          Uma outra pessoa deve ser mencionada no trabalho da antitoxina da difteria. Em 1892 Paul Ehrlich descobriu um método de medir a quantidade de antitoxina no sangue, e calculou quanto dele era necessário para efetuar uma cura segura em seres humanos. Naturalmente, as contribuições principais foram feitas por Von Behring e a ele o crédito foi direcionado. Teve a liberação de comercializar a antitoxina a partir de 1892.  Concordando em ter seu produto desenvolvido e introduzido no mercado pela empresa de Hochst. O sucesso da difteria deu-lhe fama e fortuna. Além das diversas premiações, foi nomeado corretamente como “Von Behring”. 
(ibid)
 
          O primeiro êxito da campanha veio com o desenvolvimento da imunização frente ao tétano durante a I Guerra Mundial, quando Behring ganhou o apelido de “Salvador dos Soldados”. Em 1913, Emil foi à público  com seu agente protetor da difteria, T.A. Ela, podia causar uma resposta clara no organismo e, ainda, sem prejudicar as pessoas vacinadas. Além, foi projetado para que fornecesse proteção em longo prazo. A nova droga foi testada em várias clinicas e aceita de forma eficaz pelos profissionais da saúde. Dessa forma, a Behring foi concedida a medalha prussiana da cruz de ferro. 
(ibid)
          
          Quanto seu vida pessoal, o cientista em questão casou com a filha do diretor do hospital de Berlin Charité. Em 1898, logo após ter se tornado professor da universidade de Marburgo (parte então da Prússia), Behring moveu-se com sua família para uma casa em Marburgo, onde seus seis filhos nasceram. Homem dedicado a família, embora seus trabalhos científicos não lhe permitissem destinar muito tempo para sua esposa e crianças. Nos anos subseqüentes estava particularmente interessado na luta contra a tuberculose, uma doença que amedrontava a sociedade da época. Infelizmente aos 50 anos, contraiu tuberculose.  Aos 63 anos, após ter inferido inúmeras vezes a despeito cura da doença que o afrontava, veio ao óbito devido a uma cardiopatia em 1917. 
(ibid)
 
          A contribuição feita por Von Behring ao triunfo de combater uma doença tão terrível era grande. Seu trabalho esforçado e dedicado a ciência nos da idéia de quanto foi sua grandiloqüência para o bem da sociedade. Como reconhecimento de seu trabalho, nada melhor que as palavras que compõem uma letra da música a Von Behring escrito por uma mulher russa em Moscou: “eu não sei se muitas mães lhe expressaram a gratidão. Mas minha criança é conservada porque você pensou sabiamente e lutou por ciência. Seu nome roga por mães felizes assim como eu”.     
(ibid)
   

CONCLUSÃO

          No decorrer da leitura e construção do presente artigo, pode-se adquirir o conhecimento da trajetória de Emil Adolf Von Behring em sua vida profissional. O ponto marcante do estudo está conspicuamente direcionado à dedicação e ao empenho do cientista a fim de estancar o avanço e a existência da difteria. O alcance de Behring ao prêmio, direcionado a área cientifica, com certeza foi uma forma de retribuição pelo benefício que sua descoberta trouxe a população. Para se ter uma visão do quão importante foi sua contribuição, atualmente, os índices de difteria beiram a inexistência.  
 

REFERÊNCIA BIOGRÁFICA

 
Acesso em setembro de 2005
 
Acesso setembro de 2005
 
 Acesso em setembro de 2005
 
Acesso em setembro de 2005
 
Acesso em setembro de 2005
 
Orientadores: Evânia de Araújo e Jorge Salton
 
 
1902: RONALD ROSS

Artigo científico escrito por:
Ferrarin, Pedro M. D.
Andrade. Pedro Paulo

Faculdade de Medicina UPF

 
  
 
 
 

RESUMO

Ronald Ross nasceu  em 13 de Maio de 1857, filho de um general do exército britânico. Começou seus estudos no hospital St.Bartholomew, em Londres, incorporou o serviço médico indiano em 1881 e começou seus estudos sobre a malária em 1892. Sua persistência em provar que mosquitos estariam envolvidos na transmissão da doença, utilizando inclusive experiências com humanos que hoje são ditas anti–éticas por alguns pesquisadores, começou a dar resultados em 1897, quando conseguiu identificar a presença de parasitas da malária no sangue de um mosquito que havia se alimentado de um paciente infectado com malária. Seus estudos foram de suma importância para o combate ao mosquito Anófeles e à malária. 
 

ABSTRACT

Ronald Ross was born in 13 of May of 1857, son of a general of the British army.  He started its studies in the St.Bartholomew hospital, in London, he incorporated the Indian medical service in 1881 and started its studies on the malaria in 1892.  Its persistence in proving that mosquitos would be involved in the transmission of the illness, also using experiences with human beings that today are said anti - ethical for some researchers, started to give resulted in 1897, when it obtained to identify the presence of parasites of the malaria in the blood of a mosquito that if it had fed of a patient infectad with malaria.  Its studies had been of utmost importance for the combat to the mosquito Anopheles and to the malaria.
 

INTRODUÇÃO

Este artigo foi elaborado a partir de pesquisas na internet, com orientações dos professores da faculdade de medicina da UPF. Ele contém a bibliografia de Ronald Ross, vencedor do prêmio Nobel de medicina ou fisiologia em 1902 e também dados sobre a malária e sua presença no mundo atualmente. Pretendemos, ao analisar esses fatos, mostrar que o trabalho de Ross foi de suma importância para a humanidade, tanto no âmbito de podermos identificar os transmissores de uma grave doença, como também podermos desenvolver métodos que permitissem erradicar parcialmente esses vetores e, assim, diminuir consideravelmente o número de contágios pela malária.
 

BIOGRAFIA

Ronald Ross nasceu em Maio, 13, 1857, como o filho do senhor C.C.G. Ross, um general no exército inglês. Começou o estudo da medicina no hospital do St. Bartholomew em Londres em 1875; incorporou o serviço médico indiano a 1881. Começou o estudo da malária em 1892. Em 1894 determinou fazer uma investigação experimental em India da hipótese de Laveran e de Manson que os mosquitos estão conectados com a propagação da malária.Após dois anos falhos, Ross sucedeu em demonstrar o ciclo-de-vida dos parasitas da malária nos mosquitos, assim estabelecendo a hipótese de Laveran e de Manson. Em 1899 integrou a escola de Liverpool da medicina tropical sob o aval do senhor Alfred Jones. Foi emitido imediatamente a África ocidental para continuar suas investigações, e lá encontrou a espécie dos mosquitos que fazem saber à febre africana mortal. Desde a escola tem sido então implacável em seus esforços em melhorar a saúde, e reduzir especialmente a malária na África ocidental. O estudo de Ross  foi confirmado e ajudado por muitas distintas autoridades, especialmente por Koch , por Daniels, por Bignami, por Celli, por Christophers, por Stephens, por Annett, por Austen, por Ruge, por Ziemann, e por muitos outros.
Em 1901 Ross foi eleito um companheiro da faculdade real dos cirurgiões de Inglaterra e também um companheiro da sociedade real, de que se transformou vice-presidente de 1911 a 1913. Em 1902 foi apontado um companheiro da ordem a mais honorável do banho por sua majestade o rei de Grâ Bretanha grande. Em 1911 elevado ao posto do comandante dos cavaleiros da mesma ordem. Em Bélgica, foi feito a um oficial na ordem de Leopold II.
Em 1902 um movimento foi ajustado no pé para comemorar os serviços valiosos rendidos à escola da medicina tropical por seus instrutores e presidente, senhor Alfred Jones, fundando uma cadeira da medicina tropical na faculdade da universidade a ser conectada com a escola. O movimento foi encontrado com  sustentação entusiástica, e uma quantidade de dinheiro era suficiente rapidamente coletado do "a Cadeira senhor Alfred Jones encontrado da medicina tropical". Ross foi apontado para o corpo docente em 1902 e reteve a cadeira até 1912, quando saiu de Liverpool, e foi apontado médico para doenças tropicais em reis Faculdade Hospital, Londres, um cargo que exercera  junto com a cadeira do saneamento tropical em Liverpool. Remanesceu neste cargo até 1917, quando foi apontado consultor em Malariologia  para o escritório da guerra, seu serviço nesta capacidade, e na conexão especial com a malária epidêmica que ocorria então em tropas combatentes, sendo reconhecido por sua elevação ao posto de comandante dos cavaleiros, do St. Michael e do St. George, em 1918. Foi apontado mais tarde consultor na malária para o ministério das pensões. Em 1926 adquiriu o cargo de diretor do instituto de Ross e do hospital de doenças tropicais e a higiene, que tinha sido criada por admiradores de seu trabalho, e permaneceu nesta posição até sua morte. Era também um presidente da sociedade da medicina tropical. Seu memorial (Londres, 1923)"foi inscrito aos povos de Suécia e à memória de Alfred Nobel".
Durante esta carreira ativa, o interesse de Ross coloca principalmente na iniciação das medidas para a prevenção da malária em países diferentes do mundo. Realizou exames e esquemas iniciais em muitos lugares, incluindo África ocidental, na zona do canal de Suez, Grécia, Mauritânia, Chipre, e nas áreas afetadas pela guerra 1914-1918. Iniciou também as organizações, que provaram ser estabelecidas bem, para a prevenção da malária dentro das indústrias de base de Ìndia  e de Ceilão. Fez muitas contribuições para reduzir a epidemiologia da malária e aos métodos de seus exames e avaliação, mas talvez seu maior trunfo era o desenvolvimento de modelos matemáticos para o estudo de sua epidemiologia, iniciado em seu relatório na Mauritânia em 1908, elaborava em sua prevenção da malária em 1911 e elaborava mais em um formulário mais generalizado nos papéis científicos publicados pela sociedade real em 1915 e em 1916. Estes papéis representaram um interesse matemático profundo que não fosse confinado a epidemiologia, mas permitiu-  lhe fazer contribuições materiais à matemática pura e aplicada. Aqueles relacionados a vetores são mais bem sabidos e, 40 anos mais tarde, constitui a base de muita da compreensão epidemiológica de doenças inseto-carregadas.
Através destes trabalhos Ross continuou sua contribuição grande no formulário da descoberta da transmissão da malária pelo mosquito, mas encontrou também a hora e energia mental para muitas outras perseguições, sendo poeta, escritor e pintor. Particularmente, seus trabalhos poéticos ganharam-no a aclamação que era independente de sua posição médica e matemática.
Recebeu muitas honras além ao prêmio de Nobel, e foi consagrado como membro honorário de sociedades instruídas da maioria de países da Europa, e de muitos outros continentes. Começou um mestrado em Estocolmo em 1910 na celebração centenária do instituto de Caroline. Sua vivacidade e busca orientada para a verdade causaram a fricção com alguns povos, apreciou um círculo vasto dos amigos em Europa, em Ásia e em América que contribuíram para sua personalidade assim como para seu gênio.
Ross casou-se com Rosa Bessie Bloxam em 1889. Tiveram dois filhos, Ronald e Charles, e duas filhas, Dorothy e Sylvia. Sua esposa morreu em 1931, Ross sobreviveu até um ano mais tarde, quando morreu após uma doença longa, no instituto de Ross, Londres, 16 de Setembro, 1932.
 

REALIZAÇÃO DAS PESQUISAS

Durante 1894, encontrou-se com Patrick Manson, que lhe mostrou corpos de Laveran (parasitas da malária), e convenceu-se o da possibilidade que os mosquitos carregaram a malária.  Ross retornou a India determinado e com a intenção de provar esta teoria.  Ross tornou a reunir seu regimento em Secunderabad, onde produziu mosquitos para finalidades experimentais e as alimentou em pacientes da malária pondo o paciente sob uma rede do mosquito e liberando os insetos nela.  Manson recomendou-o que ' siga o flagella ', e sugeriu que a malária esteve carregada através da água bebida infectada.  Ross perseguiu o flagella e testou também a teoria entérica pagando um homem chamado Lutchman e dois outros para beber a água em que os mosquitos tinham morrido.  Lutchman desenvolveu uma febre, mas recuperou três dias mais tarde, e Ross não poderia encontrar nenhuns parasitas da malária em seu sangue;  os outros homens remanesceram saudáveis.  No começo de setembro 1895 Ross foi chamado a Bangalore para tratar de uma epidemia do cólera e para relatar a condição sanitária da cidade.  Remanesceu em Bangalore até maio 1896 e ganhou um tributo incandescendo do residente britânico.  Apesar da pressão de seu trabalho sanitário Ross ocupava ainda seu tempo de reposição com malária, e no fim de maio 1896 fez uma observação que, com o benefício do insight, fosse muito importante.  Escreveu a Manson:  "a opinião está crescendo em mim que a doença está comunicada pela mordida do mosquito...  Injeta sempre uma quantidade pequena do líquido com sua mordida - que os parasitas começaram no sistema desta maneira."  Infelizmente, porque usava os mosquitos de Culex, que não transmitem a malária, as experiências para testar esta teoria vieram a nada.  Sucesso na vista depois que seu retorno a Secunderabad, Ross começou a querer saber se estava usando mosquitos do malária-rolamento e decidiu continuar suas investigações com espécies de uma área altamente malariosa.  Com alguma dificuldade obteve a licença e foi ao vale de Sigur Ghat.  Três dias mais tarde foi para baixo com malária, apesar de ter dormido sob uma rede do mosquito e atrás de janelas fechadas.  Quando retornou ao Ghat, sua atenção foi atraída aos mosquitos de uma espécie que não tinha visto antes.  As monções estavam atrasadas em 1897:  o calor era muito intenso e Ross não poderia traze-los para olhar através de seu microscópio por um mês.  "bom eu recordo esse escritório pequeno quente escuro no hospital em Begumpett," ele recordou, "com o feixe necessário da luz que vem das frestas da varanda.  Eu não permiti que o papel pega-moscas fosse usado porque fundiu sobre meus mosquitos dissecados, que foram examinados em parte sem um vidro de encubação;  e o resultado era que as larvas das moscas e de mosquitos voaram - os insetos pequenos minuciosos que tentam começar em orelhas e olhos – atormentaram-me em seu prazer, quando um Stegomyia ocasional pesou em mim para a morte de seus amigos.  Os parafusos de meu microscópio foram oxidados com suor de minhas testa e mãos, e sua última lente restante era rachada!"  No meio de Agosto 1897 um de seus assistentes trouxe-lhe algumas larvas de que não tinha visto antes e o seguinte dia o assistente do hospital indicou um mosquito similar a esses que Ross tinha encontrado em Sigur Ghat.  Ross dissecou-o e não encontrou nada fora do ordinário mas o assistente do hospital apressou-se dentro ao laboratório para dizer a Ross que as larvas estranhas trazidas no dia precedente tinham chocado em mosquitos similares.  Foram alimentados em um paciente chamado Husein Khan mas nada foi encontrado quando o dissecaram.  Mais mosquitos chocados para fora e foram alimentados, e por 20 agosto 1897 Ross estava para baixo a seus últimos dois mosquitos.  Dissecou um e não encontrou nada - até que começou ao estômago, "quando eu vi um espaço livre e um esboço quase perfeitamente circular antes de mim de aproximadamente 12 mícrons no diâmetro.  O esboço era muito demasiado afiado, a pilha demasiado pequena ser uma estômago-pilha ordinária de um mosquito.  Eu olhei um pouco mais.  Estavam aqui outro, e uma outra pilha exatamente similar."  O seguinte dia Ross matou seu último mosquito e encontrou pilhas similares mas muito maiores.  Escreveu a Manson com sua notícia emocionante:  "atente-ce agora acima de suas orelhas porque a caça está acima outra vez."  Ross fez exame de uma licença de dez dias para escrever um papel, em algumas pilhas pigmentos peculiares encontrados em dois mosquitos alimentados no sangue malarial, e foi cauteloso bastante ter seu trabalho verificado por um colega, John Cirurgião-Principal Smyth.  Emitiu este fora imediatamente ao jornal médico britânico, que fez exame de três meses para o publicar.  Por esse tempo Ross tinha sido transferido em uma outra nomeação provisória a um pequeno e a estação isolada chamou Kherwara em Rajastan que estava quase livre da malária, e não era até o seguinte fevereiro que esteve posto sobre o dever oficial para investigar a doença.  Viajou a Calcutá, que resistiu seu inverno mais frio por anos, saindo de mal todos os casos da malária para estudar.  Foi obrigado estudar preferivelmente ' a malária do pássaro ', e era usando os pássaros que em julho 1898 podia provar que os mosquitos carregaram a malária do pássaro através de sua mordida.  Tinha escrito um relatório para o diretor-geral do serviço médico indiano e tinha emitido já uma cópia a Patrick Manson.  Manson estava em Edimburgo para a reunião anual da associação médica britânica e iria  relatar não somente o trabalho de Ross nos espaços no estômago dos mosquitos mas, porque Ross o tinha telegrafado, anunciaria também que o parasita foi transferido através da mordida do vetor.
 

CONTROVÉRSIA

Sandra Caponi, pesquisadora do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), analisou dois casos de experimentos com humanos: um na África, entre 1998 e 2000, com mulheres grávidas portadoras de HIV; e outro na Índia, entre 1894 e 1899, para determinar o papel do mosquito do gênero Anopheles na transmissão da malária. A desigualdade social é apontada por Caponi como um dos fatores que tem justificado a transformação de vidas em corpos sem direito, que podem ser submetidos e aniquilados.
O que pode ou não ser admitido nas pesquisas médicas que realizam experimentos com seres humanos? Essa é uma questão que sempre retorna à pauta de discussões dos estudos em bioética. Mais do que denunciar casos que já aconteceram é preciso entender as condições que justificaram que sociedades pobres fossem privadas de seus direitos e submetidas a testes em nome do bem comum e da saúde das populações. Partindo dessa premissa, Sandra Caponi, pesquisadora do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), analisou dois casos de experimentos com humanos: um na África, entre 1998 e 2000, com mulheres grávidas portadoras de HIV; e outro na Índia, entre 1894 e 1899, para determinar o papel do mosquito do gênero Anopheles na transmissão da malária. A desigualdade social é apontada por Caponi como um dos fatores que tem justificado a transformação de vidas em corpos sem direito, que podem ser submetidos e aniquilados. 
Os experimentos com humanos realizados na Índia no final do século XIX por Ronald Ross, prêmio Nobel de Medicina em 1902, escandalizaram o mundo acadêmico. As denúncias vieram à tona com a publicação do livro The best in the mosquito: the correspondence of Ronald Ross and Patrick Manson (em português, O melhor do mosquito: as correspondências de Ronald Ross e Patrick Manson), em 1998. A pesquisadora brasileira explica que as cartas que Ross trocava com Manson contavam sobre a malária, a hipótese do mosquito, a ameaça representada pelos pesquisadores italianos e franceses, sobre as mentiras que Ross havia dito aos supostos voluntários e as experiências com insetos infectados que levaram muitos indivíduos à doença e à morte. As cartas revelam que, para a conquista do prêmio, tudo era permitido, incluindo enganos e mentiras, como Caponi encontrou na carta 203, onde Ross relata ter afirmado para um doente que a picada de um mosquito infectado com malária o ajudaria em sua recuperação. 
Nos dois casos, os pesquisadores violaram os princípios da Declaração de Helsinque que estabeleceram os fundamentos legais e éticos das pesquisas com seres humanos como resposta aos horrores cometidos nos campos de extermínio durante a Segunda Guerra Mundial. No caso dos experimentos com as mulheres africanas houve um amplo questionamento da comunidade científica sobre a postura antiética dos pesquisadores. Em resposta às críticas, os autores da experiência utilizaram o argumento do relativismo ético ou duplo standard para se defender das acusações. "[Para eles], é possível não aceitar as normas que constam na Declaração Helsinque por se tratar de comunidades pobres, sem condições de ministrar assistência à população, cujos governos se manifestam favoráveis à realização das mesmas [experiências]", explica Caponi. 
Nas cartas de Ross também aparecem declarações que demonstram que o pesquisador presumia a existência de dois mundos: o mundo dos direitos e o mundo das exceções; o mundo dos corpos que merecem ser cuidados e o mundo dos corpos que podem ser utilizados em nome da saúde das populações ou do futuro da espécie. 
 

MALÁRIA

A causa da malária 

A malária afeta números enormes dos povos worldwide: até 300 milhão casos clínicos, principalmente crianças, emergem cada ano que causa 1,5 a 2,7 milhão mortes. A doença é causada por um grupo dos parasitas chamados plasmodium. Como todos os formulários dos parasitas, o plasmodium é os organismos que necessitam alimentar em outros organismos a fim sobreviver.
Os quatro parasitas diferentes que causam a malária humana são: Vivax de Plasmodium , falciparum de Plasmodium , malariae de Plasmodium e ovale de Plasmodium . São transmitidos por mordidas do mosquito, os mosquitos especificamente fêmeas, que necessitam uma fonte do sangue produzir e colocar ovos. Os mosquitos que transmitem a malária humana pertencem a um grupo chamado Anófele. Worldwide, uns 400 mosquitos diferentes pertencem a este grupo, e aproximadamente 60 destes transmitem a doença da malária. Os mosquitos produzem na água parada, que é muito comum em países tropicais, especial após inundações. Em uns climas mais frios os mosquitos da malária não são comuns, porque as temperaturas baixas os matarão. Contraem a doença se alimentando do sangue de uma pessoa já infectada, e posteriormente passam a doença quando mordem alguma outra pessoa.
 

CONCLUSÃO

Ao analisarmos a história de Ronald Ross, desde a suspeita sobre a influência de mosquitos na transmissão da malária até sua incansável luta para provar suas teorias, mesmo que tenha usado métodos hoje contestados por defensores da total bioética e dos direitos humanos, e os dados epidemiológicos da malária, que ainda são elevadíssimos, somos obrigados a reconhecer que Ross foi um marco para a medicina mundial, possibilitando meios para que combatêssemos o mosquito transmissor da malária. Sem seus estudos a malária estaria bem mais presente no mundo, mas ainda ocorrem casos em uma proporção tristemente elevadíssima, o que deve servir de aprendizado para lutarmos por uma melhor conscientização da população mundial no combate ao anófeles e à malária.
 

BIBLIOGRAFIA

• www.nobelprize.org
• www.biodiversidadla.org
• www.sucen.sp.gov.br/doencas
• www.villenurmi.itgo.com/winners/Ronald_Ross
 

Orientadores:

Evania Araújo
Jorge Salton
1903: NIELS RYBERG FINSEN

Artigo científico escrito por:

Patrícia Bigolin Pezzin 
Paula Stefenon

Palavras chaves: Niels Ryberg Finsen, Prêmio Nobel, lupus vulgaris. 
Key Words: Niels Ryberg Finsen, Nobel Prize, lupus vulgaris. 
 
 

SUMMARY

Niels Ryberg Finsen- Danish physician and 1903 Nobel Prize Winner who made important discoveries regarding the use of light waves in the treatment of disease. In 1893 he began to study the use of filtered sunlight in the treatment of skin lesions caused by smallpox, a virus disease. Red light – that is, light from the red end of the spectrum- whith its harmful heat rays filtered out, proved successful in promoting the healing of smallpox lesions. After publishing key papers on phototerapy in 1893 and 1894, Finsen began research into the treatment of lupus vulgaris, a disfiguring skin disease caused by bacteria. Finsen had noted the findings of previous researchers, who discovered that light could kill bacteria. Focusing an artificial light through a prism, he expose diseased tissue to hight concentratios of ultraviolet light. The method proved highly effective in treating lupus vulgaris. Finsen established his Light Institute in Copenhagen, where hundreds of lupus vulgaris patients were  successfully treated over the next few years. The use of ultraviolet light remained the central treatment for lupus vulgaris for decades. 
 

RESUMO

Niels Ryberg Finsen- médico fisiologista dinamarquês e vencedor do prêmio Nobel de 1903 fez importantes descobertas baseadas no uso de ondas luminosas no tratamento de doenças. Em 1893 ele começou a estudar o uso de luz solar filtrada no tratamento de lesões de pele causadas por smallpox, de origem viral. A luz vermelha – que é a luz vermelha do fim do espectro- cujos raios de calor são  altamente filtrados, provou sucesso em promover a diminuição das lesões de smallpox.  Depois  de publicar documentos sobre fototerapia em 1893 e 1894, Finsen começou a pesquisar sobre o tratamento do lupus vulgaris, uma doença desfigurativa de pele causada por bactéria.  Finsen notou  nos achados das pesquisas prévias, que descobriu que a luz poderia matar a bactéria. Focando uma luz artificial através de um prisma, ele expôs tecido doente a altas concentrações de luz ultravioleta. O método provou alta efetividade no tratamento do lupus vulgaris. Finsen fundou o Instituto da Luz em Copenhagen, onde centenas de pacientes portadores de lupus vulgaris foram tratados com sucesso durante muitos anos. O uso da luz ultravioleta foi utilizado como tratamento central para o lupus vulgaris por décadas.
 

INTRODUÇÃO

O uso de recursos aos fenômenos físicos para o tratamento e prevenção das doenças é uma constante em diferentes sociedades e culturas ao longo da história. Também tem sido na medicina científica. A investigação experimental identifica os princípios curativos dos agentes naturais explicando cientificamente seus efeitos.  Desta forma a medicina atual fundamenta-se em pesquisas científicas baseadas em evidências. Justifica-se, assim, o presente trabalho, que relata a obra de Niels Ryberg Finsen, cujas notáveis descobertas foram merecedoras do Prêmio Nobel de Medicina de 1903. 
O Prêmio Nobel é dado a pessoas  que realizam pesquisas, inventam novas técnicas ou equipamentos, ou fazem grandes contribuições à sociedade, assim como Finsen que por meio do uso da fototerapia contribuiu para o avanço da medicina.
 

TEORIA

A Niels Ryberg Finsen ganhou o Prêmio Nobel de 1903 em reconhecimento a  sua contribuição ao tratamento das doenças, especial lupus vulgaris, com radiação de luz concentrada.
Finsen comunicou seus resultados preliminares do uso 'dos raios químicos da luz' em 1896. Soube-se já naquele tempo que a luz poderia ter um efeito bactericida. Além, alguns leigos, estudos alternativos, e um doutor tinham relatado possivelmente um efeito positivo da luz solar concentrada no tuberculosis cutaneous (lupus vulgaris). Dois pacientes tinham sido tratados também pela luz elétrica.
Finsen criticou estes relatórios, sugerindo que a exposição à luz era muito breve para promover algum efeito, e que os métodos que  se usavam dependiam do efeito ardente (queimadura) da luz, o que causavam  substancial efeitos adversos.  Ele fez experimentos  com  frações de luz  diferentes e descobriu que o efeito estava  relacionado ao espectro da onda curta da luz.
Finsen usou uma bactéria padrão, M. prodigiosus, para a maioria de suas experiências, mas experimentou também com a tifóide e o anthrax. Encontrou  como os raios de luz distantes penetraram em tecidos, mostrou que o efeito bactericida estava relacionado à concentração da luz, e descobriu que o sangue impedia a penetração. Desenvolveu o equipamento que concentrou a luz 15 vezes e pôde ser usado para tratar áreas afetadas de aproximadamente 2 cm no diâmetro em um momento, e desenvolveu dispositivos para aplicar a pressão e impedir que o sangue incorpore as áreas que estão sendo tratadas.
Seu relatório de 1896 contém detalhes de 11 pacientes, que tinham tido o lupus vulgaris por entre cinco e 21 anos, e quem haviam sido  tratados por duas horas diárias por diversas semanas no mesmo ponto da lesão. Reconheceu que 11 casos não eram uma amostra grande, mas notável  porque o tratamento era local, o efeito em um e o mesmo paciente poderia ser anotado dez vezes ou mais.
Seis anos mais tarde, em uma reunião em Berlim para os membros do departamento central internacional para a erradicação da tuberculose, Finsen apresentou os resultados do tratamento de 804 pacientes. Aparte de alguns pacientes cujas circunstâncias o impediram de acompanhar, seu relatório cobriu todos os pacientes que tinham vindo a seu centro de pesquisa. 
Excluiu 67 casos e anotou que 695 (94%) dos 737 casos restantes estavam respondendo favorável ao tratamento. Anotou também que os resultados tão bons como seus não pôde ser conseguido em outra parte porque o equipamento e as lâmpadas inferior àquelas usadas em seu instituto tinham sido introduzidos recentemente no mercado.
Em uma outra publicação no mesmo ano (Finsen 1902), observou que algumas pessoas podem ter visto algumas de suas investigações como superficiais, visto que os fatos sobre o tratamento de luz  para o lupus vulgaris já eram sabidos. Discutiu que tinha tido que fazer seus próprios estudos porque era incapaz de confirmar alguns resultados previamente relatados. Usando os raios ultravioletas, evitou de queimar e cicatrizando a pele sem perder o efeito bactericida dos tratamentos, e construiu um cristal melhor que as lentes de vidro.
No seguinte ano, em cima de receber o prêmio de Nobel para seu trabalho, Finsen disse “as qualidades supremas de toda a ciência é honestidade, confiabilidade, crítica soberana, saudável”.
 

BIOGRAFIA                  

Niels Ryberg Finsen nasceu no dia 15 de dezembro de mil novecentos e sessenta em Torshavn, capital das ilhas Faeroe, Dinamarca. Os pais de Finsen eram Irlandeses e se chamavam Hannes Steingrim e Johanne Fronan. Recebeu sua educação inicial em escolas da Dinamarca e em Reykjavik, Iceland. Em 1882 ingressou na Universidade de Medicina de Copenhagen, formando-se em 1890. Nesse mesmo ano lecionou anatomia no departamento de cirurgia da universidade, posto que abandonou mais tarde para dedicar-se à investigação científica, mas continuou como tutor particular de estudantes de medicina, ganhando quantia moderada para sua sobrevivência. 
Desde 1883 e, provavelmente alguns anos antes, sofria de uma enfermidade que promove um progressivo espessamento de tecido conectivo de certas membranas, como no fígado, coração e baço, o que provocava debilitação das forças desses órgãos.  Conforme o tempo passou os sintomas dos problemas do coração, ascite e fraqueza se agravaram, tornando Finsen cada vez mais inválido. Seus últimos anos foram gastos em uma cadeira de rodas e sua ascite teve que ser drenada dezoito vezes. 
No ano de 1892, Finsen se casou com Ingeborg Walslev e tiveram quatro filhos, os quais, o maior, morreu logo após o nascimento. Seu segundo filho, Holdor, foi médico e dirigiu durante muitos anos o Departamento de Enfermidades Infecciosas do Instituto Finsen. Sua filha Gudrun, casou-se com S. Lombholt que dirigiu o Departamento de Enfermidades da Pele do Instituto Finsen. A última filha chama-se Valgerda. 
Em 1893 devotou-se totalmente ao estudo da fototerapia, e dos efeitos terapêuticos da luz. Em 1896 ele fundou o Instituto da Luz em Copenhagen. 
Em 1903, recebeu o Prêmio Nobel de Medicina em Fisiologia em reconhecimento a sua contribuição no tratamento de doenças, especialmente lupus vulgaris, com radiação de luz concentrada, de forma que abriu uma nova porta para a ciência médica. Ao receber o prêmio em dinheiro, fez duas doações, uma para um hospital de doenças do coração e do fígado fundado por ele, e outra para o Instituto da Luz. 
Entre várias publicações importantes de Finsen, destacam-se Om Lisets Indvirkninger paa Huden (sobre os efeitos da luz na pele) de 1893 e o clássico Om  Anvendelse i Medicinen af Koncentrerede Kemiske Lysstraaler (sobre o uso das luzes químicas concentradas na medicina) de 1896. La Photothérapie apareceu na França no mesmo ano. Os resultados de seus achados estão contidos em comunicados publicados por seu instituto. Também publicou um estudo Em Ophobning af Salt in Organismen (sobre o acúmulo de sal no organismo) de 1904.
Finsen recebeu o título de professor em 1898, e em 1899 foi condecorado Cavaleiro da Ordem de Dannebrog. Foi membro honorário de numerosas sociedades na Escandinávia, Iceland, Rússia, Alemanha.  Ele recebeu  a Medalha de Ouro Dinamarquesa por Mérito, e em 1904 o Prêmio Cameron da Universidade de Edimburgo. 
Dr. Finsen morreu no dia 24 de setembro de mil novecentos e quatro. 
 

DESCOBERTA

“Tratamento do lupus vulgaris por meio dos raios de luz concentrados”
Os estudos de Finsen em relação a esta doença constituem a parte  mais notável de seu trabalho e são responsáveis pelo papel importante da fototerapia na arte médica hoje. Seu primeiro passo no campo da fototerapia, entretanto, foram dirigidos para os problemas biológicos gerais relacionados aos efeitos da luz no organismo. Isto conduziu-lhe considerar um número de problemas específicos a respeito dos efeitos da luz na pele em determinadas doenças. Em sua pesquisa não foi concernido início com o lupus mas com uma outra doença, smallpox. Este primeiro projeto no campo da terapêutica era certamente distante removido dos princípios que Finsen seguiu mais tarde no tratamento do lupus e das outras doenças, mas preparou a maneira não obstante para sua pesquisa principal neste último campo.
Em 1893 Finsen recomendou o  uso da luz vermelha no tratamento do smallpox; este tratamento, protegendo a pele do encontro dos raios claros prejudiciais, acreditou-se facilitar o restabelecimento das lesões de pele e para impedir a aparência das cicatrizes que são freqüentemente a seqüela desta doença. Um formulário análogo do tratamento para o smallpox já havia sido relatado, entretanto uma base firme para esta prática estava faltando. A situação era mais favorável  quando Finsen começou sua pesquisa sobre o assunto. Em Widmark o trabalho de 1889 tinha demonstrado que os raios  mais refrangíveis do espectro, em particular os raios ultravioletas, tiveram um efeito forte e específico naquelas partes da superfície do corpo que lhes foram expostas. Este efeito é completamente diferente das irritações ou das queimaduras produzidas por raios do calor. No início nenhum efeito, mas algumas horas depois da exposição aos raios um determinado grau de irritação é sentida que aumenta progressivamente na intensidade por aproximadamente vinte e quatro horas. O tratamento proposto de Finsen do smallpox empregou achados de Widmark neste campo. Seu método consistiu em filtrar fora os raios ultravioletas por meio das cortinas vermelhas e  de vidro vermelho, assim impedindo seu efeito irritativo na pele afetada, sem ter que manter o paciente na escuridão total.
Embora este trabalho traga o reconhecimento para Finsen, é não obstante da importância secundária quando comparado com os resultados de sua pesquisa mais adicional. O curso de Finsen do gênio em um trabalho mais atrasado devia tentar fazer o uso terapêutico dos efeitos biológicos poderosos de raios altamente refrangíveis. Nesta maneira chamejou a fuga para fototerapia e para cura, fazendo  uso científico também de outros raios do que aqueles contidos na luz ordinária.
A decisão de Finsen para seguir esta linha da pesquisa foi influenciada pelo fenômeno que a luz tem a propriedade de impedir o desenvolvimento das bactérias e a nivelá-la de micro-organismos da matança. Este fenômeno já foi observado em 1877 por Downes e sem corte e confirmado e estudado por um número de cientistas tais como Duclaux, Roux, Buchner e outro, em culturas bacterianas, antes que Finsen empreendeu-se em aplicar a tecido vivo que contém bactérias. Neste caso também os raios ativos são os raios do elevado grau de refração do espectro. Em considerar os efeitos da luz nos organismos vivos que contêm bactérias, uma explanação dos resultados obtidos deve fazer exame no cliente de um fator essencial à exceção do efeito da luz em micro-organismos patogênico, a saber, os efeitos já mencionados da luz no tecido próprio. A pergunta a respeito de qual destes dois fatores é o mais importante no uso terapêutico da luz não requer nenhuma dúvida seja o assunto de uma pesquisa mais adicional. Qualquer que seja a resposta a esta pergunta, os raios eficazes são os refratados fortemente. Os raios mais baixos da refração, são de pouco uso e, desde que têm a desvantagem grande de produzir a combustão, devem, tão distante quanto possível, ser eliminados. O método de Finsen está conseqüentemente de nenhuma maneira comparável a determinadas tentativas precedentes de tratar o lupus queimando o tecido afetado com um vidro quente.
O tratamento do lupus pelo método de Finsen é realizado na seguinte maneira. A luz solar, ou a luz de uma lâmpada elétrica poderosa (ambos os formulários que contêm uma proporção elevada de raios ativos) é concentrada mais freqüentemente por meio das lentes da composição apropriada em um feixe de que os raios do calor foram eliminados tão distante quanto possível; este feixe é projetado em uma área pequena de pele afetada, que foi drenada do sangue pela pressão. O feixe de luz é aplicado continuamente para uma hora. Imediatamente mais tarde a área tratada transforma-se vermelha e um pouco inflamada. Após poucos dias, esta irritação da pele aumenta, e então logo depois começa a diminuir e é neste momento que começa e o tecido da cicatriz começa a dar forma, que produz eventualmente uma superfície quase exatamente como a pele normal. Cada parte da área doente está tratada consecutivamente, repetindo o processo duas vezes na mesma área se esta provar necessário. Este tratamento não tem nenhum efeito desagradável mas é caro, requer a supervisão constante e o tempo considerável. Os resultados obtidos, entretanto, compensam extremamente estas desvantagens. Este método provou do uso no tratamento de inúmeras outras de doenças da pele, mas foi particularmente bem sucedido no tratamento do lupus vulgaris. Nenhum dos métodos usados previamente para o tratamento desta doença produziu os resultados que podem em toda a maneira ser comparados àquelas obtidas com a fototerapia.
Lupus vulgaris é, como se sabe, uma forma de tuberculose cutânea ocorrendo em pessoa com grau de imunidade moderado a alto. A patogênese pode alcançar a pele por inoculação exógena, através do sangue ou linfa de órgão interno tuberculoso, ou por extensão direta de glândulas ou articulações infectadas subjacentes. A lesão característica é uma placa marrom-avermelhada composta de nódulos que mostram coloração de “geléia de maçã” quando pressionada com lâmina de vidro (diascopia). A doença freqüentemente afeta a face levando a desfiguramento decorrente das lesões cutâneas destrutivas. É duas vezes mais comum em mulheres que homens. A pele é corroída gradualmente,  torna-se às vezes desfigurada, e transforma-se finalmente pacientes em objetos de repulsão. A natureza crônica e progressiva desta doença é marcada particularmente: pode remanescer ativa por dez anos, vinte anos, ou mesmo mais por muito tempo e, até agora, provou-se resistente a todo o tratamento. Assim era que o método de Finsen esteve organizado como um benefício à humanidade quando seu tratamento do lupus deu os resultados que podem ser descritos como brilhantes.
Finsen começou a tratar seu primeiro caso de lupus em novembro de 1895. Embora o método ainda não fosse desenvolvido suficientemente, e embora o caso fosse de severidade considerável, provando-se resistente a todas as formas atuais de tratamento  energeticamente aplicados, os resultados eram os mais satisfatórios. As notícias deste sucesso espalharam-se logo: os pacientes que sofrem do lupus saíram a procura de uma cura ou algum alívio de seu sofrimento. Raramente foram decepcionados.
O reconhecimento do novo método logo foi obtido pelo mundo médico e transformou-se prática atual. Ganhou também a sustentação considerável dos círculos médicos da parte externa dos filantrópicos. No ano seguinte, em 1896, o instituto de Finsen de Fototerapia foi fundado em Copenhagen com os fundos obtidos pela maior parte de doações confidenciais generosas; o estado e as autoridades da cidade contribuíram também. O método de Finsen para tratar o lupus é usado ainda no instituto. Este ano onde um relatório foi publicado que contém os exemplos do lupus tratou durante os primeiros seis anos, até e incluindo novembro, 1901, em que 800 casos são descritos. Os resultados são particularmente satisfatórios e são distante superiores àqueles obtidos previamente na batalha de encontro a esta doença.
Em 50% destes casos a doença da pele foi curada, embora em muitos deles as lesões fossem extensivas. No outro 50% dos casos em que uma cura completa não foi conseguida, uma cura parcial ou uma melhoria considerável foram obtidas em a maioria de casos. Somente em um número muito pequeno dos casos, aproximadamente 5% de todos os casos, o tratamento era somente resultados provisórios mal sucedidos ou produzidos. Do começo de dezembro 1901 até o fim de outubro deste ano, 300 casos mais adicionais do lupus foram tratados. Anotou-se que em anos recentes a proporção dos casos do lupus adiantado é muito mais elevada do que antes. 
Este método representa uma etapa de grande importância do trabalho do professor Finsen que conduziu o desenvolvimento de um campo da medicina que pudesse nunca ser esquecido na história da medicina. Por esta razão merece a gratidão eterna da humanidade sofrida.
 

CONCLUSÃO

Niels Ryberg Finsen, como testemunhado no presente estudo, foi de grande importância na história da medicina, cujo método utilizado no tratamento de doenças de pele é considerado um grande passo. Seu trabalho deixou conhecimentos que possibilitaram um avanço no campo da medicina, e que nunca será esquecido. Por essa razão Finsen é considerado o pai da fototerapia moderna científica. 
 

BIBLIOGRAFIA

Die BeKampfung des Lupus Vulgaris. Kopenhagen, Bagges, 1902.
FINSEN, Niels Riberg.  Biography. Nobelprize. org. Disponível em: http://nobelprize.org/medicine/laureates/1903/finsen-bio.html
FINSEN, Niels Riberg. La lutte contre le lupus vulgaire ... Rapport a la confèrence d’automne du Bureau central international pour la lutte contre la tuberculose, Berlin,1902. Paris: C. Naud,1903.
www.wikipedia.com
http://defwsax.tripod.com/okil/finsen-press.html
http://www.nationmaster.com/encyclopedia/Niels-Ryberg-Finsen
La Photothérapie, par N. R. Finsen. I . Traitement du lupus vulgaire par les rayons chimiques concentrés. Publication du Finsen’s medicinske Lysinstitut de Copenhague: Paris, 1899.
TRIOLO, V.A. Niels Ryberg Finsen. En:Gillispie ChC(ed). Dictionary of Scientific Biography. New York, Charles Scribner’s Sons, 1971; vol 4:620-1.
ZARAGOZA. J.R. Técnicas fisioterápicas. En. P. Laín, História Universal de la medicina. v. 2. Barcelona: Salvat, 1976. 
 
Orientadores:
Evania Araújo
Jorge Salton
1904: IVAN PAVLOV

Artigo científico escrito por:
Patrícia Pacheco e Paloma Mello

Faculdade de Medicina - UPF

 

Resumo

A combinação de estímulos indiferentes com um estímulo que ativa um reflexo incondicionado pode gerar uma resposta fisiológica condicionada. Dentre as respostas possíveis aos incitamentos, indubitavelmente, as secreções gástricas foram as mais exploradas. Desse modo, as respostas podem ser diversas, desde excitatórias até inibitórias, podendo modificar o metabolismo natural. O presente artigo enfoca a experiência de Ivan Pavlov, mostrando a eficiência da repetição do agente indiferente precedendo o estímulo incondicionado, assim, formando um reflexo condicionado. A relevância do tema em questão se dá pelos possíveis efeitos psíquicos providos pelos reflexos condicionado que podem alterar a realidade fisiológica. 
 
Palavras-chave: Ivan Pavlov; Reflexo condicionado
 
 

Abstract

The combination of indifferent stimulus with stimulus that active an unconditional reflex can beget a conditional physiological response. Between the possible responses to the incitation, undoubted, gastric secretion was the theme most explored. In this manner, the responses can be divers, exciting or inhibiting a function, with the ability of modificate a natural metabolism. This article focalize the experience or Ivan Pavlov, proving by reasoning the efficiency of the repetition of the indifferent agent preceding the unconditional stimulus, forming a conditional reflex. The prominence of the topic in inquiry is the possible psychic effect provided by conditional reflex that can modify the physiological reality.       
 
Key-words: Ivan Pavlov; Conditional reflex
 

Introdução

Existem dois tipos de reflexos: condicionados e incondicionados. Os reflexos incondicionados são aqueles com quais os animais nascem, sendo adquiridos ao longo da evolução da espécie, já determinado dentro do seu próprio sistema nervoso. Os reflexos condicionados são aqueles que os animais adquirem durante suas vidas, sendo um tipo de aprendizado que o sistema nervoso é capaz, tendo origem no córtex cerebral, o distribuidor primário e organizador de todas as atividades do organismo. 
Pavlov definiu reflexo condicionado como “uma conexão nervosa temporária entre um dos numeráveis fatores do meio ambiente com uma atividade bem determinada do organismo”. Assim, o reflexo incondicionado pode passar a condicionado, despertado por algum estímulo ambiental, até então previamente indiferente. 
O Prêmio Nobel, fundando por Alfred Nobel, é o primeiro reconhecimento internacional dado desde 1901 para realizações nas áreas de física, química, fisiologia e medicina, literatura e para a promoção da paz. Os ganhadores são anunciados no mês de outubro de cada ano, sendo o prêmio entregue no dia 10 de dezembro, aniversário de morte de Nobel.
O primeiro prêmio entregue na área de Fisiologia e Medicina foi em 1901, sendo seu principal campo de premiação a imunologia, genética, neurobiologia, desenvolvimentos de drogas e trabalhos contra doenças e morte. Ivan Pavlov ganhou o Prêmio Nobel em 1904, em reconhecimento de seu trabalho na fisiologia da digestão. 
 

Biografia

Ivan Pavlov nasceu na Rússia, na cidade de Ryazan, no dia 14 de setembro de 1849. Sob a influência do pai, um sacerdote, durante seus primeiros anos de vida estudou em uma escola de caráter religioso entrando, mais tarde, para o seminário. 
As idéias progressistas e o desenvolvimento científico da metade do século XIX mudaram radicalmente sua trajetória. Pavlov abandonou a carreira religiosa e decidiu dedicar-se à ciência. Para isso, ingressou no curso de Ciências Naturais da Universidade de São Petersburgo, em 1870. Durante esse período, apaixonou-se principalmente pela Fisiologia, sendo seu primeiro trabalho na faculdade sobre a fisiologia dos nervos pancreáticos. 
Após concluir o curso de Ciências Naturais em 1875, foi estudar na Academia de Cirurgia Médica. Formou-se quatro anos depois, novamente como aluno destacado. Com isso, se tornou diretor do Laboratório Fisiológico e tornou-se mais interessado para realizar pesquisas, sendo os tópicos de maior interesse para ele a circulação sanguínea e a digestão. Entre suas pesquisas sobre esses assuntos, está sua tese de doutorado apresentada em 1883, um estudo sobre os nervos do coração, o qual demonstrava os princípios básicos do funcionamento do sistema nervoso. 
Em 1890, Pavlov foi convidado para dirigir o Departamento de Fisiologia do Instituto de Medicina Experimental. Lá, permaneceu por 45 anos, até sua morte. Ainda nessa última década, tornou-se professor de Farmacologia e de Fisiologia na Academia Médica Militar.
Entre 1891 e 1900, desenvolveu estudos essenciais sobre fisiologia digestiva. A partir dessas pesquisas, demonstrou que o sistema nervoso atuava de forma dominante do sistema digestivo e também abriu caminho para o surgimento da nova ciência dos reflexos condicionados. 
Com suas pesquisas e descobertas, Pavlov tornou-se conhecido e respeitado por todo o mundo, sendo homenageado por diversas instituições e países. 
 

Descoberta

A experiência clássica de Pavlov é a do cão, campainha e salivação à vista de um pedaço de carne. Sempre que apresentarmos um pedaço de carne ao cão, a visão e a olfação provocam a salivação do animal. Se tocarmos uma campainha, a reação do animal será de orientação, olhando em direção à origem do estímulo sonoro. Se tocarmos a campainha e em seguida apresentarmos a carne ao cão, fazendo isso repetidas vezes, após certo tempo o simples tocar da campainha provoca a salivação do animal, preparando seu aparelho digestivo para receber a carne. Todo o organismo do cão reage como se a carne já estivesse presente, com a salivação, secreção digestiva, motricidade digestiva, etc. A campainha é um estímulo que não está relacionado com a alimentação, sendo meramente sonoro, mas passa a provocar modificações digestivas. 
Para o surgimento de um reflexo condicionado, há diversas condições, sendo elas:
a. Apresentação de repetidas vezes do agente indiferente com o estímulo incondicionado.
b. O agente indiferente deve preceder em pouco tempo o estímulo incondicionado.
c. Inexistência naquele momento de outros estímulos que possam provocar inibição de causa externa.
d. É necessária a repetição periódica do reflexo condicionado para que ele se mantenha.
Um estímulo indiferente, combinado com um estímulo capaz de atiçar um reflexo incondicionado, gera uma resposta incondicionada e, depois de algum tempo, o estímulo indiferente, por si só, é capaz de provocar uma resposta que pode ser considerada como condicionada. Esses estímulos indiferentes podem vir tanto do meio externo (estímulos sonoros, luminosos, olfativos, táteis, térmicos) como do meio interno (vísceras, ossos, articulações). 
Podem ser condicionadas reações voluntárias ou reações vegetativas involuntárias, permitindo respostas condicionadas motoras, secretoras ou neurovegetativas, excitatórias ou inibitórias. Dão possibilidade com que respostas involuntárias apareçam de acordo com a nossa vontade, se for usado o condicionamento adequado.     
A fisiologia pode ser modificada através do condicionamento. Tal afirmação foi observada em duas experiências com cães. A primeira, colocou-se uma sonda retal e introduziu-se um enema salino. Sabe-se que a presença desse soluto no intestino provoca o aumento da diurese para restabelecer o equilíbrio hidroeletrolítico. Depois de algumas sessões de administração de enema salino, a mera introdução da sonda retal, sem enema, provocou aumento da diurese. 
A outra experiência foi feita a partir da aplicação de injeção de insulina. Antes da aplicação, foi feito com que o cão ouvisse um assobio e a hipoglicemia surgia em decorrência da ação da insulina. Depois de algum tempo, pela simples audição do assobio instalou-se a hipoglicemia. Verificou-se que o metabolismo no animal alterou-se, passando a responder com hipoglicemia a um estímulo sonoro, que nada está relacionado, em condições normais, com o metabolismo dos glicídios.  
No ser humano, tudo indica que ocorreria o mesmo, tendo ainda mais um ponto a ser considerado: a presença de mais um tipo de estímulo, a linguagem. Ela pode ser tão real e tão efetiva como qualquer outro estímulo concreto, possibilitando, assim, o condicionamento.
Fazendo uma análise mais pormenorizada, podemos perceber a importância da descoberta de Pavlov no efeito placebo – trata-se de um efeito orgânico causado no paciente pelo condicionamento pavloviano ao nível de estímulos abstratos e simbólicos. Segundo essa explicação, o que conta é a realidade presente no cérebro e não a realidade farmacológica. A expectativa do sistema nervoso, em relação aos efeitos de uma droga pode anular, reverter ou ampliar as reações farmacológicas da droga. Além disso, pode fazer com que substâncias inertes provoquem efeitos que delas não dependem. 
 

Conclusão

A pesquisa realizada por Ivan Pavlov tende a mostrar a importância médica dos reflexos condicionados. As respostas fisiológicas podem ser diversas através da administração dos estímulos incondicionados, estimulando ou impedindo uma função. Devido aos benefícios ocasionados nas respostas fisiológicas pelos estímulos, os estudos desse pesquisador tornam-se, hoje, de fundamental importância e conhecimento na Medicina.
 

Referências Bibliográficas

AMARAL, J.R.; SABBATINI, R.M.E. Efeito Placebo: o poder da pílula de açúcar. Disponível em: < http://www.cerebromente.org.br/n09/mente/placebo1.htm >. Acesso em: 5 out. 2005. 
AMARAL, J.R.; SABBATINI, R.M.E. O que é reflexo condicionado. Disponível em: 
http://www.cerebromente.org.br/n09/mente/pavlov.htm >. Acesso em: 24 set. 2005.
NOBEL lecture: Ivan Pavlov. Disponível em: < www.nobelprize.org >. Acesso em: 5 out. 2005.
PAVLOV’S biography. Disponível em: < http://www.ivanpavlov.com/ >. Acesso em: 24 set. 2005.
PEOPLE and discoveries: Ivan Pavlov. Disponível em:
http://www.pbs.org/wgbh/aso/databank/entries/bhpavl.html >. 2Acesso em: 24 set. 2005.
 
Trabalho orientado por: 
Evania Luiza de Araújo
Jorge Alberto Salton
 
1905: HEINRICH H R KOCH

Heinrich Hermann Robert Koch – Prêmio Nobel em Medicina (1905)

Artigo científico escrito por Alyne Menegaz, Daniel Furlanetto e Rafaela Lazzari Pietroski.

Faculdade de Medicina – UPF

 
Robert Koch BeW.jpg
 
(FOTO: HEINRICH HERMANN ROBERT KOCH)
 

RESUMO: 

O médico, patologista e bacteriologista alemão Heinrich Hermann Robert Koch foi um dos fundadores da microbiologia e contribuiu para a atual compreensão da epidemiologia das doenças transmissíveis. Robert Koch descobriu e descreveu o agente do carbúnculo, bem como o seu ciclo e a etiologia da infecção traumática.Além disso,em 1882, foi o autor da descoberta do bacilo da tuberculose e sua responsabilidade etiológica.
 
PALAVRAS-CHAVE: Heinrich Hermann Robert Koch, microbiologia, agente do carbúnculo, bacilo da tuberculose.
 

ABSTRACT: 

The german physician, pathologist and bacteriologist Heinrich Hermann Robert Koch was one of the founders of microbiology and has contributed to the current comprehension of the transmissible disease’s epidemiology. Robert Koch discovered and described the carbunculus agent as well as its cycle and the traumatic infection’s ethiology. Besides, in 1882, he was the author of the tuberculosis bacillus’ discovery and its ethilogic responsibility.
 
KEY WORDS: Heinrich Hermann Robert Koch, microbiology, carbunculus agent, tuberculosis bacillus.
 

INTRODUÇÃO: 

O presente artigo tem como finalidade relatar a vida de Heinrich Hermann Robert Koch e as pesquisas por ele realizadas, médico contemplado com o Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia no ano de 1905 pela descoberta do Bacilo da Tuberculose. Conhecido por sua inteligência e persistência, destaca-se como um dos maiores bacteriologistas de todos os tempos. Além de ser o descobridor do bacilo da tuberculose teve feitos como a descoberta do vibrião da cólera e a origem dos estudos sobre a Doença do Sono. Koch provou ser o bacilo, de fato, a causa da doença, demonstrou a formação de esporos nos seus bacilos e inventou um método de cultivo e isolamento de bactérias. Publicou, então, seus estudos sobre a tuberculose em 1881, e logo depois anunciou o isolamento do bacilo causador da doença em 1882, que passou a ser chamado “bacilo de Koch”. Robert demonstrou em laboratório, no ano de 1891, o Fenômeno de Koch, a partir de animais primo-infectados. Paralelamente a esse estudo, Robert Koch obteve a tuberculina bruta, a qual não teve o seu valor terapêutico confirmado. O estudo a seguir reune informações sobre a vida e obra do agraciado com o Prêmio Nobel de Medicna ou Fisiologia no ano de 1905, contendo, portanto, a biografia do apresentador, suas descobertas e conclusões.
 

DESENVOLVIMENTO 

Biografia e pesquisas
 
Heinrich Hermann Robert Koch nasceu dia 11 de dezembro de1843, em Clausthal, nas Montanhas Altas de Harz, na Alemanha.Aos cinco anos de idade, incrivelmente, aprendeu  a ler sozinho, somente com ajuda de jornais, o que causou surpresa aos seus pais.A partir de então, foram pronunciadas sua inteligência e sua persistência, características sempre presentes em sua vida futura. Durante o ensino médio, cursado em uma escola local, demonstrava maior interesse por biologia, o que confirma a preferência pela Medicina. Aos dezenove anos, iniciou o curso de Medicina, na Universidade de Göttinen, na qual havia um professor de anatomia, Jacob Henle, que acreditava serrem as doenças infecciosas causadas por organismos vivos, parasitas. Koch sofreu  influência deste pensamento.No ano de 1865, teve sua única filha, Gerttrud,com Emmy Fraats, a qual tornou-se sua esposa no ano seguinte.Quando terminou o curso, em 1866, foi para Berlim e estudou química por seis meses.Em 1867, estabeleceu-se em Hamburgo, na clínica geral.Passou no Exame Regional Médico, e,em 1870, ofereceu-se para servir na Guerra Franco-Prussiana.No período de 1872 a 1880, foi médico de Wollstein, onde conduziu as pesquisas que o levaram ao topo do ranking de trabalhos científicos. Em 1880, foi indicado a membro do departamento Imperial da Saúde em Berlim, local onde continuou a aperfeiçoar os métodos bacteriológicos que usava em Wollstein. Dois anos depois de sua chegada em Berlim, descobriu o bacilo da tuberculose e também um método para multiplicá-lo em cultura pura. Em 1882 publicou seu clássico trabalho sobre esses bacilos.Foi enviado,em 1883, para o Egito como líder da Comissão Alemã da Cólera para investigar o aparecimento da cólera naquele país, e  descobriu o vibrião causador de cólera. Levou culturas puras deste vibrião para a Alemanha. Em 1885 Koch foi nomeado Professor de Higiene da Universidade de Berlim e diretor do recém formado Instituto de Higiene desta Universidade.Em 1890 foi nomeado General Brigadeiro de I Classe e Cidadão Honorário da Cidade de Berlim. Em 1891 ele se tornou professor honorário da faculdade de Medicina de Berlim e diretor do novo Instituto para doenças Infecciosas. Neste período, retornou ao seu trabalho sobre a tuberculose e buscou prender a doença por meio de uma preparação, chamada de tuberculina, feita a partir de culturas do bacilo da tuberculose. Ele fez duas preparações deste tipo e as chamou de nova e velha tuberculina respectivamente. Sua comunicação sobre a velha e nova tuberculinas provocou controvérsia e o valor de cura delas foi um desapontamento.Em 1893 Koch casou-se com Hedwig Freiberg. Em 1896 foi para a África do Sul para estudar a origem da Peste Bovina.Infelizmente,  não identificou a causa da doença, porém, conseguiu limitar o aparecimento dela injetando bílis retirada de vesícula biliar de animais infectados em animais de fazenda. A partir daí seguiram-se trabalhos na Índia e na África sobre a malária, febre da água preta, Surra de gado e cavalos e Peste, e a publicação de suas observações sobre essas doenças em 1898. Em dezembro de 1904 Koch foi enviado para a África oriental  para estudar a febre da costa leste de gado e fez importantes observações, não somente sobre essa doença, mas também das espécies patogênicas de Babesia e Trypanossoma e sobre espiroquetoses transmitidas por carrapatos, continuando seus trabalhos sobre esses microorganismos quando voltou para casa.Recebeu prêmios e medalhas, doutorados honorários das Universidades de Heidelberg e Bolonha, cidadania honorária de Berlim, Wollstein e sua cidade natal de Clausthal e associações honorárias em sociedades culturais e academias em Berlim, Viena, Posen, Perugia, Nápoles e Nova Iorque.Ganhou a ordem da Coroa Alemã, a Grande Cruz da Ordem Alemã da Águia Vermelha e ordens da Rússia e Turquia. Em 1905 ganhou o prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina. Em 1906 retornou para a África Central para trabalhar no controle de tripanossomíase humana, e demonstrou que o atoxyl é efetivo contra essa doença.  Depois, continuou seu trabalho experimental em bacteriologia e sorologia. Durante os últimos anos de sua vida, Robert Koch chegou a conclusão de que o bacilo que causa a tuberculose humana e bovina não são idênticos.Seu trabalho sobre o tifo levou à idéia de que essa doença é transmitida muito mais facilmente de homem para homem do que através de ingestão de água, e isso levou a novas medidas de controle. Morreu em Baden-Baden, em 27 de maio de 1910. Por muito tempo depois de sua morte ele foi honrado postumamente com memoriais e de outras maneiras, em vários países.
 
Investigação sobre o carbúnculo
O carbúnculo era prevalente entre os animais de fazenda da região de Wollstein e Koch, apesar de não ter equipamentos científicos e estar afastado inteiramente de bibliotecas, iniciou um estudo sobre esta doença. O laboratório dele era sua própria casa, e ele mesmo conseguiu equipamentos, exceto um microscópio que sua mulher lhe deu. Mais cedo o Bacillus anthracis tinha sido descoberto por Pollender, Payer e Davanie, e Koch se determinou a provar cientificamente que este bacilo é, de fato, a causa da doença. Ele inoculou camundongos, através de estilhaços de madeira feitos em casa, com Bacillus anthracis, isolados do baço de animais de fazendas que morreram de antrax, e verificou que estes camundongos estavam morrendo pelo bacilo, enquanto que camundongos inculados ao mesmo tempo com sangue de baço de animais saudáveis não adoeceram. Isso conformou o trabalho de outros que mostrava que a doença pode ser transmitida pelo sangue de animais infectados pelo bacilo. Robert koch também queria saber se o Bacillus anthracis que nunca tinha entrado em contato com nenhum tipo de animal podia causar doença. Para resolver este problema ele obteve culturas puras de bacilos, cultivando-os em humor aquoso do olho de boi. Estudando, desenhando e fotografando estas culturas, registrou a multiplicação dos bacilos e anotou que, quando as condições lhes são desfavoráveis, eles produzem dentro de si mesmos esporos arredondados os quais podem resistir às condições adversas, especialmente falta de oxigênio e que, quando as condições adequadas de vida são restauradas, os esporos dão origem aos bacilos novamente. Koch cultivou bacilos por várias gerações nestas culturas puras e mostrou que, apesar delas não terem contato com nenhum tipo de animal, eles podem assim mesmo causar antraz. Ferdinand Cohn, professor de botânica da Universidade de Breslau,em 1876, publicou o trabalho de Koch no Botanical Journal do qual ele era editor e Robert Koch imediatamente tornou-se famoso.Ele continuou a trabalhar em Wollstein por mais quatro anos e, durante este período, melhorou seus métodos de fixação, coloração, fotografia das bactérias e fez mais um importante trabalho no estudo de doenças nas infecções bacterianas de feridas, publicando seus resultados em 1878. Neste trabalho ele provou, como tinha feito com antrax, uma base prática e cientifica para o controle destas infecções.A partir de 1880, em seu novo e bem equipado laboratório em Berlim, inventou novos métodos para cultivar culturas puras do bacilo em meios sólidos como batata e agar mantido num tipo especial de recipiente plano inventado pelo seu colega, Petri.Ele também desenvolveu novos métodos de coloração de bactérias os quais as deixam mais facilmente visível e ajudam a identificá-las. O resultado de todo esse trabalho foi a introdução de métodos pelos quais a bactéria patogênica pôde ser simplesmente e facilmente obtidas em culturas puras, livre de outros organismos e através dos quais elas puderam ser detectadas e identificadas. Koch também decretou as condições conhecidas como Postulados de Koch, os quais devem ser satisfeitos antes que fosse aceito que uma bactéria específica cause uma doença em particular.
 

CONCLUSÃO:

O Prêmio Nobel premeia, ano após ano, ilustres cientistas que além de terem uma enorme importânicia para a comunidade científica, contribuem para o incentivo de novas pesquisas. No Ano de 1905 o contemplado foi Robert Koch, que foi um grande médico, químico e bacteriologista. Pesquisou vários assuntos e fez, também descobertas importantes para a história da medicina. O Prêmio Nobel desse ano deve-se à descoberta e ao estudo aprofundado do “bacilo da Tuberculose”. Demonstrou que animais de laboratório primo-infectados apresentam proteção contra novas inoculações do bacilo, sendo essa reação conhecida como “Fenômeno de Koch”. Robert se determinou a provar cientificamente que o bacilo é, de fato, a causa da doença, demonstrou a formação de esporos nos seus bacilos e inventou um método de cultivo e isolamento de bactérias. Ele chegou a conclusão de que o bacilo que causa a tuberculose humana e bovina não são idênticos. Paralelamente a esse estudo, Robert Koch obteve a tuberculina bruta, de triturados bacilares, substância que julgou pudesse ser utilizada no tratamento da doença. Embora o seu valor terapêutico não tenha sido confirmado, ficou evidente a possibilidade de sua utilização para o diagnóstico da infecção, indicativa da presença do bacilo no organismo do hospedeiro, independentemente de ser ou não doente. 
 

BIBLIOGRAFIA:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Koch
www.nobelprize.org
www.netsaber.com.br/biografias;
www.scielosp.org/scielo;
 
 
ORIENTADORES: 
Jorge Alberto Salton
1906: C. GOLGI e S. ÁMÓN Y CAJAL

Artigo escrito por:
SCARANTO, Marjurie
SARTORETTO, Priscila D. M.
MISTURA, Tainã C.

Faculdade de Medicina/UPF

 

RESUMO:

O Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1906 foi compartilhado por Camillo Golgi e Santiago Ramón y Cajal, por seus estudos sobre a estrutura fina do sistema nervoso central. Após aperfeiçoar a técnica de coloração histológica desenvolvida por Golgi, Ramón y Cajal concluiu que os neurônios, em vez de formarem uma teia contínua, comunicam-se entre si através de ligações chamadas sinapses. Sua hipótese constituiu a base da doutrina neuronal, a qual possibilitou o esclarecimento do processo de transmissão do impulso nervoso.
 
PALAVRAS-CHAVE: Camillo Golgi, Santiago Ramón y Cajal, doutrina neuronal, Premio Nobel de 1906, neurônios.
 

ABSTRACT:

The Medicine and Phisiology Nobel Prize of 1906 was shared by Camillo Golgi and Santiago Ramón y Cajal for their studies about the fine structure of the central nervous system. After improving  the histologic coloration technique developed by Golgi, Ramón Y Cajal concluded that the neurons, instead of forming a continuous texture, are communicated through linkings called sinapses. His hypothesis constituted the base for the neuronal doctrine, which made possible the  explanation of the nervous impulse transmission process.
 
KEY WORDS: Camillo Golgi, Santiago Ramón y Cajal, neuronal doctrine, Nobel Prize in Phisiology or Medicine of 1906, neurons.
 

INTRODUÇÃO:

O presente trabalho trata sobre as biografias e as pesquisas de Camillo Golgi e Santiago Ramón y Cajal, dois grandes neuroanatomistas que, em virtude de seus estudos, conquistaram o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina do ano de 1906, o primeiro a ser concedido em neurociências.
Golgi, com seus estudos de coloração histológica e Cajal, com suas descobertas sobre a constituição do tecido nervoso, revolucionaram a ciência da época à medida que ajudaram a esclarecer o funcionamento dos impulsos nervosos.
O objetivo deste trabalho consiste em analisar e compreender as pesquisas desses dois estudiosos e seus impactos na ciência atual.
 

BIOGRAFIA:

Camillo Golgi 
 
O ilustre médico e biólogo Camillo Golgi nasceu em Corteno (Itália) em 1844. Reconhecido mundialmente, é lembrado por seus importantes estudos sobre o sistema nervoso humano, principalmente por ter identificado o organito celular que atualmente possui seu nome.Golgi estudou medicina na Universidade de Pávia, graduando-se em 1865. Trabalhou em uma clínica psiquiátrica, foi professor de anatomia nas Universidades de Siena e Turin e foi catedrático de Histologia na Universidade de Pávia, na qual chegou a ser diretor e reitor da Faculdade de Medicina. Foi o primeiro a usar nitrato de prata na coloração de tecidos nervosos, provocando uma revolução nos estudos laboratoriais desses tecidos. Demonstrou a estrutura das células nervosas, células de Golgi, mostrando que as mesmas se conectam a outras células nervosas através de ramificações minúsculas, os dendritos. A descoberta abriu caminhos para que o cientista alemão Wilhelm Von Waldeyer-Hart e o espanhol Santiago Ramón y Cajal pudessem definir célula nervosa como unidade estrutural básica do sistema nervoso, contribuindo para o avanço da neurologia. Descobriu o ponto terminal das fibras sensoriais nervosas, tendão de Golgi (1876) e a  presença de uma rede irregular de fibrilas, cavidades e grânulos, chamada complexo de Golgi que é fundamental na constituição de membranas, armazenamento de proteínas e lipídios e transporte de partículas pela membrana celular. Além disso, sobre patologia, ele demonstrou a existência de três diferentes tipos de parasitas da malária. Mas,graças ao seu trabalho na estrutura do sistema nervoso, Golgi dividiu com o histologista Santiago Ramón y Cajal, o Prêmio Nobel em Medicina ou Fisiologia de 1906.
 
Santiago Ramón y Cajal
 
Notabilizado por  seu pioneirismo em estudos sobre a estrutura fina do sistema nervoso, o histologista espanhol Santiago Ramón y Cajal, nasceu na cidade de Petilla de Aragón em maio de 1852. Em 1864 ingressou no Instituto de Huesca e, dois anos depois, começou a trabalhar como aprendiz de sapateiro e ajudante de barbearia com seu irmão. Seus estudos preparatórios para medicina tiveram início no ano de 1869, em Zaragoza. Em 1871, foi nomeado auxiliar de dissecação e, dois anos mais tarde, licenciou-se em Medicina, logo sendo incorporado como médico militar do Cuerpo de Sanidad Militar. Nessa qualidade, foi enviado para Cuba, onde teve contato com malária e tuberculose. No ano de 1877 obteve doutorado em Madrid, interessando-se por histologia. Casou-se com Silvéria Fañanás García (1879) e em 1880 tiveram início publicações de seus primeiros trabalhos científicos. Foi professor, nessa época, da Universidade de Barcelona e Madrid. Em 1889, descobriu mecanismos controladores da morfologia e os processos conectivos das células nervosas na medula espinhal, e iniciou a publicação da Revista Trimestral de Histología Normal y Patológica. Cajal demonstrou mudanças dos neurônios durante o funcionamento do sistema nervoso e foi o primeiro a isolar células nervosas do cérebro, as “células de Cajal”. Tal trabalho lhe rendeu o Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina de 1906, juntamente com Camillo Golgi, citologista italiano. Fundou a Revista Micrográfica  e tornou-se membro da Real Academia de Medicina de Madrid (1896). Deixando seus 6 filhos, Cajal morre em Madrid (1934), lugar onde havia fundado o Instituto Cajal (1922), destinado a estudos de neuro-histologia. Seus principais livros foram Manual de Histología (1886), Textura del Sistema nervioso del hombre y de los vertebrados(1904), Degeneración y Regeneración del sistema nervioso (1914) e El mundo visto a los ochenta años (1934). Recebeu outros prêmios, além do Nobel, destacando-se o Prêmio Echegaray de La Real Academia de Ciências de Madrid.
 

PESQUISA

Camillo Golgi foi o responsável por inventar uma técnica específica para corar neurônios, que ele denominou de "la reazione nera" (a reação negra). Ela consistia em fixar partículas de cromato de prata ao neurilema (a membrana do neurônio) através de uma reação química entre nitrato de prata e bicromato de potássio. Isto resultava em um depósito negro no corpo celular, nos axônios e nos dendritos, formando uma imagem clara e detalhada do neurônio e seus processos, contra um fundo amarelado. Assim, pela primeira vez, os neuroanatomistas conseguiam enxergar e seguir aonde que estas complexas ramificações iam e voltavam numa determinada área do sistema nervoso, e descrever com detalhe a riqueza dessas ramificações. Golgi foi capaz de explorar sua técnica, descrevendo, por exemplo, que os axônios também podiam ter muitos colaterais, que possibilitavam uma divergência de conexões insuspeitada até então. Defendia a posição reticularista, no entanto, porque ele não conseguiu distinguir com toda a certeza se os neurônios não se fundiam uns com os outros. 
A técnica original de Golgi era pouco confiável, pois não corava todos os neurônios de uma preparação, e não era efetiva com axônios mielinizados. Como a técnica era, por si, incapaz de destacar uma separação clara entre os neurônios conectados, Golgi tornou-se um defensor ferrenho do reticularismo, o qual ele pensava fazer mais sentido quanto à maneira que o sistema nervoso operava. Entretanto logo começaram a aparecer evidências que as células neuronais eram individualizadas.
Santiago Ramón y Cajal, na Espanha, a partir de 1887, melhorou a técnica de Golgi e usando cérebros mais jovens ou de pássaros, pois ambos são mais abundantes em fibras não mielinizadas, fez extraordinários desenhos da organização do sistema nervoso chegando à conclusão de que em todo o sistema, na medula e no cérebro, ele encontrava neurônios claramente individuais. Particularmente, terminações axonais em forma de cesta próximas a outros neurônios, convenceram Cajal que esta continuidade entre axônios e neurônios não podia existir, dessa forma não havia evidencias para a hipótese reticularista. 
Wilhelm His, bem como Cajal, documentou em 1886 que os dendritos e axônios de neurônios imaturos, observados em cérebros de embriões, cresciam progressivamente a partir do corpo celular. Dessa forma, era mais provável um contato entre neurônios que uma união entre eles, pois coisas que crescem separadas tendem a manter-se separadas. 
 Auguste-Henri Forel (1848-1931), cientista suiço, observou no mesmo ano que His (1886), que quando o corpo celular do neurônio morre ou quando um axônio é cortado, ocorre uma degeneração no axônio remanescente distal à parte que morreu (também chamada de degeneração walleriana, em homenagem ao patologista que a descobriu, Waller), mas que ela não progride além da junção deste axônio com outros neurônios. Deste modo, é evidente que axônios de um neurônio e dendritos de outro são separados, pois do contrário a degeneração se espalharia por uma extensão maior da rede.
Quando Cajal começou a investigar a estrutura fina do sistema nervoso em 1988, usando sua técnica de Golgi modificada, ele era praticamente desconhecido para o resto do mundo, principalmente porque ele optou por publicar seus resultados em espanhol, em uma revista que ele mesmo fundou e mantinha com recursos próprios. No entanto, logo ele percebeu que esse isolamento iria manter seu esplendoroso trabalho fora dos olhos de quem realmente interessava na neuroanatomia daquela época, que eram os cientistas alemães. Assim, ele traduziu alguns de seus artigos para o alemão, e passou a freqüentar congressos internacionais a partir de 1889. O seu trabalho brilhante e a sua audácia nas conclusões chamou a atenção da comunidade internacional e logo conquistou vários adeptos, entre os quais os dois mais importantes: Rudolph Albert von Kölliker and Wilhelm von Waldeyer. Von Kölliker, que antes tinha sido um tenaz defensor da hipótese reticularista, converteu-se aos argumentos de Cajal a favor de neurônios como células independentes e passou a apoiar sua causa. Ele chegou a aprender espanhol, para traduzir os trabalhos de Cajal para o alemão. Finalmente, von Waldeyer escreveu uma revisão extremamente influente em 1891, na qual dava um fim à hipótese reticularista e declarava os princípios da doutrina neuronal, baseado nas conclusões de vários cientistas, como Forel, His e outros. O trabalho pioneiro e extraordinário de Cajal, no entanto, estava presente em toda a parte.
Particularmente relevantes entre as propostas de Cajal, estava o que ele chamou de Lei da Polaridade Dinâmica, e na qual que afirmava que a propagação da corrente de ação era sempre na direção dos dendritos para os axônios, dentro de uma célula, e do axônio para os dendritos ou o corpo celular, entre duas células. Esta foi uma contribuição fundamental para a neurofisiologia, e é a base da organização funcional de todo o sistema nervoso, pelo menos em vertebrados. 
Entre muitas outras coisas, Cajal descobriu estruturas características em dendritos, aos quais ele denominou de "espinhas", por causa de sua aparência visual. Bem mais tarde, estas importantes estruturas foram explicadas como sendo parte do dispositivo receptor de sinapses dos dendritos, e que elas podem mudar em número e morfologia em resposta à função. Cajal foi quase clarividente em propor que o aumento do número de sinapses poderia ser um dos mecanismos do aprendizado e da memória.
Como resultado das extraordinárias contribuições feitas por Cajal à ciência, ele é colocado por alguns historiadores na mesma altura de Copérrnico, Vesálio, Galileu, Newton e Darwin. Por suas contribuições, Golgi e Cajal compartilharam o prêmio Nobel de 1906. Em seu discurso de aceitação, entretanto, Golgi, curiosamente, optou por ainda defender a hipótese reticularista, apesar de toda a evidência em contrário. Golgi estava ainda enganado, ao propor funções meramente nutritivas para os dendritos. Ele foi imediatamente contestado em todos esses pontos pelo discurso de Cajal.
 

CONCLUSÃO

Por meio deste estudo, foi possível conhecer e compreender as pesquisas iniciais sobre o sistema nervoso humano. Foi possível também reconhecer a importância e a amplitude dos estudos realizados por Golgi e Cajal, os quais causaram um revolucionário impacto na sua época e, além disso, abriram portas para que outros pesquisadores pudessem aprimorar o conhecimento sobre a área. Assim, por meio do empenho dos ganhadores do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina de 1906, é que, atualmente, temos maior clareza sobre o aspecto científico do sistema nervoso. 
 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BENTIVOGLIO, M.  Life and discoveries of Camillo Golgi : Acesso em: 5 de abr. 2008.
  
CAMILLO GolgI Acesso em: 29 de mar. 2008.
 
NOBELPRIZE.ORG, The Nobel Price in Physiology or Medicine. Disponível em: Acesso em: 29 de mar. 2008.
  
SANTIAGO Ramón y Cajal. 
Disponível em: Acesso em: 24 de mar. 2008. 
  
VIDA e obra de Camillo Golgi. Disponível em: Acesso em: 24 de mar. 2008.
 
VIDA e obra de Santiago Ramón y Cajal. Disponível em: Acesso em: 24 de mar. 2008.
 
 
Orientador:
Jorge Salton
 
1907: CHARLES LAVERAN

 

Artigo científico escrito por: 
Mariana F. Mattioni e Marília S. Candaten
Faculdade de Medicina - UPF
Resumo
 
Este trabalho bibliográfico sobre Charles Louis Alphonse Laveran busca compreender e estudar a vida de pesquisadores que ganharam o Prêmio Nobel de Medicina por suas descobertas e contribuições na área médica. Laveran (1845-1922), físico francês, patologista e parasitologista, descobriu o parasita que causa a malária humana. Por este, e outros trabalhos posteriores sobre doenças causadas por protozoários, recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia Médica em 1907. Enquanto servia como um cirurgião militar na Argélia, em 1880, Laveran descobriu a causa da malária através do desenvolvimento de autópsias que conduzia nas vítimas dessa doença. Ele achou que o organismo causador era um protozoário, mais tarde nomeado Plasmodium. Laveran tinha uma influência poderosa no desenvolvimento de pesquisas na medicina tropical, seguindo trabalhos proveitosos nas tripanossomíases e outras doenças causadas por protozoários, assim como seu trabalho sobre a malária. 
 
Palavras–chave: Charles Louis Alphonse Laveran, Prêmio Nobel, malária, protozoários
 
Abstract
 This bibliographic work about Charles Louis Alphonse Laveran intends to understand and to study the researchers’ life which won the Nobel Prize for Medicine because their discoveries and their contributions in the Medicine field. Laveran (1845-1922), French physician, pathologist, and parasitologist who discovered the parasite that causes human malaria. For this and later work on protozoal diseases he received the Nobel Prize for Physiology or Medicine in 1907. While serving as a military surgeon in Algeria in 1880, Laveran discovered the cause of malaria in the course of the autopsies he conducted on malaria victims. He found the causative organism to be a protozoan, it was later named Plasmodium. Laveran was a powerful influence in developing research in tropical medicine, carrying on fruitful work in trypanosomiasis and other protozoal diseases, as well as his epochal work in malaria.
Key words: Charles Louis Alphonse Laveran, Nobel Prize, malaria, protozoa 
 
 
Introdução
 
Neste trabalho relataremos a vida e pesquisa de Charles Louis Alphonse Laveran até chegar à descoberta do parasita causador da malária. Procuramos explicitar a história e importância de grandes pesquisadores da área da saúde que, com suas descobertas, contribuíram para os avanços da medicina. Nossa revisão bibliográfica desse ganhador do Prêmio Nobel busca despertar nosso espírito crítico e nos incentivar à realização de pesquisas. Como estudantes do primeiro ano do curso de Medicina, é importante que conheçamos o máximo de pesquisadores passados e, como não há nenhum trabalho conhecido sobre os ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina, estamos levantando tal revisão bibliográfica.
Temos como objetivo analisar a história desse grande pesquisador e o desenvolvimento de sua pesquisa, mostrando a importância de suas descobertas para a medicina atual. 
 
Desenvolvimento
 
A malária é uma doença infecciosa aguda potencialmente grave causada por parasitas (protozoários do gênero Plasmodium) que são transmitidos, de uma pessoa para outra, pela picada da fêmea do mosquito do gênero Anopheles. Antes da descoberta do protozoário, a malária tinha uma grande importância no sul do continente europeu, particularmente na Grécia e na Itália. As febres causadas por ela em muitas localidades tornaram-se a doença dominante e estava em primeiro lugar nas causas de morbidade e mortalidade, constituindo também um obstáculo para a adaptação de estrangeiros nessa região. Essas febres tinham origem desconhecida até então. As pesquisas de Laveran levaram-no à descoberta da sua causa, que está nos parasitas que se alojam nas hemáceas do sangue humano. 
Charles Louis Alphonse Laveran nasceu em Paris no dia 18 de junho de 1845, na casa que era anteriormente localizada na rue de l’Lest número 19 e que atualmente, depois que o distrito foi reconstruído, se localiza um hotel, cujo endereço é rua Boulevard St. Michel número 125. Seu pai e seu avô paterno eram médicos. Seu pai, o Dr. Louis Théodore Laveran, era doutor do exército e professor no École de Val-de-Grâce, sua mãe era filha e neta da mais elevada categoria social de comandantes do exército. Quando era muito jovem, Laveran foi com sua família para a Argélia. Seu pai retornou à França como professor no École de Val-de-Grâce, no qual se tornou diretor na categoria de Inspetor Médico do Exército. Laveran, depois de completar sua educação em Paris no Collège Saint Baube e mais tarde no Lycée Louis-le-Grand, desejou seguir a profissão do seu pai e, em 1863, entrou na Escola de Saúde Publica de Strasbourg, onde freqüentou o curso por 4 anos. Em 1866, ele foi nomeado estudante de residência médica dos hospitais civis de Strasbourg. Em 1867, submeteu uma tese sobre a regeneração dos nervos. Em 1870, quando a guerra franco-germânica estourou, Laveran era o principal assistente médico e foi emitido ao exército em Metz como oficial da ambulância. Fez parte nas batalhas de Gravelotte, de Saint-Privat e no sítio de Metz. Depois disso voltou à França e se juntou, primeiramente, ao Hospital Lille e então ao Hospital São Martim em Paris. Em 1874 foi apontado, após um exame competitivo, para a cadeira de doenças e de epidemias militares no École de Val-de-Grâce, ocupada previamente por seu pai. Em 1878, quando seu período na função tinha terminado, foi emitido a Bône na Argélia e permaneceu lá até 1883. Foi durante esse período que ele realizou suas principais pesquisas sobre o protozoário humano da malária, primeiro em Bône e depois em Constantine.
Quando estava na França, Laveran viu apenas formas raras e benignas das febres da malária. Porém, na Argéria, um grande número de seus pacientes teve as febres da malária e ele pôde estudá-las. Teve a oportunidade de fazer necropsias em pacientes mortos pela maligna febre e estudar a melanina e a formação de pigmentos pretos no sangue dos pacientes afetados pela malária. Esta melanina tinha sido descrita por muitos observadores, mas as pessoas ainda estavam em dúvida sobre a constância de alteração na malária e sobre as causas da produção desse pigmento.
Laveran ficou surpreso com as características especiais desses pigmentos escuros presentes especialmente nos capilares do fígado e nos centros cérebro-espinhais e tentou prosseguir o estudo do sangue das pessoas afetadas pela febre da malária. Encontrou no sangue: leucócitos mais ou menos impregnados com o pigmento e mais corpos de pigmentos esféricos de variados tamanhos com movimentos amebóides, livres ou aderidos às células vermelhas; corpúsculos não pigmentados formando bolinhas claras nas células vermelhas; finalmente elementos pigmentados, crescentes em forma, chamaram sua atenção, e então ele supôs que fossem parasitas.
Em 1880, no Hospital Militar de Constantine, Laveran descobriu, nas bordas dos corpos esféricos pigmentados do sangue dos pacientes que sofriam da malária, elementos filiformes parecendo-se com flagelados, os quais se moviam muito rapidamente, deslocando-se contíguos às células vermelhas. Não teve mais dúvidas da natureza dos parasitas que havia encontrado; descreveu a aparência principal dos hematozoários, enviados em memorando para a Academia de Medicina, a Academia de Ciências (1880 – 1882) e uma monografia intitulada: Nature parasitaire des accidents de l'impaludisme, description d'un nouveau parasite trouvé dans le sung des malades atteints de fièvre palustre, Paris, 1881.
Suas primeiras comunicações sobre os parasitas da malária foram recebidas com muito ceticismo. 
Em 1879, Klebs e Tommasi Crudeli tinham descrito com o nome de Bacillus malariae,um bacilo encontrado no solo e na água dos locais de malária e um grande número de observadores italianos publicaram artigos confirmando o trabalho desses autores.
Os hematozoários que Laveran tinha dado como os agentes da malária não se pareciam com bactérias e estavam presentes em formas desconhecidas, estando completamente fora do círculo de micróbios patogênicos conhecidos, e muitos observadores não sabiam como classificá-los, achando mais simples duvidar da sua existência.
Em 1880, a técnica de exame de sangue era, infelizmente, muito imperfeita, o que contribuiu para a prolongação da discussão relativa aos novos hematozoários. Era necessário aperfeiçoar a técnica e inventar novos procedimentos de coloração para demonstrar sua existência.
Investigações confirmatórias, primeiramente raras, se tornaram mais e mais numerosas; ao mesmo tempo parasitas endoglobulares foram descobertos em diferentes animais, os quais se pareciam muito com os hematozoários da malária. Em 1889, o hematozoário de Laveran foi encontrado na maior parte das regiões de malária e não era mais possível duvidar da sua existência e da sua ação patogênica. No mesmo ano, a Academia de Ciências concedeu-lhe um prêmio pela descoberta dos parasitas da Malária.
Muitos observadores, antes de Laveran, tinham buscado, sem sucesso, a causa da malária, e ele também teria falhado se tivesse se contentado em examinar somente o ar, a água e a terra das localidades da malária, mas ele levou em conta a anatomia patológica e o estudo do sangue de pacientes com a doença assim, atingiu sua meta.
 Depois da descoberta do parasita da malária no sangue dos pacientes, uma pergunta importante permaneceu ainda a ser resolvida: em que estado existem o hematozoário fora do corpo e como a infecção acontece? A solução deste problema requereu muito tempo e pesquisas laboratoriais. Depois de ter tentado descobrir o parasita no ar, na água, ou nas terras de áreas de malária e tentando cultivar isto nas mídias mais variadas, Laveran se convenceu de que o micróbio já estava presente fora do corpo humano em um estado parasitário e, muito provavelmente, como um parasita de mosquitos.  
 Ele avançou esta opinião em 1884 em seu Traité des fièvres palustres (Tratado em febres de malária) e voltou a isto em várias ocasiões. Em 1884, também foi nomeado professor de higiene militar na École de Val-de-Grâce. 
Laveran indicou a rota clara que era necessário seguir para chegar à meta; procurar o que restava do parasita no corpo dos mosquitos que tinham chupado o sangue infectado por malária. Já tendo saído dos países da malária, não foi possível para ele fazer essa descoberta, fato que ficou a cargo do pesquisador Ronald Ross, que demonstrou que os hematozoários da malária e o íntimo Haemamoeba malariae de pássaros completam várias fases da sua evolução no Culicidae e são propagados por estes insetos.
Hoje as transformações que o parasita da malária sofre em mosquitos do gênero Anopheles são bem conhecidas e não há nenhuma dúvida no papel que estes insetos fazem na propagação da malária.
Em 1894, quando seu período no cargo de professor estava acabando, Laveran foi nomeado secretário médico principal do Hospital de Lille e então diretor dos serviços de saúde do 11º corpo da armada em Nantes. Ele não tinha um laboratório e nem pacientes, mas queria continuar suas investigações científicas. Obteve o cargo de secretário médico principal da primeira classe e, em 1896, entrou no Instituto Pasteur como chefe do serviço honorário.
Em 1899, seu trabalho principal sobre a malária teve como o objetivo o estudo do Culicidae, sua relação com a endemia da doença, e a profilaxia racional deste mal terrível.  Estudou o Culicidae na França e nas colônias francesas e pôde mostrar em uma série de anotações publicadas na Academia de Ciências, e à Sociedade de Biologia, que o Anopheles pode ser achado em todas as localidades da malária. De 1897 até 1907, realizou muitas pesquisas originais sobre o Hematozoário endoglobular, o Esporozoário e o Tripanossomo.
Desde 1900, estudou principalmente os Tripanossomos e publicou, independentemente ou em colaboração com outros, um grande número de artigos sobre esses parasitas do sangue. Estudou, primeiramente, os tripanossomos de vários animais e, finalmente e especialmente, o tripanossomo que causa a terrível doença endêmica da África Equatorial conhecida como a doença do sono.
Tripanossomos são protozoários, muito diferentes dos hematozoários endoglobulares; eles vivem em estado livre no plasma e não em um estado de inclusão nas células vermelhas ou em outros elementos anatômicos; eles pertencem à classe dos flagelados. O trabalho de Laveran (não completado) sobre o tratamento das doenças causadas por tripanossomos, e especialmente em infecções pelo Tr.gambiense, já tiveram importantes resultados.
Em 1907, Laveran ganhou o Prêmio Nobel pelo seu trabalho com os protozoários como causa de doenças e deu metade do prêmio ao Laboratório de Medicina Tropical do Instituto Pasteur.
O Prêmio Nobel é um prêmio internacional dado desde 1901 por realizações feitas na área da Física, Química, Medicina, Literatura e para a Paz. Em 1968, o Banco da Suécia instituiu o Prêmio em Ciências Econômicas em memória a Alfred Nobel, fundador do Prêmio Nobel. 
Os ganhadores do Prêmio são anunciados em outubro todo ano. Eles recebem seus prêmios (uma prêmio quantitativo, uma medalha de ouro e um diploma) no dia 10 de dezembro, data do falecimento do Nobel.
Em 1908, Laveran fundou a Sociedade de Patologia Exótica, a qual presidiu por 12 anos. No entanto, não abandonou seu interesse pela malária.
Para resumir, Laveran não cessou, por 27 anos, seus trabalhos sobre os protozoários patogênicos e o campo que ele abriu com sua descoberta sobre os parasitas da malária tem aumentado progressivamente. As doenças causadas por protozoários constituem hoje um dos capítulos mais interessantes na patologia médica e veterinária.
Laveran foi, em 1893, eleito como um membro da Academia de Ciências. Também se tornou, em 1912, comandante da Legião da Honra. Durante os anos de 1914 até 1918, fez parte de todos os comitês, preocupado com a manutenção da boa saúde das tropas, visitando unidades do Exército, compilando reportagens e instruções apropriadas. 
Em 1885, casou-se com Mlle. Pidancet. Em 18 de maio de 1922, faleceu depois de uma doença que durou vários meses. 
 
Conclusão
 
A criação desse artigo nos possibilitou um maior conhecimento sobre um dos grandes pesquisadores na área da Medicina e como ele procedeu na sua pesquisa.
A partir dessa revisão bibliográfica concluímos que Charles Louis Alphonse Laveran teve grande importância para a medicina e medicina veterinária ao descobrir o protozoário que causa a malária e assim contribuindo para a futura descoberta do tratamento e prevenção dessa doença. Além disso, incentivou outros pesquisadores a estudarem os protozoários, sendo hoje conhecidos 150 espécies que podem causar doenças em diferentes hospedeiros vertebrados. 
O Prêmio Nobel teve importância na divulgação de seus achados e como reconhecimento pelo seu trabalho científico. Esse Prêmio também representa um estímulo a novos pesquisadores que buscam respostas para questões que hoje são obscuras na área da saúde, contribuindo para o progresso nessa área. 
 
Bibliografia
 
Nobel Prize. Disponível em:<http://www.nobelprize.org> . Acesso em: 02 setembro 2005
Wikipedia. Disponível em:<http://de.wikipedia.org/wiki/Hauptseite>. Acesso em: 03 de setembro de 2005.
 
Orientadores: Evânia de Araújo
                    Jorge Salton 
1908: P. EHRLICH e I. MECHNIKOV

 

Artigo científico escrito por:
DE BONA, Maicklin L. W. e UGHINI, Marcela
Faculdade de Medicina - UPF
Resumo
 
Este presente artigo, através de um estudo bibliográfico, resume a vida e obra do vencedor e do co-vencedor do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1908.Além disso, faz parte de uma série de artigos feitos pelos acadêmicos de Medicina da Universidade de Passo Fundo-RS. Nessa pesquisa bibliográfica relata-se que o médico polonês, Paul Ehrlich(1854-1915), o qual iniciou seus estudos com a prática de manchar tecidos animais com corantes, ganhou o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina por seus trabalhos sobre imunologia. Paul teve como co-vencedor o russo Ilya Ilyich Mechnikov(1845-1916), o qual era biólogo e descobriu a digestão intracelular. Ilyich também contribuiu, através de seus estudos, com os imunologistas modernos. Isso prova que uma pesquisa sempre pode influenciar novas pesquisas, permitindo, assim, a evolução humana.
 
Palavras-Chave:Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, Imunologia, Paul Ehrlich, Ilya Ilyich Mechnikov.
 
Abstract
 
This present article, through a bibliographical study, summarizes the life and workmanship of the winner and co-winner of the  Nobel Prize of Physiology or Medicine of 1908.Moreover, it is part of an article series made for the academics of medicine of the university of Passo Fundo. In this bibliographical research one tells that the Polish doctor, Paul Ehrlich(1854-1915), which initiated his studies whit the practical  one to spot weaved animal with corantes, gained the Nobel Prize  of Physiology or Medicine for his works on immunology. Paul had as co-winner the Russian Ilya Ilyich Mechinikov(1845-1916) , which was biologist and discovered the intracellular digestion. Ilya also contributed , through his studies, whit the modern immunologists. This tests that one search can always influence new research , allowing, thus, the evolution of human being  .
 
Keywords:Nobel Price of Physiology or Medicine, Immunology, Paul Ehrlich, Ilya Ilyich Mechnikov.
 
Introdução 
 
A Faculdade de Medicina da Universidade de Passo Fundo-UPF, através do módulo de Educação e Ética Médica, acredita ser importante que seus acadêmicos pesquisem vida e obra dos ganhadores do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina. Nesse sentido,as pesquisas farão parte de uma série de artigos que serão reunidos e publicados em um livro, já que, até o presente momento, não há nenhuma publicação desse tipo. Dessa forma, foi realizado um estudo bibliográfico com o objetivo de levantar dados para interpretar e entender vida e obra de Paul Ehrlich e Ilya Ilyich Mechnikov, que foram os ganhadores do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1908 com seus estudos sobre imunologia, que é a ciência que estuda a resistência as doenças. Logo, crê-se que, ao tomar conhecimento do passado histórico da Medicina entender-se-á melhor a evolução da humanidade, além de incentivar novas pesquisas.
 
Desenvolvimento
 
Paul Ehrlich
 
Paul Ehrlich nasceu em 14 de março de 1854 em Strehlen, na atual Polônia .Filho dos Judeus Ismar Ehrlich e Rosa Weigert. Iniciou seus estudos acadêmicos em Breslau, depois foi para Estrasburgo, retornou para Breslau e concluiu-os em Leipzig. 
 
Em 1878 defendeu sua tese de doutorado com uma dissertação sobre a teoria e prática de manchar tecidos animais com corantes, os quais ele classificou como sendo básicos, ácidos ou neutros. Em 1882 Paul publicou seu método de manchar o bacilo do tubérculo que Koch havia descoberto. Sendo assim, deu base aos bacteriologistas modernos. Em 1889, concentrando-se em pesquisas sobre processos imunilógicos e no estudo de algumas toxinas , como difteria, apresentou a famosa “side-chain teory of immunity”. Nesta, observou os anticorpos desenvolvidos pelo organismo em reação contra as afecções microbianas. Ela dizia que a superfície do glóbulos brancos está coberta por várias cadeias laterais, ou receptores,  que foram ligações químicas com os antígenos(moléculas que são capazes de serem reconhecidas pelo sistema imune). Dado qualquer antígeno , pelo menos um destes receptores seria capaz de reconhecer e se ligar a ele. O contato com um dado antígeno seria responsável por estimular um célula a produzir anticorpos.
 
Em 1897, tornou-se funcionário de saúde pública de Frankfurt-am-Main e em 1899 foi criado o Royal Institute of Expeimental Therapy, no qual Paul era diretor. Com a ajuda de seus assistentes, em 1907, desenvolveu um corante, o qual denominou vermelho tripânico. Esse corante destruía nos camundongos, os tripanosomas, que são micróbios semelhantes ao Treponema pallidum , causador da sífilis.Com esse feito, após 2 anos de tentativas conseguiu produzir  o SALVARSON ou composto 606, assim chamado porque era o sexcentésimo sexto composto elaborado contra a sífilis.
 
O Salvarson é uma mistura orgânica de anidrido arsênico. Foi muito difícil de elaborar esse remédio, pois o arsênio é uma droga altamente tóxica e que em pequenas doses pode matar o organismo. Então o maior trabalho, vencido por Paul Ehrlich, em 1909, foi elaborar um composto que matasse o protozoário espiroqueta, causador da sífilis, sem matar o organismo anfitrião. O Salvarson  dividiu a era dos antibióticos por ser um composto sintético, elaborado em laboratório. Assim, pode ser considerado o primeiro antibiótico feito pelo homem. Não obstante, o salvarson foi usado no tratamento da sífilis apenas até os anos quarenta, quando foi descoberta a penicilina.
 
Mais tarde, Ehrlich, em trabalho experimental sobre tumores, descobriu que o sarcoma pode evoluir para carcinoma. 
 
Ehrlich era membro honorário de 81 academias, recebeu condecorações no mundo todo, ganhou com Ilya o Prêmio Nobel em 1908, publicou seu primeiro livro científico, O SALVARSON, me 1912. Paul casou-se em 1883, teve duas filhas e em 1915 faleceu de ataque cardíaco em Bad Homburg. 
 
Ilya Ilyich Mechnikov
 
Ilya Ilyich Mechnikov nasceu no dia 16 de maio de 1845 em uma vila pero de Kharkoff na Rússia. Iniciou seus estudos acadêmicos na Universidade de Kharkoff, na qual estudou ciências naturais, que era a realização de um desejo que possuía na infância. 
Ilya estudou a fauna marinha em Heligoland. Estudou,também, em Giessen, onde em 1865 descobriu a digestão intracelular observando vermes. Preparou, me Nápoles, sua tese de doutorado, na qual ele descrevia o desenvolvimento embriológico do peixe Sepiola e do crustáceo Nelalia.
 
Em 1867 retornou a Rússia, onde, maus tarde foi apontado como professor titular de zoologia e anatomia da Universidade de Odessa. Devido a dificuldades na universidade, Mechnikov foi para Messina trabalhar em um laboratório particular, no qual fez a grande descoberta dos fagócitos, o que contribuiu com estudos sobre imunologia, pois observou que os leucócitos digeriam bactérias. A primeira controvérsia em imunologia surgiu quando Ilya Mechnikov demonstrou a existência de células que eram capazes de “comer” microorganismos, os fagócitos. Ele sugeriu que os anticorpos apresentavam pouca importância no sistema imunológico.
 
Retornou a Odessa, mas devido a hostilidade recebida, por não ser médico, Mechnikov foi trabalhar no Instituto Pasteur, na França, no qual ganhou prestígio com sua teoria sobre a imunidade celular. Com isso, tornou-se em 1908, co-vencedor do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina juntamente com Paul Ehrlich. Além do mais, Ilya provou que a sífilis poderia ser transmitida a macaco. Recebeu, por isso, várias homenagens, entre elas a medalha de Copley da Universidade de Cambridge.
 
Casou-se duas vezes, primeiro com Ludimila, que morreu de tuberculose, e depois com Olga, que teve febre tifóide. Esses episódios fizeram com que Ilya desse fim a sua vida precocemente. No entanto, para o bem da humanidade, ele morreu bem mais tarde, me 1916 de problemas cardíacos.
 
Conclusão
 
Ao final do artigo, percebeu-se que a Faculdade de Medicina da Universidade de Passo Fundo-UPF tinha razão de incentivar pesquisas sobre os ganhadores do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, pois, até então, sabia-se pouquíssimo sobre a vida e obra desses grandes estudiosos. Além do mais, com o estudo bibliográfico sobre Paul Ehrlich e Ilya Ilyich Mechnikov, concluiu-se que eles foram importantes para a evolução da humanidade, já que, com suas pesquisas, contribuíram para a erradicação de graves moléstias que afetam o homem, pois este fica isento ou resistente ao contagio de certas doenças. Não obstante, é visível que os estudos sobre imunologia persistem até os dias atuais, pois ainda há doenças incuráveis. Sendo assim, Paul Ehrlich e Ilya Ilyich Mechnikov, através dos seus estudos, ainda incentivam novas pesquisas.
 
Referências Bibliográficas
 
Nobleprize.org/medicine
www.sobiografias.hpg.ig.com.br
 
Orientadores: Evânia de Araújo
                    Jorge Salton
1909: EMIL KOCHER

 

Artigo científico escrito por: 
Luciana E. M. B. Simoni e Magda Lunelli
Faculdade de Medicina - UPF
RESUMO
 
Este trabalho, sobre os estudiosos que contribuíram para o conhecimento na area médica e que foram premiados com o Nobel de Medicina, busca compreender a evolução da ciência na área da saúde. Nosso foco de estudo é Emil Theodor Kocher, pesquisador que contribuiu extensivamente para a cirurgia geral, gastrointestinal , endócrina, urológica, ginecológica, neurológica, do trauma e relacionada e ferimentos de guerra. Devido a sua técnica, Kocher diminuiu a morbidade e mortalidade cirúrgica na cirurgia eletiva de tireóide a uma porcentagem muito baixa e descreveu o hipotireoidismo cirúrgico, que chamou de cachexia strumipriva. Kocher foi contemplado com o Prêmio Nobel de Medicina em 1909 pelo seu trabalho na fisiologia, patologia e cirurgia da glândula tireóide, desenvolvendo uma nova técnica que diminuiu expressivamente os riscos deste tipo de intervenção. Kocher não era somente um cirurgião fabuloso; era também um excelente professor. Conduziu um casamento harmonioso com Marie Witchi por 48 anos, com quem teve três filhos. Emil Theodor Kocher morreu em 25 de Julho de 1917, deixando-nos fama e reputação admiráveis, sendo reconhecido cada vez que um procedimento cirúrgico é executado.
 
Palavras-chave: Emil Theodor Kocher, Cirurgião, Nobel, Tireoidectomia.
 
ABSTRACT 
 
This work, about studious that contributed for medical knowledge and were awarded with the Nobel Prize of Medicine, intends to understand the evolution of the science in the health area. Our study focus is about the discoveries of Emil Theodor Kocher, researcher that contributed extensively in general surgery, gastro-intestinal, endocrinal, urology, gynecological, neurological, traumatical and war-related surgery. Due to his technique, Kocher decreased the morbidity and operative mortality in elective thyroid surgery to a very low percentage and described surgical hypothyroidism (cachexia strumipriva). Kocher was awarded the Nobel Prize of Medicine in 1909 for his work in the physiology, pathology and surgery on the thyroid gland, developing a new technique that impressionably decreases the risks of this kind of intervention. Kocher was not only a fabulous surgeon; he was also an excellent professor. He led an harmonious married life with Marie Witchi for 48 years, with whom he had three children. Emil Theodor Kocher died in July 27th, 1917, leaving us admirable fame and reputation recognized everywhere a surgery procedure is performed daily.
 
Key words: Emil Theodor Kocher, Surgeon, Nobel, thyroidectomy
 
INTRODUÇÃO
 
Através do estudo bibliográfico do Prêmio Nobel de Medicina de 1909: Emil Theodor Kocher, buscamos compreender a contribuição da técnica cirúrgica desenvolvida por ele em 1880 para os métodos atuais de tireoidectomia.
Com esse artigo buscamos obter conhecimento e despertar nosso espírito científico através do exemplo de cientistas já premiados como Kocher, além de reconhecer a importância das pesquisas desenvolvidas por cientistas do passado que superaram os obstáculos impostos pela época, produzindo importantes avanços científicos através do aperfeiçoamento das técnicas cirúrgicas.
A metodologia usada, para desenvolver esse trabalho, foi a leitura de publicações  encontradas na Internet e em livros de Endocrinologia. Essas publicações versavam sobre a vida do autor e seu trabalho, o qual lhe rendeu o prêmio mais importante do ramo científico: o Prêmio Nobel de Medicina de 1909.
 
DESENVOLVIMENTO
 
O autor do premiado trabalho sobre a fisiologia da glândula tireóide e sua técnica cirúrgica, Emil Theodor Kocher nasceu em Berna, Suíça, em 25 de agosto de 1841. Era  filho de Jacob Kocher - engenheiro civil - e de Maria von Signau - dona-de-casa, muito religiosa. Casou-se com Marie Witchi, com quem viveu 48 anos e teve três filhos, entre eles Albert, filho mais velho que auxiliou o pai em seu trabalho como assistente de professor de cirurgia.
(http://www.ispub.com/ostia/index.php?xmlFilePath=journals/ijorl/vol3n1/kocher.xml; http://nobelprize.org/medicine/laureates/1909/kocher-bio.html;              http://www.freevas.demon. co.uk/students/kocker.htm; http://www.imbiomed.com/Circiruj/Ccv67n6/english/Zcc96-07.html)
 
Apesar de seus claros interesses pelo clássico e pela arte optou pela medicina, tendo se formado em Berna no ano de 1865, aos 24 anos. Kocher decidiu especializar-se em cirurgia, tendo como seus professores conhecidos cirurgiões como Demme, Lycke, Billroth, Pasteur e Langenbeck. O último lhe convidou, em 1872, para a posição de professor de cirurgia e chefe da Universidade de Clínica em Berna. Ali permaneceu por 45 anos, sendo aclamado mundialmente pelos seus dons cirúrgicos  seu conhecimento em fisiologia. (Ibid)
 
Kocher foi o primeiro cirurgião e o primeiro suíço a receber um Prêmio Nobel de Medicina sendo o reconhecimento mais importante de seu trabalho: um estudo sobre a fisiologia e novas técnicas de tireoidectomia, ou seja, cirurgia para a retirada da glândula tireóide. Essa cirurgia teve seus primeiros três casos de sucesso relatados por Greene em 1871. Contudo, devido às altas taxas de mortalidade por hemorragia e morbidade por infecções, lesão do nervo recorrente - acarretando a paralisia das cordas vocais -  e danos das paratireóides, esse procedimento somente era realizado para a prevenção da morte. Em 1846, com a introdução da anestesia, da anti-sepsia em 1870, e da técnica desenvolvida por Kocher em 1880, é que os percalços da tireoidectomia começaram a diminuir. (Ibid)
 
A pesquisa de Kocher foi motivada pela alta incidência de bócio em seu país. Em 1850, aproximadamente 85% das crianças suíças sofriam com essa patologia. No entanto as conseqüências e as condições para a realização da tireoidectomia não eram favoráveis, como já citado anteriormente. Assim Kocher passou a desenvolver uma técnica operatória que além de ser utilizada como tratamento para o bócio diminuísse as complicações da tireoidectomia. Essa técnica inclui o uso da incisão transversal em colar, a divulsão do plano muscular, a mobilização medial da tireóide após ligadura da veia tireóidea média, a adequada exposição de ambas as artérias tireóideas e seus ramos, assim como a adoção de meticulosa hemostasia.
(http://www.ispub.com/ostia/index.php?xmlFilePath=journals /ijorl/vol3n1/kocher.xml; http://nobelprize.org/medicine/laureates/1909/kocher-bio.html;              http://www.freevas.demon.co.uk/students/kocker.htm; http://www.imbiomed.com/Circiruj/Ccv67n6/english/Zcc96-07.html, CORONHO, V. et al. Tratado de Endocrinologia e Cirurgia Endócrina. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan AS, 2001.)
 
Kocher fez sua primeira tireoidectomia em 1872. Em 1874, quando já totalizava mais de 100 cirurgias, ele exerceu uma excisão total em uma menina de 11 anos, Maria Richsel. Através de carta, foi informado pelo médico da cidade da menina sobre a existência de uma mudança gradual de humor: de felicidade e vivacidade à preguiça e introspectividade, com uma perda geral de interesse. Isto fez com que Kocher reinvestigasse todos seus pacientes que foram submetidos à cirurgia de tireóide. A vasta maioria mostrava sinais de hipotireoidismo, o que ele chamou de “cachexia strumipriva”. No início, Kocher assumiu esses sintomas como resultado de um ferimento traqueal. Posteriormente, percebeu que estes sinais e sintomas estavam ausentes na excisão sub-total. Juntando isto aos seus estudos da fisiologia da tireóide e as observações feitas por Virchow, segundo as quais a deficiência de iodo produzia sintomatologia similar à tireoidectomia total, ele concluiu que a glândula tireóide era um órgão essencial e que sua ausência criava um quadro clínico típico, confirmando a teoria do reconhecido cirurgião Reverdin. Este afirmava que a retirada total da glândula tireóide poderia deixar seqüelas, como obesidade, sensação constante de frio e retardo mental. Neste mesmo estudo, em que Kocher descobriu a ligação entre tireoidectomia e hipotireoidismo, ele também tomou conhecimento de outras patologias como mixedema e cretinismo. (Ibid)
 
Ao concluir seus estudos, aperfeiçoou sua técnica cirúrgica, no qual a tireoidectomia sempre é possível desde que seja deixada uma pequena parte desta glândula para que sua função secretora seja assegurada evitando as seqüelas mencionadas por Reverdin. (http://www.ispub.com/ostia/index.php?xmlFilePath=journals/ijorl/vol3n1/kocher.xml; http://nobelprize.org/medicine/laureates/1909/kocher-bio.html;              http://www.freevas.demon. co.uk/students/kocker.htm; http://www.imbiomed.com/Circiruj/Ccv67n6/english/Zcc96-07.html)
 
Os métodos de Kocher eram similares aos de Joseph Lister (1827-1912) e de William Hallsted (1852-1922). Ele aliava absoluta precisão e cuidado ao invés de rapidez, o que era recompensado por baixas taxas de mortalidade. Estes três homens fizeram mais para reduzir a mortalidade cirúrgica do que qualquer outro cirurgião de sua época, acabando com o paradigma de que todo bom cirurgião é rápido. (Ibid)
 
Os números demonstram a grande contribuição de Kocher: a mortalidade era de 14% em 1884, decresceu para 2,4% em 1889 e, finalmente, para 0,18% em 1898. No final de sua carreira Kocher havia feito mais de 5000 tireoidectomias decorrentes do bócio com a baixa taxa de mortalidade de 1%. (Ibid)
 
Seu  trabalho serviu como base para autores como Mikulicz - que defendeu a preservação da porção posterior da tireóide como profilaxia da lesão do nervo recorrente e do mixedema - Halsted, Evans, Crile, Lahey e os brasileiros Andrade, Corrêa Neto e Toledo - que refinaram a técnica contribuindo para que na atualidade a cirurgia de tireóide tenha um pós operatório tranqüilo e com complicações pouco freqüentes. (CORONHO, V. et al. Tratado de Endocrinologia e Cirurgia Endócrina. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan AS, 2001.)
 
Kocher possuía enorme energia e capacidade para o trabalho. Por isso, cobriu um imenso campo de inovações, tais como: avanços no tratamento de hemorragia interna, novas técnicas cirúrgicas para o sistema digestório, hérnias, osteomielite, ferimentos militares, o sistema nervoso, dermatomas, deslocamentos (o trabalho com deslocamento de ombro, em 1870, foi o primeiro que lhe rendeu notoriedade), tireoidectomia e tentativa de tratamento cirúrgico para epilepsia. Ainda desenvolveu e modificou muitos instrumentos cirúrgicos, tais como tesouras, bisturis, clipes e mesas operatórias, alguns destes carregam seu nome: fórceps de Kocher, sonda de Kocher e o dreno de vidro de Kocher
(http://www.ispub.com/ostia/index.php?xmlFilePath=journals/ijorl/vol3n1/kocher.xml;
http://nobelprize.org/medicine/laureates/1909/kocher-bio.html;              http://www.freevas.demon.co.uk/students/kocker.htm; http://www.imbiomed.com/Circiruj/Ccv67n6 /english/Zcc96-07.html)
 
Kocher foi membro honorário de numerosas academias e sociedades médicas e conduziu um grande número de estudos experimentais publicando 249 artigos e livros traduzidos para diversas línguas. Emil Theodor Kocher morreu por falência renal, em 27 de julho de 1917, em Berna, com 76 anos.
(http://www.ispub.com/ostia/index.php?xmlFilePath =journals/ijorl/vol3n1/kocher.xml; http://nobelprize.org/medicine/laureates/1909/kocher-bio.html;              http://www.freevas.demon.co.uk/students/kocker.htm; http://www.imbiomed.com/Circiruj/Ccv67n6 /english/Zcc96-07.html)
 
 
CONCLUSÃO
 
O trabalho sobre Emil  Theodor Kocher, Prêmio Nobel de Medicina em 1909, nos revela a importância da pesquisa científica para novas descobertas e para o aperfeiçoamento de trabalhos já existentes. Pesquisadores como Kocher devem servir de estímulo para nós, acadêmicos, que devemos estar sempre desenvolvendo e colocando em prática o nosso espírito investigativo, o qual se revela através das inúmeras indagações que temos a respeito do mundo que nos cerca. A pesquisa, que serve como instrumento para a solução destas,  deve ser incentivada pois fornece apoio e base para que estudantes e iniciantes nesta área tenham oportunidade de produzir avanços e serem reconhecidos, assim como Kocher.
 
BIBLIOGRAFIA
 
CORONHO, V. et al. Tratado de Endocrinologia e Cirurgia Endócrina. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan AS, 2001.
 
THEODOR Kocher – Biography. Suíça: Nobelprize.org, 2005. Disponível em: <http://nobelprize.org/medicine/laureates/1909/kocher-bio.html>. Acesso em: 16 junho 2005.
 
NICHOLAS, M. Theodore Emil Kocher Famous Surgeon & Nobel Prize Winner. [artigo científico]. Disponível em: <http://www.freevas.demon.co.uk/students/kocker.htm>. Acesso em: 10 setembro 2005.
 
KAZI, R; RHYS-EVANS, P. Theodor E. Kocher (1841-1917): Nobel Surgeon Of The Last Century. The Internet Journal of Otorhinolaryngology. 2004. Volume 3 Number 1. Disponível em: <http://www.ispub.com/ostia/index.php?xmlFilePath=journals/ijorl/vol3n1/kocher.xml> Acesso em: 10 setembro 2005.
 
MARTÍNEZ, M.G; TOLEDO-PEREYRA, L.H. Emil Theodore Kocher. Cirujano, maestro y nobel. <http://www.imbiomed.com/ Circiruj/Ccv67n6/english/Zcc96-07.html>. Acesso em: 10 setembro 2005.
 
Orientadores: Evânia de Araújo
                    Jorge Salton
 
 
1910: ALBRECHT KOSSEL

 

Artigo científico escrito por:
Letícia Brigolini 
Lucas Schirmer Martins
Faculdade de Medicina UPF
Resumo
Este estudo apresenta um breve histórico do Prêmio Nobel e a biografia de Albrecht Kossel, pelos trabalhos de pesquisa do mesmo. O autor era bioquímico alemão, nascido em Rostock, pesquisador da Universidade de Heidelberg, e cujos estudos foram fundamentais para conhecimento da composição química da célula. Foi ganhador do Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina no ano de 1910 pela descoberta das bases adenina e timina do ácido nucléico. Os componentes básicos dos ácidos nucléicos desvendados por Kossel se apresentam hoje como fatores decisivos na transmissão da informação genética de todos os seres vivos, e este trabalho constituiu o ponto de partida de uma evolução cujo término não é possível prever.
 
Palavras-chave: ácido nucléico, adenina, timina e bioquímica.
 
Abstract
This study presents a brief historic of Nobel Prize and the biography of Albrecht Kossel, by his research studies. The author was a german biochemist, was born in Rostock, researcher of Heidelberg University, and which studies were fundamental to the knowledge of the cell chemistry composition. He was the winner of the Fisiology or Medicine Nobel Prize in 1910, by the discover of adenin and thymin of the nucleic acid. The basic components of the nucleic acids found by Kossel represent today as decisive factors in the transmition of the genetic information of all live beings, and this work stablished the start of an evolution which end is not possible to know.
 
Key Words: nucleic acid, adenin, thymin and biochemestry.
 
Introdução
Este trabalho disserta brevemente sobre o Prêmio Nobel, através da biografia de Albrecht Kossel. Além disso, busca incentivar a pesquisa no curso de Medicina da Universidade de Passo Fundo e também a compreensão da construção do conhecimento na área da genética. 
Em 1910, o Comitê do Prêmio Nobel entregou este prêmio ao professor de fisiologia de Heidelberg Albrecht Kossel com as seguintes palavras: “Em reconhecimento a sua dedicação à química celular com seus trabalhos sobre as proteínas, incluindo os cromoplasmas”. Nenhum dos membros do Comitê poderia se dar conta de que estavam premiando um trabalho que constituiria o ponto de partida de uma evolução cujo término não é possível prever. Os componentes básicos dos ácidos nucléicos descobertos por Kossel se apresentam hoje como fatores decisivos na transmissão da informação genética de todos os seres vivos. (HERMANN, Armin.  Premios Nobel Alemanes. Munich: Heinz Moos, 1968. NOBEL Lecturers, Physiology or Medicine 1901-1924. Amsterdam: Elsevier Publishing Company, 1967. DICIONÁRIO Biográfico de Prêmios Nobel, 1949.)
Nem mesmo Kossel poderia vislumbrar este acontecimento. Ele não era especialista em genética, mas sim em bioquímica, e teve que lutar muito para que sua especialidade fosse reconhecida, como demonstram as palavras que pronunciou em seu discurso de posse na reitoria da Universidade: “A bioquímica criou uma ordem de idéias própria e independente, que afeta as bases da biologia, e iniciou um novo paradigma que as Universidades devem se dar conta, concedendo para ela Institutos de Investigação e lhe garantindo uma importância capital no ensino”. (Ibid)
O artigo compõe-se, portanto, de breve histórico do Prêmio Nobel, da biografia de Albrecht Kossel e conclusão dos autores.
 
Desenvolvimento
Ludwig Karl Martin Leonhard Albrecht Kossel nasceu em Rostock, Alemanha, no dia 16 de setembro de 1853. Foi educado na escola secundária em Rostock e após foi estudar Medicina na Universidade de Estrasburgo, onde foi aluno de professores como Bary, Waldeyer, Kundt, Baeyer e Hoppe-Seyler. Doutor em Medicina (1878) quando já era assistente no Instituto Hoppe-Seyler de Físico-Química de Estrasburgo, qualificou-se (1881) como palestrante de Química Fisiológica e Higiene. Convidado (1883) por E. du Bois-Reymond, assumiu a direção da Divisão Química do Instituto de Fisiologia de Berlim, substituindo E. Baumann, que tinha ido para Freiburg. No Instituto de Fisiologia (1887) tornou-se Professor Extraordinário na Faculdade de Medicina. Mudou-se (1895) para Marburg, Hessen, como Professor Ordinário de Fisiologia e para dirigir o Instituto de Fisiologia de lá. Depois de seis anos (1901), voltou a Heidelberg, indicado por Kühne para assumir a vaga de Helmholtz, e ali permaneceria como professor até sua morte, em 1927. Foi pró-reitor da Universidade de Heidelberg (1908-1909), e doutor honorário em muitas outras instituições. (www.sobiografias.hpg.ig.com.br/AlbrecKo.html) Acesso em 26/09/05.
 O desenvolvimento da química orgânica no século passado foi baseado, principalmente, na construção de conceitos e no arranjo espacial dos átomos. Como nós sabemos, a química orgânica é capaz de apresentar o conhecimento da composição de uma substância orgânica e suas reações químicas, e suas visões de posição no sistema químico, com clareza e precisão, e mostra a distribuição de um número variado de tipos de átomos no espaço. (www.nobelprize.org) Acesso em 15/07/05.
Quando alguém usa estes conceitos na investigação de tecidos animais ou vegetais, é guiado para o quadro de estruturação química destas formações orgânicas. O domínio científico que é aberto desta maneira pode, de várias formas, ser comparado com a ciência da estrutura anatômica dos seres vivos. (Ibid)
Observações comparativas nos guiaram para o conceito de que há certos processos vitais comuns para animais e plantas, que há para alguns um mecanismo químico que atua em princípios comuns em vários tipos de matérias vivas. Estes processos fisiológicos básicos devem estar situados naquela substância que aparece em todo o lugar para ser o foco principal do processo de combustão fisiológica do qual, ao mesmo tempo, as partes remanescentes do corpo procederam – o protoplasma. (Ibid)
Obviamente, a investigação química desta estrutura deve parecer ser um dos mais importantes problemas da bioquímica, mas as dificuldades de tal investigação se tornam aparentes nas primeiras análises – primeiramente na seleção e preparação do material para elas. As células vivas quase sempre contêm, no seu interior, os produtos visíveis e invisíveis de sua atividade fisiológica ou sua nutrição. A distinção entre os componentes e inclusões, entre substâncias corporais organizadas e metabólitos químicos são difíceis de distinguir, e os resultados definitivos para algum conteúdo, podem somente ser esperados na base da avaliação histológica cuidadosa e estudo comparativo. Desta maneira, as mais variadas estruturas celulares e protoplasmas sem forma foram investigados, e grupos individuais de componentes definidos, os quais repetidamente emergem nas listas destes componentes, e, desde o estudo de Hoppe-Seyler, núcleos, lecitina, colesterol e sais de potássio e também proteínas, foram adicionados à lista. (Ibid)
Novos prospectos foram abertos quando as tentativas foram feitas para trazer o núcleo da célula dentro do escopo destas investigações. Aqui nós temos um órgão de células cuja estrutura e funcionamento deve estar associado ao processo geral de vida. (Ibid)
As primeiras observações nesta esfera iniciaram no laboratório de Hoppe-Seyler, em 1860, sobre o núcleo de células com pus. Miescher, um estudante de Hoppe-Seyler, foi capaz de isolar estes núcleos, e ele achou neles uma substância muito rica em fósforo, a qual ele chamou “nucleína”. Um assunto aceitável para seu trabalho foi encontrado em uma estrutura que se desenvolve através da transformação de núcleos celulares e retém sua constituição química e, aparentemente, também uma parte essencial para sua função fisiológica – nomeada espermatozoa. No curso das décadas seguintes, evidências acumuladas mostram que a nucleína, ou material nucléico, é realmente peculiar para o núcleo das células. Investigações químicas mostraram que, ao mesmo tempo, materiais nucléicos pertenciam a uma bem definida parte da substância nuclear que permanecia de uma maneira muito distinta durante os processos de transformação, cuja quantidade em vários núcleos é variável e que, por causa desta reação a certos descolorantes, recebeu o nome de cromatina. (Ibid)
A estrutura química destas substâncias nucléicas mostra algumas peculiaridades que são encontradas em muitos componentes orgânicos do protoplasma, particularmente naqueles que participam ativamente nos processos metabólicos. Foi observado que tais componentes se desfazem em certo número fechado de grupos de átomos que foram comparados a blocos de construção. Estes blocos de construção se encaixam juntos num grande número e variedade e, aparentemente, de acordo com um plano definido, formam a molécula das proteínas, amido e glicogênio, e, em menor número, aquelas de gorduras e fosfolipídios. Os complicados componentes orgânicos da nutrição são quebrados nestes blocos de construção, quando são preparados pela digestão para serem absorvidos pelo corpo, e, destes blocos, as grandes moléculas dentro do organismo podem então ser encaixadas juntas. (Ibid)
As substâncias nucléicas mostram uma composição deste tipo também. Análises químicas mostraram primeiramente que, em muitos casos, substâncias nucléicas são quebradas em duas partes, e uma tendo uma característica de proteína. Esta parte não possui nenhum outro grupo atômico que as proteínas normais. A outra parte, contudo, é de estrutura característica, a qual foi chamada ácido nucléico. Disto, Kosssel obteve sucesso em obter um número de fragmentos que poderiam ser dissolvidos fora da molécula por ação de agentes químicos, e que foram reconhecidos por uma concentração especial de átomos de nitrogênio. Aqui quatro grupos contendo nitrogênio são apresentados juntos: citosina, timina, adenina e guanina. (Ibid)
Logo foi aceito que a guanina e outras substâncias similares eram originárias da molécula de proteína. O conhecimento de sua origem do ácido nucléico, que era inesperado e teve grande oposição contra, ganhou ao mesmo tempo um entendimento de fenômeno particular para o qual uma explicação foi necessária. Uma investigação mais apurada mostrou que estes elementos, que por seu comportamento externo e contendo fósforo foi previamente considerado como nucleínas, apresentam uma estrutura química de tipo diverso. Os blocos de construção, ricos em nitrogênio, são completamente inexistentes – eles realmente não pertencem ao grupo das substâncias nucléicas e formam uma classe especial. (Ibid)
Além do mais, a relação entre as substâncias ricas em nitrogênio com os núcleos das células foi reconhecida pela questão do arranjo dos átomos de nitrogênio e carbono na molécula que permanecem. A adenina e a guanina pertencem ao grupo de componentes químicos que hoje são incluídos sob o nome de derivados de halogênio ou púricos. As outras duas, timina e citosina, mostraram uma composição simples. Experimentos de quebra e síntese levaram ao resultado de que na timina deve haver um grupamento de átomos de carbono e nitrogênio. (Ibid)
É evidente que na timina e citosina um sistema parecido com anel de átomos de nitrogênio e carbono deve ser assumido. A posição dos átomos na citosina poderia ser determinada porque, sob a ação de um agente oxidante, esta substância se quebra em ácido oxálico, e esta elucidação de sua constituição foi logo seguida por sua síntese. Em contraste a este anel simples, que é conhecido como anel pirimídico, há na fórmula para a adenina e a guanina um anel duplo, chamado anel púrico, que ainda mostra uma grande concentração de átomos de nitrogênio. (Ibid)
Nos quatro fragmentos de moléculas de ácido nucléico, os átomos de carbono e nitrogênio são vistos a se encaixar juntos de acordo com o mesmo plano básico. O anel púrico origina-se como se fosse o resultado da adição estrutural ao anel pirimídico. Se agora os conhecidos quatro derivados pirimídicos e púricos são expostos a uma ação química forte, ou se seu comportamento é seguido no corpo, isto pode ser visto que aqueles átomos de carbono e nitrogênio, cuja ligação permite a formação do anel, são difíceis de separar e, do contrário, outros átomos que são adicionalmente acrescentados ao anel, por exemplo, o grupo NH2, podem ser subtraídos pela introdução de elementos de água. Nesta maneira os derivados desenvolvem, os quais são chamados hipoxantina, xantina e uracil, e que, às vezes, são encontrados ao longo da adenina, guanina e citosina. Se a natureza dos blocos de construção individual, tal como em uma estrutura molecular grande, está presente em ácido nucléico foi acertada, duas novas questões aparecem: quais são as quantidades relativas de cada bloco e como eles são mutuamente arranjados? (Ibid)
A primeira destas questões foi respondida pelas investigações de H. Steudel. De acordo com suas análises, nós temos que assumir que, para cada um dos quatro grupos ricos em nitrogênio, há uma molécula de carboidrato e um ácido fosfórico. Existe somente uma observação que permite que a conclusão seja desenhada em associação entre o grupo carboidrato e os grupos ricos em nitrogênio: em ambos fragmentos, se o ácido nucléico é cuidadosamente quebrado, o ácido nucléico aparece como um complexo de pelo menos 12 blocos, mas na célula a estrutura é provavelmente maior, porque algumas observações sugerem que nos órgãos muitos desses complexos são combinados uns com os outros. O mesmo fenômeno é repetido no ácido nucléico que nós conhecemos das proteínas, gorduras, ácidos biliares muitos outros produtos bioquímicos – o desenvolvimento de uma série inteira de vários tipos de substâncias que mostram a mesma idéia arquitetônica carreada de muitas e variadas maneiras. Um ácido nucléico é encontrado nas células de uma gema, a qual carece de timina, um dos quatro grupos que contém nitrogênio, e que contém um anel com cinco carboidratos. Os complexos ácidos nucléicos são encontrados nessa estrutura morfológica tão importante em combinação com diferentes proteínas, e estas combinações podem ocorrer de uma grande variedade de formas. Em alguns órgãos, uma combinação livre destes dois componentes é encontrada, o qual se comporta como um sal, e do qual ambos, o ácido e a proteína, podem facilmente ser isolados. (Ibid)
Em outras células há uma forte combinação entre elas, que é fortemente resistente à ação de agentes químicos de separação. A substância do núcleo da célula lembra, então, um estroma associado, como uma massa insolúvel. Se esta massa de nucleína é colocada em contato com ácidos diluídos, a maior parte da proteína é dissolvida, enquanto o ácido nucléico é deixado. Combinações livres similares são encontradas também em células de tecidos glandulares: timo, glândulas linfóides, baço, e em todos os tecidos em que parte da proteína está em um local, e a outra numa combinação livre. (Ibid)
A molécula de proteína é feita de tais blocos de construção. Nós não sabemos quão freqüente cada bloco é repetido em toda a estrutura, mas nós somos capazes de determinar a proporção relativa entre as quantidades dos blocos de construção variavelmente formados. Por exemplo, nós podemos determinar quão grande a quantidade de diaminoácidos é comparada com a de monoaminoácidos, e qual porcentagem de nitrogênio total está presente na forma de ácido diaminovalérico. Já estas taxas, embora elas não dêem nenhuma idéia do arranjo relativo dos blocos, mostraram importantes diferenças entre as proteínas investigadas previamente, além de mostrar que entre elas as proteínas coladas frouxamente previamente mencionadas dos núcleos das células ocupam um lugar especial. (Ibid)
A peculiaridade destas proteínas nucleares depende do fato de que uma grande quantidade de certos tipos de blocos de construção, nomeados grupos ricos em nitrogênio, é concentrada em suas construções. Em comparação com as proteínas remanescentes, eles contêm grandes quantidades de diaminoácidos, especialmente ácido diaminovalérico e os grupos amidina juntos a ele, além da histidina. A inserção destes grupos contendo nitrogênio na molécula da proteína é devido a grupos básicos que estão presentes no “estado reativo livre”. Uma proteína deste tipo é encontrada, por exemplo, no núcleo dos enterócitos dos pássaros e, como já mencionado, pode ser facilmente removida por ácidos solúveis em minerais, chamados histonas. Substâncias similares são distribuídas nos tecidos de grandes e pequenos animais numa combinação salina com o ácido nucléico. Eles também ocorrem no espermatozóide de invertebrados, cefalópodes e também no espermatozóide de determinados peixes. Como exemplo disso podemos citar vários tipos de bacalhau, dos testículos dos quais nós podemos obter uma histona que é muito similar em sua composição e qualidades químicas à histona obtida dos eritrócitos de pássaros ou do timo. Estas histonas, livremente combinadas com o ácido nucléico, mostra a natureza das proteínas, normalmente complicadas, e são somente diferenciadas delas por uma qualidade especial: a prevalência de grupos básicos livres. Se os testículos de outros peixes forem submetidos à mesma investigação, corpos de uma composição mais simples são obtidos, os quais tomam lugar da histona na cabeça do esperma – estas são as protaminas. A conclusão foi formada de uma série de observações, e estas proteínas básicas surgiram no curso do desenvolvimento através da transformação de proteínas comuns em grupos pobres em nitrogênio, que foram gradualmente dissolvidos deles. (Ibid)
Se nós resumíssemos os resultados das investigações de substâncias nucleares aderidas livremente, o resultado é o que segue: uma composição da substância cromatina de dois componentes do núcleo da célula, uma rica em ácido fosfórico e tendo as qualidades de um ácido; a segunda mostrando uma proteína com as qualidades de uma base. Em suas estruturas químicas, ambos componentes mostram uma similaridade notável baseada em acumulação remarcável de átomos de nitrogênio. O porquê desta estrutura química de formação de cromatina ser firmemente diferenciada dos componentes celulares remanescentes se deve, obviamente, a estar associada com a função das substâncias de cromatina. Estes grupos de átomos ricos em nitrogênio e contendo fósforo são aqueles cujos depósitos nos cromossomos são primeiramente postos em movimento durante a divisão celular, e cuja transmissão para outras células forma uma parte essencial do processo reprodutivo. (Ibid)
 
Conclusão
A revisão de fatos tão significativos para o contexto científico atual é muito valiosa, e o Prêmio Nobel, importante evento de incentivo à pesquisa, premia achados importantes, como a descoberta da constituição do ácido nucléico, feita por Albrecht Kossel. É impossível imaginar toda a evolução que o estudo celular teve se a ele não agregarmos as descobertas de Kossel. A dedicação e o esmero deste bioquímico em suas pesquisas científicas renderam-lhe não apenas o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina no ano de 1910, mas o reconhecimento de que a sua publicação mudou, de forma significante, o rumo do estudo da bioquímica celular.
 
Referências Bibliográficas
HERMANN, Armin.  Premios Nobel Alemanes. Munich: Heinz Moos, 1968.
NOBEL Lecturers, Physiology or Medicine 1901-1924. Amsterdam: Elsevier Publishing Company, 1967.
DICIONÁRIO Biográfico de Prêmios Nobel, 1949.
LUDWIG Karl Martin Leonhard Albrecht Kossel. Disponível em: <www.sobiografias.hpg.ig.com.br/AlbrecKo.html>. Acesso em: 26/09/05.
BIOGRAPHY of Albrecht Kossel. Disponível em: <www.nobelprize.org>. Acesso em: 15/07/05.
 
Orientadores:
Evania Araújo
Jorge Salton
1911: ALLVAR GULLSTRAND

 

Artigo científico escrito por:
Josiane Diehl Moia
Gláucia Tagliari
 
 
 
RESUMO:  
Este trabalho é um estudo bibliográfico sobre Allvar Gullstrand , que  filho de um médico municipal, dedicou-se a mesma profissão do pai. Ao longo de sua carreira, demonstrou ser competente e entusiasmado para novas descobertas. Partiu de estudos realizados por cientistas que o antecederam,  aprimorou técnicas para análise da curvatura da córnea  e atribuiu diferentes índices de refração para as estruturas do olho, mudando, assim, a noção de meio homogêneo que existia até o momento. Devido a esses trabalhos foi merecedor do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, em 1911. Reconhecimento esse que o motivou a progredir em suas pesquisas e criação de instrumentos para a área oftalmológica que estão presentes até hoje.
 
PALAVRAS-CHAVES:
Prêmio Nobel; Allvar Gullstrand; Dioptria do olho 
 
 
ABSTRACT:
The present job is a bibliografy study about Allvar Gullstrand, son of a city doctor who devoted to the same profession of his father. Throughout his career he showed competence and enthusiasm to new discoveries. He started from the studies made  by scientists who preceded him, improved techniques to analyse the cornea curvature and attributed different refracting rates to the eye structures, changing this way, the notion of the homogene structure that existed until then. Because of  these jobs, he won the Physiology or Medicine Nobel Prize in 1911. Such recognition motivated him to go further in his researches and the creation of instruments to the ophthalmology area which are present until today.
 
KEYWORDS:
Nobel Prize ; Allvar Gullstrand; eye dioptrics.
 
INTRODUÇÃO:
O presente trabalho abordará o tema sobre o oftalmologista sueco, ganhador do Prêmio Nobel da Medicina ou Fisiologia, em 1911 – Allvar Gullstrand, suas descobertas e contribuições ao estudar a dióptrica do olho humano. Por se tratar de uma análise sobre sua vida e obra, possibilita despertar nos universitários o espírito investigativo, empreendedor, nas diversas áreas do conhecimento e, em especial, aos acadêmicos iniciantes do curso de Medicina. Pretende-se que os achados da pesquisa tornem-se imprescindíveis aos que desejam saber onde iniciaram os estudos que levaram ao progresso mais notável da oftalmologia, despertando,inclusive, para outras revoluções científicas. Essa a realidade da vida e obra de uma pessoa que contribuiu para inovações no campo oftalmológico,está integrada ao desenvolvimento das demais especialidades. É através do estudo e compreensão das descobertas que se estimulará o raciocínio científico, propondo novas soluções. Até porque, existem excelentes especialistas em praticamente todos os campos do conhecimento humano, sendo que não basta apenas identificar o problema e propor soluções, mas sim integrar e coordenar profissionais, que irão revelar melhores soluções e técnicas aprimoradas para o progresso da humanidade.
 
DESENVOLVIMENTO:
Allvar Gullstrand, filho primogênito de Dr. Pehr Alfred Gullstrand e sua esposa Sofia M. Korsell, nasceu no dia 5 de junho de 1862, em Landskrona. Foi educado nas escolas em Landskrona e Jönköping. Iniciou o curso de Medicina, em 1880, na Universidade de Uppsala, fez um estágio em Viena e voltou a estudar Medicina em Estocolmo, onde se graduou em 1888. Ainda, em 1890, apresentou sua tese de doutorado e foi nomeado professor auxiliar de oftalmologia em 1891. Mais tarde, torna-se o primeiro professor em oftalmologia, ótica física e fisiologia. Já em 1927 é professor emérito da Universidade em que iniciou seus estudos, além de inumeráveis prêmios conquistados durante sua carreira. Allvar morreu em Estocolmo no dia 28 de julho de 1930 .
Quando Allvar decidiu dedicar-se a oftalmologia, estava convencido de que existia um conhecimento geral sobre o olho e se assim permanecesse poucos avanços poderiam ser produzidos. Envolvido pelo entusiasmo, percebeu que os conhecimentos adquiridos estavam baseados em pilares falsos os quais consideravam o olho como uma estrutura homogênea. Passou, então, a considerar o olho humano como um sistema óptico de estrutura complexa. A partir dessa hipótese, Gullstrand se concentrou em conhecer detalhadamente o funcionamento físico do órgão visual . Seus primeiros estudos foram sobre o astigmatismo, reconhecendo que, nesse caso, a refração dos raios não se reuniam em um foco da totalidade, devido a uma curvatura irregular do olho .
Allvar dedicou-se principalmente a cálculos e métodos para alcançar uma forma mais satisfatória de refratar superfícies em instrumentos ópticos e para investigação de leis de sistema óptico de ordem mais alta Então, criou o olho esquemático para desenvolver seus estudos, determinou que o poder dióptrico para cada elemento se baseando em seu índice de refração específico. À córnea era atribuído o índice de refração de 1,3760, diferente da constante 1,3357 que é utilizada hoje em dia como índice de refração de todo o sistema córnea/aquoso/vítreo. A partir destes índices de refração foi possível construir a equação d = (n1 – n2) / r, onde d é o poder dióptrico da superfície em questão, n1 é o meio de refração para onde se dirige a luz, n2 é o meio de onde parte a luz e r é o raio de curvatura da lente em questão expresso em metros .Para esse trabalho,onde aplicou os métodos matemáticos e físicos ao estudo de imagens ópticas e da refração da luz no olho recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, em 1911.Esse trabalho abriu novos conceitos no caminho da oftalmologia e a exploração dos mais diversos procedimentos clínicos e cirúrgicos.
Para aprimorar seus estudos, Gullstrand criou uma lâmpada que permitia observações microscópicas do segmento anterior do olho – córnea, íris e outros componentes. Esse instrumento tinha um foco luminoso cuja luz se concentra através de um sistema convergente, com uma rachadura em que a amplitude podia ser regulada, aumentando ou diminuindo a superfície da área ocular explorada. A imagem se projetava na zona em que se examinava através de uma lente opaca, obtendo deste modo uma imagem prismática muito delgada e extraordinariamente clara .
Da mesma maneira como se vê brilhar pequenas partículas de pó em um raio luminoso, através da lâmpada se pode reconhecer as áreas mais obscuras e tênues. Córnea, cristalino, tecidos orgânicos aparecem como uma transparência e o líquido aquoso se apresenta em condições normais. Já o corpo vítreo é mais evidente que o cristalino, o que se percebe com uma iluminação contra as linhas sinuosas4.
Gullstrand adaptou cada vez mais sua lâmpada para obter imagens muito mais ampliadas, apreciando detalhes da estrutura córnea e cristalino que de outra forma só seriam vistas na forma histológica. Outra vantagem desta adaptação é a localização de detalhes perceptíveis e também para calcular a profundidade daquilo que é observado. Ainda, pode-se localizar com grande precisão todos os detalhes em relação a uma área de secção transversal da córnea, reconhecendo facilmente lesões. Essa lâmpada ficou conhecida como oftalmoscópio e é usada até os dias de hoje . 
 
CONCLUSÃO:      
Concluímos através do trabalho realizado que Allvar Gullstrand foi extremamente audacioso ao realizar suas pesquisas demonstrando domínio matemático e científico, que integrados ao saber, revelaram soluções importantes para a recuperação de visão, até então inimaginável. A partir da tecnologia e do conhecimento teórico, várias aplicações foram incorporando-se aos seus trabalhos. Allvar demonstrou que não haveria avanços na oftalmologia limitando-se apenas ao estudo geral do olho. Ele aprimorou sua pesquisas, adaptando cada vez mais instrumentos especializados, fazendo cálculos e analisando. Allvar foi uma luz na oftalmologia, abrindo caminhos para subseqüentes atos clínicos e cirúrgicos.
 
REFÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
www.nobelprize.org
www.diariomedico.com
www.pt.wikipedia.org
www.scielo.br/scielo.php/Ing-en
www.crishunt.8bit.co.uk
www.europhysicsnew.com
www.sobiografias.hpg.ig.vom.br/AllvGull.html
www.infoplease.com/ce6/people
www.reference.allrefer.com/encyclopedia/Gullstra
www.geocites.com/nobelprices/guldstand
www.zeiss.com/de/home
 
Orientadores:
Evania Araujo
Jorge Salton
1912: ALEXIS CARREL

 

Artigo científico escrito por:
Franciel Furini
Gabriel Barancelli
Faculdade de Medicina UPF
RESUMO
Este artigo trata da biografia e das principais realizações que levaram Alex Carrel a obter o prêmio Nobel de Medicina em 1912. O interesse em conhecer  mais sobre a História da Medicina estimulou a execução desta pesquisa, a qual objetiva estimular o estudo através da pesquisa em médicos e estudantes de medicina.
 
Palavras chave: Alex Carrel, pesquisa, sutura, transplante
 
RESUMEN
Este artículo trata de la biografía y de las principales realizaciones que llevaran Alex Carrel a obtener el Premio Nobel de Medicina en 1912. Lo interés en conocer más sobre la Historia de la Medicina estimuló la realización de esta pesquisa que objetiva estimular el estudio a través de la pesquisa en médicos y estudiantes de medicina.
 
Palabras clave:  Alex Carrel, pesquisa, sutura, transplante
 
INTRODUÇÃO
Este estudo sobre Alex Carrel, ganhador do prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 1912, tem como objetivo estimular a pesquisa e a descoberta de novos conhecimentos tendo como exemplo o estudioso em questão. A curiosidade pela História da Medicina foi o fator que estimulou a realização deste trabalho. A importância das descobertas que propiciaram a medicina chegar aos estágios atuais merecem ser valorizados e constantemente consultados. O autor se destacou na medicina por estudos realizados em suturas vasculares e transplantes de vasos e órgãos, o que passamos a descrever neste artigo. 
 
DESENVOLVIMENTO
Biografia
Alex Carrel nascem em Lyon em 1876, no seio de família católica, e foi batizado com o nome de Marie Joseph August Carrel, depois ele mudou o nome adotando simplesmente o de Alex.  <http://scielo-mx.bvs.br/scielo.php?pid=S1665-11462002000400007&script=sci_arttext&tlng=es
Em 1889 recebeu o grau de bacharel em Letras, na Universidade de Lyon, França, em 1990 o de bacharel em Ciências e em 1900 o doutorado em Medicina na mesma universidade.  Suas teses trataram sobre o câncer de tireóide.  Ibid
Em 1894, este notável cirurgião, ainda estudante de medicina, interessou-se pela cirurgia vascular por ocasião do assassinato do presidente da França Sadi Carnot.  O presidente veio a falecer em conseqüência de grave ferimento da veia porta, sem que nada pudesse ser feito.  Impressionou-o a incapacidade de seus professores em reparar o vaso lesado, o que poderia ter evitado a morte do ilustre estadista.  Daí por diante decidiu dedicar-se ao estudo das suturas vasculares e aos transplantes de órgãos.  Ibid
Em 1902 informou na Revista Lyon Chirurgical, sobre um transplante de rim em um cachorro, implantado no pescoço do animal.  Aquele então colaborou com o Professor Jean L. Testut (1849-1925) e mais tarde, descreveu uma técnica para anastomosar uma veia a uma artéria.  Estes esforços inicialmente passariam desapercebidos na França e se supõe motivaram a decisão de Carrel para expor suas técnicas em outros lugares.  Ibid
Deixou a França para instalar-se nos Estados Unidos da América em 1905.  Depois de uma breve estância em Montreal, Canadá, em 1904.  Foi no Segundo Congresso Médico em Língua Francesa na América do Norte, em Montreal, onde expôs suas técnicas de sutura vascular. Isto lhe valeu o convite para trabalhar em Chicago, no Laboratório Hull de fisiologia da Universidade de Chicago.  O convite foi feito pelo Dr. Karl Beck.  Pôde instalar-se em Chicago no Laboratório Hull, sob a direção de George N. Stwart e trabalhou na companhia do Dr. Charles C. Gutrhie, com quem, em conjunto publicou mais de 20 trabalhos entre 1904 e 1906.  Ibid
Desta época data sua técnica de sutura vascular, chamada de “triangulação”; esta consistia em tornar o vaso para sutura termino-terminal em três pontos da circunferência, que colocavam em tensão o vaso, enquanto o cirurgião suturava a porção entre os cabos de tensão.  A intervenção se realizava sem anticoagulantes (a heparina não seria utilizada senão até 1912).  As agulhas eram muito finas e o material de sutura era  seda.  Carrel sempre insistiu em uma acepsia e anticepsia perfeitas para conduzir do início ao fim suas cirurgias.  Supõe-se que isto lhe valeu uma fama de arrogante.  Ibid
No ano de 1904 realizou transplantes experimentais em animais, um cardíaco e outro renal.  Devemos recordar que isto se passava em 1904 e que a cirurgia de transplantes não seria uma realidade até os anos 60 e 70.  Os transplantes se realizavam com material homólogo e heterólogo.  Seus trabalhos chamariam a atenção de Harvey W. Cushing (1869-1939) e Stewart Halstead (1852-1922) e lhe facilitariam o ingresso ao Instituto Rockefeller.  Ibid
Nesta mesma época, Carrel iniciou os transplantes autólogos de veias e continuou com os trabalhos sobre as suturas de uma veia com uma artéria e vice-versa.  Todos os estudos sobre anastomose vascular foram experimentados e publicados por Carrel neste tempo. Sabemos que este tipo de anastomose não seria completamente aceita no mundo até a década de 50.  Ibid
Em 1906 ele e Guthrie realizaram com êxito a reimplantação de uma perna de cachorro.  Iniciou seu trabalho no Instituto Rokefeller de Nova Iorque.  Deixou seu trabalho no Laboratório Hull de Chicago, se diz que por falta de apoio econômico.  No Instituto Rokefeller continuou seus trabalhos sobre suturas vasculares, assim como sobre anestesia endotraqueal, cirurgia pulmonar e esofágica tudo isto em relação com uma pressão positiva que se podia dar com a entubação endotraqueal.  A preservação dos tecidos no contexto da cirurgia de transplante, foi outra de suas inquietudes.  Ibid
Bem conhecidos são seus trabalhos sobre cultivo de tecidos.  Seus cultivos de músculo cardíaco de galinhas duraram 34 anos, de 1910 até 1944, ano de sua morte.  Seus trabalhos, em colaboração com Montrose Thomas Burrows (1884-1947), sobre um caldo de cultivo baseado em plasma, tem transcendido até nossos dias e são ainda utilizados.  Também cultivou células neoplásicas, sendo pioneiro também neste campo.  Ibid
A ele devemos as primeiras publicações sobre a cirurgia de aorta descendente e as conseqüências de uma oclusão prolongada desta.  Em efeito, seus trabalhos experimentais nos cachorros demonstraram que a oclusão prolongada de aorta descendente causava uma paralisia de extremidades posteriores do cachorro.  Isto também acontece em seres humanos nas extremidades inferiores, em cirurgias semelhantes. Carrel idealizou e levou adiante sistemas de ponte para evitar isto.  Ibid
Em 1910 realizou uma ponte aorto-coronário com enxerto venoso de um cachorro, deixando permeáveis as coronárias.  É interessante saber que realizou a operação com o coração batendo e que descreveu a cirurgia como muito difícil, dizendo que as anastomoses da veia a nível cardíaco haviam durado cinco minutos.  Também idealizou e propôs “clamps” para a cirurgia cardíaca assim como diversos tipos de cirurgia sobre musculatura ventricular e incursionou nos na área de transfusão sanguínea, passando sangue com êxito, diretamente de um senhor a seu filho recém nascido.  Ibid
Foi em 1912, em reconhecimento a suas abordagens nos diferentes campos do saber médico, que foi distinguido com o Prêmio Nobel de Medicina, “em reconhecimento a seus trabalhos sobre sutura vascular, transplantes de vasos sanguíneos e de órgãos”.  Em seu discurso, na recepção do Prêmio Nobel, reconheceu com humildade que existiram médicos antes dele que haviam sugerido o transplante de órgãos.  Ibid
Em 1912 foi eleito membro ativo do Instituto Rokefelloer, em Nova Iorque, dele que antes havia sido membro associado.  É interessante saber que foi o primeiro membro deste Instituto que ganhou o Prêmio Nobel.  Como conseqüência desta distinção internacional, foi condecorado com a Legião da Honra pelo Governo da França, em Fevereiro de 1913.  Alex Carrel se casou em 1913 com uma enfermeira que havia conhecido em Lourdes, França, Anne Marie De la Motte de Meyrie, de 35 anos de idade.  Ela colaborou freqüêntemente com seu esposo em seus experimentos cirúrgicos.  O matrimônio não renderia filhos.  Ibid
Como cidadão francês recebeu notificação de sua movilização em primeiro de agosto de 1914 e se incorporou ao Exército Francês de Lyon, França, no início da Primeira Guerra Mundial, aonde serviu como Major Médico Cirúrgico.  Nesta época iniciou e desenvolveu métodos anticépticos, o que permitiu uma melhor acepsia e anticepsia nos centros cirúrgicos e em conseqüência uma diminuição de infecções cirúrgicas.  Ibid
Uma investigação sobre métodos de anticepsia em feridas, que realizou em colaboração com o Dr. Henry D. Darkin (1880-1952), americano, foi motivada por uma grande quantidade de feridas infectadas nos soldados franceses.  A solução utilizada era de hipoclorito de sódio e foi produto de uma seleção entre mais de 200 substâncias.  Um engenhoso método de irrigação das feridas foi idealizado por Carrel, consiste em um reservatório, o qual se conectava por meio de um conduto a um sistema irrigador de quatro ou cinco tubos com múltiplos orifícios, que se colocava na ferida.  As feridas eram suturadas quando o cultivo destas se negativizavam.  Apesar de múltiplas controvérsias, este trabalho de Carrel e Darkyn foi considerado como um grande esforço no contexto da Primeira Guerra Mundial.  Depois da Primeira Guerra Mundial, em 1919, Carrel regressou ao Instituto Rokefeller e continuou inovando, neste caso com os transplantes de córnea.  Ibid
Em 1929, em colaboração com o famoso aviador Charles Lindbergh, Carrel desenvolveu um aparato destinado à preservação de órgãos que estariam destinados ao transplante.  Esta bomba de oxigênio foi a primeira em seu tipo e se perfeccionou depois de múltiplos fracassos.  Foi com uma aorta de gato que pode por fim ser  bem conservada em um novo aparato; chegou a manter duas horas um rim sem que este sofrera qualquer dano e uma tireóide de fato foi preservada por 18 dias.  Este modelo de bomba de perfusão oxigenadora foi retomada nos anos 60, nos programas de cirurgia de transplantes, fabricada igual àquela inventada por Carrel e Lindbergh.  Ambos editariam em 1938 em livro sobre este tema, que resumia os conhecimentos desta época sobre a conservação de órgãos destinados ao transplante.  Ibid
Alex Carrel viveria até 1944, mas suas produção científica, que é o que nos interessa, se terminou em 1938.  Carrel deixou o Instituto Rokefeller em 1939, por causa de sua idade, 65 anos.  Seu regresso à França por isso não condicionou mais trabalho científico.  Ibid 
Métodos
Sutura – A técnica de sutura depende do tipo de anastomose.  A anastomose termino-terminal é efetuada trazendo as extremidades dos vasos em contato, não sendo necessária tração.  As extremidades são unidas por 3 pontos retidos eqüidistânciamente.  Pela tração dos fios a circunferência das artérias pode ser transformada em um triângulo, e o perímetro pode ser dilatado a vontade.  Então as beiras de cada lado do triângulo são unidas por uma sutura contínua.  Uma sutura venosa, todavia, requer mais pontos que uma sutura arterial, devido a finura das paredes.  Nas suturas artero-venosas a veia é geralmente mais larga que a artéria.  Após as extremidades de ambos os vasos terem sido unidas por pontos retidos em cada lado do triângulo venoso, percebe-se que ele é mais longo que o lado correspondente da artéria.  Pela tração dos pontos retidos à luz arterial pode ser dilatada mais próxima da dimensão da veia.  Cada ponto da sutura contínua é feita mais larga na veia do que na artéria, e a dimensão da veia é assim progressivamente reduzido e uma boa união assegurada.  Durante as suturas as paredes venosas são giradas totalmente e suas superfícies endoteliais são usadas para a superfície de secção da parede arterial. <http://nobelprize.org/medicina/loureates/1912/carrel_lecture.html
A anastomose termino-lateral consiste na extremidade de um vaso na parede de outro vaso.  Uma incisão triangular ou elíptica é feita na parede de um vaso, e então as beiras das aberturas são unidas pela extremidade do segundo vaso por 3 ou 4 pontos retidos, e a operação finalmente concluída por sutura contínua. 
<http://nobelprize.org/medicina/loureates/1912/carrel_lecture.html
A anastomose latero-lateal é executada colocando-se dois vasos paralelos um ao outro e abrindo-os longitudinalmente por incisão ou ressecação de uma aba elíptica.  As extremidades das aberturas são unidas por dois pontos posteriores retidos e por uma sutura contínua executada no interior dos vasos enquanto suas paredes estão sob tensão.  O terceiro ponto retido une o centro das pontas das beiras anteriores, a linha posterior da sutura estando ainda esticadas pela tração dos dois pontos retidos.  Finalmente pela tração dos pontos retidos anteriores e posteriores a abertura e transformada em um triângulo e a anastomose é completada por sutura contínua correndo ao longo de ambos lados anteriores.  
<http://nobelprize.org/medicina/loureates/1912/carrel_lecture.html
Os resultados foram tão simples quanto a técnica.  Hemorragia não foi observada e estenose também não foi produzida no local da anastomose, contanto que uma correta tensão tenha sido feita nos pontos retidos durante a sutura.  A complicação mais comum, trombose, nunca ocorreu quando este método foi corretamente empregado.   <http://nobelprize.org/medicina/loureates/1912/carrel_lecture.html
Transplante de Vasos
É possível realizar dois tipos de transplantes vasculares, transplante uni-terminal e bi-terminal.  O uni-terminal consiste em enxertar uma extremidade do vaso em outra parte do sistema vascular.  O principal resultado do transplante uni-terminal é mudar a qualidade da circulação sanguínea de um certo vaso e modificar sua pressão.  Se a extremidade da veia jugular externa é unida com a terminação central da artéria carótida a veia torna-se cheia de sangue arterial e sua pressão é aumentada, ocorrendo um espessamento de suas paredes enquanto a pressão da artéria diminui e sua parede torna-se mais fina.  Assim foi possível produzir uma volta da circulação no membro inferior executando um cruzamento anastomótico da artéria e veia femoral.   
<http://nobelprize.org/medicina/loureates/1912/carrel_lecture.html
O transplante bi-terminal consiste em interpor um segmento de vaso entre as extremidades de outro vaso.  Este transplante pode ser realizado de várias maneiras, de acordo como o segmento é interposto entre as extremidades do corte de uma artéria ou veia, ou entre duas diferentes regiões do sistema circulatório, ou ainda entre uma membrana serosa e uma veia.  Se o segmento transplantado for de um mesmo animal, ou de outro animal da mesma espécie, ou de uma diferente espécie de animais transplantados são respectivamente autoplástico, homoplástico ou heteroplástico.  
<http://nobelprize.org/medicina/loureates/1912/carrel_lecture.html
No caso do transplante autoplástico não houve mudança na aparência do vaso, o qual preservava seu diâmetro normal e sua elasticidade.  O exame histológico também mostrou que a parede do vaso não tinha sofrido mudança.  No transplante homoplástico a aparência dos vasos também permaneceram normais, mas a examinação histológica feita três meses depois da operação geralmente mostravam que a constituição histológica da parede tinha se modificado.  Em alguns casos a parede tinha permanecido normal, mas na maioria as fibras musculares tinham desaparecido completamente e a camada interna tinha se tornado espessa.  Em transplantes heteroplásticos os resultados foram diferentes.  Os calibres dos vasos tornaram-se progressivamente maiores, mas este aumento de diâmetro não aumentou indefinidamente e nunca resultou na formação de aneurisma.  Similarmente a parede tornou-se mais fina.  O exame histológico mostrou que durante as semanas e os meses do transplante não somente a fibra muscular tinha degenerado mas a estrutura elástica também tinha desaparecido completamente.  
<http://nobelprize.org/medicina/loureates/1912/carrel_lecture.html
Transplantes de Membros e Órgãos
Em 1905, em Chicago, Alex Carrel realizou co Guthrie muitos experimentos de reimplantes de coxa.  Os tecidos e vasos cicatrizaram pelo primeiro propósito, mas os pesquisadores foram incapazes de manter qualquer animal vivo por mais de onze dias.  Realizou mais reimplantes e depois desta prosseguiu os estudos de transplantes de membro de um animal para outro.  
<http://nobelprize.org/medicina/loureates/1912/carrel_lecture.html
Eles consistiram em transplantar os membros dianteiros ou traseiros de um cachorro para outro.  Primeiro todos os cachorros foram mortos com clorofórmio, então os membros foram amputados circularmente nas suas partes centrais, logo depois foram tomadas precauções acepticas.  No caso da transplantação de coxa uma incisão circular foi feita na parte superior do membro.  O animal que no qual o membro foi enxertado foi anestesiado de uma maneira usual e a coxa foi amputada transversalmente, depois os vasos femorais foram dissecados.  Isto foi desnecessário para calcular o comprimento exato do pedículo vascular, pois tensão em uma sutura vascular é algo perigoso.  A operação foi então iniciada fixando-se um novo membro no hospedeiro por meio de uma tala de Elsberg.  A técnica de transplantação de membros dianteiros e um tanto diferente.  O úmero foi amputado um pouco acima do cotovelo enquanto os nervos e vasos foram seccionados acima.  As linhas gerais da operação foram similares àquela descrita antes.  Os resultados imediatos foram excelentes.  Durante os primeiros dias não houve sinal de edema, o animal não sofreu dor e permaneceu saudável.  Mas depois de sete ou oito dias em quase todos os casos o edema apareceu ao nível dos dedos ascendendo pela pata até a linha da sutura.  A circulação, entretanto permaneceu normal.  Neste estágio os animais foram cloroformizados.  É visto que estas necroses do epitélio não foram produzidas pela circulação mas pela reação do organismo contra o mesmo membro.  
<http://nobelprize.org/medicina/loureates/1912/carrel_lecture.html
O melhor resultado foi obtido em um dos primeiros experimentos, realizado em 1908.  A pata de um fox-terrie foi amputada no terço superior.  Esta foi então imediatamente transplantada em uma fox-terrie fêmea do mesmo tamanho e forma do primeiro cachorro.  No fim do dia da operação a circulação estava excelente e o animal recuperou-se rapidamente.  Ele morreu no décimo segundo dia depois da operação.  A circulação da pata permaneceu normal até o fim.  A autópsia mostrou pneumonia brônquica difusa, a qual levou inúmeros outros cachorros para o mesmo fim.
<http://nobelprize.org/medicina/loureates/1912/carrel_lecture.html
Alex Carrel realizou também um grande número de experimentos de reimplante e transplante de órgãos.  Em 1905, com a colaboração de Guthrie obteve, êxito no reimplante de uma glândula tireóide.  Realizou também experimentos no reimplante e transplante de glândulas supra-renais, ovários, intestino, coração e baço.  
<http://nobelprize.org/medicina/loureates/1912/carrel_lecture.html
O maior número de experimentos foram de rim realizados em cachorros.  A operação consistia em remover um dos rins e enxerta-lo novamente na região lombar.  A cavidade abdominal foi aberta por meio de uma incisão transversal, então o rim, com seu peritônio foi extirpado e envelopado em um véu de seda saturado com vaselina.  Depois o rim foi recolocado na cavidade abdominal na posição normal e as terminações das artérias e veias suturadas circularmente assim como o uréter.  Foi fixado na posição normal por meio de uma sutura de peritônio.  Uma dúzia destas operações foram realizadas e em todos os casos os animais se recuperarem.  Depois os animais sofreram uma dupla nefréctomia.  A urina estava normal e não continha albumina.  Os rins foram examinados muitos meses depois e a condição histológica foi encontrada normal.  A cadela, na qual uma dupla nefréctomia e o reimplante de rim tinham sido realizados, continuou a viver saudável por dois anos e meio, morreu por uma doença não relacionada com a operação. Foi desta maneira mostrado que de um simples ponto de vista cirúrgico o transplante de órgãos é possível.  <http://nobelprize.org/medicina/loureates/1912/carrel_lecture.html
As interações do hospedeiro e do novo órgão foram estudadas mais a fundo por meio do transplante “em massa” de rins, em gatos.  A transplantação consistiu na extirpação de ambos os rins de um primeiro animal, seus vasos e os correspondentes segmentos da aorta e veia cava, seus nervos e nervos ganglionares, seus ureteres e as correspondentes partes da bexiga. Esta amostra anatômica foi colocada na cavidade abdominal de um segundo animal.  Em todos os experimentos a secreção urinária foi normal e durou até a morte do animal.  Entretanto, todos os animais morreram antes que 40 dias depois da operação.  A examinação histológica dos rins transplantados mostrou que os órgãos apresentavam algumas lesões.  As lesões foram de nefrite difusa.  É muito provável que nos transplantes de rins, assim como nos de membro, a reação do organismo contra o novo órgão aconteceu poucos dias depois.  O novo órgão pode ter uma influência marcante na condição geral do hospedeiro.  
<http://nobelprize.org/medicina/loureates/1912/carrel_lecture.html
 
CONCLUSÃO
Os estudos sobre Alex Carrel revelam o quanto o interesse e a curiosidade são importantes para a descoberta de novos conhecimentos. Nos ensinam que o espírito investigativo é o ponto mais importante para a sequência de qualquer projeto, não só repetindo o que os livros já ensinam mas também buscando novas fontes a fim de aprimorar os já existentes.
Por suas descobertas, Alex Carrel influenciou decisivamente as abordagens atuais sobre transplantes e cirurgias vasculares, sendo que algumas de suas recomendações são ainda aceitas tais como o manuseio delicado dos tecidos, a proteção contra o ressecamento dos vasos com sors fisiológico, a necessidade de se utilizar fios delicados e instrumental delicado para a garantia dos resultados.
Para nós alunos de medicina é de extrema importância compreender o quanto a evolução  da medicina depende dos pesquisadores, são eles que alimentam e aprimoram as técnicas já existentes.
 
Referências Bibliográficas
 
RAUBER, J.J.Apresentação de trabalhos científicos.3o.ed.Passo Fundo:Editora Universitária, 2003.
Nobel Lectures, Physiology or Medicine 1901-1921, Elsevier Publishing Company, Amsterdãn, 1967. Disponível em <http://nobelprize.org/medicine/loureates/1912/carrel_ lecture.html
PONCE DE LEÓN, F. C., História de la Medicina.  Disponível em <http://scielo-mx.bvs.br/scielo.php?pid=S1665-11462002000400007&script=sci_arttext&tlng=es.
 
Orientadores:
Evania Araujo
Jorge Salton
1913: CHARLES RICHET

 

Artigo científico escrito por:
Eugenio Pagnussat Neto 
Fernanda S. Quevedo 
Faculdade de Medicina UPF
RESUMO
Esta pesquisa acerca dos trabalhos que grandes estudiosos realizaram e pelos quais foram reconhecidos através do Prêmio Nobel de Medicina busca compreender os avanços na área da saúde. Nosso estudo, em particular, é sobre a descoberta de Charles Robert Richet. Homem completamente dedicado à ciência, Richet recebeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1913 por seus estudos que desvendaram os mecanismos da Anafilaxia. Suas contribuições foram de grande extensão para a ciência, incluindo estudos que melhoraram a compreensão das funções gástricas, do sistema imune e algumas das funções cerebrais. Este médico enriqueceu a ciência com idéias e conhecimentos novos e sua contribuição sobre anafilaxia tem sido, desde então, carregada para o campo da área médica.
 
Palavras-chave: Prêmio Nobel, Charles Robert Richet, Anafilaxia
 
ABSTRACT
This research concerning the works that great studious had carried through and for which had been recognized through the Prize Nobel of Medicine searches to understand the advances in the health area.  Our study, in particular, it’s on the discovery of Charles Robert Richet.  Completely dedicated man to science, Richet received the Prize Nobel of Medicine in 1913 for its studies that had unmasked the mechanisms of the Anaphylaxis.  Its contributions had been of great extension for science, including studies that had improved the understanding of the gastric functions, of the immune system and some of the cerebral functions.  This doctor enriched new science with ideas and knowledge and his contribution on anaphylaxis has been, since then, loaded for the field of the medical area.
 
Key-words:  Prize Nobel, Charles Robert Richet, Anaphylaxis
 
INTRODUÇÃO
O presente trabalho consiste em uma análise bibliográfica da vida e obra do pesquisador francês Charles Robert Richet, médico fisiologista condecorado com o Prêmio Nobel de Medicina de 1913, em conseqüência de seus estudos sobre anafilaxia.
O propósito deste trabalho é conhecer e compreender os métodos e resultados das pesquisas de Charles Richet sobre anafilaxia, tendo em vista suas numerosas aplicações na área médica.  Tem como finalidade proporcionar um maior conhecimento a respeito da história da profissão médica e suas mais recentes descobertas, além de divulgar o mais cobiçado prêmio científico-cultural do mundo: o Prêmio Nobel.
Os métodos pedagógicos empregados na elaboração deste artigo foram consultas em acervos disponibilizados na internet pela Fundação Alfred Nobel - administradora do Prêmio Nobel - além de pesquisas bibliográficas em publicações sobre Fisiologia.
 
DESENVOLVIMENTO
Biografia
O descobridor da anafilaxia e sua ação nos organismos - Charles Robert Richet - nasceu em 25 de agosto de 1850, em Paris. Era filho de Alfred Richet - professor na Faculdade de Medicina de Paris - e de Eugenie, neé Renouard. Richet estudou em Paris, tornando-se doutor de medicina em 1869, doutor de ciências em 1878 e professor de fisiologia em 1887 na faculdade de Medicina, em Paris. Além de professor, foi editor da Revue Scientifique por 24 anos e co-editor do Journal de Physiologie et de Pathologie Générale. <http://nobelprize.org/medicine/laureates/1913/richet-bio.html>    
O pesquisador também contou com a publicação de vários trabalhos em fisiologia, fisiologia química, patologia experimental e psicologia patológica e normal. (Ibid.)    
Na área da fisiologia, sua maior contribuição foi a descoberta dos mecanismos da Anafilaxia – palavra inventada por ele para designar a sensibilidade desenvolvida por um organismo depois de ter sido dado a ele uma injeção parenteral de uma substância de colóide, de proteína ou de toxina. A maioria dos seus trabalhos fisiológicos foi publicada na Faculté de Médecine de Paris de Travaux du Laboratorie. 
<http://nobelprize.org/medicine/laureates/1913/richet-bio.html>    
Sua curiosidade científica estava aberta a tudo que lhe parecesse interessante, tanto é que uma de suas dedicações está no campo dos fenômenos sobrenaturais, passando a ter um grande interesse pelo espiritualismo. Também foi romancista, poeta e dramaturgo, realizando alguns trabalhos dramáticos. Grande pacifista atuou durante a Primeira Guerra Mundial e ainda conta com seu nome na lista de Maçons Ilustres do mundo. (Ibid.)
Em 1877, casou-se com Amélie Aubry, com quem teve cinco filhos (um deles dedicando-se também à medicina) e duas filhas. Charles Robert Richet morreu em Paris, no dia 4 de dezembro de 1935, aos 85 anos. (Ibid.)
 
Pesquisa
Anafilaxia é um neologismo que o próprio Richet inventou em 1901, na suposição de que uma idéia nova chama uma palavra nova na língua. Trazendo do grego a palavra phylaxis – proteção – colocou na nova palavra justamente um significado oposto: não proteção ou hipersensibilidade. <http://nobelprize.org/medicine/laureates/1913/richet-lecture.html>
A anafilaxia tem numerosas aplicações na medicina, sendo atualmente uma parte importante na patologia. O pesquisador mostrou, de fato, que a injeção parenteral da substância da proteína modifica profunda e permanentemente a constituição química dos líquidos do corpo. (Ibid.)
Ele quis mostrar que além dos casos de sensibilidade a certas drogas e da estabilidade inalterada delas, há ainda uma terceira possibilidade: uma hipersensibilidade; em que uma primeira injeção, em vez de proteger o organismo, o deixa mais frágil – isto é anafilaxia – e estas foram as circunstâncias pelas quais o pesquisador observou tal fenômeno. Os sintomas anafiláticos têm uma grande variação, embora as diferenças sejam de acordo com o animal experimental e não com o tipo de veneno usado. (Ibid.)
O fisiologista fez seu estudo utilizando-se de cães, com o objetivo maior da identificação dos sintomas. Observou que no cão, 4 graus de anafilaxia podem existir e classificou-os de acordo com a intensidade. No menos intenso, o principal sintoma foi prurido, agitação e movimentos descontrolados. O próximo estágio se caracterizou também por prurido, mas desta vez mais violento, aparecendo logo em seguida vários outros sintomas: respiração acelerada, queda de pressão arterial, ritmo cardíaco acelerado, vômito, diarréia de sangue e tenesmo retal. Já no terceiro grau, ocorreu uma depressão do sistema nervoso e os sintomas ficaram aumentados. O animal apresentou sinais de agitação, seguido por salivação, vômito, defecação e micção, progredindo para fraqueza muscular, depressão respiratória e colapso circulatório. Este ataque brutal do sistema nervoso recebeu o nome de Choque Anafilático. No quarto grau de anafilaxia, os sintomas se tornaram tão graves ao ponto de em uma hora tornar a cobaia inoperante, ocorrendo a morte durante a noite que segue a injeção. (Ibid.)
No homem, os efeitos são semelhantes aos dos animais, apresentando urticária, eritema, prurido, pré-síncope, náusea, vômito, hipertermia, edema sobre a área inteira da pele ou apenas localizado. É como se o veneno tivesse produzido um efeito sobre o sistema nervoso, especialmente nos nervos vasomotores ou nos nervos tróficos da pele. E então, se examinam as substâncias aptas a desenvolver um estado anafilático. (Ibid.)
Em abril de 1907, Richet mostrou que injeção com soro de cão anafilactizado induz um estado anafilático em cão não tratado, como se o soro contivesse a substância tóxica com o efeito desencadeante. Com actino-congestina, a experiência é bem definida, pois quando a dose é inofensiva causam a morte de cães não anafilactizados, mas que receberam o soro de cães anafilactizados. Isto é a anafilaxia passiva. (Ibid.)
Já a anafilaxia in vitro permitiu ao pesquisador, sintetizar o veneno liberado durante uma injeção desencadeadora sendo que este veneno teria efeitos extremamente fortes, causando a morte em cerca de 36 horas. Assim, a mistura do antígeno com o sangue de um animal anafilactizado por este mesmo antígeno produziria um veneno violento e forte que seria diferente do próprio antígeno. Então Richet, para avaliar esta reação, mencionou a experiência de Claude Bernard realizada com amêndoas amargas. Tais amêndoas continham as substâncias amigdalina – inofensiva – e emulsina – totalmente inofensiva. Os organismos sobreviviam à injeção de ambas. Mas a emulsina tinha a capacidade de quebrar a molécula de amigdalina liberando ácido hidrociânico, que era um dos gases mais tóxicos que se conhecia. Assim, se ao animal fosse dado amigdalina com emulsina, tal ácido circularia no sangue e iria causar a morte de forma rápida. Separadas, as substâncias eram inofensivas; juntas, eram fatais. Então, chegou-se à suposição de que existe uma substância que anafilactizaria o sangue, a qual se chamou toxogenina que, por estar presente no sangue, seria uma substância inofensiva. Mas se a toxogenina fosse misturada com o antígeno, um novo veneno seria produzido e as conseqüências poderiam ser sérias. O estudioso propôs que o veneno derivado fosse chamado de apotoxina, formulando uma reação direta:
toxogenina + antígeno = apotoxina
Este médico estabeleceu também um relacionamento entre anafilaxia e leucocitose, conduzindo experiências novamente em cães. No cão normal, a concentração leucocitária é em média de 100 por centésimo de milímetro cúbico, com variações que vão de 70 a 130. Mas em animais que foram anafilactizados, pode-se verificar após um período de seis meses que a concentração de leucócitos excedia freqüentemente a 200. Não houve nenhuma reação mais visível que a da leucocitose, que pode ser verificada na experiência que Richet realizou com a ação do clorofórmio em cães: em um cão cloroformizado pela primeira vez, o número de leucócitos no sangue não se altera, mas se houver uma segunda cloroformização um mês após a primeira, aparecerá uma leucocitose severa que pode alcançar até 250 leucócitos. (Ibid.)
Os fenômenos anafiláticos foram os assuntos de muita pesquisa médica. Dois métodos de anafilaxia estavam em aberto: um em que se verificava a sensibilidade do paciente através de soro específico; outro em que o soro do paciente era injetado em cobaias para verificar as possíveis reações. (Ibid.)
Ao falar de experiências negativas, Richet citou o que ele chamou de anafilaxia homogênica. O objetivo era descobrir se a injeção em um animal com o sangue de outro animal provocaria uma forte reação maior na segunda do que na primeira injeção, o que parece não ter tido grande valor, pois o sangue de um animal injetado em outro de mesma espécie era inofensivo. (Ibid.)
Há também uma anafilaxia que vem após a ingestão pelo sistema digestivo: anafilaxia alimentar. Esta foi caracterizada pela entrada de antígenos no organismo através do tubo digestivo. Mas os estudos acerca de anafilaxia alimentar, na época, não tiveram muita importância para a medicina clínica. (Ibid.)
 Este grande pesquisador dizia que
[...] cada ser vivo, embora apresentando grande semelhança entre seres de mesma espécie, tem suas próprias características de modo que ele seja único. Os organismos vivos existem em estado de proteção e parece absurdo que uma disposição orgânica possa fazer os seres mais frágeis, mais suscetíveis aos venenos, porque na maioria dos casos, tudo em seres vivos parece disposto a assegurá-los mais resistência. Se substâncias heterogêneas fossem separadas em nossas células e misturadas aos nossos humores, isto seria o fim da constituição química de cada espécie animal, que é o fruto da evolução lenta das gerações e todo o processo que foi conseguido com a seleção e a hereditariedade seria perdido. Nesta consideração, não importa se o indivíduo se torna mais vulnerável, pois algo mais importante do que a salvação da pessoa é a preservação integral da raça. Talvez anafilaxia seja uma matéria pesarosa para o indivíduo, mas é necessária à espécie para defendê-la de encontro ao perfil de adulteração. A anafilaxia é um termo universal da defesa de encontro à penetração de substâncias heterogêneas no sangue, quando elas não podem ser eliminadas.<http://nobelprize.org/medicine/laureates/1913/press.html>
 
CONCLUSÃO
O presente trabalho nos leva a concluir que é de extrema relevância deter algum conhecimento básico sobre os processos anafiláticos, pois, apesar de encontrarmos baixas estatísticas de morte, podem ter conseqüências fatais. 
Conclui-se também que, sendo o processo de construção do conhecimento médico relativamente recente, é interessante entender como pensavam pesquisadores do início do século passado e quais os métodos usados para sua pesquisa.
Indubitavelmente, o presente artigo tem função de divulgação de conhecimentos a respeito de um tema desconhecido para a grande maioria das pessoas: o processo anafilático. É relevante também pelo fato de transmitir conhecimentos sobre o pesquisador do fenômeno Anafilaxia e do prêmio que o consagrou como um dos maiores cientistas da história.
Recomenda-se, primeiramente, a leitura deste artigo para profissionais de toda a área da saúde, principalmente os profissionais e estudantes da área médica, pesquisadores e fisiologistas. Em segundo lugar, indica-se a leitura deste artigo para todos aqueles que porventura se interessam em compreender os processos de conhecimento da história médica, e de construção de um prêmio científico que desde 1900 vem consagrando grandes nomes nas mais diversas áreas.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Nobel lectures, Physiology or Medicine 1901-1921, Elsevier Publishing Company, Amasterdan, 1967 –   disponível em  <htpp://www.nobelprize.org>. Acesso em: 11 ago. 2005.
GUYTON, Arthur C.; HALL, John E. Tratado de Fisiologia Médica. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.
RAUBER, Jaime José et al. Apresentação de trabalhos científicos: normas e orientações práticas. 3. ed. Passo Fundo: Universidade da Passo Fundo, 2003.
 
Orientadores:
Evânia Araújo
Jorge Salton
1914: ROBERT BARANY

 

Artigo científico escrito por:
CERVI, Elisa R.
DIEL, Emanuel R.
Faculdade de Medicina UPF
Resumo
O presente trabalho tem como objetivo apresentar a biografia de Robert Bárány, vencedor do prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1914 por sua pesquisa na fisiologia e fisiopatologia do aparelho vestibular humano.
Buscamos aprofundar o conhecimento a respeito dos pesquisadores contemplados com o prêmio Nobel e despertar o espírito investigativo nos alunos de medicina, para que estes, tenham incentivos na busca de novas descobertas na área médica.
Bárány, partindo dos estudos de outros pesquisadores sobre nistagmo e vertigem, em 1905, a partir de suas conclusões, determinou que estes tinham relação com a temperatura da água durante a lavagem do ouvido. A explicação para isso era o aumento ou diminuição da densidade relativa da endolinfa, que mudava seu fluxo no ouvido interno, produzindo estes sintomas.
O artigo expõe a importância destas descobertas no sentido de que aperfeiçoaram, no inicio do século XX, o diagnóstico das patologias que acometem o ouvido interno e que podem ter reflexos em outros sistemas, como é o caso do sistema músculo-esquelético.
 
Palavras-chave: Apaelho vestibular; uvido interno; Nobel de 1914.
 
Abstract
The present work has the objective to present the biography of Robert Bárány, winner of the Nobel prize of Physiology or Medicine of 1914 for its research in the physiology and physiopatology of the human vestibular apparatus.
We search to deepen the knowledge regarding the researchers contemplated the prize Nobel and to awake the investigative spirit in the medicine pupils, for these, have incentives in the search of new discoveries in the medical area.
Bárány, leaving of the studies of other researchers on nystagmus and vertigo, in 1905, from its conclusions, determined that these had relation with the temperature of the water during the syringing of the ear.  The explanation for this was the increase or reduction of the relative density of endolinf, that it changed its flow in the internal ear, producing these symptoms.
The article displays the importance of these discoveries in the way of that they had perfected, in the beginning of century XX, the diagnosis of the pathologies that commit the internal ear and that they can have consequences in other systems, as in the system muscle-esqueletic.
 
Keywords: Vestibular apparatus; inner ear; Nobel of 1914.
 
Introdução
Robert Bárány, médico e pesquisador do século XX, realizou grande contribuição para a comunidade médica, o estudo da fisiologia e da fisiopatologia do aparelho vestibular humano lhe rendeu o prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1914. O prêmio Nobel é um prêmio internacional dado anualmente desde 1901 por realizações em física, química, medicina, literatura e paz. Tendo em vista a pouca informação sobre Bárány na língua portuguesa, pretende-se, a partir deste artigo, revelar um pouco mais sobre suas pesquisas e os reflexos que estas tiveram para a aplicação clinica da medicina otológica. Portanto, esta investigação, que buscou aprofundar os conhecimentos sobre os achados otológicos, está organizada com a biografia e com as descobertas de Bárány.
Apesar das dificuldades encontradas na época, que beirava o inicio da Primeira Guerra Mundial, Bárány conseguiu estudar e colocar em prática alguns achados a respeito do aparelho vestibular humano.
 
Desenvolvimento
Robert Bárány dedicou parte mais importante de suas pesquisas cientificas para o estudo do ouvido interno, particularmente à parte que é inervada pelo nervo vestibular e é conhecido como aparelho vestibular.
No inicio do século XIX Flourens tinha provado por experiência que estimulando os canais semicirculares do ouvido interno determinados movimentos rítmicos do olho (chamados nistagmos) poderiam ser causados e Purkinje mostrou que em seres humanos  a vertigem era induzida por rotação. Ménière foi o primeiro a provar que as doenças do ouvido interno podem produzir vertigem. Mais tarde, um número de fisiologistas, especialmente Breuer e Ewald, estudaram a fisiologia do ouvido interno e aumentaram o conhecimento sobre isto em um alto grau. Otologistas também fizeram observações neste campo sem, no entanto, apreciarem sua significância e adaptarem ao serviço da otologia.
Após Bárány, em maio de 1905, ter comunicado suas observações sobre nistagmo calórico à Sociedade Otológica Austríaca, seguido de lá durante os próximos dez anos um tremendo, quase revolucionário desenvolvimento da otologia, no qual o trabalho de Bárány foi, ambos, a fundação e o tema central; muitos outros pesquisadores também contribuíram, em particular a nova geração de otologistas em Vienna (Alexander, Neumann, Ruttin e outros).
O ponto de partida do trabalho pareceu, a principio, ser completamente simples. Por um longo tempo otologistas tinham estado atentos que a lavagem do ouvido do paciente freqüentemente causava tontura – alguns  médicos tinham até mesmo observado nistagmo. Mas não se soube por qual atividade este vinha ou que órgão liberava o fenômeno. Bárány fez um estudo sistemático da questão e encontrou que a lavagem do ouvido regularmente produzia nistagmo de um certo tipo. Este nistagmo foi relacionado com uma sensação de vertigem. A explicação veio a ele completamente por acaso. Um paciente cujos ouvidos ele fez lavagem disse a ele um dia que experimentou uma forte sensação vertiginosa quando a água da lavagem estava muito fria. Bárány então usou liquido muito morno na seringa e o paciente novamente queixou-se de vertigem severa. Bárány notou o aparecimento de nistagmo aqui também, mas em direção exatamente oposta a previamente observada. A explicação agora estava clara. O fator decisivo foi a temperatura do liquido da lavagem e logo estava claro que o fenômeno, a reação calórica, prosseguia dos canais semi-circulares, em que a endolinfa aumenta de gravidade específica com o resfriamento, mostrando uma tendência de descer, e com o aquecimento a diminuição da gravidade especifica o liquido mostra uma tendência a elevar-se. O fluxo, ou a tendência do fluxo, que aparece então na endolinfa dos canais semicirculares produz a reação.
Desta simples explicação seguiu então uma série adiantada  de hipóteses que poderiam ser excluídas. Os fatos essenciais são simplesmente se o labirinto está resfriado ou aquecido e qual a posição da cabeça quando o processo ocorre. A reação calórica pela primeira vez supriu a otologia com um método de investigação da expansibilidade do aparelho vestibular que pode ser usado em quase todos casos. Se a reação é positiva, então os canais são excitáveis, isto é não totalmente destruído , se é negativo então os canais estão destruídos – com algumas exceções, facilmente verificadas. Esta reação muito simplesmente obtida tornou-se básica para compreensão, e conseqüentemente para manipulação terapêutica de um número de doenças do labirinto – em particular aquelas de natureza inflamatória.
Bárány também estudou sistematicamente as outras reações vestibulares. Ele forneceu uma explicação para os fenômenos vestibulares que ocorrem após a rotação que estava em contraste com o que tinha sido pensado antes e estabeleceu a importância clinica e fisiológica da chamada reação rotatória.
Estudou também os fenômenos restantes das síndromes vestibulares, ambos, o subjetivo e o objetivo, e os sistematizou. Aqui ele tornou-se interessado principalmente em desenvolver a questão dos chamados movimentos da reação vestibular. Primeiramente estabeleceu que os distúrbios do equilíbrio vestibular, que já eram conhecidos, ocorrem de uma maneira regular, em um certo relacionamento para a existência de nistagmo, de modo que a mudança de posição, ou a tendência a mudar de posição, sempre ocorre  no mesmo plano mas na direção oposta a do nistagmo existente. Deste segue o interessante e clinicamente extraordinário importante fato de que existindo desequilíbrio vestibular muda o sentido com uma alteração na posição da cabeça. Estes desequilíbrios, os quais podem originar-se do aparelho muscular do tronco, correspondem com outros fenômenos análogos em todos os músculos que são controlados voluntariamente. Com uma série apropriada de experiências pôde-se mostrar como cada extremidade, ou a parte de uma extremidade, desvia de uma certa posição, ou tende a desviar, no mesmo plano mas em uma direção oposta a causada pelo nistagmo já presente. Este completamente desconhecido fenômeno previamente tornou-se, através do chamado teste de apontamento de Bárány, uma parte integrante dos métodos de exame do ouvido e nervo por especialistas.
As tentativas de explicar os fenômenos mergulharam Bárány em um sentido novo e promissor que conduz às investigações importantes na função do cerebelo. Bárány pensou que os impulsos constantes estão saindo do córtex do cerebelo a todos os músculos voluntários que são presos em um constante, sob as circunstâncias normais, estado uniforme de tensão (tônus). Este tônus é influenciado pelo estimulo do aparelho vestibular na maneira regular já indicada. Se aplicar o teste simples de levantar o braço estirado para fora de uma posição descendente para cima oposto a um objeto fixo, colocado apropriadamente, por exemplo um disco graduado (Boivie), encontrar-se-á que com tentativas repetidas cada indivíduo normal alcança aproximadamente o mesmo ponto com os olhos abertos ou fechados. Se o mesmo teste for repetido após a estimulação do aparelho vestibular, isto é após a lavagem de um ouvido com água fria ou morna, o teste apontará erro com olhos fechados sempre da mesma maneira, isto é, no mesmo plano em que o nistagmo ocorre, mas em um sentido oposto. A reação será a mesma se o braço for movido no plano horizontal ou se o teste for feito com a perna, tronco, cabeça, etc. Bárány ilustrou isto de uma maneira excelente. Imaginemos um cavalo a andar e sendo conduzido por duas rédeas esticadas. O cavalo pode ser conduzido fora de seu trajeto direto por qualquer tração mais forte em uma rédea ou afrouxar da outra. No teste de apontamento de Bárány o córtex cerebral representa a força ativa - o cavalo - enquanto o córtex cerebelar fornece o tônus; supõe-se que deve ter um centro para o tônus que é dirigido de encontro à linha central sagital do corpo, isto é. "para dentro" e também um centro para o tônus longe desta linha central, isto é, "para fora". Quando o braço é dirigido no plano horizontal algum dos centros deve assumir, conforme o tônus, pois ele está sendo influenciado por um centro para o tônus em um sentido ascendente e o um para o tônus em um sentido descendente. Conseqüentemente algum dos centros deve assumir para cada junção no corpo devido à presença de quatro centros de tônus no córtex cerebelar, uma para cada um dos quatro sentidos possíveis de movimento. Por estudos mais detalhados dos casos dos danos isolados ao córtex cerebelar e pelo desenvolvimento e pela adaptação apropriados do método de Trendelenburg, por que o centro cortical pode temporariamente ser paralisado se congelando, Bárány também estabeleceu a presença e a posição de alguns destes centros e desse modo inaugurou um tipo de  tópico diagnóstico cerebelar de uma natureza muito promissora.
Durante o longo período que esteve como prisioneiro de guerra e sem nenhum tipo da literatura, das facilidades do laboratório ou de outros cientistas ajudantes, Bárány era incapaz de prosseguir com a pesquisa no aparelho vestibular.
 
Biografia
Bárány nasceu em 22 de abril de 1876 em Vienna. Seu pai era o administrador de uma fazenda e sua mãe Maria Hock, era a filha de um bem conhecido cientista de Praga, e este foi sua influência intelectual que mais se pronunciou na família. Robert era o mais velho de seis crianças. Quando era muito jovem contraiu tuberculose dos ossos, que resultou na rigidez permanente das articulações dos joelhos. Acredita-se que esta doença que primeiro o levou a um interesse na medicina. A inabilidade, entretanto, não o impediu de jogar tênis e caminhar nas montanhas. Ele era sempre superior no formulário – na escola primária, na escola de gramática e estava entre os melhores do seu ano na universidade.
Após ter completado seus estudos médicos na universidade de Vienna em 1900, Bárány  acompanhou as palestras do professor C. Von Noorden em Frankfurt por um ano, e então estudou na clínica psiquiátrica-neurológica do professor Kracpelin em Freiburg. Foi lá que seus interesses em problemas neurológicos despertaram primeiro. No seu retorno a Vienna tornou-se aluno do professor Gussenbauer, cirurgião, e finalmente, em 1903, aceitou um posto como demonstrador na clinica otológica do professor Politzer. Ele seguiu as teorias de Flourens, Purkinje, Mach, Breuer e outros, e esclareceu a fisiologia e patologia do aparelho vestibular humano. Foi concedido o prêmio Nobel por seu trabalho neste campo em 1914. A notícia desta concessão alcançou Bárány em um campo russo de prisioneiros de guerra; ele tinha se unido ao exército austríaco como um cirurgião civil e atendido soldados com ferimentos na cabeça, fatos os quais tinham lhe permitido continuar seus estudos neurológicos na correlação do aparelho vestibular, do cerebelo e do aparelho muscular. Depois da intervenção pessoal do príncipe Carl da Suécia em nome da Cruz Vermelha, Bárány foi liberado do campo de prisioneiros de guerra em 1916 e apresentado com o prêmio Nobel pelo rei da Suécia em Estocolmo.
Bárány retornou a Vienna no mesmo ano, mas ficou decepcionado amargamente pela atitude dos seus colegas austríacos, que o repreenderam por ter feito somente referências incompletas em seus trabalhos às descobertas de outros cientistas, em cujas teorias ditas em seu trabalho foram baseadas. Estes ataques resultaram na saída de Bárány de Vienna para aceitar o posto de diretor e professor de um instituto otológico em Uppsala, onde permaneceu pelo resto da sua vida. Holmgren e um número de famosos otologistas suíços publicaram um documento em defesa de Bárány.
Durante a última parte de sua vida, Bárány estudou os casos do reumatismo muscular, e continuou trabalhando em um livro tratando deste assunto, mesmo após sofrer uma pancada que o deixou parcialmente paralisado. Bárány casou-se com Ida Felicitas Berger em 1909. Eles tiveram dois filhos; o mais velho tornou-se professor de farmacologia na universidade de Uppsala, seu irmão tornou-se assistente professor de medicina no instituto Caroline em Estocolmo. Eles também tiveram uma filha, que se casou com um médico e foi viver nos EUA.
Bárány morreu em Uppsala, na Suécia, em 8 de abril de 1936.
 
Conclusão
O prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1914, atribuído a Robert Bárány, destacou a importância das descobertas na fisiologia e fisiopatologia do aparelho vestibular humano. Seus achados mostraram-se de fundamental importância para entender sobre as patologias que acometem o aparelho vestibular humano e, além disso, criar novos métodos para o diagnóstico ou teste das funções deste aparelho.
Elaborar este artigo proporcionou a busca por novos conhecimentos, que visam enriquecer a capacidade intelectual do aluno e entender como os pesquisadores do passado realizavam seus estudos nas mais diversas áreas da medicina. Além disso, este artigo torna-se fonte de estímulo a novas pesquisas para os profissionais da saúde ou áreas ligadas à produção cientifica.
 
Referências Bibliográficas
www.nobelprize.org - Baseado na pesquisa do professor G. Holmgren, membro do corpo docente do Caroline Institute.
 
Orientadores:
Evânia Araújo
Jorge Salton
1919:JULES BORDET

Artigo Científico escrito por:

Marjane Carolina Cunegatto
Nessana Neubauer
Tatiana Szareski
Faculdade de Medicina UPF
 
 
 
 
 
 
 
 
RESUMO:
        Ao desenvolver esse trabalho, buscamos realizar uma revisão bibliográfica do ganhador do Prêmio Nobel de Medicina de 1919, Jules Bordet, uma vez que os estudos dele colaboraram, intensamente, para o avanço na área médica. Como médico bacteriologista, fez enormes descobertas no campo de imunologia, destacando-se o isolamento do bacilo da coqueluche, a descoberta do sistema complemento e a introdução da técnica de diagnóstico microbiano. Jules teve papel relevante na história médica, sendo atuante em locais até hoje reconhecidos internacionalmente, tais como a Universidade de Bruxelas e o Instituto Pasteur de Paris e de Bruxelas. Nossa pesquisa foi, então, baseada em textos, que apesar de serem escassos, relatam de forma eficiente as descobertas feitas por Jules Bordet. 
        Jules Bordet faleceu em 1961, deixando um enorme legado para nós, médicos, toda vez que entramos, principalmente, na área imunológica.
 
Palavras-chave: imunologia, coqueluche, sistema complemento.
 
ABSTRACT:
By developing this paper, we seek to formulate a biography revision of the Nobel Prize s winner of 1919, Jules Bordet, once that their studies collaborated, intensively, to the advance of the medical area. As a bacteriologists doctor, he has made huge discoveries on the immunological area, prominence on the isolation of the pertussis bacillus, the discovery of the complement system and the technical introduction of the microbial diagnostic. Jules had relevant part in the history of medicine, acting in internationally recognized areas until present days, such as the Brussels University and Paris and Brussels’Pasteur Institute. Our research was based, thus, in texts, that despite of being scarce, relate in a efficient way the discoveries made by Jules Bordet.
Jules Bordet passed away in 1961, leaving a great legacy for us, doctors, every time we enter, especially, in the immunological area. 
 
Key words: immunization, whooping cough,complement system.
 
INTRODUÇÃO: 
Jules Bordet, ao lado de inúmeros médicos bacteriologistas, foi responsável por importantes descobertas na área da imunologia, que se tornaram base para cura e prevenção de várias doenças. Através do isolamento do bacilo da coqueluche, por exemplo, foi possível descobrir a prevenção pela vacina. Apesar da falta de dados sobre suas pesquisas, buscamos nesse trabalho relatar a vida e os achados desse grande médico, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia de 1919. 
 
 
BIOGRAFIA:
 Jules Jean Baptiste Vincent Bordet nasceu em Soignies na Bélgica em 1870. Foi médico bacteriologista, pesquisador da Universidade de Bruxelas – Bélgica. Estudou na Bélgica, onde se tornou Doutor em medicina em 1892. Então, foi para Paris em 1894 trabalhar no Instituto Pasteur, no qual permaneceu até 1901, quando voltou para a Bélgica com a finalidade de fundar o Instituto Pasteur de Bruxelas, do qual foi diretor.  Em 1907, tornou-se professor de bacteriologia da Universidade de Bruxelas, já em 1935 tornou-se professor honorário e em 1940 era o diretor honorário da instituição. Foi considerado um grande expoente mundial da sua época, tanto é que ganhou o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1919. Isso devido a seu destaque na área de imunologia. Entre seus méritos está o de isolar o bacilo da coqueluche, o Bacillus pertusis, da descoberta dos soros hemolíticos (1898), do processo de formação da coagulina, da descoberta do sistema complemento e da introdução da técnica do diagnóstico microbiano, com a ajuda de anti-soros. Foi também autor do livro Traité de l Immunité dans les Maladies Infectieuses (1939). Participou como membro permanente do Conselho Administrativo da Universidade de Bruxelas. Foi presidente do Primeiro Congresso Internacional de Microbiologia, em Paris (1930), Doutor honoris causa das Universidades de Cambridge, Paris, Estrasburgo, Toulouse, Edinburgo, Nancy, Caen, Montpellier, Cairo, Atenas e Quebec. Serviu como membro da Academia Real da Bélgica, da Royal Society de Londres e da de Edinburgo, da Academia de Medicina de Paris, da National Academy of Sciences, U.S.A., entre muitas outras academias e sociedades. Além do Prêmio Nobel também ganhou muitos outros prêmios, especialmente por vários países da Europa, como o Grand Cordon de l Ordre de la Couronne de Belgique (1930), o Grand Cordon de l Ordre de Léopold (1937) e a Grand Croix de la Légion d Honneur (1938). Ao se tratar da vida pessoal, Jules Bordet casou em 1899 com Marthe Levoz, teve um filho, Paul, que o sucedeu na direção do Pasteur de Bruxelas e como professor de bacteriologia, e duas filhas. Morreu em Bruxelas, em 1961.
 
PESQUISAS: 
Sistema complemento: Foi Bordet que o descobriu. Historicamente, o termo complemento (C) era usado para se referir a um componente do soro que era capaz de lisar bactéria (atividade destruída –inativada- pelo aquecimento do soro a 56 graus C por 30 minutos). Entretanto, o complemento é hoje conhecido por contribuir para as defesas do hospedeiro também de outras maneiras. O complemento pode opsonizar bactéria para uma melhor fagocitose, recrutar e ativar várias células incluindo células polimorfonucleares (PMNs) e macrófagos. Além de participar da regulação de respostas de anticorpos e auxiliar na eliminação de complexos imunológicos e células apoptóticas. O Complemento também tem efeitos detrimentais para o hospedeiro; contribui para inflamação e danos tissulares e pode disparar anafilaxia.
O complemento compreende mais de 20 proteínas séricas diferentes que são produzidas por uma variedade de células incluindo, hepatócitos, macrófagos e células epiteliais do intestino. Algumas proteínas do complemento ligam-se a imunoglobulinas ou a componentes de membrana das células. Outras são proenzimas que, quando ativadas, clivam uma ou mais outras proteínas do complemento. Com a clivagem algumas das proteínas do complemento liberam fragmentos que ativam células, aumentam a permeabilidade vascular ou opsonizam bactéria.
 
Coqueluche: Em 1907 Jules Bordet e Octave Gengou isolaram o bacilo da coqueluche (Bordetella pertussis)  que causa a tosse convulsa, utilizando extratos de uma cultura com batatas. No entanto, Bordet só desenvolveu a vacina em 1926. Após a vacina ser introduzida em 1940 o número de casos reduziu para 1 em cada 100.000 habitantes nos Estados Unidos. Antes disso, houve uma média de 157 casos em 100.000 naquele mesmo país, sendo que 93% dos casos eram em crianças menores de 10 anos. 
Sobre a doença: A coqueluche é uma doença infecto-contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis que ataca o aparelho respiratório. Inicia-se com leves sintomas que surgem de 07 a 14 dias após o contágio. Estes sintomas podem confundir-se com uma gripe são: febre baixa, coriza, mal estar e uma tosse seca. Com o passar do tempo a tosse vai ficando mais intensa e repetitiva seguida de período de calma. Quando a tosse está muito intensa o doente chega a sentir falta de ar, ficando com o rosto vermelho e até mesmo azulado. A tosse é seguida por um som de guincho específico e vômitos. Isto dura cerca de duas semanas até ir diminuindo gradativamente, podendo durar até um mês.
 A coqueluche é transmitida por contato direto com secreção de indivíduo doente como gotas de saliva lançadas ao ar ou por objetos contaminados. 
Tem grande risco para criança abaixo de 06 meses de vida pois podem apresentar complicações tais como: convulsões, alterações neurológicas e desidratação.
     
  Além de isolar o bacilo da coqueluche e de descobrir o sistema complemento, Jules Bordet também fez a descoberta dos soros hemolíticos no ano de 1898, do processo de formação da coagulina e a iniciação da técnica do diagnóstico microbiano, com a ajuda de anti-soros.
 
CONCLUSÃO:
Em 1919, o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia concedido a Jules Bordet destacou a importância da área imunológica para a saúde humana. Dentre outras contribuições de Jules Bordet para a ciência médica estão a descoberta do sistema complemento e o isolamento do bacilo da coqueluche. É evidente, então, que o Prêmio Nobel é uma importante gratificação aos pesquisadores, estimulando, também, a continuidade dos estudos. Desse modo, a busca pelo melhor conhecimento do diagnóstico, do tratamento e da prevenção de doenças torna-se mais estimulante, proporcionando uma melhora na qualidade de vida humana.
 
REFERÊNCIAS:
http://pathmicro.med.sc.edu/Portuguese/immuno-port-chapter2.htm
http://www.pgr.mpf.gov.br/pgr/saude
http://www.correioescola.com.br/saude/vacinacao2.html
http://nobelprize.org
1920: SCHACK KROGH

 

Artigo científico escrito por:
D. C. Winckler 
D. Biesek
Faculdade de Medicina UPF
Resumo
A Medicina é composta por inúmeros nomes que ajudaram a desenvolver um emaranhado de conhecimentos que hoje são muito difundidos. Shack August Steenberg Krogh é certamente parte dessa evolução pela qual a Medicina passou nas ultimas décadas. Médico e Fisiologista dinamarquês, ao concluir o curso de Medicina, interessou-se pelo estudo da respiração e dos movimentos sangüíneos. Em 1920, após anos de pesquisa, descobriu o mecanismo que regula o movimento dos capilares sangüíneos e suas trocas gasosas, proporcionando respostas a grandes dúvidas existentes na época, e que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Medicina daquele ano. Krogh fez toda a sua formação e trabalhos na Dinamarca, onde faleceu em 1949, respeitado e admirado como grande fisiologista e pesquisador, e deixando inúmeros outros trabalhos que colaboraram para o crescimento e desenvolvimento da prática médica no século XX. 
 
Palavras-chave: evolução, August Krogh, regulação, Prêmio Nobel.
 
Abstract
The Medicine is compound for numberless names that helped to developed an entanglement of knowledge that today are most broadcast. Shack August Steenberg Krogh is naturally part of this evolution for what the Medicine was submited on the last decades. Danish physician and physiologist, when he finished the Medicine course, warmed about the respiratory and blood moviment study. In 1920, after years of research, he descovered the mecanism of blood capillaries moviment and the gas exchange regulation, affording answers to great doubts existing in that time, and that give him the Nobel Prize of Medicine in that year. Krogh did all your formation and works on  Denmark, where he died in 1949, respected and admired how a great physiologist and researcher, and leaving many another works that collaborated to the medical practice increase and development on  XX century.
 
Key words: evolution, August Krogh, regulation, Nobel Prize
 
Introdução
Em 1901, cinco prêmios foram entregues em cinco áreas distintas: Física, Química, Literatura, Medicina e Fisiologia, e esforço em prol da Paz. Foram os cinco primeiros laureados com o Prêmio Nobel, criado e distribuído pela Fundação Nobel, cujo grande incentivador foi o pesquisador e filantropo Alfred Nobel. 
Nobel, filho de engenheiros suecos, tornou-se milionário devido as suas pesquisas no campo dos explosivos. Em 1866, Nobel conseguiu isolar o TNT nas conhecidas dinamites, e passou a comercializá-las em todo o mundo, instalando-se em mais de 20 países, detendo mais de 350 patentes, e acumulando uma fortuna que chegou a ser considerada na época como uma das maiores do mundo. Entretanto, Nobel sabia que suas descobertas poderiam causar mal a muitas pessoas, caso fossem usadas de modo indevido. Por isso, sempre demonstrou imensa preocupação e apoio aos movimentos em prol da paz. Antes de falecer, Nobel decidiu destinar a  sua fortuna para a criação de uma fundação que financiasse cinco prêmios internacionais para quem se destacasse em 4 áreas específicas (Física, Química, Literatura e Medicina e Fisiologia)  e uma em especial para quem se empenhasse em prol da paz e amizade entre as nações. O prêmio é constituído de uma medalha de ouro, um diploma e um valor em dinheiro, que atualmente atinge a cifra de aproximadamente US$ 1 milhão.
Com a instituição do Prêmio Nobel de Medicina, as grandes descobertas passaram a ser amplamente divulgadas, e houve assim um grande incentivo para o aumento das pesquisas na área. Muitos dos laureados com o prêmio foram responsáveis pelo desenvolvimento da Medicina ao longo do século XX. Desta maneira, o Prêmio Nobel faz parte da história evolutiva da Medicina.
É indiscutível que a Medicina passa hoje por avanços que talvez, há muitos anos, eram considerados praticamente impossíveis. A descoberta de agentes causadores de doenças, vacinas, curas para várias patologias, tratamentos diversos, métodos diagnósticos cada vez mais precisos, tem contribuído de maneira decisiva para o aperfeiçoamento da pratica médica. Por outro lado, tem-se deixado de lado algo que é, indubitavelmente, muito importante para a formação médica: a história da Medicina. Fala-se muito sobre as novas tecnologias e técnicas para o desenvolvimento médico e deixa-se para trás as grandes descobertas do passado.  Muitos dos avanços presenciados atualmente são conseqüências de estudos realizados ao longo das ultimas décadas, ou até séculos. 
A necessidade de se conhecer a história da Medicina está na capacidade de poder compreender que o desenvolvimento de uma ciência é um processo gradual e demorado. Uma citação clássica dos historiadores, que diz que “é preciso conhecer o passado para entender o presente e melhorar o futuro”, sintetiza muito bem a importância do estudo sobre os acontecimentos passados. Na Medicina em especial, com a velocidade espantosa com que as descobertas e o desenvolvimento de  novas tecnologias surgem a cada dia, conhecer a história é poder analisar sobre as dificuldades que anatomistas, fisiologistas, patologistas, enfrentavam para poderem concluir suas pesquisas. A falta de investimentos, a limitação de técnicas e instrumentos, laboratórios especializados, enfim, uma estrutura que possibilitasse a busca por melhores resultados, não impedia que se procurasse compreender e solucionar as grandes dúvidas que cercavam o meio científico, e integrar esse conhecimento. Por isso, deve-se conhecer o passado da Medicina, para melhor entender o que está acontecendo no presente, e assim buscar melhorar ainda mais no futuro.
Desta maneira, o objetivo deste presente estudo é fazer uma revisão bibliográfica da vida e da obra de Shack August Steenberg Krogh, um dos grandes pesquisadores sobre a fisiologia do ser humano e que foi laureado com o Prêmio Nobel de Medicina em 1920 com a descoberta do mecanismo que regula o movimento do fluxo sangüíneo nos vasos capilares e suas trocas gasosas durante o repouso e o exercício muscular intenso, demonstrando assim importância de se conhecer o legado daqueles que colaboraram para o crescimento e desenvolvimento da prática médica, estimular o interesse sobre a pesquisa durante e após a graduação, e instigar a curiosidade dos alunos das escolas médicas sobre a evolução da história da Medicina.
 
Desenvolvimento
Ao contemplarmos a vida e a obra de Schack August Steenberg Krogh, nos deparamos com um cientista muito à frente do seu tempo. A busca por novos horizontes dentro da pesquisa científica, uma curiosidade aguçada e a vontade de desvendar as grandes dúvidas existentes entres os pesquisadores de sua época o levaram a um patamar atingido por poucos através da história evolutiva da Medicina. Apesar de uma vasta obra no campo das ciências, era um cientista reservado, permanecendo praticamente toda a sua vida na Dinamarca, o que trouxe uma certa dificuldade na busca por dados mais detalhados sobre a sua biografia. Entretanto, as referências ao seu trabalho são inúmeras e compõem a maior parte dos resultados obtidos por essa pesquisa.
 
Biografia
August Krogh nasceu na Dinamarca, em 15 de novembro de 1874, filho de Viggo Krogh, construtor de navios, e Marie, née Drechmann. Desde muito novo, ainda na escola, demonstrava grande interesse em ciências naturais. Aos 12 anos, por exemplo, já havia estudado dois livros de muito reconhecimento científico na época: O Livro das Descobertas (sete volumes, 4.288 páginas, 2.115 figuras) e As forças da natureza (três volumes, 1.508 páginas, 868 figuras), reproduzindo parte das experiências contidas nestes livros. Incentivado pelo professor e amigo Willian Sörensen, passou a interessar-se particularmente por zoologia. Em 1893, começou o curso de Medicina na Universidade de Copenhagen, e após assistir uma palestra do famoso fisiologista Christian Bohr, em 1895, decidiu dedicar-se a zoofisiologia. Assim, aprimorando seus estudos, galgou e conseguiu uma vaga no departamento de Bohr, como assistente, em 1897. Antes disso, em laboratórios da faculdade, Krogh já desenvolvia inúmeras experiências, algumas simples e outras mais elaboradas, tais como o estudo sobre o mecanismo hidrostático das larvas de Corethra, e continuou seu trabalho após a admissão ao departamento de Bohr. 
A carreira científica de Krogh começou a partir desta pesquisa com as larvas de Corethra. Essas larvas têm um mecanismo que as permitem imergir ou submergir a partir de bexigas fechadas de ar. Krogh estava disposto a provar que estes organismos funcionavam como tanques de mergulho de um submarino, com o seu conteúdo sendo regulado até o equilíbrio com a água ao redor ser restabelecido. Assim, criou um dispositivo que poderia analisar a composição do ar dentro dessas bexigas. Krogh utilizou-o para demonstrar que as bexigas de ar não continham oxigênio, porém quase exclusivamente gás nitrogênio, e para explicar como seus sistemas de regulação da pressão trabalhavam (a pressão de ar nas bexigas aumentava quando entrava água e diminuía quando saía água). Esses resultados, entretanto, não foram publicados antes de 1911. Mas Bohr ficou surpreendido com a aptidão natural de Krogh para trabalhar em laboratório, pois este elaborou seu experimento de maneira simples, e criou o equipamento necessário com extrema habilidade e engenhosidade, de tal forma que apenas ele conseguia manejá-lo. Assim, obteve carta branca para assumir os laboratórios de Bohr, apesar de sua juventude. Em 1902 Krogh tomou parte da expedição para Disko, North Greenland, onde ele estudou a pressão do CO2 e o oxigênio contido na água de fontes, córregos e no mar. Isso o levou a grandes resultados sobre a função dos oceanos na regulação do CO2 na atmosfera e também começou os princípios da medição tonométrica de gases dissolvidos que Krogh mais tarde aplicou em problemas fisiológicos (1904). Seus estudos durante esta viagem foram possíveis graças ao desenvolvimento de um dispositivo melhorado, ao qual deu o nome de tonômetro. Aos 32 anos (1906), ele venceu o Prêmio Seegen da Academia Australiana de Ciências por um trabalho sobre o papel da expiração de nitrogênio livre do corpo. Experimentos muito cuidadosos com Crisálidas, ovos e ratos mostraram uma produção extremamente pequena de nitrogênio gasoso cuja força é calculada como sendo resíduo de excreção da amônia ou, no caso dos ovos, como o ambiente vive fisicamente do nitrogênio dissolvido no corpo. 
Em 1904, veio a público um trabalho de Krogh, juntamente com Bohr, que demonstrava que o dióxido de carbono reduzia a capacidade da hemoglobina de ligar-se ao oxigênio. De uma única vez, conseguiram explicar como o sangue transporta e libera oxigênio aos tecidos. Essa descoberta ficou conhecida como efeito Bohr, mas foi possível graças ao equipamento desenvolvido por Krogh, que podia medir a capacidade de oxigênio ligante no sangue. Anteriormente, Bohr executou medições que demonstraram que o sangue arterial era mais rico em oxigênio do que o sangue alveolar, assumindo assim a mesma posição de vários cientistas da época que acreditavam que o oxigênio passava por transporte ativo dos pulmões para o sangue. 
Em 1903, Krogh escreveu uma dissertação que tratava sobre um estudo das trocas gasosas em rãs. Ele descobriu que, considerando que a respiração cutânea era relativamente constante, grandes variações ocorriam a respeito da respiração pulmonar. Esta parte da troca de gás era influenciada pelo nervo vago. Krogh interpretou esse resultado como outro exemplo da difusão de oxigênio que foi admitida por Bohr.Entretanto, logo ele  começou a duvidar da precisão de sua conclusão – as observações podiam ser explicadas por uma ação vasomotora  do vago – tanto quanto a toda a doutrina da difusão de gás nos pulmões. Juntamente com a colaboração de sua mulher, Dr. Marie Krogh, ele submeteu toda a questão da natureza das trocas gasosas nos pulmões a uma nova examinação. Por este propósito, ele construiu seu bem conhecido microtonômetro, onde a equalização de tensão com sangue tomou lugar contra a bolha de ar e aproximadamente 0,01mL. A superfície relativa então sendo muito grande, o equilíbrio é rapidamente obtido, e, pelos micrométodos de analise de gás desenvolvido por Krogh, a composição final da bolha de ar poderia facilmente ser determinada. A tensão do gás na circulação sangüínea arterial era desta maneira determinada e comparada entre aquela nos alvéolos pulmonares e a obtida no fim da expiração. Isso desmistifica a tese de que a tensão do oxigênio era sempre maior no ar alveolar do que no sangue arterial, portanto, que a difusão sozinha era suficiente para explicar a troca de gás (1911). Esses experimentos fundamentais foram assim opostos às visões de Bohr, que em 22 de abril de 1907 viu o experimento, percebeu a razão de Krogh, e a partir deste dia nunca mais conversou com ele. 
O fato acima, tão longamente contado, é o divisor de águas na carreira desse grande cientista. Krogh desmistificou a obra de seu mestre, desafiando uma teoria aceita amplamente até então. A partir destes experimentos, publicados apenas em 1911, após a morte de Bohr, e com grande respeito da comunidade científica da época, Krogh ganhou notoriedade. E seu interesse sobre a ação dos mecanismos fisiológicos da respiração e difusão dos gases no corpo humano ganhou cada vez mais força. Os resultados obtidos espalham uma nova luz no complexo mecanismo que possibilita o organismo responder a variação da demanda de oxigênio. Afinal de contas, um sem número de perguntas que estavam até então sem resposta passaram a receber colaboração de Krogh para a sua elucidação. Como a distribuição de oxigênio pelo corpo humano era responsabilidade do snague arterial, Krogh passou a investigar de forma mais incisiva o fluxo sangüíneo, e suas variações. É a partir desse momento que seu trabalho começa a tomar o rumo do Prêmio Nobel.
Intensificando sua pesquisa sobre circulação sistêmica, Krogh adotou uma idéia que havia sido introduzida por A. Bornstein e desenvolveu um método baseado no óxido nitroso para determinação do fluxo geral de sangue. Desta maneira, Krogh pôde observar que, durante o trabalho muscular, o fluxo sangüíneo aumentava consideravelmente. Krogh considerou que isto era devido às variações de enchimento durante a diástole cardíaca. O suprimento de sangue venoso deve, portanto ser variável dentro de amplos limites e deve durante o repouso ser inadequado para encher os ventrículos. Esta conclusão foi fortalecida em uma análise do mecanismo subjacente (1912) que conduziu também a conclusão que o sistema porta-hepático age como um regulador geral da pressão das veias centrais e desse modo na saída do coração. Além disso, Krogh percebeu que havia um grande aumento no consumo de oxigênio durante esse trabalho muscular intenso. Como já havia sido descrita na literatura científica da época, a quantidade de oxigênio presente nas fibras musculares durante o repouso era muito baixa, sendo apenas o suficiente para nutrir as células e conservar a homeostase. Assim, Krogh concluiu que, para suportar a demanda de oxigênio necessária para nutrir o músculo que está em atividade, a superfície de difusão do oxigênio deveria ser aumentada. Através de suas experiências com difusão de gases nos tecidos animais, e considerando que essas ocorrem nos capilares sangüíneos, chegou à conclusão de que, quando ocorre um exercício muscular intenso, novos capilares que estavam fechados abrem-se, ampliando a superfície pela qual o oxigênio pode se difundir. O contrário acontece no repouso. Essas investigações, contidas no livro A anatomia e a fisiologia dos capilares (1922), resultaram no Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 1920, e serão discutidas mais detalhadamente adiante.
Em insetos, assim como vertebrados padrão, Krogh investigou o controle que a temperatura exercia no metabolismo do organismo, percebendo que esta poderia ser expressa pela fórmula de Arrhenius, além de estudar o desenvolvimento de diferentes animais, e que resultaram no livro As trocas respiratórias nos animais e no homem (1916). Além disso, passou a estudar a função respiratória dos insetos, investigando o seu sistema traqueal. As análises do ar do tubo traqueal do gafanhoto comum mostraram valores comparativamente baixos do oxigênio quando o CO2 expirado era relativamente pequeno - é colocado provavelmente para fora diretamente através da superfície por respiração cutânea de grande superfície, visto que o oxigênio é absorvido somente através das paredes da traquéia. Uma ventilação mecânica da traquéia é difícil devido a sua estrutura – em muitos casos nenhum movimento respiratório ocorre – mas experimentos feitos por Krogh (1920) demonstraram que a difusão do gás somente é suficiente para explicar a absorção de oxigênio. No curso de seus últimos estudos não publicados em gafanhotos Krogh encontrou que durante o vôo, quando há um consumo de oxigênio enormemente aumentado nos músculos da asa, um arranjo especial permite uma ventilação mecânica através da traquéia. Esses trabalhos mostraram uma função análoga à função dos capilares musculares nos vertebrados. O resumo de todos os estudos sobre a função respiratória compôs um livro que viria a ser publicado em 1940, chamado A fisiologia comparativa dos mecanismos respiratórios. 
Durante os anos que se passaram, Krogh também estudou muito sobre a troca de água e íons inorgânicos nas membranas celulares, cujos resultados foram publicados na monografia Regulação osmótica em animais aquáticos (1937).
Além de todos esses trabalhos, Krogh ainda contribuiu para o desenvolvimento do tratamento para a diabetes. Sua esposa, Marie, médica e pesquisadora de doenças metabólicas,  era portadora de diabetes tipo 2. Quando souberam, em 1922, que dois pesquisadores canadenses, Frederick Banting e Charles Best, estavam tratando experimentalmente pacientes com diabetes a partir da insulina do pâncreas bovino, pediram permissão para produzir a insulina na Dinamarca. Krogh, com investimento particular, criou o Nordisk Insulinlaboratorium, que passou a extrair insulina bovina, tratando os primeiros pacientes a partir de 1923.
Entre outros inventos, Krogh desenvolveu a bicicleta ergométrica, com a qual estudou e observou a dinâmica do trabalho muscular, da respiração pulmonar e da demanda de oxigênio durante um exercício físico intenso. Este aparelho constitui até hoje um instrumento essencial para o estudo na Medicina Esportiva, além de ser amplamente utilizado em academias e escolas para a pratica do ciclismo aeróbico.
A Krogh foi dado o título de Doutor Honorário pelas universidades de Edimburgo, de Budapeste, de Lund, de Harvard, de Göttingen, de Oslo, e de Oxford. Foi eleito membro da Academia de Ciência da Dinamarca (1916) e transformou-se membro estrangeiro de muitas outras academias e ligou-se a sociedades, entre elas a Sociedade Real, em Londres (1937). No mesmo ano, lhe foi concedido a medalha de Baly da Faculdade Real dos Médicos, Londres. Krogh também ocupou a cadeira de Presidente Ordinário da Associação de Professores em Zoofisiologia, criada em 1908 por iniciativa sua, de 1916 até 1945, ano em que se aposentou. Seu trabalho continuava, entretanto, no laboratório privado em Gjentofte, erguido por ele  com a ajuda de Carlsberg e a Scandinavian Insulin Foundations. Schack August Steenberg Krogh e sua esposa Marie foram casados por 36 anos, quando esta faleceu em 1941. Tiveram 4 filhos, sendo um filho, que se tornou Preceptor de Anatomia na Universidade de Aarhus – posto que manteve até a sua morte – e três filhas. A mais nova é uma conhecida fisiologista nos EUA, obtendo reconhecimento através de importantes pesquisas em zoofisiologia, principalmente em colaboração com seu ex-marido, K. Schimidt-Nielsen. Krogh faleceu em 13 de setembro de 1949.
 
O Prêmio Nobel
O resultado das pesquisas de Krogh, que o levaram a conquistar o Prêmio Nobel, partiu de hipóteses que ele mesmo considerava pouco prováveis. A comunidade científica da época, que era composta de velhos e novos cientistas, entrava constantemente em atrito quanto aos trabalhos e novas propostas apresentadas que derrubavam, ou ao menos questionavam, os dogmas da ciência. Porém Krogh foi conclusivo.
O conhecimento dos capilares data do século XVII, quando se percebeu que veias e artérias eram grandes demais para cruzarem os tecidos do organismo. Também era sabido que a nutrição para estes tecidos se dava pelas paredes dos vasos, e que a circulação constante de sangue no corpo permitia essa nutrição. Assim, Krogh desenvolveu os passos de sua pesquisa. Primeiramente, ele investigou a provisão de oxigênio para os músculos. Os capilares seguem a trajetória das fibras musculares, e a imagem que se tinha na época era de que os capilares estavam sempre abertos, com um fluxo sangüíneo mais ou menos constante de sangue, e desta maneira, uma difusão constante de oxigênio. Mas Krogh sabia que a circulação arterial diminuía no repouso e aumentava na atividade muscular. Desta maneira, a conclusão a qual Krogh, em palavras suas, “era forçado a chegar”, era de que, no repouso, o sangue não circulava por todos os capilares, pois alguns se fechariam, e apenas abririam durante o exercício muscular. 
A partir deste momento, surgiu a segunda dúvida: os capilares abertos estavam distribuídos regularmente nas fibras ou ficavam vazios de sangue por grupos quando a artéria que os supria se fechou? 
Para solucionar esta questão, Krogh decidiu contar os capilares. Ele passou a injetar contrastes com tinta preta indiana que endurecessem mais tarde, via intravenosa, em músculos de animais, como rãs e cavalos. Assim, a pesquisa consistia em analisar um corte transversal do músculo destes animais durante o repouso e após um exercício muscular. No caso da rã, por exemplo, esta era sujeita a um trabalho muscular e em seguida era injetado o contraste, com o propósito de encontrar todos os capilares abertos. Considerando o imenso número de capilares existentes ao redor das fibras, tornavas-se muito difícil contabilizá-los. Então foi resolvido que era melhor passar para uma avaliação microscópica mais ampla, observando a regularidade ou não na distribuição dos capilares e a relação entre eles no repouso e após um exercício muscular. A diferença entre o músculo ativo e o descansado é demonstrada claramente em tais preparações, e encontrou-se que, se os capilares abertos são poucos ou numerosos, sua distribuição é sempre razoavelmente regular. Além disso, no que se refere à relação entre repouso e exercício, percebeu-se que no descanso os capilares abertos têm o seu diâmetro extremamente reduzido, enquanto durante o exercício apresentam seu diâmetro bastante aumentado. 
Esses resultados comprovaram a teoria de Krogh, porém ele não estava completamente convencido. Ele percebeu que a ação de contrair a parede dos capilares e estes se fecharem ocorria de maneira independente. Mas o fato de haver essa contratura independente gerava outras dúvidas: a variação do diâmetro do capilar era independente da artéria que lhe originava ou não? O estímulo para a contração era mecânico, elétrico ou químico? Se estiver sob controle nervoso, qual é o nervo? Podem ser os elementos histológicos de contratibilidade visíveis em suas paredes? Esses eram questionamentos que ainda seriam investigados posteriormente. 
Primeiramente, Krogh tentou resolver a questão sobre a independência ou não dos capilares com as artérias. Ele analisou a lingüeta de uma rã, por ser esta rica em capilares, e cuja estrutura permitia a visão imediata em microscopia. Ao excitar a lingüeta da rã com uma ponta de metal fina, ele percebia que havia dilatação capilar, porém, em apenas pequenos pontos. Conforme o estímulo aumentava, a dilatação aumentava proporcionalmente, até atingir uma artéria, quando assim começava um fluxo repentino de sangue para dentro do capilar. Esta experiência é importante porque mostra que a pressão venosa muito baixa é suficiente para encher os capilares cujas paredes são flácidas, enquanto a pressão arterial elevada não puder forçar a entrada em um capilar contraído. Desta maneira, percebeu-se que quando a dilatação de um capilar ocorre, isso não é possível por causa de um simples aumento na pressão arterial, e sim devido a uma mudança na condição das paredes dos capilares – no caso um relaxamento de seus elementos contráteis. 
Os elementos que acionam o mecanismo de dilatação dos capilares podem variar muito. Os capilares da pele humana, por exemplo, dilatam-se quando a pessoa passa por situações emocionais ou mecânicas, como o exercício. Elementos químicos, como o uretano, causaram uma grande dilatação nos capilares da lingüeta da rã. Além disso, provocou uma permeabilidade ao plasma sangüíneo  nas paredes dos capilares, deixando o capilar completamente cheio de elementos figurados do sangue, podendo ser uma explicação para os edemas.
Krogh comparou a lingüeta da rã com a pele humana, devido aos resultados obtidos serem muito semelhantes ao que se via em diversos momentos da vida do ser humano. O sinal do edema era o mesmo, o rubor e a cianose quando havia dilatação ou constrição excessiva, entre outros sinais importantes. Esta constatação, juntamente com fatos análogos, remete a conclusão de que a dilatação dos capilares não depende apenas da pressão arterial, mas também de uma mudança na condição das paredes destes capilares. Alargando-se as artérias, conduz somente a uma pressão mais elevada nos capilares, e a um fluxo mais rápido do sangue entre eles. A coloração maior ou pouco vermelha de um órgão depende, no primeiro exemplo, do índice do sangue dos capilares. Caso haja uma dilatação extrema dos capilares e das artérias, de modo que o fluxo do sangue se torne muito lento, e uma parte essencial do oxigênio do sangue seja gasta durante sua passagem, tem-se por resultado a coloração azul. 
Um número muito grande de substâncias são encontradas que produzem a dilatação capilar e, por uma ação mais forte, o edema. É o caso da histamina, que promove vasodilatação e aumento da permeabilidade dos capilares. Daí o mecanismo dos anti-histamínicos utilizados atualmente no combate às reações alérgicas. O sangue deve conter essas substâncias que agem nos elementos contráteis nas paredes capilares, e estimulam-no a contrair-se. A presença de tais substâncias no sangue implica num mecanismo extremamente completo e regulatório, por que o sangue é distribuído completamente e regularmente da maneira mais econômica. E conforme a utilização do órgão irrigado, o tônus dos capilares pode aumentar ou diminuir. Logo, explica-se o fato de que quando uma pessoa que não se exercita freqüentemente pratica uma atividade de grande esforço, ocorre dor, podendo chegar à inflamação do membro, pois o tônus do capilar está diminuído. Assim, o tecido pode sofrer um extravasamento de sangue, causando os sinais e sintomas de um estiramento muscular, por exemplo.
 
Conclusão
A instituição do Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia propiciou um grande incentivo para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas a pratica médica e às funções fisiológicas do corpo humano. E August Krogh foi essencial para esse processo de crescimento. Com o seu trabalho, Krogh conseguiu comprovar que a demanda de oxigênio para o consumo muscular depende da expansibilidade dos capilares, ou seja, que quanto maior a abertura desses vasos, maior a troca gasosa e maior oferta de O2 para a produção de energia. 
Sobremaneira, o conhecimento sobre a história da evolução da Medicina pode nos fornecer suporte para compreendermos o que acontece atualmente no desenvolvimento das ciências e da pratica médica. O alto grau de avanços tecnológicos presentes na pratica da Medicina nos remete ao esforço dos antigos pesquisadores, que muitas vezes despidos de instrumentos capazes de proporcionar os melhores resultados durante seus pesquisas, trouxeram imensas colaborações para transformar a Medicina no nível a qual ela se encontra hoje.
E, obviamente, fica clara a importância do incentivo à pesquisa durante a graduação como uma maneira de proporcionar ao aluno a oportunidade de aprender a desenvolver trabalhos com métodos e embasamento científico, imprescindíveis para a formação profissional.
 
Referências Bibliográficas
FOUNDATION, The Nobel. Disponível em <http://www.nobelprize.org/medicine/laureates/1920/krogh-bio.html>.  Acesso em: 13 out. 2005.
FOUNDATION, The Nobel. Disponível em     <http://nobelprize.org/medicine/laureates/1920/krogh-lecture.html> . Acesso em: 13 out. 2005.
DE CULTURA, Instituto Morashá. Disponível em: <http://www.morasha.com.br>. Acesso em: 14 out. 2005.
SPORTSCIENCE. Disponível em:  <http://www.sportsci.org/news/history/krogh/krogh.html>. Acesso em: 14 out. 2005.
CIÊNCIA HOJE, Instituto. Disponível em: <http://www.uol.com.br/cienciahoje/chdia/nobel1.html>. Acesso em 15 out. 2005. 
 
Orientadores:
Evânia Araújo
Jorge Salton
1922: VIVIAN HILL e FRITZ MEYERHOF

 

Artigo científico escrito por:
PEZZINI, Cristina E.  
VENDRAMIN, Consuelo
Faculdade de Medicina UPF
RESUMO
O presente artigo versa sobre a pesquisa científica e biografia de Archibald Vivian Hill e Otto Fritz Meyerhof (FOTO). Através de seus experimentos, eles conseguiram abrir caminhos para uma compreensão inicial do metabolismo no músculo, sendo agraciados com Prêmio Nobel em 1922. Nesse âmbito, Hill dedicou-se a produção de calor e seu aproveitamento enquanto Meyerhof, à relação fixa entre o consumo de oxigênio e o metabolismo do ácido lático. 
 
PALAVRAS-CHAVE: ácido lático, metabolismo muscular, prêmio nobel.
 
ABSTRACT
The present article turns on the scientific research and biography of Archibald Vivian Hill and Otto Fritz Meyerhof.  Through their experiments, they had openned ways for an initial understanding of the metabolism in the muscle, being awarded with The Nobel Prize in 1922. On this way, Hill dedicated to the production of heat and its exploitation while Meyerhof, to the fixed relation between the consumption of oxygen and the metabolism of the lactic acid.
 
KEY-WORDS:  lactic acid, muscular metabolism, nobel prize.
 
INTRODUÇÃO
Archibald Vivian Hill e Otto Fritz Meyerhof, cientistas do século XX, realizaram grandes contribuições para a comunidade científica. Tendo em vista a pouca disponibilidade de informações sobre esses na língua portuguesa - e até mesmo em outros idiomas - pretendemos, a partir do presente artigo, ajudar a preencher um pouco dessa lacuna, relatando seus principais achados, com ênfase nos experimentos que os levaram a receber o prêmio Nobel em 1922, cujo teor auxiliou um melhor entendimento do metabolismo muscular.
Apesar de hoje considerarmos falhas em certos pontos, suas descobertas nesse sentido impulsionaram, indiscutivelmente, o surgimento de estudos mais aprofundados em bioquímica. Ou seja, estimularam de maneira enfática a posterior descoberta de complexas rotas metabólicas. 
Transpondo as dificuldades da época, Hill e Meyerhof trabalharam em conjunto e estabeleceram hipóteses acerca da produção de calor e da maneira com que esse seria aproveitado pelo músculo, além da relação fixa entre o consumo de oxigênio e o metabolismo do ácido lático.
O presente estudo contém, portanto, um breve histórico do Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia de 1922, seguido da biografia dos pesquisadores contemplados e suas descobertas e conclusões.
 
CONCEITOS
Ergômetro: É um aparelho que faz registro do trabalho muscular. (DICIONÁRIO BRASIELIRO DA LÍNGUA PORTUGUESA, 1994, p. 324).
Tetanização: À medida que a freqüência de estimulação ao músculo aumenta, é atingido um ponto no qual cada nova contração ocorre antes do término da precedente. Como resultado, uma segunda contração é acrescentada, parcialmente, à primeira, de forma que a força total da contração sobe progressivamente com o aumento da freqüência. Quando a freqüência alcança um nível crítico, as contrações sucessivas são tão rápidas que chegam literalmente a fundir-se, com a contração parecendo ser completamente uniforme e contínua. Isso é denominado tetanização. (GUYTON & HALL, 2002, p. 72).
Ácido lático: Esse ácido parecia ser inicialmente produzido e liberado na corrente sanguínea, onde era tamponado pelo sistema do bicarbonato. Posteriormente, acreditou-se que liberava um próton e retornava a lactato sendo tamponado pelo sistema do bicarbonato. Novas pesquisas têm demonstrado que de fato não há nenhuma produção de ácido lático e que o produto final da via anaeróbia é o lactato, que não é um ácido e não produz acidose, além de atuar como um tampão aumentando também o potencial redox da glicólise. Esse ácido atualmente permanece como um mito devido às condições históricas que foram impostas. (www.educacaofisica.org).
 
DESENVOLVIMENTO
Antes dos achados de Archibald Vivian Hill, muitas investigações haviam sido realizadas acerca dos mecanismos que envolvem o funcionamento muscular, porém sem obter resultados de grande valor.  A partir de considerações e observações termodinâmicas, Archibald investigou a conexão entre a taxa de gordura, o trabalho realizado e a produção de calor pelo músculo, trazendo ao conhecimento científico os mecanismos musculares que são de interesse teórico e de importância prática a todos que trabalham nesse meio. (www.nobelprize.org)
Para realizar a sua investigação, o processo mecânico seria observado conectando o músculo aos registradores, aos ergômetros e às alavancas apropriados, mas, para o estudo do mecanismo completo, ele verificou ser necessário começar pelo processo intermediário, algo que acontece entre o estímulo e a resposta muscular, isto é, algo associado com os eventos químicos que promovam a contração. Essas informações foram fornecidas pela investigação da produção de calor. (Ibid)
Archibald reconhecia o fato de que a vantagem do estudo termodinâmico do músculo é que o calor poderia ser medido em unidades absolutas, rapidamente e em uma vez, e o tempo-curso de sua evolução poderia ser analisado por meios apropriados. No estudo das mudanças térmicas, os mais consistentes e valiosos resultados por ele obtidos o foram através da utilização da contração isométrica do músculo sartório da rã. Ele levou em consideração a idéia de que esse músculo é um meio muito apropriado para essa investigação pois ele é praticamente de seção transversal uniforme e consiste nas fibras retas que funcionam ao longo de seu comprimento. Considerou também que a contração isométrica tem a vantagem, primeiramente, que a energia liberada por ela é somente na forma de calor, de modo que nenhuma complicação se levantasse tendo que somar as mudanças térmicas com o trabalho mecânico, e secundariamente, que nela os movimentos dos instrumentos utilizados não são permitidos, evitando os erros devido às diferenças de temperatura ao longo do músculo. (www.nobelprize.org)
A dificuldade fundamental encontrada nas observações miotérmicas foi a minuciosidade das mudanças envolvidas e sua rapidez. Para isso, Hill constatou ser necessária a utilização de um instrumento termométrico muito sensível e a rapidez e clareza extremas nos instrumentos de gravação. Ele optou pela utilização da termopilha e de galvanômetros sensíveis e rapidamente móveis. (Ibid)
Em sua pesquisa, mostrou-se necessário realizar uma análise dos resultados obtidos, preferivelmente após a gravação fotográfica da deflexão do galvanômetro, pois a possibilidade de analisar o tempo-curso da evolução do calor em uma contração muscular dependia de determinadas propriedades físicas do sistema empregado. Ele observou que a condução do calor, a relação entre f.e.m. (força eletromotriz) e temperatura, os movimentos do galvanômetro, sua dinâmica, o controle nela para movimentos pequenos, todos os fatores conectados com a deflexão do galvanômetro, resultando da mudança de temperatura de um objeto em contato com a termopilha, era governada por equações diferenciais lineares com coeficientes constantes. (Ibid)
Archibald baseou-se na idéia de que um músculo deveria, primeiramente, ser morto pelo clorofórmio, e então uma determinada corrente alternada de força deveria ser passada por um determinado tempo, com a resistência medida do músculo, de modo que uma quantidade definida de calor pudesse ser liberada e a deflexão resultante do galvanômetro lida. Uma comparação dos dois daria o valor em unidades absolutas (calorias) de uma divisão da escala do galvanômetro. Dessa forma, ele realizou uma análise do tempo-curso da evolução do calor no músculo quando estimulado. Constatou que uma quantia de calor liberada de repente em um determinado tempo conduz a uma deflexão do galvanômetro, que se levanta ao máximo e cai lentamente a zero devido à condução afastada do calor. (www.nobelprize.org)
Uma das observações mais adiantadas do Sr. Hill no assunto era de que a deflexão do galvanômetro persiste por muito mais tempo em um músculo vivo do que em um experimento controle. Definiu que esse fenômeno poderia ser devido somente a uma produção atrasada de calor, e ele descobriu que este calor da “recuperação”, como o chamou, é apreciável somente no oxigênio, sendo abolido mantendo o músculo no nitrogênio ou com o exercício prévio violento o suficiente para usar o oxigênio dissolvido no músculo. Archibald estabeleceu a existência de uma produção de calor da recuperação que fosse natural associar com a remoção oxidativa do ácido lático descoberta por Fletcher e por Hopkins. (Ibid)
Fletcher e Hopkins tinham encontrado que o ácido lático era removido na presença de oxigênio, pensando que o mesmo músculo do final do processo da recuperação pode liberar, durante o exercício físico, a mesma quantidade de ácido lático que antes. As experiências precedentes de outros estudiosos tinham mostrado que a produção de um grama do ácido lático no rigor conduz a liberação de aproximadamente 500 calorias. Se o calor da recuperação fosse igual ao calor inicial, a remoção oxidativa de um grama de ácido lático conduziria à produção de aproximadamente 500 calorias, o que representaria menos de 1/7 do calor da oxidação do ácido. A conclusão, que não foi aceita no início, pareceu inevitável ao Sr. Archibald: o ácido lático não seria removido pela oxidação, ele seria restaurado ao precursor de que veio. Essa conclusão foi confirmada pelas experiências posteriores de Meyerhof. (Ibid)
O estudo do tempo-curso real da produção de calor necessitou de experiências mais elaboradas e mais cuidadosas do que as feitas por Archibald, sozinho, em 1913. Desde a guerra, ele teve a cooperação nesta e em outras matérias de seu amigo W. Hartree, cuja a habilidade no trabalho experimental e no cálculo fez possível alcançar um grau de certeza na análise que poderia nunca ter alcançado sozinho. Pela gravação fotográfica e pela análise numérica exata da deflexão do galvanômetro por dez minutos após a estimulação do músculo, foi possível descrever o todo do tempo-curso da produção do calor na recuperação. Constatou que o processo da recuperação é uma parte fundamental do mecanismo inteiro do músculo e o oxigênio é usado somente neste processo, um fato que conduziu a um conceito novo da natureza da máquina muscular. (www.nobelprize.org)
Archibald Vivian Hill reconheceu o fato de que a análise da produção do calor da recuperação é comparativamente simples porque sua evolução é lenta. Foi desejável, entretanto, para analisar também a produção do calor nas fases mais adiantadas da contração,uma pesquisa mais aprofundada. Observou que depois de um único choque o músculo mostra duas fases da contração, do desenvolvimento e do desaparecimento da resposta mecânica - contração e relaxamento; a tetania mostra três fases, contrações, relaxamento e manutenções. Era desejável analisar os processos químicos associados com cada uma destas fases. Os resultados encontrados por ele foram uma quantia grande de calor durante o desenvolvimento da contração, uma produção continuada de calor durante a manutenção da contração, alcançando uma taxa constante enquanto a contração é prolongada, e uma evolução comparativamente grande e repentina do calor durante o relaxamento. (Ibid)
Um outro fato percebido pelo pesquisador foi o de que, no músculo, a energia é requerida para ajustar a contração, e mais energia é solicitada se o trabalho for feito. Essa energia seria necessária para manter uma contração e, durante o relaxamento, a energia potencial da tensão possuída por um músculo durante a contração teria que desaparecer, ela seria então encontrada na forma de calor. Se a contração fosse mantida por muito tempo, haveria uma produção constante do calor durante o todo desse tempo, proporcional à tensão desenvolvida. (Ibid)
O ponto mais importante trazido por esta análise da produção inicial do calor foi a relação da influência, ou da ausência da influência, do oxigênio. A conclusão essencial pôde ser extraída meramente comparando as curvas da deflexão com e sem o oxigênio. Hill observou que a presença ou a ausência do oxigênio não teve nenhum efeito no valor da produção inicial do calor. Nenhuma diferença pôde ser detectada entre as curvas obtidas: (a) de um músculo no oxigênio puro, e (b) de um que foi privado do oxigênio na maneira mais rigorosa por diversas horas. A conclusão foi importante e suplementou as observações descritas previamente na produção do calor da recuperação: o oxigênio não seria usado na avaria preliminar em tudo, mas somente no processo da recuperação. (www.nobelprize.org)
Archibald constatou que há um efeito importante da temperatura na taxa em que a produção total do calor aumenta enquanto o músculo continua a ser tetanizado - a taxa da produção do calor é maior na temperatura mais alta. O estudo revelou o poder curioso que um músculo possui de adaptar sua liberação de energia ao trabalho que tem que fazer. O assunto era novo e os resultados somente estavam começando a aparecer, mas estava absolutamente certo que Archibald e seus colegas estavam tratando de uma propriedade fundamental da máquina muscular. (Ibid)
Otto Fritz Meyerhof seguiu a linha de pesquisa no músculo, todavia enfocando as transformações químicas ocorridas nesse órgão. Ele sempre admitiu o fato de que processos químicos deveriam estar envolvidos como uma fonte de energia para o desempenho do músculo, baseando-se na própria tese dos descobridores da lei de conservação da energia. Observações a respeito do assunto já haviam sido feitas, todavia essas eram desprovidas de conhecimentos totais no âmbito da natureza química de substâncias relevantes. (Ibid)
Os cientistas ingleses, Fletcher e Hopkins, reconheceram o fato que a formação do ácido lático no músculo estava intimamente conectada ao processo de contração muscular. Essas investigações foram as primeiras a atirar uma luz sobre o fato altamente paradoxal, já estabelecido pelo fisiologista Hermann, que o músculo poderia  desempenhar uma parte considerável de sua função na completa ausência  de oxigênio. (Ibid)
De fato, Fletcher e Hopkins observaram que na ausência de oxigênio no músculo, aparecia ácido lático, lentamente no estado relaxado e rapidamente no estado ativo, e que o ácido lático desaparecia novamente na presença de oxigênio. Obviamente, então, o oxigênio estaria envolvido não enquanto o músculo está ativo, mas somente quando o músculo está no estado relaxado. (www.nobelprize.org)
Qual seria a relação do ácido lático com o desempenho muscular? De onde viria e em que se tornaria quando desaparecia na presença do oxigênio? Essas eram as questões que instigavam Otto Fritz Meyerhof e que, no seu tempo, estavam completamente obscuras. Existiam várias interpretações correntes, mas todas sem experimentos suporte. Assim estava o cenário quando ele começou a trabalhar na questão. (Ibid)
Nesse âmbito, Otto considerou “uma luz brilhante no meio da obscuridade” – segundo suas palavras em sua palestra do Nobel - quando o Professor Hill fez a descoberta de que o calor de contração do músculo ocorria em duas fases distintas de aproximadamente mesma extensão: uma fase inicial, diretamente conectada com o trabalho e que seria a mesma na presença ou ausência de oxigênio, chamada de calor inicial; e uma segunda fase, que basicamente ocorreria na presença de oxigênio, nomeada calor retardado e que estaria conectada com o desaparecimento do ácido lático. (Ibid)
Meyerhof começou seus experimentos sobre essa questão utilizando-se de um músculo de sapo isolado. Verificou que se esse operasse sobre suprimento de oxigênio máximo, somente certa quantidade de glicogênio do músculo desaparecia (provado através de uma análise química), ao passo que uma quantidade suficientemente exata de oxigênio necessário para essa oxidação era assimilada, e a quantia correspondente de dióxido de carbono era emitida. Verificou que a conexão entre esses processos poderia ser analisada mais exatamente se ao músculo fosse permitido trabalhar primeiramente sob condições anaeróbicas, e subsequentemente aeróbicas. (Ibid)
Também percebeu que durante a fase anaeróbica, ou seja, em ausência de oxigênio, o ácido lático se acumulava no músculo aproximadamente na proporção da quantia do trabalho desempenhado. Ao mesmo tempo, uma quantidade correspondente de glicogênio desaparecia, enquanto uma quantidade menor de carboidratos, particularmente glicose livre e ácido hexosefosfórico, não era visivelmente alterada. (Ibid)
Já na fase aeróbica, ou seja, quando o oxigênio estava presente, o ácido lático formado desaparecia, enquanto uma quantidade extra específica de oxigênio era assimilada. Esse desaparecimento de ácido lático se dava na proporção exata do aumento do consumo de oxigênio. No entanto, o oxigênio era somente suficiente para oxidar uma fração de ácido lático que desaparecia; o restante era reconvertido em glicogênio. (www.nobelprize.org)
Otto fez a ressalva que a taxa de ácido lático que desaparecia em geral para aquilo que era queimado não era sempre uma constante sob todas as condições. Segundo suas observações, sob condições de fadiga anaeróbica extrema e subseqüente recuperação em oxigênio, para cada quatro moléculas de ácido lático desaparecidas, três seriam convertidas então em glicogênio e este oxidado. Ressaltou que não poderia sustentar com certeza sempre se o ácido lático mesmo seria queimado. Somente encontrou um carboidrato equivalente oxidado. Se aquilo era açúcar ou ácido lático, não pôde ter certeza. Por esse motivo, escolheu a seguinte formulação para as duas fases: na anaeróbica, fase ativa do glicogênio seria quebrada em ácido lático via glicose, pelo caminho do ácido hexose-difosfórico. A decomposição de cinco açúcares equivalentes do glicogênio estaria suposta em que quatro seriam esterificados com ácido fosfórico e formariam oito moléculas de ácido lático. Já na segunda, fase aeróbica essas oito moléculas de ácido lático desapareciam enquanto duas delas, ou uma molécula de açúcar, seriam queimadas. (Ibid)
Meyerhof via o metabolismo ativo no músculo não como um fenômeno separado, mas como um aumento no metabolismo no estado de descanso. Para cada estado de descanso o glicogênio dentro de um músculo isolado em oxigênio desapareceria diretamente a propósito da oxidação em dióxido de carbono e água. Se, no entanto, mantivesse o músculo descansado em nitrogênio em um tempo considerável, o ácido lático era constantemente acumulado durante a fase anaeróbica. Comparando a acumulação do ácido lático com a quantidade de oxigênio que o músculo deveria ter assimilado no mesmo tempo sob condições aeróbicas, encontrou, aproximadamente, três vezes a quantidade de ácido lático acumulado que deveria ter sido consumido pelo oxigênio na mesma quantidade de tempo. Aqui também, então, o ácido lático não seria somente um simples produto intermediário da decomposição do açúcar. Trazendo o músculo de volta para o ar depois de extensa anaerobiose, ele  assimilava uma certa quantidade extra de oxigênio aproximadamente o equivalente à quantidade previamente perdida. Ao mesmo tempo, o ácido lático desaparecia, mais uma vez, no caminho que a maioria dele era reconvertida em glicogênio, ao passo que somente uma fração, ou a quantidade correspondente de carboidrato era consumida. (www.nobelprize.org)
Quando o músculo estava ativo o processo seria exatamente o mesmo, somente o progresso de acumulação de ácido lático era muito mais devagar. Otto considerou que, a  respiração no músculo no estado de descanso poderia ser dita para mantê-lo em um estado de prontidão para a atividade. (Ibid)
Estabeleceu que o ácido lático estaria associado com a contração muscular por uma comparação exata do trabalho desempenhado sob condições anaeróbias com a formação do ácido lático. Seguindo Fick e o Professor Hill, a tensão que o músculo desenvolveria em uma estimulação quando impedia de diminuição, então chamada contração isométrica. Permitindo ao músculo continuar trabalhando sob condições anaeróbicas até que estivesse exausto ele produziria uma certa quantidade de ácido lático e desenvolveria um grau de tensão em proporção à essa quantidade. Otto observou que esse trabalho anaeróbico total poderia ser muito considerado – por exemplo, um músculo de sapo de um grama de peso em gás nitrogênio (gás) poderia  produzir 160kg de tensão em 1000 contrações. (Ibid)
Encontrou uma razão explicando o porquê da limitação para aquilo e porque a atividade não continuava de fato quando o glicogênio disponível era utilizado. Era pensado antigamente, e em particular por Fletcher e Hopkins, que foram os primeiros a se tornarem conscientes da então chamada fadiga máxima, e que isso estava condicionado pela exaustão de um estágio preliminar imediato do ácido lático. Isso, no entanto, parecia ser devido a acumulação do próprio ácido no músculo. Removendo uma grande parte do ácido do músculo colocando em uma solução de Ringer particularmente rica em bicarbonato, produz antes da exaustão total não somente muito mais ácido lático, mas também mais trabalho correspondente. Pela adição de várias misturas amortecedoras ao músculo foi provado que o aumento no desempenho devido a essa mistura adicionada corresponde a quase exatamente a porcentagem de ácido lático que escapava do músculo dentro da solução circundante. (www.nobelprize.org)
Essas reações químicas somente se tornaram claras quando Meyerhof considerou as condições energéticas. Na fase anaeróbica ativa, o ácido lático seria formado do glicogênio, e uma taxa de 1g de ácido lático de 0,9g de glicogênio, durante a formação de cada 180g de ácido lático 18g de água são absorvidas. (Ibid)
Tal descoberta foi importante devido à existência de uma grande lacuna na bioquímica da época. Isso impulsionou novas descobertas nessa importante fração de conhecimento que hoje é composta de complexa teia de reações e enzimas que foram descobertas posteriormente. (Ibid)
 
BIOGRAFIA DOS PESQUISADORES
Segundo informações coletadas nos sites www.sobiografias.hpg.ig.com.br e www.nobelprize.org, Archibald Vivian Hill foi um fisiologista britânico nascido em Bristol, no dia 26 de setembro de 1886. Foi pesquisador em músculos e nervos e professor da Universidade de Londres, co-vencedor do Prêmio Nobel de Medicina (1922) pela descoberta relativa à produção de calor pelos músculos, juntamente com Otto Fritz Meyerhof.
Inicialmente educado na Blundell's School, Tiverton, obteve vaga para o Trinity College, Cambridge, onde estudou matemática conseguindo o Mathematical Tripos, sendo Third Wrangler (1907). Após se graduar foi orientado pelo Dr. Walter Morley Fletcher a pesquisar em fisiologia. Iniciou seus trabalhos (1909) estudando a natureza das contrações musculares. 
Tendo obtido um Fellowship em Trinity (1910), viajou para a Alemanha onde trabalhou com Bürker e Paschen (1910-1911). No período anterior a guerra (1911-1914), continuou suas pesquisas em contração muscular, em Cambridge, além de estudar impulsos nervosos com Keith Lucas, hemoglobina com Barcroft, e calorimetria dos animais com T. B. Wood, Gaskell, Anderson, W. B. Hardy, Mines, Adrian, Hartridge e outros. 
Casou-se com Margaret Neville Keynes (1913) e o casal teve dois filhos e duas filhas. Foi nomeado professor universitário de físico-química, em Cambridge (1914). 
Durante a guerra serviu como capitão e major, e como diretor do Anti-Aircraft Experimental Section, Munitions Inventions Department. Foi nomeado (1920) Brackenburg Professor de fisiologia da Manchester University, e (1923-1925) Jodrell Professor de fisiologia na University College, Londres, sucedendo E. H. Starling. Foi apontado Foulerton Research Professor da Royal Society (1926) e esteve no laboratório biofísico na University College (1926-1952), retornando após ao departamento de fisiologia, onde continuou com seus experimentos. 
Durante a II Grande Guerra, serviu em várias comissões como membro do War Cabinet Scientific Advisory Committee (1940-1946), presidente da Research Defence Society (1940-1951) e presidente do Comitê Executivo do Laboratório Nacional de Física (1940-1945). Como homem público, foi membro do Parlamento (1940-1945), representando a Universidade de Cambridge na House of Commons como um Independent Conservative. Também foi membro do University Grants Committee (1937-1944), serviu no Comitê de Ciências do Conselho Britânico (1946-1956) e foi nomeado um Trustee do British Museum (1947).
Além de muitos documentos, escreveu livros importantes como Muscular Activity (1926), Muscular Movement in Man (1927), Living Machinery (1927), The Ethical Dilemma of Science and Other Writings (1960) e Traits and Trials in Physiology (1965). 
Foi eleito membro da Royal Society (1918) e secretário estrangeiro (1946). Além do Nobel e vários graus honorários em universidades britânicas e de outros países, recebeu a Medal of Freedom, U.S.A. (1947) e a Society's Copley Medal (1948). Tornou-se Chevalier da Legião de Honra (1950) e tornou-se presidente (1952) da Sociedade Britânica para o Avanço da Ciência. 
Archibald Vivian Hill morreu no dia 3 de junho de 1977. 
Otto Fritz Meyerhof nasceu em 12 de abril de 1884, em Hannover. Era filho de Felix Meyerhof, comerciante, e de Bettina May. Logo depois do nascimento, sua família mudou-se para Berlin, onde Otto foi para o Wilhelms Gymnasium (escola secundária clássica). Deixando a escola com 14 anos, ele foi atacado, com 16 anos, por um problema renal e teve que passar longo em inatividade. Após a recuperação, estudou medicina em Freiburgo, Berlin, Strausburgo, e Heidelberg.
Graduou-se em medicina em 1909 com uma tese sobre assunto psiquiátrico e devotou para si tempo para psicologia e filosofia, publicando um livro intitulado de  Beiträge zur psychologischen Theorie der Geistesstörungen (Contribuições para a teoria psicológica dos distúrbios mentais) e um ensaio no Goethes Methoden der Naturforschung (Métodos de pesquisa científica de Goethe). Sob influencia de Otto Warburg, que estava então na Heidelberg, tornou-se cada vez mais interessado em fisiologia celular. Depois de trabalhar um pequeno tempo em físico-química em Heidelberg, Meyerhof ficou um período no laboratório da clínica Heidelberg e na estação zoológica em Naples. 
Em 1912 foi para Kiel, onde foi qualificado em 1913, como conferencista universitário em fisiologia. Em 1915, Meyerhof foi nomeado Assistente do Instituto de Fisiologia e em 1918 tornou-se Professor Assistente.  Meyerhof foi premiado, juntamente com o fisiologista inglês A. V. Hill, Premio Nobel por fisiologia ou Medicina de 1922. Em 1924, foi convidado pelo Kaiser Wilhelm Gesellschaft para ingressar em um grupo de trabalho no Berlin-Dahlem, que incluía Neuberg, F. Haber, M. Polyani, e H. Freundlich.
Já em 1929, foi convidado a tomar conta do novo Instituto Kaiser Wilhelm para Pesquisa Médica em Heidelberg. Passado algum tempo, 1938, as condições ficaram muito difíceis e ele decidiu deixar a Alemanha. De 1938 a 1940 foi diretor de pesquisas no Institut de Biologie physico-chimique em Paris, onde foi ajudado financeiramente pela Fundação Josiah Macy Jr.
No entanto, em junho de 1940, quando os Nazistas invadiram a França, Meyerhof teve que fugir de Paris. Com a ajuda do Comitê de Serviço Unitário, ele alcançou a Espanha e finalmente, em outubro de 1940, os Estados Unidos, onde o cargo de Professor pesquisador de Química Fisiológica foi criado para ele na Universidade da Pensilvânia e Fundação Rockefeller.
Entre outras honras e distinções, Meyerhof foi membro estrangeiro da Harvey Society e da Royal Society de Londres, e membro da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.
No período em que esteve na América, além da ciência, mostrou que não tinha renunciado aos seus interesses em filosofia apresentando para a Celebração Bienal Goethe da Sociedade Rudolf Virchow em Nova Iorque uma profunda e crítica avaliação das idéias científicas de Goethe. Através de sua vida ele reteve grande amor por arte, literatura e poesia. Seu interesse pela pintura foi muito estimulado por sua esposa Hedwig Schallenberg, pintora, com quem ele casou em 1914. Houve três crianças desse casamento.
Em 1944 ele sofreu um ataque do coração; em 1951 outro que acabou com sua vida. 
 
CONCLUSÃO
O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1922, atribuído aos pesquisadores Archibald Vivian Hill e Otto Fritz Meyerhof, destacou a importância das descobertas relativas ao metabolismo muscular por eles realizadas. Seus achados mostraram-se de extrema importância à medida em que foram precursores na pesquisa de produção de calor pelo músculo e metabolismo do ácido lático, que até então constituíam temas que geravam muitas dúvidas no âmbito da comunidade científica. Com suas descobertas e observações, esses pesquisadores estimularam posteriores estudos a respeito do assunto, apontando para uma nova fase da fisiologia muscular.
Além disso, o presente trabalho contribuiu para aumentar nosso espírito investigativo acerca das descobertas feitas por grandes pesquisadores e seu legado imprescindível ao meio médico. Analogamente, constatamos que esse tipo de revisão bibliográfica instiga a nossa curiosidade com relação à pesquisa, servindo como paradigma às nossas futuras condutas nesse âmbito.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, 1994
Guyton & Hall, Tratado de Fisiologia Médica, 2002
www.educacaofisica.org  Ácido lático: ficção ou fato?, MATHIAS, Alexandre P., acesso em 23/09/2005;
www.nobelprize.org  Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1922, acesso em 08/08/2005;
www.sobiografias.hpg.ig.com.br  Archibald Vivian Hill, acesso em 08/08/2005;
www.sobiografias.hpg.ig.com.br  Otto Fritz Meyerhof, acesso em 08/08/2005;
 
Orientadores:
Evânia Araújo
Jorge Salton
 
1923: FREDERICK BANTING e JOHN MACLEOD

 

Artigo escrito por:
OTTO, Gabriela G.
TREVISAN, Juliana
GOMES, Larissa M.
Faculdade de Medicina/UPF
RESUMO: 
Os ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1923 foram os pesquisadores Fredrick Grant Banting e John James Richard Macleod. Juntos eles isolaram pela primeira vez o hormônio através de extratos de pâncreas de cães e o testaram inicialmente nesses animais. Naquela época, a grande dificuldade estava em isolá-lo e a partir dela, identificar o melhor caminho para evitar a cetoacidose e hiperglicemia presente no sangue dos diabéticos. A partir disso foi possível a produção e comercialização de insulina em série.
 
PALAVRAS-CHAVE: Fredrick Grant Banting, John James Macleod, insulina, Prêmio Nobel de 1923, pâncreas.
 
ABSTRACT: 
The winners of the Prize Nobel de Medicine and Physiology of 1923 had been the Fredrick researchers Grant Banting and John James Richard Macleod. Together they had isolated for the first time the hormone through extracts of pancreas of dogs and they had initially tested it in these animals. At that time, the great difficulty was in isolating it and from it, to identify optimum way to prevent cetoacidose and present hyperglycemia in the blood of the diabetic ones. To leave, of this it was possible the production and commercialization of insulin in series.
 
KEY WORDS: Fredrick Grant Banting, John James Macleod, insulin, Prize Nobel of 1923, pancreas.
 
INTRODUÇÃO: 
Este trabalho consiste em um estudo biográfico sobre os ganhadores Fredrick Banting e John Macleod, dois grandes pesquisadores que a partir das experiências realizadas anteriormente, aprimoraram a técnica e pela insistência conseguiram isolar a insulina.  O nome insulina deve-se ao fato de que, anteriormente, alguns pesquisadores haviam sugerido que ela, sendo de natureza protéica, podia ser produzida nas ilhotas de Langerhans, peculiares estruturas do pâncreas, daí seu nome, do latim insula (ilha).  Temos como objetivo reunir informações sobre a vida e obra destes dois médicos e seus auxiliares, além de obter conhecimento e comprovar a importância dada às suas descobertas; já que, naquela época, representou a cura somente para cetoacidose e diabetes mellitus, mas, além disso, a descoberta auxiliou na ampliação desses tratamentos e na cura também de outras disfunções pancreáticas. Este estudo apresenta um breve relato sobre o Prêmio Nobel, acompanhado da biografia de seus laureados  de 1923, além de suas descobertas e conclusões.
 
 
 
 
BIOGRAFIA: 
 
Frederick Grant Banting
Médico e fisiologista canadense natural de uma fazenda próxima a Allison, em 14 de novembro de 1891. Diplomado em medicina pela University of Toronto onde recebeu seu MD. (1916). Exerceu a medicina inicialmente em Toronto e, posteriormente, em Londres, onde praticou a cirurgia ortopédica. Após servir na I Guerra Mundial, voltou ao Canadá e iniciou a prática de medicina como cirurgião em London, Ontário, e ensinou fisiologia na University of Western Ontario até ingressar na Universidade de Toronto. Em outubro (1920) descobriu que a diabetes tinha origem nos distúrbios do pâncreas. Com Charles Best e o escocês John James McLeod, chefe do departamento de fisiologia da universidade e diretor do laboratório da pesquisa começou a usar no tratamento de diabetes a insulina artificial preparada pelos canadenses (1822). Foi nomeado diretor do recém fundado Departamento de Pesquisas Médicas Banting & Best (1923). Criou a Fundação Banting para Pesquisas (1924) e o Instituto Banting de Toronto. Ganhou o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia (1923) e o título de Cavaleiro do Império Britânico (1934), pela descoberta da insulina. Morreu em um acidente de avião durante a II Guerra Mundial, em Newfoundland, em 21 de fevereiro (1941).
 
John James Richard Macleod
Nascido em seis de setembro de 1876 em Cluny, Perthshire, Escócia, Dr. Macleod trabalhou como um professor no departamento de fisiologia na universidade de Toronto, mais tarde tornou-se chefe do departamento e associado da faculdade de medicina. Sua área de perícia estava no metabolismo do hidrato de carbono, o processo por que o corpo quebra abaixo o alimento ingerido para convertê-lo à energia e a outras moléculas pequenas que o corpo requer. Dr. Macleod era relutante, no início, dar o Dr. Banting algum espaço da pesquisa na universidade de Toronto. Entretanto, Dr. A persistência de Banting convenceu o Dr. Macleod para permitir que as experiências sejam conduzidas no verão de 1921. Dr. A experiência da pesquisa de Macleod dirigiu as experiências da descoberta com projetos apropriados e controles experimentais. Macleod, antes desta descoberta, tinha feito varias pesquisas na área de carboidratos e especialmente em diabetes desde 1905 a ponto de ter publicado uns 37 papéis sobre metabolismo do hidrato de carbono e 12 papéis na glicosúria. Seu primeiro artigo, publicado em 1899, quando estava trabalhando no hospital de Londres, tinha estado no índice do fósforo do músculo e do ele trabalhou também na doença de ar, em choque elétrico, na química do bacilo da tuberculose e bases púricas. Antes disso, em 1908, tinha feito o trabalho experimental na parte possível feita pelo sistema nervoso central em resposta a hiperglicemia e em 1932 retornou a este assunto, baseando seu trabalho nas experiências feitas por Claude Bernard sobre diabetes, e Macleod concliu então, das experiências feitas em coelhos, que a estimulação da gliconeogênese no fígado ocorreu por o sistema nervoso parassimpático. Durante 1921-1923, foi Presidente da Sociedade Americana Fisiológica, durante 1925-1926 e do Royal Canadian Institute. Ele realizou seu doutoramento honorário da Universidade de Toronto, Cambridge, Aberdeen e Pensilvânia, a Western Reserve University e do Colégio Médico Jefferson. Ele era um companheiro honorário da Accademia Medica, Roma, e também um membro correspondente da Sociedade de Medicina e Cirurgia, Bolonha, a Societá Medica Chirurgica, Roma, e da Deutsche Akademie der Naturforscher Leopoldina, Halle, e Foreign Associate Fellow do Colégio dos Médicos, Filadélfia.
 
 
PESQUISA:
 
A insulina é um hormônio polipeptídeo secretado pelas células beta das ilhotas de Langerhans, a grupos específicos de células do pâncreas. A falta de insulina no organismo leva a diabetes. Os canadenses Frederick Banting e Charles Herbert Best foram os primeiros a obter, a partir de extratos de pâncreas, uma preparação de insulina que poderia servir para substituir uma deficiência do hormônio no organismo humano. 
Após ter sido fornecido com um pequeno laboratório na Universidade de Toronto, e  oito semanas de tempo para realizar os experimentos propostos por Banting para isolar o pâncreas a partir de uma substância para o tratamento da diabetes, e ele começou a sua primeira tarefa juntamente com Best (James Best, aluno de medicina na época), um estudo da literatura sobre o pâncreas no início de maio de 1921. Eles descobriram que a diabetes era conhecido até mesmo para os antigos egípcios, hindus, chineses e os gregos. Além disso, Minkowski e Von Mering em 1899 tinham produzido diabetes em cães através da eliminação do pâncreas. Outro pesquisador havia concluído que não era a ausência do glândula total, mas apenas a parte conhecida como o das ilhotas de Langerhans que levou à doença. A literatura, aparentemente, havia gravado algumas falhas de meio século de encontrar uma substância anti-diabético. Banting e Best, no entanto, recusaram-se a serem desencorajados por estas conclusões a partir da literatura e foram brevemente duros no trabalho que visava provar a teoria da Banting.
Logo após a revisão de literatura em maio de 1921 Banting e Best iniciaram seu trabalho com entusiasmo para provar a presença de uma substância anti-diabéticos dentro do pâncreas. Estava previsto que iria realizar a cirurgia após fazer exames bioquímicos para o açúcar no sangue e na urina, além de dividirem o trabalho de cuidar dos animais experimentais. A remoção cirúrgica do pâncreas e outros procedimentos cirúrgicos eram feitos por Banting, operou alguns cães, amarrando os ductos pancreáticos e de outros cães ele removeu o pâncreas e analisou os efeitos no sangue e urina.
No final de julho, em uma das observações Banting da conduta feita nos cães  descobriu que a ligadura tinha realizado e que o pâncreas tinha encolhido para cerca de um terço do seu tamanho normal. A glândula foi removida, picado por um morteiro no terreno e com solução salina, tensas e uma pequena quantidade injetada na veia de um cão animal sem pâncreas ou diabético. Este animal foi observado, havia muita preocupação para que ela possa ter efeitos tóxicos como experimenters anteriores haviam descoberto. Por um tempo parecia haver nenhuma mudança, então mais tarde para o cão apresentou melhora. O animal passou a ser muito mais ativo e a apresentar níveis de açúcar no sangue significativamente reduzidos demonstrando o acerto da teoria de Banting. 
Dr. MacLeod regressou da Europa e ficou impressionado, mas insistiu em que todo o procedimento ser repetido para confirmar este resultado verdadeiramente admirável. Os resultados, naturalmente, com novas experiências foram confirmadas. MacLeod estava convencido e o anúncio da descoberta foi apresentado em documentos através do Jornal Clube de Fisiologia, em Toronto em 14 de novembro, e da American Society Physiological pouco antes do final do ano em 1921. Muitas publicações foram seguidas. 
Houve, naturalmente, muitos problemas a serem enfrentados incluindo a purificação do extrato e seu uso em pacientes humanos que sofrem de diabetes. Embora a teoria da Banting tivesse sido provada, era óbvio que as técnicas experimentais teriam de ser melhoradas para produzir a substância anti-diabética, chamada Isletin por Banting e Best, sendo posteriormente chamada de insulina. 
O Professor MacLeod tinha ficado completamente convencido do valor desta descoberta e ao entusiasmar novas melhorias e virou sua atenção e os dos seus colegas em direção à melhoria da produção e purificação da insulina. Em dezembro 1921, MacLeod pediu JB Collip, bioquímico, tinha conhecido Banting, no início da Primavera de 1921 e foi associado com ele toda a insulina trabalho, não estava diretamente relacionado com o início dos anos fase de seus estudos até que era óbvio que os necessitava de mais extrato de purificação antes que ele pudesse ser utilizado em seres humanos. Collip foi um brilhante bioquímico e é muito possível que, sem o seu contributo insulina nunca teria entrado em uso clínico. 
O resultado final de toda a investigação que foi iniciada por Banting a produção do seguro e potente extrato em quantidade comercial, que foi atingida através de muitos indivíduos no ano 1922. Em janeiro de 1923, como resultado do trabalho levado a cabo por Connaught laboratórios Eli Lilly e Companhia eles eram capazes de fornecer bastante consideráveis quantidades de insulina para uso clínico, e foi assim que a oferta tornou-se mais abundante como oferta limitada de insulina foi enviada a especialistas em diabéticos Estados Unidos e Canadá. A insulina foi inicialmente reservada para diabéticos mais graves, mas com o tempo e as melhorias tornou-se mais e mais disponíveis para o tratamento da diabetes em geral.
 
 
CONCLUSÃO:
Embora a insulina não represente a cura, esta descoberta médica continua a salvar milhões de vidas em todo o mundo. A produção de insulina mudou muita coisa desde 1922. Ciência e tecnologia moderna transformam a teoria desacreditada e as experiências com cães em grande qualidade de insulina e bons sistemas de distribuição disponíveis para pessoas diabéticas. Devido à grande importância da insulina e a mudança causada após a experiência, na década de 1980, foi realizada uma minissérie canadense (Glory Enough for All: The Discovery of Insulin – Chega a Glória para todos, A Descoberta da Insulina), baseada no drama da vida real por trás da descoberta no início dos anos 1920, constituindo um conto ricamente texturizados de fragilidade humana e ambição, afinal, foram através destas que hoje milhões de pessoas, podem ter uma vida saudável com diabetes e outros distúrbios relacionados.
 
 
BIBLIOGRAFIA:
 
NOBELPRIZE.ORG, The Nobel Price in Physiology or Medicine. Disponível em:<http://nobelprize.org/nobel_prizes/> Acesso em: 21 de out. 2008.
 
DISCOVERY OF INSULIN. <http://www.discoveryofinsulin.com/> Acesso em: 21 de out. 2008.
 
WIKIPEDIA:<http://pt.wikipedia.org/wiki/Insulina> Acesso em: 21 de out. 2008.
 
Orientador:
Jorge Salton
 

 

1924: WILLEM EINTHOVEN

 

Artigo científico escritor por:
Caroline Fincatto da Silva 
Caroline Junges Maroso
Faculdade de Medicina UPF
RESUMO
O objetivo da pesquisa foi realizar uma revisão bibliográfica dos ganhadores do Prêmio Nobel, em especial de Willem Einthoven. Foi realizada através de interpretações de textos sobre o assunto que guiaram o estudo sobre a vida de Einthoven. A forma como o autor foi evoluindo em suas pesquisas para chegar na sua descoberta, sobre “o mecanismo do galvanômetro de corda” (eletrocardiograma), permitiu que em 1924, Einthoven ganhasse o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina. Conclui-se que essa pesquisa é importante para o resgate da história dos Prêmios Nobel, em especial o de 1924, que homenageou o descobridor de um exame ainda hoje utilizado.  
Palavras-chave: Prêmio Nobel, Willem Einthoven, eletrocardiograma.
 
ABSTRACT
The objective of the research was to accomplish a bibliographical revision of Nobel Prize winners, especially of Willem Einthoven. It was accomplished through interpretations of texts on the subject that  guided the study about the life of Einthoven. The form as the author went developing in his researches to arrive in his discovery, on " the mechanism of the rope " galvanômetro (electrocardiogram), it allowed that in 1924, Einthoven won the Nobel Prize of Physiology and Medicine. It is possible to conclude that research is important for the ransom of Nobel Prize history, especially the one of 1924, that honored the discoverer of an exam used untill today.
Key-words: Prize Nobel, Willem Einthoven, electrocardiogram.
 
INTRODUÇÃO
A falta de fontes específicas sobre os ganhadores do prêmio Nobel,  nos levou a propor este projeto de pesquisa sobre os mesmos e suas descobertas. Nosso trabalho está voltado para o estudo da história do descobridor do “mecanismo do eletrocardiograma”, o médico Willem Einthoven, que ganhou o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 1924.
Através de revisão bibliográfica buscamos também conhecer descobertas importantes ocorridas na história da medicina. Essas descobertas poderão nos incentivar na realização de pesquisas científicas posteriores em busca de novos conhecimentos que beneficiem a saúde como um todo.
Objetivamos, em especial, estudar a história do ganhador do Prêmio Nobel de 1924, Willem Einthoven, e compreender o desenvolvimento de sua pesquisa sobre o eletrocardiograma, um exame hoje centenário, popular e barato, que auxilia na identificação de 90% dos problemas cardíacos.
Usamos para isso, uma revisão bibliográfica do ganhador do Prêmio Nobel de 1924, realizada através de leituras de artigos científicos e textos colhidos da Internet e de livros. Esses textos foram lidos, interpretados e executamos o nosso trabalho.
 
DESENVOLVIMENTO
A descoberta de Willem Einthoven, sobre o eletrocardiograma, pode ser definida como uma gravação das ondas elétricas do músculo cardíaco representadas em forma de um gráfico. Isso é feito através de cinco eletrodos que são colocados na superfície corporal. Eles estão localizados um em cada membro e o quinto está na face anterior do tórax, sendo que este é divido em seis localizações dispostas no quarto e quinto espaços intercostais, as seis derivações précordias. Essas derivações formam dois planos, um horizontal e outro frontal, que serão responsáveis pela formação do gráfico. 
O exame realizado com o eletrocardiograma auxilia a detecção das doenças cardíacas, tais como as arritmias, isquemias, miocardiopatias, entre outras. Além disso, pode detectar doenças não cardíacas como problemas da glândula tireóide e mal de Chagas. A realização desse exame só foi possível devido à dedicação de Willem Einthoven. Nascido em 21 de maio de 1860, em Semarang, capital da província de Java Central que hoje integra a República da Indonésia. Filho do médico Jacob Einthoven e de Louise M.M.C. de Vogel, ambos holandeses, que devido à transferência de Jacob, médico do corpo militar, foram residir em Semarang. Após a morte de seu pai, Willem, com apenas seis anos, juntamente com sua mãe e seus cinco irmãos mudam-se para a Holanda e fixam residência em Utrech. 
Em 1879, Einthoven consegue ingressar no curso de medicina da universidade de Utrech. Além de ter destaque no terreno intelectual, também obteve êxito no esporte, onde era 
um grande incentivador da vida ao ar livre e da prática de remo e esgrima. Foi organizador de torneios entre as universidades holandeses, sendo uma novidade para a época. 
Seu primeiro artigo científico foi desenvolvido a partir da observação de uma pesquisa realizada por seu professor anatomista e também pela influência de uma fratura que teve no punho direito. Seu artigo foi publicado em uma revista holandesa e trazia como título “Algumas observações sobre o mecanismo da articulação do cotovelo”. 
Estimulado por Cornelis Donders, oftalmologista de renome e professor de Fisiologia da Universidade de Utrech, Willem Einthoven reinvestigou o trabalho sobre cores de seu mestre e a partir dele desenvolveu sua tese de conclusão do curso médico: “Estereoscopia por diferença de cores”. Esse trabalho foi publicado em alemão e francês em revistas médicas. Em 1885, morreu o professor de Fisiologia da Universidade de Leiden e o professor selecionado não aceitou o cargo, pois não morava mais em Leiden. Cornelis Donders, aproveitando seu prestígio de professor de fisiologia sugeriu o nome de seu aluno, Einthoven, para o cargo. Ele foi aceito e em fevereiro de 1886, Willem Einthoven inicia sua atividade como professor de Fisiologia e Histologia da Universidade de Leiden. Dois meses depois, Willem casa-se com sua prima irmã Frédérique Jeanne Louise de Vogel, com quem teve quatro filhos. 
O laboratório que Willem herdou do professor de fisiologia falecido era pobre de equipamentos, mas aos poucos ele foi equipando-o e sua atenção foi se dirigindo para eletrofisiologia. O melhor aparelho para estudar assuntos nessa área era o eletrômero capilar de Lippman, o qual Willem tinha no laboratório e foi de extrema importância para que ele desenvolvesse o eletrocardiograma. O eletrômero captava movimentos iônicos e esses eram registrados em uma placa fotográfica. As curvas registradas na placa fotográfica possuíam erros matemáticos, os quais eram corrigidos por ele, dando às curvas formas muito parecida com as que temos hoje com o galvanômetro de corda. 
Willem Einthoven dedicou muitos anos de seus estudos nesse aparelho, mas o tempo que levava para as correções matemáticas exigiu um outro aparelho. Então Einthoven começou a estudar o galvanômetro de bobina de Desprez r e d’Arsonval e foi melhorando esse aparelho até chegar ao seu galvanômetro de corda. Em 1901 publicou o artigo: “Um novo galvanômetro”, numa revista holandesa que não obteve muita divulgação. Somente em 1903, quando publicou o artigo: “O registro galvanométrico do eletrocardiograma humana, bem como uma revisão do eletrômero capilar em fisiologia”, numa revista de grande prestígio em fisiologia é que seu trabalho foi reconhecido. Nesse trabalho os eletrocardiogramas apresentados tinham convenções que até hoje são usados, em relação às linhas de amplitude e de tempo.  
O primeiro galvanômetro de corda usado por Einthoven pesava cerca de 270 Kg e não podia ser transportado, além de o exame depender de muitos equipamentos existentes no laboratório. Como os pacientes também não podiam ser removidos, Einthoven em sua genialidade fez os exames usando os fios telefônicos que iam do laboratório até o hospital. Os pacientes tinham suas extremidades imersas em cubas com uma solução condutora, e o registro era feito no laboratório. Com suas pesquisas, ele conseguiu compreender o que cada curva gravada no papel significava e denominou as ondas impressas com as letras P,Q,R,S e T, sendo que a onda P traduz a contração atrial, complexo QRS a contração ventricular e a onda T traduz o retorno da massa ventricular ao estado de repouso elétrico. O aperfeiçoamento do seu galvanômetro de corda permitiu que ele desenvolvesse um triângulo eqüilátero com três derivações: as derivações padrões dos membros. Estas medem a diferença de potencial entre os eletrodos que eram colocados nos braços e na perna esquerda. A derivação I mede a diferença de potencial entre o braço direito e o braço esquerdo, a derivação II mede a diferença de potencial entre o braço direito e o a perna esquerda e a derivação III mede a diferença de potencial entre o braço esquerdo e a perna esquerda. Esse triângulo, chamado de triângulo eqüilátero de Einthoven, até hoje é usado e na época causou muita polêmica.  
Willem Einthoven foi publicando vários artigos conforme ia melhorando seu galvanômetro de corda, apesar de todos seus estudos nunca deixou suas aulas de lado e em por volta de 1905 foi nomeado Reitor Magnífico da Universidade de Leiden. 
Após aproximadamente dez anos de sua descoberta, em 1924, Einthoven foi homenageado com o grande Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina pela descoberta do funcionamento do mecanismo de eletrocardiograma. Prêmio que foi inventado pelo milionário Alfred Nobel, que quando morreu deixou uma fortuna para a criação de uma fundação que deveria financiar quatro prêmios, entre eles os destaques em medicina. Os escolhidos recebem uma medalha de ouro com a efígie de Alfred Nobel, gravada com o seu nome, um diploma e um prêmio em dinheiro. Este prêmio representa o reconhecimento mundial dos feitos e achados dos estudiosos. 
Einthoven recebeu o prêmio a 8 de dezembro de 1925 em Estocolmo e no fim de sua explanação sobre o galvanômetro de corda ele disse: “ um novo capítulo se abria no aprendizado das doenças do coração, não por obra de um só homem, mas pelo trabalho conjugado de muitos homens de talento que, espalhados pelo mundo e sem respeitar fronteiras políticas, convergiam seus esforços para um propósito comum: aumentar nosso conhecimento da doença, para alívio da humanidade sofredora”. 
Esse médico, que deixou a descoberta do eletrocardiograma como contribuição para a medicina, faleceu a 28 de setembro de 1927 e foi sepultado no local em que localizava-se o jazigo das famílias Einthoven e De Voguel.  
 
CONCLUSÃO
Ao longo dessa revisão bibliográfica, percebemos a importância de retomarmos a história daqueles que contribuiriam com grandes feitos e estudos para a área médica. Esses, através do seu legado, nos incentivam a realizar pesquisas, em especial Willem Einthoven, ganhador do Prêmio Nobel de 1924 que motivou o delineamento da nossa pesquisa.
Os estudos de Einthoven que o direcionaram para o descobrimento do eletrocardiograma foram, com merecimento, reconhecidos com o maior Prêmio existente: o Nobel. Esse seu legado permite que o coração seja estudado e ainda hoje é usado com grande freqüência. A permanência de sua descoberta na atualidade, faz dessa revisão uma importante fonte de informação, pois através dela, podemos obter conhecimentos dos estudos sobre o eletrocardiograma e suas vantagens e conseqüências bem como inovar, e, ou criar novos posicionamentos sobre o assunto. 
A realização da nossa pesquisa representa uma contribuição para que a história desse grande descobridor não seja esquecida, e possa representar um incentivo aos acadêmicos na área da pesquisa.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ELETROCARDIOGRAMA: antigo e eficiente. Jornal do Brasil, 1 de março de 2005:
<http://www.crmmg.org.br/Noticias/Saude/news_item.2005-03-01.2806>. Acesso em: 28 de agosto de 2005.
GUS, ISEU. Eletrocardiografia. 2. ed. São Paulo: Fundo Editorial Byk, 1989.
HAMPTON, R. JOHN. Descomplicando o eletrocardiograma. 4. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.
HARRISON. Distúrbios do sistema cardiovascular. In______. Medicina Interna. 12. ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A. 1992.  
MACIEL, R. Willem Einthoven. De um começo árduo ao prêmio Nobel. [artigo científico]. Disponível em
<http://publicaoes.cardiol.br/abc/1996/6604/66040001.pdf>. Acesso em: 6 de agosto de 2005.
O PRÊMIO Nobel em Fisiologia e Medicina 1924. Disponível em: <http://nobelprize.org/medicine/laureates/1924/index.html>. Acesso em: 27 de agosto de 2005.
 
Orientadores:
Evânia Araújo
Jorge Salton
1926: GRIB FIBIGER

 

Artigo científico escrito por:
Anna Líbera da Costa Beber Scarton
Bruno Ventura Tarasconi
Faculdade de Medicina UPF
Resumo
O presente artigo, que trata sobre Johannes Andreas Grib Fibiger, faz parte de uma série de revisões bibliográficas que abordam a biografia e a obra dos laureados com os Prêmios Nobel em Medicina e Fisiologia, desenvolvidas por acadêmicos da Faculdade de Medicina da Universidade de Passo Fundo, RS, Brasil. O pesquisador em questão, foi contemplado com o prêmio de 1926 pela descoberta do Carcinoma de Spiroptera através de intensa pesquisa com ratos de laboratório, conseguindo assim, a primeira indução controlada de câncer em animais. Fibiger destacou-se por elucidar conceitos básicos em oncologia, descobrindo que estímulos exógenos e irritação tissular eram causas diretas dessa patologia. Desse modo, impulsionou a continuação  das investigações no sentido de esclarecer essa importante doença.
 
Palavras-chave: Fibiger; Prêmio Nobel; carcinoma de Spiroptera.
 
Abstract
The current article, which is about Johannes Andreas Grib Fibiger, is part of a series of bibliographical revisions that approach the biography and work of the laureates with the Nobel Prize in Physiology and Medicine. This article was written by students of the Medical College of the University of Passo Fundo, RS, Brazil. Johannes Andreas Grib Fibiger was awarded, in 1926, for his discovery of the Spiroptera carcinoma through intense research with laboratory rats, thus obtaining, the first controlled induction of cancer in animals. Fibiger´s work was acclaimed for explaining the basic concepts of oncology, discovering that external stimuli and tissue irritation were direct causes of this pathology. As a consequence, his work stimulated the continuation of investigations towards the elucidation of this important illness.
 
Key Words: Fibiger; Nobel Prize; Spiroptera carcinoma
 
Introdução
Johannes Andreas Grib Fibiger, como intenso pesquisador, foi o precursor dos estudos sobre o câncer, numa sociedade, em que na época, pouco ou quase nada se sabia a respeito. Lançou as bases dessa pesquisa e assim incentivou outros pesquisadores a fazerem parte dessa longa jornada investigativa sobre essa patologia, sobre a qual ainda persistem incógnitas.
Tomados pelo espírito pesquisador desses estudiosos, pela curiosidade acerca da história e evolução da medicina, viemos a realizar esse trabalho sobre vida e obra do ganhador do prêmio Nobel de 1926, buscando através deste, com base em revisões bibliográficas, enriquecer a cultura médica ao proporcionar, sobre esse assunto, referência científica concisa e objetiva, indisponível nos meios de procura. Além de ser um instrumento de estímulo à pesquisa, a realização do presente trabalho permite acrescentar ao nosso saber, bases de metodologia científica.  
O estudo contém um breve histórico do prêmio Nobel, seguindo-se da biografia do autor, suas descobertas e a conclusão do trabalho.
 
Desenvolvimento
O Prêmio Nobel é um evento considerado recompensa de muito prestígio aos meios acadêmicos mundiais. Acontece anualmente em Oslo, Noruega, e em Estocolmo, Suécia, em 10 de dezembro, dia do aniversário da morte de Alfred Nobel. Este, como um grande inventor e filantropo, destinou sua fortuna ao financiamento de cinco grandes prêmios internacionais destinados àqueles que se destacassem em suas descobertas em Física, Química, Medicina, Literatura, Ciências Econômicas ou em ações em prol da paz mundial. Essa escolha inicia-se com uma indicação dos candidatos pelos seus próprios países, enviada à comitês formados por especialistas que estudam e analisam cada caso. De posse dessas avaliações, instituições encarregadas votam para escolher os vencedores. Os laureados recebem uma medalha de ouro com a efígie de Alfred Nobel, gravada com o seu nome, um diploma e um prêmio em dinheiro. (www.morasha.com.br)
 Johannes Andreas Grib Fibiger, patologista dinamarquês, foi o laureado para o  Prêmio Nobel de Medicina de 1926, contemplado por sua descoberta do carcinoma de Spiroptera.  Nasceu em Silkeborg, em 23 de abril de 1867, sendo filho de um médico,  C. E. A. Fibiger,  e de uma escritora, Elfride Muller. Completou seus estudos até seu bacharelado em medicina (1883), no seu país de origem, e para ampliar conhecimentos viajou para a Alemanha, onde em Berlim,  se tornou discípulo dos bacteriologistas Robert Koch (1843-1910) e Emil Adolf von Behring (1854-1917), ambos premiados com o Nobel de Medicina. Com eles, obteve sua residência médica em 1894.(www.whonamedit.com; www.medcine.4t.com ).
Regressou à Dinamarca, para trabalhar como assistente de Carl Julius Salamonsen (1847-1924), no Instituto de Bacteriologia de Copenhagen. Casou-se em 1894 com Mathilde Fiibiger e, neste mesmo ano, começou a  trabalhar no hospital militar de doenças infecciosas, o Blegdam Hospital de Copenhagen, até 1897. Neste período, de 1894 a 1897,  completou sua tese de doutorado “Pesquisa sobre a bacteriologia da difteria”, defendida em 1895, na universidade de Copenhagen. Foi diretor do Laboratório Militar de Clínica Bacteriológica (1890-1905) e nomeado em 1905, diretor do Laboratório Militar Central e consultor do Serviço Médico do Exército. Após trabalhar com Orth e Weichselbaum, foi nomeado professor de anatomia patológica da Universidade de Copenhagen e diretor do Instituto de Anatomia Patológica (1900). (www.whonamedit.com; www.medcine.4t.com; www.nobelprize.org).
Ao longo de sua vida, Fibiger fez parte da direção de numerosos e importantes institutos. Ele foi primeiramente secretário, e mais tarde presidente, da Sociedade Médica Dinamarquesa; membro da Comissão de Planejamento para a construção dos Institutos Médicos do Hospital Nacional; presidente da Comissão de Câncer da Associação Médica Dinamarquesa; membro do Conselho Admnistrativo da Fundação Rask-Arsted e da Sociedade do Norte para a promoção de uma estação biológica nos trópicos; participante da Sociedade Pasteur; membro da Comissão Internacional para a cooperação intelectual com outros países, representando seu país em vários congressos e reuniões e fazendo parte de muitas academias e sociedades tanto dinamarquesas quanto estrangeiras como as Associações Médicas Suca e Finlandesa, Sociedade de Biologia Parisiense e a Sociedade de Helmintologia de Washington. Foi fundador-membro do Instituto “Van Leeuwenhoekvereeniging”  para estudos experimentais do câncer; membro honorário da Academia Real de Medicina da Bélgica; entre outros. Seus primeiros trabalhos foram sobre Tuberculose e Difteria. Desenvolveu métodos para proliferar as bactérias causadoras de Difteria em laboratório, e também produziu um soro para proteger contra essa doença. Pelo seu trabalho acerca do câncer, além do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina recebeu o prêmio Nordhoff-Jung. Era também ativo como jornalista, sendo um dos fundadores da “Acta Pathologica et Microbiologica Scandinavica” e um dos editores da “Ernst  Zieglers Beiträge zur pathologischen Anatomie und allgemeinen Pathologie”. Faleceu em Copenhagem, em 30 de janeiro de 1928, vítima de múltipos problemas de saúde decorrentes de um câncer de cólon. (www.cartage.org.lb; www.nobelprize.org)
Quando Fibiger começou a interessar-se pela investigação do câncer, havia muitos enigmas a respeito dessa patologia. Sua etiologia era totalmente desconhecida para a ciência da época e os mecanismos de sua produção careciam de embasamento científico.                           Hoje, sabe-se que câncer é o nome para doenças nas quais células se tornam anormais e se dividem sem controle, podendo invadir tecidos adjacentes e/ou se alastrar para outros tecidos ou órgãos à distância do tumor primário – metástase- através do sistema circulatório (sanguíneo e linfático). A princípio pensou-se que a enfermidade provinha de um agente infeccioso, sendo o responsável algum microorganismo desconhecido. Posteriormente, começou a ganhar força a idéia de que o câncer era produzido pela troca de células normais do nosso organismo por células malignas. Pensou-se que essa variação era devida a alguma causa misteriosa, ressurgindo a teoria da origem infecciosa, que contava com mais seguidores: certos microorganismos eram os responsáveis pela troca celular que originava a patologia cancerosa. (www.medcine.4t.com; www.pdamed.com.br)
Na primeira década do século XX começou a amadurecer a hipótese de que a variação celular que dava lugar ao câncer era produzida por agentes diferentes dos infecciosos mas não se pode obter nenhuma prova que demonstrasse essa teoria. Todas as tentativas para a produção de células cancerígenas em animais de laboratório a partir da influência de agentes físicos e químicos fracassaram, assim como as tentativas de demonstrar a aparição do câncer a partir de uma determinada infecção. Também teve bastante seguidores a teoria mista de que a origem do câncer poderia ser uma combinação de fatores ambientais e infecciosos. (www.medcine.4t.com)
As investigações de Fibiger demonstraram que se podia provocar a aparição do câncer em animais de laboratório. Em 1907, enquanto dissecava ratos com tuberculose, procedentes da cidade russa de Dorpat, observou o que parecia ser um crescimento cancerígeno no estômago de três animais. Depois de intensa pesquisa, descobriu que aqueles tumores, aparentemente malignos, sucederam uma inflamação no tecido gástrico causada por vermes da família dos espirópteros, contidas em todos os roedores acometidos pela doença. Fibiger pensou que esses organismos eram os responsáveis pelo aparecimento dos tumores, entretanto, não conseguiu induzir a formação do câncer em ratos sadios mesmo depois de fazê-los ingerir os vermes isoladamente. (www.whonamedit.com; www.medcine.4t.com)
Sem abandonar a idéia de que o verme era o responsável pelo surgimento dos tumores em ratos, Fibiger pensou que a infecção acontecia  durante algum momento do ciclo vital espiróptero e quando o veículo transmissor era uma barata (Periplaneta americana). Quando os ratos foram alimentados com baratas infectadas com larvas do verme conseguiu com que certas células estomacais sadias se convertessem em células cancerosas. Com este feito, Fibiger foi o primeiro a induzir a formação do câncer em animais e, a partir dessas experiências, o verme passou a ser chamado Spiroptera Neoplásica. (www.whonamedit.com; www.medcine.4t.com)
Em 1913, Fibiger publicou uma descrição do câncer Spiroptera, e por essa publicação recebeu o prêmio Nobel. Nesse mesmo ano, era capaz de induzir  efetivamente tumores em mais de 100 ratos, alimentado-os  com baratas infectadas pela larva. Mostrando que os tumores sofriam metástases – formação de tumores cancerígenos em órgãos não relacionados, sem transferência de parasitas ou microorganismos – adicionou importante suporte para o prevalente conceito de que o câncer é causado por irritação tissular. Esse estudo imediatamente levou o patologista japonês Yamagiwa Katusaburo a produzir câncer em animais de laboratório pintando suas peles com derivados de carvão, procedimento posteriormente adotado por Fibiger. (www.whonamedit.com)
Embora o trabalho de Fibiger parecesse mostrar que os espirópteros causaram o carcinoma nos roedores, outros investigadores eram incapazes de confirmar seus resultados. Posteriormente, mostrou-se que esse organismo específico não era a causa preliminar dos tumores, na verdade, os ratos sofriam de uma deficiência de vitamina A. Os parasitas simplesmente causaram a irritação tecidual que dirigiu as células danificadas ao câncer; qualquer irritação tecidual poderia ter induzido os tumores. Por causa disso, alguns consideram o prêmio Nobel de Fibiger desmerecido, no entanto, os achados do pesquisador foram um prelúdio necessário para a produção de carcinógenos químicos, um passo vital para o desenvolvimento da pesquisa moderna do câncer. Muitos estudiosos dão mérito a Fibiger por mostrar que estímulos externos podem induzir o câncer e que danos teciduais são uma das suas muitas causas diretas. Apesar das divergências, não há dúvidas de que seu trabalho estimulou a continuação da pesquisa sobre essa patologia. (http://en.wikipedia.org; www.pdamed.com.br; www.whonamedit.com; www.nobelprize.org)
  
Conclusão
Tendo em vista que o câncer é uma das doenças mais comuns e temidas atualmente, Fibiger teve decisiva contribuição ao dar o ponta pé inicial ao estudo sobre neoplasias. Sendo o primeiro a realizar a indução controlada do câncer em animais, possibilitou importante meio de análise para a compreensão de tal patologia.  
Alguns de seus conceitos são ainda válidos na área de oncologia: estímulos exógenos e irritação tecidual podem induzir a formação de tumores. Por mais que seja contestada a maneira pela qual atingiu tais preceitos é indiscutível a relevância de seu legado à ciência médica.
Ao  realizar esse trabalho, percebemos a importância de se conhecer a história daqueles que recebem o Prêmio Nobel, porque através de suas descobertas estão sempre influenciando, de alguma forma, a evolução da medicina, e assim contribuindo para o bem da humanidade. Além disso, essa revisão bibliográfica serve para despertar em muitos estudiosos a sua verdadeira vocação: a pesquisa científica. 
 
Referências Bibliográficas
ENERSEN, O. D. Johannes Andreas Grib Fibiger. Disponível em: <http://whonamedit.com/doctor.cfm/1443.html>. Acesso em: 11 agosto 2005.
 
ESPECIALES Diario Médico. Johannes Fibiger. Disponível em: <http://medcine.4t.com/nobel1926html/>. Acesso em: 26 julho 2005.
NOBEL LECTURES, Physiology or Medicine 1922-1941. Figiber, Johannes Andreas Grib
<http://www.cartage.org.lb/em/themes/Biographies/ MainBiographies/F/Figiber/Figiber.html>. Acesso em: 14 agosto 2005.
PDAMED-dicionário digitalde termos médicos 2005. Disponível em: <http://www.pdamed.com.br/diciomed/pdamed_0001_aaphp>. Acesso em: 03 outubro 2005.
REVISTA Morashá set 2005. A História do Prêmio Nobel: Alfred Nobel. Disponível em
<http://www.morasha.com.br/conteudo/artigos/artigos_view.asp?a=259&p=1>. Acesso em: 30 setembro 2005.
THE NOBEL FOUNDATION. Johannes Fibiger-Biography. Disponível em: <http://nobelprize.org/medicine/laureates/1926/fibiger-bio.html>. Acesso em: 25 junho 2005.
WIKIPEDIA, The Free Encyclopedia. Johannes Andreas Grib Fibiger. Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/Johannes_Fibiger>. Acesso em: 09 agosto 2005.
 
Orientadores:
Evânia Araújo
Jorge Salton
 
1927: WAGNER-JAUREG

 

Artigo científico escrito por:
FERRARI, Aline G.
BAGGIO, Ana P.
Faculdade de Medicina UPF
RESUMO
O psiquiatra austríaco Julius Wagner-Jauregg foi o ganhador do Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1927 pelo desenvolvimento da malarioterapia, inoculação terapêutica do agente causador da malária, no tratamento da dementia paralytica, doença decorrente de sífilis avançada, muito comum no início do século XX. A descoberta da malarioterapia teve grandes repercussões na época e constituiu o primeiro tratamento de choque para debelar uma doença, então incurável. Isto justifica o interesse e que a vida e a obra de Julius Wagner-Jauregg continua a despertar até hoje. Neste artigo, faz-se um relato da sua biografia, do desenvolvimento da pesquisa que lhe rendeu o prêmio Nobel e de algumas de suas outras contribuições para a ciência e à humanidade. A descoberta de Jauregg, mais do que à felicidade do acaso, deveu-se ao acúmulo das contribuições históricas da ciência que o autor conseguiu associar às observações derivadas de sua própria pesquisa . 
 
PALAVRAS-CHAVES: Julius Wagner-Jauregg, Prêmio Nobel, malarioterapia, dementia paralytica.
 
ABSTRACT
The Austrian psychiatrist Julius Wagner-Jauregg was the winner of the 1927 Nobel Prize of Medicine and Phisiology for the development of malaria therapy, therapeutic inoculation of the patological agent of malaria for treatment of dementia paralytica, a decurrent disease of advanced syphilis, very ordinary in the beginning of XX century. The discovery of malaria therapy had great repercussions that time and constituted the first shock treatment to control a disease, incurabel until then. It justifies the interest that the life and work of Julius Wagner-Jauregg continue to estimulate until today. In this article, we do a summary about his biography, the development of the research that lead him to win the Nobel Prize and other contributions for science and humanity. Jauregg’s discovery was due to the union of historical contributions of science that the author associated to observations of his own research. 
 
KEYWORDS: Julius Wagner-Jauregg, Nobel Prize, malaria therapy, dementia paralytica.
 
INTRODUÇÃO
O Prêmio Nobel foi criado em 1896 por Alfred Nobel, um milionário da indústria de explosivos, para laurear pessoas que se destacassem nas áreas de Física, Química, Literatura, Ciências Econômicas, Medicina e Fisiologia e na promoção da paz mundial. 
Julius Wagner-Jauregg foi o primeiro psiquiatra a ganhar o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia, em 1927, pelo desenvolvimento da malarioterapia como tratamento da dementia paralytica, estágio avançado de sífilis, que leva a psicose, degeneração progressiva e paralisia geral. A malarioterapia teve grandes repercussões no inicio do século XX, devido à inexistência de tratamento adequado e efetivo para as psicoses.  Atualmente, este tratamento não é mais utilizado em virtude de o diagnóstico precoce e o tratamento em fase também precoce da sífilis impedir a sua evolução. 
A vida e a obra de Wagner-Jauregg e a de outros ganhadores do Prêmio Nobel, tem despertado, nos acadêmicos, um interesse pela história da medicina e um reconhecimento da importância do desenvolvimento de pesquisas e tem sido também um importante estímulo, à realização de trabalhos científicos que possam contribuir para avanços na área médica.
O presente artigo tem a finalidade de apresentar a trajetória de vida de Julius Wagner-Jauregg, destacado pesquisador, e realçar algumas de suas contribuições para a ciência médica e para a humanidade. 
 
DESENVOLVIMENTO
Biografia
Julius Wagner nasceu no dia sete de março de 1857, em Wels, Oberösterreich, na Áustria.  Foi o segundo, de quatro filhos, de Ludovika e Adolf Johann Wagner. Após a morte de sua mãe, em 1867, suas irmãs foram para um monastério, enquanto ele, seu irmão e seu pai mudaram-se para Krems, em Nieder-Österreich. Em 1872, seu pai foi transferido para o Departamento de Finanças em Viena, onde formou-se com distinção no colégio Schottengymnasium e, em seguida, iniciou seus estudos em medicina na Universidade de Viena, em outubro de 1874.1   A medicina, no entanto, não era tradição na sua família. E, embora seu pai desejasse que fizesse filosofia, em virtude de o curso ser de menor duração e oferecer boas perspectivas de trabalho como professor, assim mesmo apoiou a escolha do filho.1
A Universidade de Viena era referência mundial em medicina e contava com  profissionais de renome. Durante a faculdade, prestou serviço militar e, enquanto estudante, trabalhou no Instituto Geral de Patologia Experimental sob a orientação de Salomon Stricker. Antes de sua avaliação final, publicou dois artigos.  O primeiro deles, publicado em março de 1878,  abordava a função dos nervos estimulantes cardíacos, , e o segundo sobre as atividades respiratórias do nervo vago, publicado em 1879. Em 14 de julho de 1880, dia da queda da Bastilha, obteve seu doutorado pela Universidade de Viena.1 
Em 1881, quando era assistente de Stricker no Instituto de Patologia, conheceu Sigmund Freud, com quem estabeleceu uma amizade que durou praticamente toda a vida1. Julius Wagner saiu do instituto em 1882.2,3
A especialidade preferida dele era a de medicina interna e por algum tempo teve esperanças em obter o cargo de assistente na clínica administrada por Heinrich von Bamberger, que o fez escrever um artigo sobre doenças e funções do rim. Porém, descordou dos resultados que Bamberger iria apresentar e acabou publicando anonimamente um artigo com os resultados que obteve. Assim, não conseguiu a posição na clínica. Em seguida, tentou uma vaga em outro local, sem sucesso.1
Após essas tentativas, alguns amigos o aconselharam a candidatar-se a  uma vaga de assistente na Clínica Psiquiátrica, dirgida por Max von Leidesdorf, em Viena. No dia seguinte, Julius foi conversar com Leidesdorf, apesar de nunca ter considerado a possibilidade de se tornar psiquiatra e não ter praticamente nenhuma experiência na área.3 Então, em outubro de 1882 comprou um livro de psiquiatria e em dezembro começou a trabalhar na clínica, sendo oficializado no cargo em janeiro do ano seguinte.1
Em 1883, seu pai, um pouco antes de aposentar-se, ganhou o título de Ritter, por ter servido o Império Germânico, e adicionou o nome Ritter von Jauregg, sendo este último uma adaptação do sobrenome de solteira de sua mãe. No entanto, após o final da Primeira Guerra Mundial, os austríacos perderam seus títulos, mas, Julius Wagner Ritter von Jauregg ganhou permissão para usar o nome Wagner-Jauregg.1
Em 1885, incentivado por Liedesdorf, Jauregg tornou-se Privatdozent em neurologia e, dois anos mais tarde, também se tornou Privatdozent em psiquiatria para tentar um cargo acadêmico. Neste mesmo ano, Liedesdorf sofreu um grave infarto e pelos dois anos seguintes, Jauregg assumiu suas aulas e a direção da clínica.1
Em 1889, foi nomeado Professor Extraordinário da Faculdade de Medicina da Universidade de Graz como sucessor de Krafft-Ebing e Diretor da Clínica Neuro-Psiquiátrica de Graz.1, 3 Em 1893, Jauregg também se tornou Professor Extraordinário de Psiquiatria e Doenças Nervosas da Universidade de Viena e Diretor da Clínica de Psiquiatria e Doenças Nervosas de Viena.3
Publicou inúmeros trabalhos, entre eles: Myxödem und Kretinismus (1912); Lehrbuch der Organotherapie (1914); Verhütung und Behandlung der Progressivem Paralyse durch Impfmalaria (1931) – “Prevenção e tratamento da paralisia progressiva por inoculação de malária”, sendo esta a sua principal publicação.3  Também, dedicou-se à medicina forense e aos aspectos legais da insanidade. Ajudou a formular as leis de proteção à doentes mentais.1,3 Em reconhecimento ao seu trabalho na medicina forense, recebeu o diploma de Doutor em Direito.3 Além disso, Jauregg tornou-se membro honorário em inúmeras instituições científicas de diversos países.3 
Foi processado por maus tratos a soldados durante a Primeira Guerra Mundial. Durante este processo, Freud depôs contra Jauregg, o que ocasionou o rompimento definitivo  dos laços de amizade entre ambos.  No final do processo, Jauregg foi absolvido.1
Casou-se com Ana Koch, com quem teve dois filhos: Julia, nascida em 1900, e Theodor, nascido em 1903.3 Após aposentar-se, em 1928, Jauregg ainda publicou mais 80 trabalhos, gozou de boa saúde e permaneceu ativo até sua morte em 27 de setembro de 1940.3 Alguns anos após a sua morte, soube-se que Jauregg era nazista e tinha apoiado o programa de raça pura de Hitler. Este fato chocou a Áustria, país que o havia homenageado dando seu nome a escolas, ruas e hospitais.1
 
O interesse pela tireóide 
Ainda na clínica em Viena, Jauregg começou a relacionar bócio e cretinismo. A partir daí, motivou-se a realizar experimentos com animais. Em 1884, ao retirar a glândula tireóide de alguns gatos, observou que, após alguns dias, eles morriam.1
Como a cidade de Graz, capital da província de Styria, era conhecida por ter altos índices de bócio e cretinismo, Jauregg começou a investigar, por volta de 1892, o papel da tireóide nestas doenças através de uma pesquisa em três áreas endêmicas da província, instituindo um tratamento com iodo e observando seus efeitos.1
Em 1898, convenceu-se de que a ingesta regular de pequenas quantidades de iodo era profilática contra bócio e cretinismo e propôs que iodo deveria ser adicionado ao sal vendido em áreas onde o bócio era endêmico. Essa medida foi colocada em prática pelo governo austríaco em 1923, alguns anos depois de a Suíça ter tomado medidas semelhantes.1,5
 
O início de estudos do uso da febre como terapia
Foi enquanto membro da equipe de psiquiatria da Universidade de Viena (1883-1889), trabalhando na Clínica Psiquiátrica, que Jauregg notou que pessoas que sofriam de certos distúrbios nervosos apresentavam uma melhora significativa no estado mental após contrair doenças febris, como tifo e erisipela.1  O primeiro contato com este fato foi com uma paciente da clínica que, em 1883, logo após ter contraído erisipela recuperou-se de uma grave doença mental.4
Em 1887, Jauregg publicou um artigo sobre “O efeito de doenças febris em psicoses”, uma revisão de literatura e relato de casos de sua própria experiência. Neste trabalho, observou que erisipela era a doença mais efetiva no tratamento de psicoses, seguida por febres intermitentes.4
A partir daí, começou a especular se seria justificável gerar febre como terapia para psicoses. Ele achava que, embora as evidências fossem insuficientes, havia motivos para continuar suas pesquisas. Assim, seria necessário coletar dados estatísticos de efeitos de infecções de ocorrência natural em pacientes com distúrbios mentais. As doenças que prejudicavam o paciente e não podiam ser controladas e aquelas que não podiam ser provocadas artificialmente deveriam ser excluídas do uso terapêutico. Desta maneira, sobraram febres intermitentes e erisipela. A primeira poderia ser tratada com quinino e a segunda era considerada uma doença benigna.4
Ao retomar seus estudos, Wagner-Jauregg concluiu que psicoses poderiam ser curadas com febre. Conseqüentemente, era necessário estudar as condições em que isto acontecia. Então, ele continuou suas pesquisas experimentais e teóricas. No inverno de 1888/89, inoculou uma cultura de estreptococos causadores de erisipelas em diversos pacientes, mas obteve resultados negativos, o que o deixou muito decepcionado fazendo-o abandonar os experimentos e somente resumiu-os em 1890.4
 
Tentativas com o uso da tuberculina
Um de seus colegas, Theodor Escherich, conhecido pediatra, deu a Wagner-Jauregg uma garrafa de tuberculina, descoberta naquele ano (1890) por Robert Koch. Essa substância possibilitava a continuação de seus experimentos de modo seguro, já que, através dela, podia-se produzir artificialmente os efeitos de infecção bacteriana, sobretudo febre, sem os perigos de uma verdadeira infecção bacteriana. Durante o inverno de 1890/91 ele tratou alguns pacientes e obteve resultados favoráveis. Entretanto, abandonou os experimentos por algum tempo, pois o processo de cura com tuberculina era muito lento  e também só eram admitidos, na Clínica Psiquiátrica de Graz, os casos agudos e os pacientes permaneciam por pouco tempo. Além disso, em suas “Memórias” confessou que apesar dos bons resultados, ele não continuou os experimentos por causa de reportagens alarmantes que subestimavam o uso terapêutico de tuberculina e, em decorrência de seu uso, aconteceram algumas mortes.4   Mais tarde, retomou os experimentos com tuberculina, mas associada a outros tratamentos. Obteve resultados positivos, porém não conseguiu a eficácia desejada.4 
 
Bases para o desenvolvimento da malarioterapia 
Jauregg não foi o primeiro a correlacionar febre com doenças mentais. Hipócrates observou que as convulsões induzidas por malária em pacientes insanos eram capazes de curá-los. Posteriormente, na Idade Média, alguns médicos notaram os mesmos fenômenos após um grave surto de febre, tal como ocorreu durante epidemias de cólera em asilos para doentes mentais. Em 1786, um médico chamado Roess observou que pacientes mentais melhoravam após a inoculação com vacina contra a varíola.6 
Aparentemente, o primeiro médico a induzir uma doença infecciosa em pacientes mentais foi o psiquiatra Alexander S. Rosemblum, em um hospital psiquiátrico em Odessa, Rússia. Naquela época, quase nada se sabia a respeito de Rosemblum no Ocidente. Este psiquiatra publicou, em 1876/77, um artigo original intitulado “Relação de doenças febris e psicoses”, onde analisou dados de literatura e contabilizou os benefícios e os efeitos curativos da malária, febre tifóide e de febres recorrentes em psicoses da sua própria observação. Ele estudou 22 casos de pacientes psiquiátricos, dos quais 11 foram completamente curados após um episódio de febre recorrente, 3 foram parcialmente curados e 8 permaneceram com o quadro inalterado.4 
Sua descoberta sobre o tratamento com febre também se baseou em descobertas revolucionárias da microbiologia, através da qual descobriu-se, em 1885, que a malária era transmitida por um mosquito (Anopheles). Em 1905, foi descoberto o agente patológico da sífilis (Treponema pallidum) e também que febres altas eram capazes de matar os espiroquetas que causavam sífilis. No ano seguinte, Wasserman descobriu um teste sorológico para a sífilis (usado até hoje) que permitia a detecção precoce da doença. E, em 1913, foi provado, por Wasserman e Noguchi, que a dementia paralytica era mesmo causada por uma infecção do sistema nervoso central, desencadeada pela sífilis.6
 
Malarioterapia
Apesar de já ter sugerido a produção artificial de malária para tratar psicoses em 1887, Jauregg só retomou a idéia em junho de 1917 (em Viena), quando seu colega, Alfred Fuchs, o procurou para saber se dava ou não quinino a um soldado ferido que tinha chegado ao hospital com um pequeno dano nos nervos e crises de febre acompanhadas de tremores. Imediatamente lhe ocorreu a idéia de inocular pacientes com dementia paralytica com o sangue do paciente malárico. Portanto, respondeu que não e explicou a Fuchs o que pretendia fazer.4 
Em 14 de junho de 1917, ele tirou sangue da veia do soldado durante uma crise de febre e inoculou em dois pacientes paralíticos. Então, ocorreu-lhe que poderia haver mosquitos Anopheles na área da clínica e a malária poderia se espalhar. Assim, pediu a um de seus pacientes neuróticos, que ainda podia fazer tarefas simples, para que coletasse tantos borrachudos quantos ele conseguisse para que fossem examinados. Aliviado por não ter encontrado nenhum Anopheles dentre eles, o pesquisador tirou mais duas amostras de sangue do soldado e injetou no subcutâneo do dorso de três pacientes paralíticos e com o sangue de um paciente deste grupo, inoculou mais dois pacientes. Em todos estes casos foi microscopicamente confirmada a presença de plasmodium no sangue.4  Dos nove pacientes, um morreu enquanto Jauregg esteve ausente (em uma comissão médico-científica) e dois foram enviados para o asilo psiquiátrico meses depois do tratamento. Os seis restantes apresentaram melhoras consideráveis, embora dois destes tenham tido reincidência.4
Após estes experimentos, Jauregg realizou um estudo comparativo entre pacientes que foram submetidos apenas a malarioterapia e pacientes que, além da malarioterapia, receberam tratamento subseqüente com neosalvarsan. Os pacientes do segundo grupo apresentaram 48,5% de remissão total da doença contra 25% no primeiro grupo. Assim, Jauregg concluiu que o tratamento associado era mais efetivo.3  Neste tratamento associado, ele administrou, depois de oito episódios de febre, 1g de quinino bisulfato por dia durante três dias e 0.5g diariamente por mais quatorze dias. Em todos os casos a febre baixava já nas primeiras doses. Além disso, os pacientes recebiam injeções intravenosas de Neosalvarsan em intervalos semanais.4 
Não se pode esquecer que a proteção dos pacientes contra o mosquito Anopheles tornou-se necessária devido ao risco de gerar uma epidemia de malária. Por isso, os pacientes eram mantidos sob mosquiteiros durante todo o tratamento.3
Como Jauregg queria continuar suas pesquisas com malarioterapia e não tinha mais pacientes com malária na clínica, aproximou-se de um especialista em medicina interna que trabalhava em um hospital militar onde havia vários pacientes com a doença, para conseguir sangue de um caso confirmado de malária. Infelizmente, Jauregg não examinou microscopicamente a amostra recebida porque temia que qualquer demora poderia afetar a natureza infecciosa do sangue; e imediatamente injetou em um paciente paralítico. Quando a temperatura deste subiu, ele retirou um pouco sangue para injetar em outros três pacientes. O primeiro ficou seriamente doente; a febre não cessava apesar das grandes quantidades de quinino usadas. A análise do sangue mostrou que praticamente todas as suas células sangüíneas estavam cobertas de plasmodium. O número de glóbulos vermelhos decresceu assustadoramente e seus leucócitos desapareceram. Estava claro que era um tipo maligno de malária – malaria tropica. O paciente morreu após 31 dias, assim como outros dois. O único sobrevivente recebeu altas doses de quinino e Neosalvarsan durante 45 dias; sua paralisia foi curada completamente. Entretanto, este fato desencorajou Wagner-Jauregg a continuar seus experimentos por algum tempo.4
Em setembro de 1919, um ano antes de Jauregg retomar suas pesquisas, o bacteriologista R. Doerr procurou-o pois havia encontrado um caso de malária terçã confirmada. Doerr não estava preocupado com os pacientes paralíticos, no entanto precisava realizar experiências com vacina contra malária. A seu pedido três pacientes foram injetados com diferentes concentrações de sangue do paciente malárico. Mas os resultados não foram de acordo com suas expectativas.4 Dos pacientes paralíticos que receberam sangue contaminado com malária, foram retiradas amostras para inoculação da doença em outros pacientes. A partir daí, a malarioterapia para dementia paralytica foi usada em larga escala na Clínica Psiquiátrica de Viena.4
É importante ressaltar que a melhora da saúde mental e física dos pacientes não necessariamente acontecia imediatamente após o tratamento. Pelo contrário, levava até seis a doze meses para que o paciente voltasse as suas ocupações normais.3
Além disso, o resultado do tratamento dependia muito do estágio da doença. Quanto antes, melhor. Isto foi comprovado em um estudo onde Jauregg tratou pacientes em estágio inicial e com bom prognóstico. Dentre estes casos, 84.8% tiveram uma remissão completa e 12.1%, remissão parcial da doença.3
Tais resultados levaram a formulação de uma outra hipótese sobre a validade deaplicar-se o tratamento em pacientes sifilíticos em risco de ter dementia paralytica, ou seja, naqueles que tinham reação positiva do líquido cefalorraquidiano para espiroquetas. Sim. De acordo com outro estudo, um tratamento com malária, precedido e sucedido por tratamento com neosalvarsan, trazia bons resultados na medida em que eliminava os espiroquetas do líquido cefalorraquidiano dos pacientes.3
O desenvolvimento da malarioterapia teve repercussões mundiais, pois trouxe grandes avanços para a medicina, revolucionando os tratamentos psiquiátricos. Por esse tratamento inovador, Jauregg ganhou o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1927.  A descoberta abriu caminho para o desenvolvimento de outros tratamentos de psicoses através de choques, como: choque insulínico, convulsões químicas e choque eletro-convulsivo.6 
Apesar de sua grande importância, no contexto da época, o tratamento desenvolvido por Wagner-Jauregg está atualmente ultrapassado devido à raríssima incidência de dementia paralytica e a introdução de tratamento farmacológico com antibióticos.
 
CONCLUSÃO
O Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1927, concedido ao psiquiatra austríaco Julius Wagner-Jauregg, salientou a importância do desenvolvimento da malarioterapia para o tratamento da dementia paralytica, doença decorrente de sífilis avançada. 
A malarioterapia revolucionou a compreensão e o tratamento de doenças mentais nas primeiras décadas do século XX,. Até então, pessoas com este tipo de doença simplesmente ficavam em asilos psiquiátricos, onde recebiam apenas alguns cuidados simples e, algumas vezes, apoio social, sem acesso a nenhuma terapia efetiva. 5
Ficou evidenciado que o trabalho de Jauregg não foi uma descoberta casual, mas sim, uma interação de inúmeras idéias e trabalhos realizados por diversos outros pesquisadores em diferentes épocas da história, que, somados aos acontecimentos da época vividos por Jauregg e à suas pesquisas – observacionais e experimentais, culminaram na descoberta de um tratamento inovador para doenças mentais que não está sendo utilizado atualmente.
Dentre outras contribuições de Wagner-Jauregg para a ciência e para a humanidade, destacam-se o trabalho sobre a glândula tireóide, que levou a adição de iodo ao sal de cozinha como medida preventiva de bócio e cretinismo e as leis de proteção a doentes mentais.
As informações sobre a vida e a obra deste importante pesquisador e o incentivo proporcionado pelo Prêmio Nobel, serviram de estímulo para a busca do conhecimento e aumentaram o interesse pelo desenvolvimento de pesquisas que contribuiram para avanços significativos no mundo científico. 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1- Who named it? Julius Wagner-Jauregg. Disponível em: www.whonamedit.com/doctor.cfm/2753.html Acesso em: 17 set. 2005.
2- Só Biografias. Julius Wagner-Jauregg Disponível em: http://www.sobiografias.hpg.ig.com.br/JuliWJau.html Acesso em: 15 set. 2005.
3– Nobel Prize. Julius Wagner-Jauregg Disponível em: http://nobelprize.org/medicine/laureates/1927/index.html Acesso em: 15 set. 2005.
4- WHITROW, Magda. Wagner-Jauregg and the fever therapy. Medical History, 1990, 34: 294-310
5- Especiales Diário Médico. Julius Wagner-Jauregg. Disponível em: http:/medcine.4t.com/nobel1927.html Acesso em: 17 set. 2005.
6- SABBATINI, Renato M. E. A história da terapia por choque em psiquiatria. Disponível em:
http://www.cerebromente.org.br/n04/historia/shock.htm Acesso em:  15 set. 2005.
 
Orientadores:
Evânia Araújo
Jorge Salton
 
1928: CHARLES NICOLLE

 

Escrito por:
Sílvia Lago
Stéfanie Müller
Talvã Norberto
Resumo:
Abstract:
 
Palavras-chaves: Charles Jules Henri Nicolle, Prêmio Nobel, tifo e piolho.
 
Key words: Charler Jules Henri Nicolle, Nobel Prize, typhus and louse.
 
Introdução
 
No presente trabalho, relataremos a vida e pesquisa de Charles Jules Henri Nicolle até o momento da descoberta do parasita causador do tifo, situação que o levou a receber o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina de 1928.  Procuraremos explicitar a história e importância deste grande pesquisador da área da saúde, que com suas descobertas contribuiu para o avanço da medicina. 
 
 
Desenvolvimento:
 
Tifo:
O Tifo Epidêmico, coloquialmente referido simplesmente como Tifo, é uma doença epidêmica transmitida pelos piolhos comuns do corpo humano e causada pela bactéria Rickettsia prowazekii.
  O Tifo é uma doença distinta e não relacionada à Febre tifóide que é causada pela Salmonella. Há outras formas semelhantes ao Tifo, como Tifo endêmico causado pela R.typhi e Tifo do mato causado pela Orientia tsutsugamushi (antigamente R.tsutsugamushi).
A primeira descrição reconhecível de Tifo foi dada em 1083 na Itália. Só em 1546 é que o famoso médico de Florença, Girolamo Fracastoro (o primeiro médico a defender os germes como causa das doenças), descreveu a doença em termos científicos.
Em 1909, Charles Nicolle identificou o piolho como vetor da doença. Ganhou em 1928 o Prêmio Nobel pela sua descoberta.
  Foi Henrique da Rocha Lima em 1916 quem identificou a bactéria Rickettsia prowazekii como responsável pela doença. O nome homenageia H. T. Ricketts e Stanislaus von Prowazek, dois zoólogos que perderam as suas vidas vítimas da doença ao investigá-la em 1915 numa prisão.
O Tifo foi uma importante causa de epidemias antes da Segunda Guerra Mundial. Atingia particularmente os exércitos em campanha e as populações prisionais.
Alguns historiadores acreditam que foi o Tifo a doença misteriosa que atingiu Atenas no século de Péricles (430 aC), um evento associado ao declínio dessa grande cidade-estado.
  Uma das epidemias mais importantes foi aquela que atingiu Napoleão Bonaparte e a sua Grande Armée na sua campanha de invasão da Rússia, em 1812. Durante a retirada da suas tropas após a destruição de Moscou pelos russos, as tropas de Napoleão foram reduzidas de 600.000 a 40.000 mais devido ao Tifo e ao frio que às tropas inimigas.
Outra epidemia mortífera surgiu na Irlanda entre 1846 e 1849 durante a fome da batata , onde o Tifo se uniu à destruição de um fungo parasita dessa cultura para reduzir, pela morte e emigração, a população da ilha para menos de um terço.
As medidas higiênicas militares, hoje parte importante da disciplina de todos os exércitos, foram introduzidas pelos franceses em reação à mortalidade pelo Tifo. A obrigatoriedade de rapar a barba e cortar o cabelo rente foram medidas inicialmente introduzidas nos soldados de forma a erradicar os piolhos transportadores da infecção. Antes de se descobrir que a higiene e a limpeza das roupas reduziam as mortes por tifo, estas não eram grande preocupação para os oficiais. Devido a estas medidas, durante a primeira guerra mundial na frente ocidental quase não houve mortes de Tifo, enquanto na frente oriental, após a quebra de autoridade que se seguiu à Revolução de Outubro na Rússia Czarista, três milhões de pessoas morreram da doença.
Apesar de medidas baratas e fáceis de prevenção já serem conhecidas, os Nazistas deixaram centenas de milhares de presos nos seus campos de concentração, incluindo a maioria de Judeus, morrer da doença durante a segunda guerra.
O Tifo permanece uma ameaça as pessoas que vivem em condições anti-higiênicas e de pobreza. Enquanto houver pessoas que sejam reservatórios latentes de R. prowazekii, uma epidemia pode sobrevir. Um país com Tifo persistente é a Etiópia. Lá, a seca prolongada, a pobreza e a desnutrição contribuem para a perpetuação da doença.
 
Biografia:
 Charles Jules Henry Nicolle nasceu em 21 de setembro de 1866, na cidade de Rouen, onde seu pai era médico do hospital local. Ele recebeu de seu pai, junto com seus irmãos, ensinamentos em biologia e, após estudar no Lycée Corneille de Rouen, freqüentou a escola médica local por três anos, antes de seguir seu irmão mais velho, Maurice, que trabalhava em hospitais parisienses. (Maurice tornou-se, mais tarde, Diretor do Instituto Bacteriológico de Constantinopla e Professor do Instituto Pasteur, em Paris.)
Entretanto, Charles estudou sob orientação de A. Gombault na Faculdade de Medicina e sob a orientação de Roux no Instituto Pasteur (servindo ao mesmo tempo de demonstrador no curso de microbiologia) para completar a tese “Recherches sur la chancre mou" (Pesquisas sobre cancro mole), que lhe trouxe o título de Doutor em 1893. Ele retornou a Rouen para tornar-se membro da Faculdade de Medicina e em 1896 foi indicado como Diretor do Laboratório Bacteriológico. Permaneceu no cargo até 1903, quando foi indicado como Diretor do Instituto Pasteur de Tunis, posição em que esteve até sua morte em 1936.
Cedo em sua carreira, Nicolle trabalhou com o câncer, e em Rouen investigou a preparação de um anticorpo para a difteria. No norte da África, influenciado por ele, o Instituto de Tunis tornou-se um centro famoso mundialmente em pesquisa bacteriológica e em produção de vacinas e anticorpos para combater a mais prevalente doença infecciosa. Sua descoberta em 1909 de que o Tifo é transmitido por piolho o ajudou a diferenciar claramente a clássica epidemia de tifo transmitida pelo piolho do tifo marinho, que é transmitido ao homem pela pulga do rato. Ele também fez incalculáveis contribuições para o atual conhecimento sobre a febre de Malta, para a qual introduziu vacinações preventivas; “tick fever”, onde descobriu meios de transmissão; escarlatina, por reproduções experimentais com estreptococos; peste bovina, sarampo, gripe, por seu trabalho sobre a natureza dos vírus; tuberculose e tracoma. Ele foi responsável por introduzir várias novas técnicas e inovações em bacteriologia. Nicolle foi um dos primeiros a reconhecer as propriedades protetoras dos anticorpos convalescentes contra o tifo e o sarampo; e teve êxito na cultura de Leishmania donovani e Leishmania trópica em meios de cultura artificial. O descobrimento do mecanismo de transmissão do Tifo criou a base para a prevenção contra essa doença, durante a Primeira e Segunda Guerras.
            Nicolle escreveu importantes livros incluindo Le Destin des Maladies infectieuses; La Nature, conception et morale biologiques; Responsabilités de la Médecine, e La Destinée humaine.
Nicolle foi um associado da Academia de Medicina (l'Academie de Médecine) e ganhou o “Prix Montyon” em 1909, 1912 e 1914, além do “Prêmio de Osíris” em 1927 e da “Gold Medal” em 1928.  Foi também indicado como membro da Academia das Ciências, de Paris. Em 1932, ele foi eleito Professor na Universidade da França.
Charles Nicolle também gozou de considerável reputação como filósofo e como escritor de histórias infantis, como Le Pâtissier de Bellone, Les deux Larrons, e Les Contes de Marmouse. Jean Rostand disse que Nicolle era “um poeta e realista, um homem de sonhos e um homem de verdades”.
Nicolle casou-se com Alice Avice em 1895, e duas crianças foram fruto da união: Marcelle, nascido em 1896 e Pierre, nascido em 1898. 
Ele morreu em 28 de fevereiro de 1936.
 
Charles Nicolle e a sua descoberta:
Nicolle iniciou suas pesquisas em 1889 numa província francesa, na qual o tifo tinha desaparecido desde 1814.  No início de 1903, ele foi para a Tunísia, onde teve um contato imediato com o tifo.  As incidências de casos eram maiores nos subúrbios de Tunis.
Um dos maiores problemas no seu estudo foi o fato de o tifo ser ainda uma doença inexplorada: ninguém tinha conhecimento sobre as formas de contágio.  O campo de estudos experimentais era inexistente.  Charles se quer estava apto para concluir se, através dos debates experimentais, era possível que a doença fosse inoculada de homem para homem através do sangue.
Em junho de 1903, Charles decidiu levar a sério um estudo preliminar.  Naquele momento, detentos de uma prisão perto de Tunis estavam sendo acometidos pelo tifo.  Ele marcou uma visita com o médico responsável pelos presos, mas no dia anterior a esse encontro Nicolle  teve hemoptise e não foi.  Dois colegas seus foram, contraíram o tifo e ambos morreram.
A maioria dos médicos na Tunísia, especialmente os que trabalhavam em zonas rurais, contraíram o tifo e, aproximadamente, um terço deles morreram.  O fato de Charles ter sorte o suficiente para escapar da contaminação, apesar do contato quase que diário com doentes, era porque ele descobriu a tempo a maneira de contágio.
Um hospital em Tunis era o foco principal de suas pesquisas.  Freqüentemente Charles tinha que desviar os corpos de pacientes com tifo que estavam esperando sua admissão no hospital e caíam exaustos na porta.  Ele observou certo fenômeno no hospital, que ninguém havia ainda percebido, mas que chamou sua atenção.  Naqueles dias, doentes com tifo eram acomodados nas salas de espera dos médicos.  Antes de chegar à porta do consultório eles já haviam espalhado a doença.  Eles transmitiam o tifo para as famílias que acompanhavam eles e também para seus médicos.  Pessoas que trabalhavam na administração do hospital, os responsáveis pelas trocas de roupas e os trabalhadores da lavanderia também estavam sendo contaminados.  Apesar disso, a direção geral do hospital não admitia que os pacientes com tifo estivessem transmitindo a doença para outras pessoas.
Charles tomou essa observação como fio guia.  Ele se perguntava o que acontecia entre a entrada do hospital e o consultório e leitos e formulou o seguinte raciocínio: tiravam as roupas dos doentes, lavavam seus corpos e raspavam seus pêlos.  O agente contagioso devia ser algo que se unia ao seu corpo e suas roupas, algo que sabão e água não podiam remover.  Assim, Nicolle chegou a conclusão de que só podia ser o piolho.
Mesmo que não fosse possível reproduzir a doença em animais e, conseqüentemente, verificar a hipótese, a simples observação teria sido suficiente para demonstrar a maneira como a doença se propagava.
Felizmente, foi possível providenciar provas experimentais também.
As primeiras tentativas de transmitir o tifo em laboratório foram feitas em espécies de macacos pequenos e falharam.  Charles solicitou um chimpanzé, pensando que um antropóide seria mais suscetível à infecção do que animais de outras espécies.  No dia que o chimpanzé chegou, inoculou-se nele sangue de um doente e ele teve febre.  Inoculou-se também em um macaco (M. sinicus) o sangue coletado do chimpanzé enquanto este tinha febre, e aquele também desenvolveu febre.  Foram cultivados piolhos neste macaco, os quais foram transportados para outros macacos.  O último foi infectado e, subseqüentemente, provou estar vacinado contra um teste de vírus inoculado.
Estes experimentos decisivos não duraram muito tempo.  Nicolle reproduziu o tifo no chimpanzé em junho de 1909, em agosto ele demonstrou o papel desempenhado pelo piolho, e publicou os resultados em setembro com Charles Comte e Ernest Conseil.  Este foi o saldo de 1909.  Nos anos seguintes, ele reproduziu estudos experimentais da doença e das condições de transmissão mais detalhados.
No início das pesquisas, os únicos animais conhecidos suscetíveis à doença eram os macacos.  Todas espécies de macaco podem ser infectadas se for fornecida uma quantidade suficiente de vírus para se inocular através do peritônio.  O uso de macacos era bom por estes preservarem o vírus, mas eles eram animais caros.  Nos primeiros dois anos, estudos do tifo feitos durante as épocas de sua disseminação de homens para macacos e macacos para eles mesmos, foram satisfatórios. Logo, descobriu-se que o “guinea pig” também era suscetível à infecção, e isso fez com que, pelo terceiro ano consecutivo, se preservassem os vírus no animal.  Tornou-se mais fácil para Charles conduzir sua pesquisa independentemente de epidemias.  Do ponto de vista prático, a suscetibilidade à infecção do “guinea pig” provou ser a etapa mais útil para se seguir adiante.  Hoje, todos os laboratórios usam esse animal para preservar o vírus.
No homem o tifo se caracterizava por uma tríade de sintomas: febre, “rash” e sintomas nervosos.  Em animais, febre é o único sinal de infecção.  O fato de o vírus ser localizado mais particularmente no cérebro explica os sintomas nervosos encontrados na nossa espécie.
Charles Nicolle demonstrou as características da febre experimental.  Ela aparece após um período de incubação que nunca é menor do que cinco dias, e segue o mesmo padrão da febre “natural” no homem, mas tem uma duração menor e é menos pronunciada.  Segue-se um período de hipotermia, claramente aparente nos macacos, mas menos óbvio nos “guinea pigs”.  Nos macacos existem menos sintomas gerais e subseqüentemente há uma usual perda de peso.  No “guinea pig” a doença seria inaparente se a temperatura não fosse medida.
O vírus pode ser mantido indefinidamente injetando-o em “guinea pigs”.  Por essa razão, tecidos cerebrais proporcionam resultados mais constantes do que o sangue. 
Algumas vezes pode acontecer, especialmente quando se usa sangue, que em um grupo de “guinea pigs” inoculado com a mesma dose do mesmo produto, alguns deles não demonstrem sinais de febre.  Em primeiro lugar, Charles atribuiu esse fato a um erro técnico ou a uma resistência maior do indivíduo.  Repetidos resultados negativos impossibilitaram-no de continuar aceitando essas explicações demasiadamente simplificadas.  Animais para os quais o vírus é patogênico apresentam uma escala inteira de graus de susceptibilidade – da forma mais grave, geralmente fatal em adultos europeus, até a febre, revelada apenas pelo termômetro, no “guinea pig”, passando por todos os outros estágios intermediários: tifo do adulto nativo, tifo benigno em crianças, mais benigno ainda em macacos.  Nicolle gostaria de saber se não havia, abaixo da ligeira suscetibilidade do “guinea pig”, um grau ainda menor no qual o único sinal de infecção seria o sangue parasitado pelo vírus durante o período que animais se mostraram mais suscetíveis aos sinais característicos da febre.  Este era certamente o caso.  Charles Nicolle foi capaz de verificar esse fato em 1911.  Mais tarde ele voltou a estudar esse problema com Charles Lebailly.  Isso o conduziu a conceber o que ele chamou de infecções inaparentes.  Tifo apirético, sem sintomas, o tifo inaparente apresentado pelo “guinea pig”, é o primeiro caso descrito e o mais conhecido.
Tifo inaparente no “guinea pig” deve ser uma infecção primária do tifo, como foi o caso descoberto por Charles. Nesse caso, a causa é a inoculação de uma quantidade insuficiente de vírus para que fosse produzida febre.  Sangue de um “guinea pig” que contraiu tifo inaparente sempre produzirá tifo febril em outro “guinea pig” se for inoculada uma dose suficiente.  Com o resultado positivo dessa inoculação, Nicolle provou que de fato o primeiro “guinea pig” contraiu tifo, apesar da ausência de febre.
Verificando tifo inaparente em casos de infecção primária, tornou-se mais fácil para Charles Nicolle demonstrar a existência do tifo apirético (sem febre) em certos “guinea pigs” que foram reinoculados um tempo razoavelmente longo após contrair uma infecção primária do tifo febril (pirético).
Lebailly e Nicolle apressaram-se, então, em demonstrar que a infecção primária inaparente de tifo, a qual é  excepcionalmente inoculada em “guinea pigs”, é a única forma na qual a doença pode servir de experimento em ratos e camundongos.  Esta curiosa doença, que não apresenta sintomas, que tem um período de incubação e um período no qual o sangue provoca danos, e que confereum certo grau de imunidade, pode ser transmitida de um rato para outro.  Em duas ocasiões, Charles efetuou doze dessas tais transmissões.  Na décima segunda, tecidos cerebrais de ratos induziram tifo febril no “guinea pig”.
Este conceito novo das infecções inaparentes que Charles introduziu à patologia é, sem dúvida, a mais importante das descobertas que ele poderia ter feito. Na ausência da febre, no trabalho experimental do tifo, deve-se levar em conta a existência possível de formas inaparentes. Nós veremos que este conceito sozinho pode explicar a preservação do vírus na natureza e o reaparecimento de epidemias sazonais. Ele aplicou este conceito novo ao sarampo e a determinadas infecções do “spirochaete”, e Georges Blanc descobriu apenas a existência do dengue inaparente no homem, assim como no macaco e no “guinea pig”.
Assim a pesquisa de Charles Nicolle abriu um capítulo novo, a subpatologia, que é, sem dúvida, um campo vasto onde quase tudo remanesce por ser descoberto.
Soube-se por muito tempo que a infecção preliminar do tifo conferencia imunidade no homem em quase todos os casos e que esta imunidade dura uma vida. Charles estabeleceu que os animais de laboratório eram sujeitos a uma imunidade similar; mas demonstrou também que esta era de uma duração mais curta do que foi pensado. Embora benigno, o tifo inaparente conferencia também um determinado grau de imunidade.
Lucien Raynaud (de Argel) e E. Legrain (de Bougie) tinham usado o soro dos pacientes convalescentes do tifo pirético no tratamento do tifo. Conseil e Nicolle estabeleceram que este método não era eficaz. Na outra mão, eles demonstraram que esse soro dos pacientes convalescentes e dos animais que tinham se recuperado da doença, teve propriedades preventivas como considerável inoculação subseqüente do vírus. Depois destas descobertas, eles puderam instituir um método preventivo de encontro ao tifo, usando o soro dos convalescentes. Este método dá a proteção certa às pessoas no contato com pacientes do tifo, aos doutores e às enfermeiras. Provou ser particularmente eficaz nas pessoas, protegendo-as da contaminação por piolhos dos pacientes com tifo e que de outra maneira certamente contrairiam a doença. A imunidade conferenciada pelo soro é de duração curta, mas a inoculação pode ser repetida quando necessário.
O conhecimento das propriedades preventivas contidas no soro dos pacientes convalescentes do tifo conduziu Charles, junto com Conseil, a usar o soro feito no exame das crianças curadas do sarampo para impedir esta doença. Esta propagação do método de Tunis se espalhou por todo o mundo e conservou milhares de vidas.
Nicolle era mais ou menos bem sucedido em suas tentativas de efetuar a vacinação preventiva de encontro ao tifo usando o vírus, e em tentar produzir quantidades grandes do soro usando animais grandes.
Ele, certamente, teve sucesso em vacinar um número de povos, injetando doses muito pequenas, com casos repetidos de sangue venenoso e resultados particularmente melhores conseguidos com o tecido do cérebro do “guinea pig”. Entretanto, o método não é confiável e um elemento de perigo impossibilita toda a recomendação para generalizá-lo.
A prevenção do tifo pelo soro dos pacientes convalescentes pressupôs a  ocorrência de tal doença; além disso, a quantidade do soro fornecida por um convalescente é muito pequena. Embora útil, conseqüentemente, este método pode ser considerado somente como temporário. Se fosse possível produzir estas propriedades preventivas em um animal grande, a quantidade do soro obtida seria ilimitada e, preservando o vírus em “guinea pig”, seria assim possível produzir o soro requerido.
Nicolle tinha percebido que repetidas inoculações venenosas dos asnos não fizeram com que as propriedades preventivas apreciáveis estivessem desenvolvidas no sangue deste animal, mas ao tentar encontrar uma solução para o problema, ele tentou verificar se o asno, aparentemente resistente à doença, não poderia contrair o tifo inaparente, e ele encontrou que este era às vezes o caso. Porque o tifo inaparente não produziu nenhuma propriedade preventiva, ele esforçou-se então para produzir o tifo pirético no asno. Trabalhando primeiramente sozinho e mais tarde com Hélène Sparrow, Charles sucedeu pela inoculação intracerebral do vírus, mas somente em casos muito raros e sem poder determinar as circunstâncias necessárias para produzir resultados freqüentes. O soro do asno curado do tifo pirético possui propriedades preventivas. 
Ele era mais bem sucedido em seu estudo das circunstâncias em que a transmissão do tifo ocorre. Após claramente ter estabelecido o papel do piolho, Nicolle demonstrou o mecanismo detalhado da transmissão. Dois fatores são envolvidos: homem e piolho.
O sangue do paciente é venenoso, não somente durante a duração inteira da febre, mas também dois ou três dias antes que apareça e dois ou três dias após a temperatura cair. Durante este período inteiro, conseqüentemente, o piolho pode infectar outras pessoas através do paciente. As crianças fazem um papel importante na propagação do tifo. Conseil e Charles demonstraram que as crianças nativas, particularmente crianças muito novas, contraem uma forma benigna do tifo, às vezes leve, que pode somente ser detectado pelos resultados positivos obtidos da inoculação do sangue no macaco ou no “guinea pig”.
O papel do tifo inaparente nos casos de reinfecção é indubitavelmente mais importante. Este sozinho explica a preservação do vírus na natureza quando não há nenhuma epidemia e o reaparecimento sazonal das epidemias. Seria impossível compreender como o tifo poderia permanecer ativo se este dependesse do piolho que encontra continuamente povos diferentes para infectar. E se isto for evidente no exemplo do tifo, também é assim para o sarampo. Eles não tinham nenhuma dúvida de que haviam descoberto aqui a aplicação mais útil do conceito de infecções inaparentes.
Apenas como o único reservatório para o vírus do tifo na natureza é fornecido pelo homem, o único vetor da infecção é o piolho. A mordida do piolho não é virulenta imediatamente depois da picada. Torna-se assim somente no 7º dia que segue a infecção. No 9º e 10º dia a picada é venenosa. É conseqüentemente uma condição necessária que o vírus deva se multiplicar dentro do piolho para que se torne perigoso. Charles mostrou que esta multiplicação ocorre no intervalo digestivo e que as fezes do piolho se tornam venenosas no mesmo período que a mordida. Esta observação foi feita em 1910. Desenvolvida mais adiante, uma pesquisa mais detalhada empreendida conjuntamente com Georges Blanc em 1914, forneceu uma guia daquelas que empreenderam encontrar o organismo patogênico responsável para o tifo no intestino do piolho. Edmond Sergent (de Argel) foi o primeiro a descrever os corpos da inclusão, uma rickéttisia mais atrasada, nas fezes e nas células intestinal do piolho. Não sendo atraído à pesquisa puramente morfológica, Charles mesmo não estudou estes corpos de inclusão, significado o qual não é demonstrado claramente.
Nicolle demonstrou o fato mais importante de que o tifo pode ser transmitido através das fazes do piolho. Sujando a pele dos nativos; são inoculados facilmente riscando ou sujando os dedos, que são trazidos então no contato com o conjuntivo, que são os meios ideais da entrada para um vírus tão ativo.
Ele demonstrou finalmente que a infecção do tifo não é hereditária no piolho.
Estas observações deram forma à base da profilaxia do tifo. O pioneiro neste campo era Conseil, diretor do departamento da saúde pública em Tunis; que em três anos erradicou o tifo de uma cidade onde existiu ano após ano essa epidemia, desde o começo da história.  Em Gobert, em Cardaliaguet, e no Henry Particulares, o tifo foi eliminado das minas e das prisões e recuou aos distritos rurais remotos.  Da Tunísia o método se espalhou sobre o mundo.
Muito antes do começo da grande guerra as etapas do exame foram feitas, sob as instruções de Charles, no controle médico do instituto das tropas na África do norte. Nenhum nativo da África partiu para a Europa sem ter sido previamente examinado em busca de piolhos. Esta era a precaução, feita por todas as nações nas circunstâncias similares, que preveniram os exércitos do tifo. Embora os piolhos aparecessem e se multiplicassem nas trincheiras e se tornassem uma praga, esta foi a primeira vez na história do tifo que ele não fez parte do conjunto de uma guerra longa.
Se em 1914 nós fôssemos inconscientes da modalidade de transmissão do tifo, e se os piolhos infectados fossem importados para a Europa, a guerra não terminaria por uma vitória sangrenta. Terminaria em uma catástrofe inigualável, a mais terrível na história humana. Os soldados na parte dianteira, reservas, prisioneiros, civis, neutros mesmo, todo o resto da humanidade desmoronaria. Os homens morreriam aos milhões, como ocorrido infelizmente na Rússia.
E esta é a lição final de Charles Nicolle: o conhecimento da modalidade de transmissão do tifo ensinou ao homem que ele contém sobre sua pele um parasita, o piolho. A civilização livra-se dele. Se o homem regressar, deve permitir-se que se assemelhe a uma besta primitiva.  O piolho começa a se multiplicar outra vez e trata os homens como eles merecem, uma besta brutal.
 
Conclusão:
 
No ano de 1928, no qual Charles Jules Henri Nicolle foi laureado com o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina, a sociedade científica finalmente reconheceu a nobre importância que este cientista legou à humanidade, prevenindo-a de uma grande catástrofe epidêmica que poderia ter assolado o mundo já na Primeira Guerra Mundial.
Além de termos ampliado nosso conhecimento sobre a vida de um grande pesquisador, sobre a doença do tifo e a sua transmissão, fomos engrandecidos pela oportunidade de realizar este trabalho, na qual fomos estimulados a ampliarmos nossos conhecimentos sobre a área da pesquisa científica, o que vem somente a contribuir na nossa formação médica.
 
Bibliografia:
Nobel Prize. Disponível em: http://www.nobelprize.org. Acessado em 12 de maio de 2006.
Wikipedia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tifo. Acessado em 12 de maio de 2006.
Só Biografias. Disponível em:
http://www.sobiografias.hpg.ig.com.br/CharJule.html Acessado em 12 de maio de 2006.
 
Orientadores:
Evania Araújo
Jorge Salton
1929: EIJKMAN E HOPKINS

 

Artigo científico escrito por: 
KALSING, Rita
VILAR LAGO, Samantha 
KLITZKE, Sibele 
Faculdade de Medicina – UPF
 
RESUMO
 
O Prêmio Nobel de Medicina é atribuído anualmente pelo Instituto Karolinska da Suécia, recompensando as pessoas que se destaquem nas áreas de investigação da Medicina. No ano de 1929, foram laureados Christiaan Eijkman, higienista e patologista, formado na Military Medical Escola Médico-Militar da Universidade de Amsterdã, e Sir Frederick Gowland Hopkins, bioquímico britânico formado na University of London, por terem demonstrado a existência das vitaminas e a sua importância no balanceamento da dieta alimentar. Christiaan Eijkman descobriu a vitamina B1, graças ao seu estudo sobre a etiologia da beribéri e Sir Frederick Gowland Hopkins descobriu as vitaminas promotoras do crescimento. Através de seus experimentos, eles conseguiram abrir caminhos para uma compreensão inicial das vitaminas e do seu poder regulatório sobre as atividades do organismo. 
 
Palavras Chave: prêmio nobel, beribéri, vitamina B1, vitaminas promotoras do crescimento.
 
 
ABSTRACT
 
The Nobel Prize of Medicine is annually attributed from Karolinska Institute of Suécia, rewarding the highlight people in Medicine investigation. In 1929, Christiaan Eijkman, hygienist and patologist, graduated on Military Medical School of University of Amsterdam and Sir Frederick Gowland Hopkins, British biochemistry graduated on University of London, were recognized because they demonstrated the existence and importance of vitamins in feed diet. Christiaan Eijkman discovered B1 vitamin, thanks to his study of beriberi etiology and Sir Frederick Gowland Hopkins discovered the growth vitamins. Through your experiments, they opened up ways to a initial comprehension of vitamins and their regulate power in organism activities.
 
Key Words: Nobel Prize, beriberi, vitamin B1, growth vitamins.
 
 
INTRODUÇÃO
 
O presente trabalho consiste em uma análise bibliográfica da vida e obra dos pesquisadores Christiaan Eijkman e Sir Frederick Gowland Hopkins, condecorados com o Prêmio Nobel de 1929, em conseqüência de seus estudos sobre as vitaminas. 
O propósito deste trabalho é conhecer e compreender os métodos e resultados das pesquisas de Christiaan Eijkman e Sir Frederick Gowland Hopkins sobre as vitaminas, tendo em vista as suas numerosas aplicações na área médica. Além disso, pretende-se, com o artigo, estudar as pesquisas já realizadas em medicina e fisiologia para que se possa ter um maior entendimento das práticas médicas atuais, a fim de tornar-se um profissional ávido pela pesquisa e pela busca do conhecimento.
O estudo consiste em uma breve apresentação a respeito do Prêmio Nobel, seguida de uma análise bibliográficas de Christiaan Eijkman e Sir Frederick Gowland Hopkins juntamente com a descrição da pesquisa que os levou a serem homenageados através do prêmio.
 
DESENVOLVIMENTO
A partir do início do século XX, deu-se a criação de sucessivas premiações anuais para graduadas descobertas científicas. Tal homenagem, denominada de Prêmio Nobel, teve toda a sua construção baseada no pensamento de incentivar os profissionais da área de pesquisa na busca de novidades que tragam benefícios para a sociedade. Na 29a edição da série foi a vez de Christiaan Eijkman e Sir Frederick Gowland Hopkins serem laureados pelas suas descobertas.
Christiaan Eijkman, holandês nascido em Nijkerk, próxima a Utrecht, foi higienista e patologista. Tornou-se diretor da Medical School, Java (1888-1896) e professor na Universidade de Utrecht (1898-1928). Sétimo filho do professor Christiaan Eijkman e de Johanna Alida Pool, com apenas um ano de idade sua família mudou-se para Zaandam, onde recebeu educação básica. Entrou para a Military Medical Escola Médico-Militar da Universidade de Amsterdã (1875), onde se preparou para ser oficial-médico do exército holandês nas Índias. Foi assistente (1879-1881) do professor de fisiologia T. Place, período em que escreveu e defendeu sua tese de doutorado On Polarization of the Nerves (1883). Em seguida viajou para a Índia onde esteve em Semarang, Tjilatjap, Java, Padang, Sumatra etc. Em Tjilatjap pegou malária, doença que o obrigaria posteriormente voltar para a Europa (1885). Foi nomeado (1887) diretor do Dokter Djawa School. Casou-se (1883) com Aaltje Wigeri van Edema, da qual enviuvou (1886) e novamente casou (1888) com Bertha Julie Louise van der Kemp e tiveram um filho (1890), Pieter Hendrik, que também tornou-se médico. Também dirigiu o Geneeskundig Laboratorium (1888-1896) e tornou-se (1898) sucessor de G. Van Overbeek de Meyer como professor em Higiene e Medicina Forense, em Utrecht. Foi eleito (1907) membro da Real Academia de Ciências da Holanda, ganhou a John Scott Medal, Philadelphia, foi Foreign Associate of the National Academy of Sciences, em Washington, e também foi Honorary Fellow do Royal Sanitary Institute in London. Faleceu em Utrecht
        Christiaan Eijkman fez a descoberta da etiologia do beribéri, em 1889. 
        O beribéri era conhecido, desde antes de Cristo, na China e países do oriente. O nome beribéri, adotado na terminologia médica, provém do cingalês, língua originária da Índia e atualmente falada no Ceilão. Nessa língua, o superlativo é formado pela repetição da palavra. Beri quer dizer fraco e beri-beri, extremamente fraco. 
Também no Japão a doença acometia a população, principalmente os marinheiros. Entre 1882 e 1884 sua incidência foi reduzida na marinha japonesa melhorando a alimentação nas embarcações com a introdução de outros pratos além do arroz polido.
               No século XIX, a Indonésia era possessão holandesa e o governo holandês, preocupado com as doenças que grassavam em suas colônias, especialmente o beribéri, decidiu enviar uma Comissão para estudar in loco o beribéri. Pensava-se que se tratasse de uma doença infecciosa e por isso os membros dessa Comissão foram antes realizar um estágio em Berlim, no Laboratório de Koch, a fim de dominar as técnicas bacteriológicas em uso. Afinal, vivia-se uma época de novas e sucessivas descobertas de bactérias patogênicas, responsáveis por doenças há muito conhecidas e de causa ignorada. 
        Na Indonésia, essa Comissão encontrou-se com Christian Ejkman, que estivera anteriormente em Java e que se mostrou igualmente interessado no estudo do beribéri. Eijkman foi incorporado aos estudos sobre a doença e voltou à antiga colônia holandesa em missão oficial. Já  em 1886, os membros da Comissão desembarcaram na ilha de Java, em Batávia (hoje Jacarta, capital da Indonésia), onde desenvolveram suas pesquisas. Eles descreveram o curso clínico da doença, em especial em relação às suas manifestações neurológicas, e isolaram um micrococo que acreditaram fosse o agente infeccioso causador do beribéri.Os pesquisadores retornaram à Holanda, deixando Eijkman em Batávia para continuação das pesquisas. Ele foi indicado para diretor da Escola Médica de Java e prosseguiu suas observações sobre o beribéri.
 Enquanto Eijkman desenvolvia seus estudos, percebeu que o micrococo isolado não poderia ser o agente causal do beribéri, uma vez que não preenchia os postulados de Koch, os quais dizem respeito ao isolamento do germe, à reprodução experimental da doença por ele causada  e ao seu  reisolamento. Além disso, observou o aparecimento de uma doença no biotério do Laboratório, onde os frangos apresentavam sinais de uma polineuropatia  grave, caracterizada  por fraqueza  muscular, incapacidade  de manter-se  de pé ou de abrir as  asas,  inapetência e  finalmente morte. Chamou a essa doença polyneuritis gallinarum e considerou-a uma patologia equivalente ao beribéri. 
         De modo inesperado, as aves acometidas da doença e que ainda estavam vivas começaram a melhorar e os sintomas desapareceram completamente. A partir disso, Eijkman começou a procurar uma explicação para essa recuperação espontânea das aves e teve sua atenção despertada para a alimentação. No período de manifestação da doença, os frangos estavam sendo tratados com sobras da cozinha dos oficiais do Hospital Militar, onde se usava arroz polido da melhor qualidade. A melhora e a recuperação dos frangos havia coincidido com a mudança na ração. Afinal, houve troca de funcionários e o novo cozinheiro entendeu que era um desperdício destinar alimentos da cozinha dos oficiais para galináceos, que passaram, então, a receber alimentos de pior qualidade, inclusive arroz despolido. 
        Como contraprova de sua hipótese, Eijkamn estudou quatro grupos de frangos, dois deles acometidos pela doença e outros dois saudáveis: um dos grupos doentes foi alimentado com arroz polido e outro com arroz despolido, o mesmo se fez com os grupos que não apresentavam a doença. Os resultados obtidos por Eijkman vieram a confirmar as suas expectativas: O grupo doente alimentado com arroz despolido apresentou cura da patologia e o grupo saudável que também ingeriu arroz despolido não ficou doente. Já dos dois grupos que foram alimentados com arroz polido, o que era saudável veio a apresentar a doença e o que já era doente assim permaneceu. Desse modo, apenas os galináceos alimentados com arroz despolido vieram a apresentar polineurite.
Na etapa seguinte, Eijkman isolou da cutícula do arroz uma substância solúvel na água e no álcool, a que chamou de princípio antineurítico. Com ela não só se prevenia, como também curava a polineurite dos frangos. Desse modo, o que restava era demonstrar que a causa do beribéri humano era a mesma da polineurite das aves. 
       Nesse período, Eijkman foi informado de que em algumas prisões da colônia usava-se arroz polido e em outras arroz despolido. Os dados obtidos em 101 prisões que albergavam cerca de 300.000 presos permitiram a Eijkman concluir que a prevalência do beribéri era 300 vezes maior nas prisões que usavam o arroz polido em relação às que não o usavam. 
 Eijkman então admitiu a existência de uma toxina no arroz polido, a qual seria neutralizada pelo princípio antineurítico por ele isolado. Este foi o seu único equívoco. 
        Coube a Grijns, que sucedeu Eijkman na direção do Laboratório em Batávia, a formular a teoria de que o beribéri seria causado, não por uma toxina, mas pela carência de uma substância existente na cutícula do arroz. A natureza química desta substância foi determinada em 1911 por Casimir Funk, quem cunhou a palavra vitamina, formada do latim vita, vida + amina, por ser um fator acessório da alimentação, essencial à vida. 
        A vitamina contida na cutícula do arroz foi isolada por Jansen e Donath em 1926, que lhe deram o nome de aneurina, e finalmente sintetizada em 1936, simultânea e independentemente por Williams e Cline, nos Estados Unidos, e Andersag e Westphal, na Alemanha. Recebeu o nome de tiamina por conter enxofre em sua molécula.
No início do século XX, a nutrição animal estava sendo vista mais exclusivamente do ponto de vista das exigências de energia. As características quantitativas dos dados obtidos em pesquisas pioneiras e as condições atrativas que estes dados apareceram para fornecer uma medida real das necessidades nutricionais, induziram a um sentimento relativo ao conhecimento de que estas necessidades tinham se tornado mais adequadas e estavam se aproximando da finalidade e equilíbrio. Como um problema do fato, estes estudos calorimétricos estavam conduzindo a uma doutrina de ensino que continha erros inerentes. Um aspecto fundamental da então doutrina dominante, como por exemplo, a lei da equivalência isodinâmica entre os gêneros alimentícios, era o mais próximo da verdade, mas falhava inteiramente quando a equivalência era testada por resultados fisiológicos antes dos dados puramente físicos. A hipótese de que carboidratos e gorduras podiam substituir um ao outro indeterminadamente em uma dieta, assim como a energia total permanecia a mesma, conduzia a sérios erros na prática dietética. Mais sério na condução de erro foi a hipótese de que todas as proteínas eram de valores nutritivos iguais, e mais sério do que todos estes erros era a crença de que proteínas, carboidratos, gorduras, e materiais orgânicos adequados supriam todas as necessidades do organismo. A partir de 1912, Sir Frederick Gowland Hopkins, contrariando a então doutrina dominante, demonstrou que as dietas capazes de manter a nutrição normal por longos períodos de tempo não necessitam apenas de gorduras, proteínas e carboidratos, mas também de outros nutrientes orgânicos, aos quais chamou de substâncias acessórias.
 Frederick Gowland Hopkins, britânico, nascido em Eastbourne, East Sussex, Inglaterra, foi  bioquímico formado na University of London (1894). Ele ensinou química fisiológica no Trinity College, University of Cambridge (1899-1943), publicou importante trabalho sobre proteínas (1901), demonstrou que certos aminoácidos deveriam ser administrados através de dietas (1907) e que a vida animal dependeria da presença no organismo de uma mistura de proteínas, gorduras e carboidratos. Descobriu a importância das vitaminas (1912) que ele chamou de accessory substances, na prevenção e tratamentos de raquitismo, escorbuto, beribéri, tornando-se assim, pioneiro na demonstração da existência destas substâncias e sua importância no balanceamento na dieta alimentar. Isolou a tripeptide glutathione de tecidos vivos (1921) e mostrou sua importância no processo de oxidação em células. Nomeado cavaleiro (1925), ganhou o Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina (1929) com o higienista alemão Christiaan Eijkman, pela descoberta das vitaminas promotoras do crescimento, e faleceu em Cambridge.
Sir Frederick Hopkins descobriu as vitaminas promotoras do crescimento, as quais denominou  acessory substances, e sua importância,  sugerindo que  a carência de alguns nutrientes desconhecidos em uma dieta mamífera poderia resultar em diminuição do crescimento. Hopkins observou tal fato através de um experimento, no qual alimentou ratos jovens com uma dieta de caseína, manteiga, sacarose, amido e minerais; metade dos ratos também recebeu um pequeno suplemento diário de 2 mL de leite. Como resultado, somente aqueles que receberam leite cresceram bem, entretanto, o tratamento era interrompido depois de duas semanas; os outros ratos que não estavam recebendo leite passaram a consumi-lo, começaram a crescer normalmente, e, depois de duas semanas em um peso estacionado, ficavam sem leite e começavam a decair. Dessa forma, em 1912, Sir Frederick Hopkins sugeriu que esses acontecimentos se deviam à carência de algum nutriente orgânico não identificado, e que esse problema era análogo às doenças humanas relacionadas à dieta. Hopkins concluiu que uma dieta formada pelos elementos basais reconhecidos e que, pelo menos aparentemente, suporta a vida inteira do indivíduo, pode ainda carecer de um fator necessário para manter uma quantidade adequada de crescimento, e esse fator é o que hoje denominamos de vitamina e que na época ele chamou de substância acessória. Esta descoberta o levou à conquista do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 1929, juntamente com Christiaan Eijkman.
 
 
CONCLUSÃO
 
Através deste estudo, observou-se a importância da pesquisa na descoberta dos conhecimentos na área da medicina. Certamente o Prêmio Nobel é um incentivo para que os pesquisadores continuem a aperfeiçoar os conhecimentos da área médica. Afinal, como pode ser observado na edição de 1929 do Prêmio Nobel, foi através dos estudos de Frederick Hopkins e  Christiaan Eijkman que se proporcionou, anos mais tarde, conhecer a importância das vitaminas na composição da dieta alimentar. Desse modo, fica evidente a contribuição dos estudos laureados em 1929, uma vez que um grande número de patologias e distúrbios metabólicos se devem à carência de vitaminas ou podem ser prevenidos pelo uso dessas substâncias regulatórias. Assim, por meio dessas pesquisas, os campos de estudo da medicina foram ampliados, relacionando as doenças não apenas a agentes transmissores, mas também à dieta alimentar e às vitaminas.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia de 1929.  Disponível em: <www.nobelprize.org> Acesso em: 5 de junho de 2006.
Biografias de Sir Frederick Hopkins e  Christiaan Eijkman Disponível em <http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/FredikGo.htm     
< http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/RolNobFM_2.html>. Acesso em  12 de junho de 2006.
 
Orientadores:
Evânia Araújo
Jorge Salton
 
1930: KARL LANDSTEINER

 

Artigo escrito por:
Dornelles, Odilon L. M.
Bordin, Pedro H.
Santini, Priscila
Faculdade de Medicina UPF
 
RESUMO:
 
O presente trabalho faz parte de uma série de revisões bibliográficas sobre os pesquisadores homenageados com o Prêmio Nobel. Mais especificamente trataremos de Karl Landsteiner, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia de 1930, que nasceu em Viena em 1868, graduou-se em medicina em 1891, estudou em diversos laboratórios pra aprimorar seus conhecimentos e fez grandes descobertas nas áreas do virologia, serologia, bacterilogia, anatomia patológica, histologia e imunologia. Landsteiner, no decurso de suas pesquisas sobre a reação antígeno-anticorpo, descobriu o sistema ABO do sangue humano ,um grande feito para a sua época, que ainda repercute atualmente. 
 
Palavras-chave: Karl Landsteiner, Prêmio Nobel, antígeno-anticorpo, sistema ABO.
 
ABSTRACT:
 
The present study is part of a bibliography reviewing series about the laureate Nobel Prize searchers. Most specifically we’re gonna treat about Karl Landsteiner, Nobel Prize winner of Medicine and Physiology in 1930, whon was born in Viena at 1868, graduated in Medicine at 1891, studied in several laboratories for his knowledge improvement and made great discoveries around virology, serology, bacteriology, pathological anatomy, histology and imunology. Landsteiner, in course of his researches about antigen-antibody, discovered ABO blood system in human blood, a great deed for his time that still rebound today.
 
Keywords: Karl Landsteiner, Nobel Prize, antigen-antibody, ABO blood system.
 
INTRODUÇÃO:
 
Karl Landsteiner dedicou sua vida a pesquisas, e em razão de seu grande empenho e dedicação no estudo do sangue humano recebeu o honroso Prêmio Nobel de Medicina de 1930, deixando seu nome marcado na história. A paixão de Karl pela química, juntamente com sua compreensão biológica, o transformou no notável imunologista descobridor do sistema sangüíneo ABO, através da reação de defesa antígeno-anticorpo, ocasionada por substâncias presentes no sangue, construindo um novo caminho para a medicina, visto que contribuiu em algumas atividades do cotidiano de sua época, como na exclusão de paternidade e culpa nos crimes e, principalmente, na revolução das transfusões sangüíneas, agora procedimentos rotineiros e praticamente sem riscos. Os seus achados abrangem não só o sangue, mas também várias áreas da imunologia, bacteriologia e patologia, pois, juntamente com outros pesquisadores, estudou diversas doenças, como a sífilis, a partir da sua transferência para macacos, e a poliomielite, descobrindo que o seu causador era um vírus e a maneira de sua transmissão. Diversos foram os estudos de Landsteiner, da mesma forma que suas contribuições para a Medicina, revelando-se, portanto, grande merecedor do Prêmio Nobel e do reconhecimento de toda a sociedade.
BIOGRAFIA:
Karl Landsteiner nasceu na cidade de Viena em 14 de junho de 1868. Seu pai, Leopold Landsteiner era jornalista, e morreu quando Karl tinha apenas seis anos. Karl foi criado por sua mãe, Fanny Hess, a quem era muito apegado. Após ter saído da escola Landsteinder estudou mdicina na Universidade de Viena, graduando-se em 1891. Mesmo quando ainda era estudante já tinha começado a fazer uma pesquisa na área bioquímica, e em 1891 publicou um artigo sobre a influenciada dieta na composição do plasma sanguíneo. Para aprimorar seus conhecimentos químicos, gastou os cinco anos seguintes nos laboratórios de Hantzsch em Zurique, Emil Fischer em Wurzburg e E. Bamberger em Munich. 
Retornando a Viena, Landsteiner recomeçou seus estudos médicos no hospital geral de Viena. Em 1896, transformou-se em assistente de Máximo von Gruber no instituto de patologia. Neste tempo estava interessado nos mecanismos de imunidade e na natureza dos anticorpos. De 1898 até 1908, trabalhando, realizava 1/5 das autopsias nessa instituição. Durante esse período publicou diversos artigos, na sua maioria sobre serologia,mas também bacteriologia, virologia e anatomia patológica.
Até o ano de 1919, após vinte anos de trabalho em anatomia patológica, Landsteiner, com o auxílio de colaboradores, tinha publicado muitos artigos em seus achados na anatomia e na imunologia. Descobriu fatos novos sobre a imunologia da sífilis, adicionando-os ao conhecimento da reação de Wassermann, e descobriu os fatores imunológicos que nomeou heptens (se tornou então conhecido que as substâncias ativas nos extratos dos órgãos normais usados nesta reação eram, de fato, haptens). Fez contribuições  fundamentais a nosso conhecimento de imunoglobulinas.
Landsteiner fez contribuições numerosas a anatomia patológica, a histologia e a imunologia, que mostraram, não somente seu cuidado meticuloso na observação e a descrição, mas também a sua compreensão biológica. Seu nome, indubitavelmente, será honrado para sempre por sua descoberta de 1901, e o proeminente trabalho sobre os grupos de sangue, pelo qual lhe foi dado o prêmio Nobel para fisiologia ou a medicina em 1930.
Com 48 anos, após a morte de sua mãe, casou-se com Helena Wlasto, que lhe deu um filho, Ernest Karl que viria a ser um cirurgião largamente conhecido em Rhote Island onde praticava medicina.
No fim da primeira guerra, Viena estava devastada e a população com fome, fazendo Karl aceitar um lugar como técnico de dissecação de anatomia no R. K. Ziekenhuis,um hospital católico em Haia. Ali fazia análises clínicas de rotina à urina e ao sangue, e exames histológicos. As condições de vida na Holanda eram melhores do que na Áustria, mas Landsteiner sentia-se desapontado com sua atividade profissional e as perspectivas científicas. Por isso, em 1922, aceitou o convite de trabalho do Instituto Rockefeller em Nova Iorque mudando-se para lá com a família. Esta decisão salvou-os de morrerem numa câmara de gás nazista, alguns anos mais tarde.
Ao fim de sua vida, Landsteiner continuou a investigar grupos de sangue e a química doas antígenos e anticorpos e de outros fatores imunológicos que ocorrem no sangue. Era um de seus grandes méritos que introduziram o químico no serviço de serologia.
     Em 1939 transformou-se em professor emérito no instituto Rockefeller,mas continuou a trabalhar tão energicamente quanto antes, mantendo-se ansiosamente no trabalho com o progresso do ciência. Em 24 de Junho de 1943, teve um ataque cardíaco em seu laboratório e morreu dois dias mais tarde no hospital do instituto em que tinha feito tal distinto trabalho. 
 
PESQUISAS:
 
O prêmio Nobel de fisiologia e medicina, uma importante maneira de exaltar os grandes estudiosos que de alguma maneira revolucionaram o pensamento e as concepções da sociedade de sua época, não poderia deixar de homenagear Karl Landsteiner, o grande patologista e imunologista austríaco que tornou possível fazer transfusões sangüíneas seguras por meio de sua pesquisa sobre a aglutinação dos eritrócitos, fator da descoberta do sistema ABO, mudando totalmente a história desses processos que eram experiências arriscadas e muitas vezes mortais até o momento.
A natureza dos anticorpos começou a interessar a Landsteiner enquanto servia de assistente a Max von Gruber, no Departamento de Higiene da Universidade de Viena. O seu meticuloso cuidado na observação e na descrição, juntamente com sua grande compreensão fisiológica, possibilitou que o seu interesse nos mecanismos de imunidade e natureza dos anticorpos se tornassem na tão representativa descoberta, já no Instituto de Viena. As análises para determinar o porquê da aglutinação e formação de coágulos visíveis dos glóbulos vermelhos do sangue de algumas pessoas quando entravam em contato com o plasma ou soro de algumas outras em certas ocasiões foram feitas estudando o sangue de 22 pessoas, incluindo o seu e de cinco colaboradores de seu laboratório. Assim, em 1901, percebeu diferenças nos eritrócitos, que variavam de acordo com a presença ou ausência de algumas substâncias na membrana celular, as quais chamou de antígenos A e B, e correspondendo a esses, existem células de defesa circulantes no soro, batizadas de anticorpos anti-A e anti-B. Assim, o grupo sanguíneo A possui o antígeno A e anticorpo anti-B, o grupo B possui antígeno B e anticorpos anti-A e o grupo O não possui antígenos e possui anticorpos anti-A e anti-B. Entretanto, antígenos e anticorpos não coexistem fisiologicamente no mesmo indivíduo.
A classificação do sangue humano, feita por Landsteiner, dividiu-o em três grupos, A, B e O, na qual demonstrou que transfusões entre indivíduos do grupo A ou B não resultavam na destruição de novas células sanguíneas. A complementação para a chegar à divisão atual que tem um quarto grupo, AB, que não possui anticorpos, mas tem antígenos A e B, foi encontrada e elaborada mais tarde, em 1902, por dois discípulos seus, Alfredo Decastelo e Adriano Sturli. Assim, a compatibilidade sanguínea depende dos antígenos e anticorpos presentes no sangue, onde o tipo AB é o receptor e o O é o doador universal.
O primeiro incentivo para prestar maior atenção a esta descoberta foi provido através de von Dungern e Hiszfeld, quando em 1910 publicaram investigações sobre a transmissão hereditária dos grupos sanguíneos, tornando esse o assunto de estudos exaustivos em quase todo o mundo. Quando a importância científica da descoberta foi reconhecida, foram feitos estudos da transmissão hereditária e da ocorrência relativa dos grupos sangüíneos entre pessoas de diferentes raças, sendo que as características são passadas segundo as leis de Mendel, onde as de grupos sanguíneos A, B e AB são dominantes e, opondo-se o recessivo grupo O. Feitos os testes em diversos países, demonstrou-se nas populações os quatro grupos sanguíneos e que pertencer a um grupo sanguíneo particular é uma característica fisiológica constante no homem.
A partir da descoberta de Landsteiner novos campos para a pesquisa foram abertos, como na determinação da pureza racial, além de importantes avanços científicos no campo puramente prático, primeiramente com relação à terapia de transfusão sanguínea, identificação sanguínea e estabelecimento de paternidade. A identificação de uma mancha de sangue e a paternidade não podem ser provadas, pois não há como afirmar a quem pertencia o sangue ou quem era o pai, entretanto permitia provar que não era de um indivíduo em particular. Após a volta das transferências de sangue, agora sem os sérios riscos que acarretavam a morte de pacientes, propiciada pela descoberta, a primeira execução em grande escala das transfusões de sangue compatível ocorreu na Primeira Guerra Mundial, salvando muitas vidas.
A revolução promovida por Karl não pode ser esquecida, da mesma forma que o seu respeitável nome. O tempo e esforço colocado no estudo da tipagem sanguínea e a atenção dedicada aos eritrócitos e demais compostos presentes no sangue, juntamente com as importantes mudanças promovidas, o fazem um grande merecedor do Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia, recebido em 1930 pela descoberta dos grupos sanguíneos humanos.
Os estudos de Landsteiner abrangeram mais do que investigações sobre o sangue humano, ele também colaborou com Ernest Finger, na Clínica de Viena para doenças Venéreas e Dermatologia. Em 1905, juntamente com Finger, transferiu com sucesso a sífilis de doença venérea de humano para macacos, tendo um modelo animal no qual estudar a doença, desenvolvendo, um ano depois, técnicas para identificar e estudar os microorganismos causadores da sífilis.
Em 1908, quando uma vítima de pólio foi levada para autópsia, Landstiener pegou uma porção da coluna vertebral do menino e injetou em diversas espécies de animais, mas apenas os macacos contraíram a doença. Em Paris, local em que havia mais macacos, foi colaborar com o bacteriologista romano Constantin Levaditi do Instituto de Pasteur, onde juntos puderam identificar poliomielites a um vírus, descreveram a maneira de sua transmissão, tempo de incubação, e especularam como poderia ser neutralizado em laboratório. Em 1912, Karl disse que o desenvolvimento de uma vacina contra a pólio seria difícil, mas certamente possível.
Continuando o estudo sanguíneo, em 1927, Landsteiner e Levine descobriram dois outros antígenos no sangue humano, designados antígeno M e antígeno N, verificando que algumas pessoas apresentavam um desses antígenos enquanto outras apresentavam os dois juntos. Estabeleceram, então, outros tipos de grupos sanguíneos, além daqueles do sistema ABO – o sistema MN, composto de três fenótipos; grupo M, grupo N e grupo MN, determinados por um par de alelos sem relação de dominância entre si. Outra diferença verificada em relação ao sistema ABO, é que no plasma dos indivíduos não ocorrem naturalmente os anticorpos para esses antígenos, que são produzidos apenas quando há estímulo. A herança entre os sistemas ABO e MN são independentes, pois os pares para esses caracteres estão localizados em cromossomos diferentes.
Através de macacos Rhesus, em 1939, descobriu com Alexander Wiener outro fator do sangue, chamado de fator RH. O fator descoberto mostrou-se responsável por uma doença infantil causadora de morte, eritroblastose fetal, que acontece quando a mãe e o feto têm tipos sanguíneos incompatíveis e o filho fica ferido com os anticorpos da mãe.
Karl Landsteiner é melhor reconhecido pela identificação e caracterização dos grupos sanguíneos, mas as suas contribuições atravessaram  muitas áreas da imunologia, bacteriologia e patologia em sua carreira de quarenta anos. Landsteiner identificou os agentes responsáveis pelas reações imunes, examinou a interação antígenos e anticorpos, e estudou reações alérgicas em animais experimentais. Determinou a causa virótica de poliomielites com a pesquisa que pôs a fundação para o desenvolvimento eventual de uma vacina de pólio. Também descobriu que algumas substâncias químicas simples, quando uniu a proteínas produziu uma resposta imune. E, chegando ao fim de sua carreira, juntamente com Alexander Wiener descobriu o fator Rh, ajudando a salvar a vida de muitos fetos com seu sangue incompatível com o das mães.
 
ATUALIDADE:
 
Antes que se faça transfusão em uma pessoa, é necessário determinar o tipo sanguíneo do receptor o tipo sanguíneo do doador, para que os sangues sejam adequadamente combinados. Isso é chamado de tipagem sanguínea, e é feito da seguinte maneira: as hemácias são, primeiro, separadas do plasma e diluídas em salina. Parte delas é, então, misturada a aglutininas anti-A e outra parte a aglutininas anti-B. Após vários minutos, as misturas são observadas ao microscópio. Se as hemácias ficarem agregadas – isto é, “aglutinadas”-, sabe-se que ocorreu reação antígeno-anticorpo. 
Durante algum tempo no passado muitas pessoas tinham receio de aceitar transfusão com medo de contraírem uma doença infecto-contagiosa. Hoje, não precisamos ter este tipo de preocupação, pois o sangue colhido de um doador passa por diversos testes antes de ser transfundido em um paciente. 
Para doar sangue o indivíduo deve ter entre 18 e 60 anos, mais de 50 quilos, estar gozando de boa saúde, não ser tóxicodependente ou estar tomando certos medicamentos e realizar apenas "sexo seguro". A doação deve ser voluntária e não remunerada, como maneira de evitar a doação de sangue doente.
Também são necessários controles de qualidade necessários, não só para descartar qualquer infecção, mas também para evitar erros nas características do sangue administrado, que podem ser fatais. A OMS destaca que estão sendo registrados avanços concretos e cita o caso da China, onde a proporção de sangue doado voluntariamente passou de 45% em 2001 para 91,3% em 2004.
FUTURO:
Existe cada vez mais um saldo negativo nos bancos de sangue, um pouco por todo o mundo. Este crescente problema veio desencadear uma investigação mais aprofundada sobre novas formas de potenciar a quantidade de oxigênio que é transportado pelos glóbulos vermelhos. Para concretizar este objetivo, os laboratórios, polimerizam (processo que aumenta a quantidade absoluta do sangue, mas mantém a mesma proporção relativa dos elementos) a hemoglobina, de forma a torná-la uma molécula mais estável e protegê-la de ser excretada como desperdício pelos rins. Este sangue sintético tem a grande vantagem de poder transportar uma quantidade de oxigênio três vezes superior à do sangue normal. 
 
 
CONCLUSÃO
 
O Prêmio Nobel de Medicina cumpre ano após ano a importante missão e reconhecer e valorizar estudiosos da área, levando em conta as pesquisas fundamentais efetuadas e suas aplicações concretas na luta contra as doenças. O ganhador do prêmio de 1930, Karl Landsteiner, fez grandes contribuições para a Medicina através da descoberta dos grupos sangüíneos da espécie humana, o que permitiu explicar a incompatibilidade de sangue, amiúde observada, entre diferentes indivíduos, possibilitando a prática segura das transfusões sangüíneas e esclarecendo certos problemas de hereditariedade e antropologia. Assim, o laureado Karl Landsteiner, descobridor do sistema ABO, além de outros fatores do sangue e propriedades de algumas doenças, revolucionou as concepções e atividades da Medicina de sua época, mostrando-se, ainda hoje, um exemplo motivador de notáveis estudos.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Shück, H. et al. Nobel: o homem e seus prêmios. Rio de Janeiro: Delta, 1964.
<www.ufv.br> acesso em: 29 de maio de 2006.
<www.ajc.pt/cienciaj > acesso em: 29 de maio de 2006.
<nobelprize.org> acesso em: 29 de maio de 2006.
<novaescola.abril.uol.com>  acesso em: 29 de maio de 2006.
<www.buscabiografias.com/cgi-bin/verbio.cgi?id=3324> acesso em: 29 de maio de 2006.
<www.pbs.org/wnet/redgold/innovators/bio_landsteiner.html> acesso em: 30 de julho de 2006.
 
Orientadores:
Jorge Salton
Evânia Araújo
 
1931: WARBURG

 

Artigo cientifico escrito por:
LONDERO, Marina 
BORTOLON, Martina 
WILLE, Najara V. 
Faculdade de Medicina UPF
 
 
RESUMO
Este artigo científico tem como objetivo relatar a vida e obra de Otto Heinrich Warburg, vencedor do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1931 pela descoberta da natureza e da ação da enzima respiratória. Seu interesse especial na investigação de processos vitais através de métodos físicos e químicos conduziu as tentativas de relacionar esses processos aos fenômenos do mundo inorgânico. Bioquímico e fisiologista alemão nascido em Freiburg, em 8 de outubro de 1883, e formado nas Universidades de Berlim e Heidelberg, famoso pelas pesquisas em processos de oxidação em células vivas, particularmente em células cancerígenas, dedicou a vida às pesquisas cientificas, combinando seus conhecimentos de química com os de patologia clínica. Warburg tinha como principal meta entender a questão do consumo e transporte de oxigênio. Investigando os tumores, concluiu que as células cancerígenas não satisfazem sua necessidade de oxigênio da mesma maneira que a respiração normal, pois são capazes de viver e dividir-se sem necessidade do mesmo, por meio de simples fermentação. Quando faleceu, em 1970, Otto Warburg era considerado, por suas descobertas, o maior nome em sua área.
 
Palavras-chave: Prêmio Nobel, Otto Warburg, enzima respiratória, câncer.
 
ABSTRACT
The main point of this cientific article is to introduce Otto Heinrich Warbur’s biography, the Nobel Prize winner on Phisiology and Medicine in 1931, for his discovery of the nature and action of the respiratory enzime. His special interest in the investigation of vital process throught physical and chemical methods lent the tries to relate these process to inorganic world. German biochemestry and phisiology cientist, born in Frieburg, on october 8th , 1983, and graduated on Berlin and Heidelberg’s Universities, famous for his researchs in oxidations process on living cells, specially in cancerigenous cells, he dedicated his life to cientific researchs matching his knowledge of chemestry with clinical patology. Warburg’s main target was to understand the question of the consume and transport of oxygen. Investigating tumores, he conclued that the cancerous cells don`t fill their necessity of oxygen in the same way as normal respiration, because they are able to live and divide themselves without it, just by fermmintations. When he died, in 1970, Otto Warburg was considered by his discoveries, the greatest name in his area.
 
Keywords: Nobel Prize, Otto Warburg, respiratory enzime, cancer.
 
INTRODUÇÃO
O Prêmio Nobel é hoje o maior símbolo de reconhecimento dos meios acadêmicos  e científicos. Foi entregue pela primeira vez em 1901, e a partir de então vem homenageando e entregando quantias em dinheiro como incentivo à novas pesquisas, a cientistas que realizam trabalhos importantes à humanidade.
O ganhador do Premio Nobel de Medicina e Fisiologia do ano de 1931 foi o alemão Otto Warburg, que concluiu seus estudos de química em Berlim, sob orientação de Emil Fischer, em 1906, e cinco anos mais tarde, graduou-se em medicina. Dedicou a vida às pesquisas cientificas, combinando seus conhecimentos de química com os de patologia clínica. Demonstrou que o ferro era um elemento integrante do fermento respiratório, no qual o ferro se encontra ligado num composto semelhante à hemoglobina, estudou a fotossíntese das plantas que contem clorofila e foi o responsável pelas principais descobertas sobre o ciclo oxidativo da respiração celular.
O presente estudo tem como objetivo reunir informações sobre a vida e obra do agraciado com o Premio Nobel de Medicina e Fisiologia do ano de 1931. Contendo, portanto, a biografia do pesquisador contemplado, suas descobertas e conclusões.
 
DESENVOLVIMENTO
Otto Heinrich Warburg nasceu em 1883 no dia 08 de outubro em Freiburg, Baden. Seu pai, o físico Emil Warburg, foi presidente da Physikalische Reichsanstalt, Wirklicher geheimer Oberregierungsrat.  Otto estudou química de acordo com o grande Emil Fischer e ganhou o diploma, Doutor em química (Berlin) em 1906. Ele então estudou de acordo com von Krehl e obteve o diploma Doutor em medicina (Heidelberg), em 1911. Ele serviu no Prussian Horse Guards durante a primeira guerra mundial. Em 1918 foi nomeado Professor no instituto de Biologia Kaiser Whilhelm, onde começou suas pesquisas a respeito da respiração celular. A partir de 1931, atuou como diretor do Instituto Kaiser Wilhelm para Fisiologia Celular, uma doação da Fundação Rockefeller para o Kaiser Wilhelm Gesellschaft, fundado anos seguintes, dando seguimento a suas descobertas.
As primeiras pesquisas de Warburg com Fischer eram no campo de polipeptídeos. No Heidelberg ele trabalhou no processo de oxidação. Seu interesse especial na investigação de processos vitais por métodos físicos e químicos levou-o a relacionar estes processos com fenômenos do mundo inorgânico. Seus métodos envolveram estudos detalhados na assimilação do dióxido de carbono em plantas, o metabolismo de tumores, e os constituintes químicos da fermentação da transferência de oxigênio respiratório. Warburg nunca foi um professor, e ele sempre tem sido grandioso por suas oportunidades em devotar todo o seu tempo à pesquisa científica . Suas últimas pesquisas no instituto Kaiser Wilhelm têm conduzido à descoberta de que flavonas e nicotinamida eram os grupos ativos das enzimas transferidoras de hidrogênio. Esta, juntamente com a ferro-oxigenase descoberta anteriormente, tem dado uma completa avaliação das oxidações e reduções do mundo vivo. Por sua descoberta sobre a natureza e modo de ação da enzima respiratória, o Prêmio Nobel foi concedido a ele em 1931. Esta descoberta tem aberto novos caminhos nos campos do metabolismo celular e respiração celular. Ele tem mostrado, além de outras coisas, que células cancerosas podem viver e se desenvolver, mesmo na ausência de oxigênio.
Durante a segunda guerra mundial, teve a indicação de um segundo Prêmio Nobel, seria, assim, o único da história a ganhar tal prêmio duas vezes. Entretanto, teve que recusá-lo devido ao momento que seu país passava com a ditadura de Hitler.Após 1962, trabalhou com Dr. Carl Reich em experimentos específicos em relação ao câncer. Os dois estavão fazendo os últimos esperimentos para a publicação de um livro que mudaria a história e o tratamento do câncer, quando Otto faleceu, em 1920. Com isso, Dr. Reich não conseguiu a permição para utilizar os aparelhos e anotações de Warburg para finalizar tal pesquisa.
Em acréscimo a muitas publicações de menor natureza, Warburg é o autor de Stoffweschel der Tumoren(1926), Katalytsche Wirkungen der lebedigen Substanz(1928), Schwermetalle als Wirkungsgruppen von, Fermenten(1946), Wasserstuffübertragende Fermente(1948), Mecanismo de fotossíntese(1951), Entstehung der Krebszellen (1955), e Weiterentwicklung der zellphysiologischen Methoden(1962). Nos últimos anos ele adicionou aos problemas de seu Instituto: quimioterapia do câncer, e o mecanismo de ação dos raios-X. Na fotossíntese ele descobriu com Dean Burk a reação do I-quantum que parte o CO2, ativada pela respiração.
Otto Warburg é um membro estrangeiro da sociedade Real, Londres(1934) e um membro dos acadêmicos de Berlim, Halle, Copenhague, Roma e Índia. Ele ganhou o l’Ordre pour lê Mérite, o Grande Cruzamento e a Fita estrela e ombro de Budesrepublik. Em 1965 ele foi diplomado doutor honoris causa na Universidade de Oxford.
 
Embasamentos experimentais
Quando a dissociação fotoquímica dos componentes de ferro carbonila é medida quantitativamente utilizando luz monocromática e comparando a quantidade de energia luminosa absorvida com a quantidade de monóxido de carbono libertado, é encontrado que a lei de Einstein da equivalência fotoquímica é efetuada muito exatamente. O número de grupos FeCO libertados é igual ao número de luz quanta absorvido, e isto é independente do comprimento de onda empregado. Por exemplo, a equação da reação luminosa da monóxido de carbono piridina hemocromógeno é a dissocoação fotoquímica dos componentes de ferro carbonila podem ser usados para determinar o espectro de absorção de um componente catalítico do ferro transferidor de oxigênio. Combina a catálise do monóxido de carbono no escuro, e então anula o poder de transferência de oxigênio pelo ferro. Se isto for então exposto à luz monocromática, de vários comprimentos de ondas e de intensidade quantum medida, e o efeito da luz W medir o aumento na taxa de catálise - é encontrado que os efeitos da luz são proporcionais ao quanta absorvido. O arranjo se torna muito simples se o catalisador está presente, como é o caso comumente, em infinitamente baixas concentrações no sistema exposto. Então, a camada mais grossa relacionada à quantidade de absorção de luz pode ser considerada infinitamente fina, o número de quanta absorvido é proporcional ao número de quanta fornecido pela irradiação, e a proporção aqui, os efeitos da luz W, i.e., a taxa de aumento da catálise, e a intensidade de quantum i incidente(ambos, figuras facilmente determináveis) estão na direita, enquanto B, na esquerda, é a proporção (que está para ser determinada) do coeficiente  de luz/3, então o espectro de absorção relativo do catalisador, a posição das bandas de absorção e a proporção de intensidade das bandas pode ser estimada.
Em colaboração com Erwin Negelein, este princípio foi empregado para medir o espectro de absorção relativo da fermentação da transferência de oxigênio respiratório. A respiração das células vivas foi inibida pelo monóxido de carbono que foi misturado ao oxigênio. Nós então irradiamos com luz monocromática de vários comprimentos de ondas e de intensidade quantum medida, e o aumento da respiração medido juntamente com o espectro de absorção relativa- de acordo com Eq.(4). Praticamente só células descoloridas são adequadas para este tipo de experimento. Um pré-requisito para Eq.(4). É uma camada infinitamente fina com consideração à absorção de luz. Assim, por exemplo, células vermelhas do sangue e células verdes vegetais não são adequadas.
 
Método para determinação do espectro de absorção absoluto
A utilidade do método ainda não alcançou a determinação do espectro de absorção relativa, antes ela pode então ser elaborada para suprir o coeficiente de absorção absoluto da fermentação.
Imagine células vivas cuja respiração é inibida pelo monóxido de carbono.
Se estas forem irradiadas, a respiração não aumenta repentinamente do escuro para o valor claro, mas há um definido, embora curto, intervalo até que a combinação do monóxido de carbono com o fermento seja quebrada pela luz. Mesmo sem calcular, é óbvio que a taxa de aumento no efeito da luz pode se relacionada à profundidade da cor do fermentador.
Se o fermentador absorver fortemente, o componente monóxido de carbono será rapidamente quebrado, e vice-versa. O tempo de aumento da ação da luz pode ser mensurado. O tempo levado por uma dada intensidade de luz para causar a dissociação de aproximadamente metade do monóxido de carbono do fermento pode ser medido e, deste tempo, e da intensidade efetiva de luz, o coeficiente de absorção absoluto do fermento para todos os comprimentos de onda pode ser calculado.
A capacidade de absorção do fermento, medida de acordo com este princípio, foi encontrada como sendo da mesma ordem do poder de absorção da luz de nossos mais fortes pigmentos. Se imaginarmos uma solução de fermento de concentração molar, uma camada de 2x10-6 cm mais fina poderia enfraquecer a linha azul do mercúrio 436, pela metade. O fato de o fermento, em contrário deste, não poder ser visto nas células é devido à sua baixa concentração.
 
Espectro de absorção do fermento
Nós temos determinado os coeficientes de absorção do fermentador para regiões entre a linha ultravioleta 254, acima e a linha vermelha 660, acima. Luz monocromática de intensidade relativamente grande- 1/100 a 1/10 grama calorias por minuto- foi requerida para este propósito. Nos primeiros experimentos, em colaboração com Negelein, 16 comprimentos de onda foram avaliados. F.Kubowitz e E.Haas isolaram 15 comprimentos de ondas adicionais de intensidade e pureza suficientes, então é agora possível determinar 31 pontos do espectro da levedura. Nossa fonte de lua foi uma lâmpada de vapor de mercúrio, e uma descarga especialmente designada com um rendimento especialmente alto(Dr. Hans Boas), chama de carbono(da Siemens –Plania works), e finalmente a nova lâmpada Pirani do grupo Osram Study. Monocromadores e filtros coloridos foram usados para isolar as linhas destas fontes de luz. A tabela 1 mostra os comprimentos de ondas isolados acima do tempo apresentado, juntamente com os coeficientes de absorção absolutos do monóxido de carbono composto no fermento.
Se o coeficiente de absorção é associado como uma função do comprimento de onda, o espectro de absorção do monóxido de carbono composto no fermento é obtido, como mostrado na figura 1.
A principal banda de absorção ou banda-y fica no azul, enquanto á direita disto, ficam as bandas longas subsidiárias CL e 8 no verde e no amarelo, e, à esquerda da banda principal, ficam as bandas ultravioletas subsidiárias 6 e E. Este é o espectro de um complexo Heme, de acordo com a posição das bandas, a intensidade do estado das bandas, e a absoluta magnitude dos coeficientes de absorção.
 
Modelo da catálise Heme
É essencial ter um controle para determinar se o Heme como um catalisador da oxidação do monóxido de carbono e ácido prússico realmente se comporta como um fermentador. Se a cisteína é dissolvida em água contendo piridina, e um traço de Heme é adicionado, e isto é misturado com ar, a cisteína será cataliticamente oxidada pelo poder do transferidor de oxigênio do heme. De acordo com Krebs, a catálise é inibida pelo monóxido de carbono no escuro, mas a inibição cessa quando a mistura é iluminada. O ácido prússico também age neste modelo assim como na respiração celular, combinando com o Heme trivalente e inibindo sua redução. Assim como na vida, a inibição pelo monóxido de carbono é dependente da pressão do oxigênio, enquanto a inibição pelo ácido prússico é independente da pressão do oxigênio.
Em conjunção com Negelein, este modelo também foi usado para testar os experimentos de fermentação quantitativamente. A catálise Heme no modelo foi inibida pelo monóxido de carbono no escuro. Então a luz monocromática de intensidade quantum conhecida foi usada para irradia-lo, e o espectro de absorção do catalisador, calculado pelo efeito da luz que era conhecida na mensuração direta na substância pura. O cálculo deu o espectro de absorção do Heme que tinha sido adicionado como catalisador, e então o método foi verificado como uma técnica para a determinação do espectro de fermentação, ambos os métodos de cálculo e mensuração.
 
Bandas fermentadoras
Foi de intenção de Otto Warburg fazer uso das bandas fermentadoras de modo a determinar a constituição química do Heme fermentador. Algumas poucas observações sobre o Heme e suas bandas devem servir como uma introdução.
A altura absoluta das bandas varia de acordo com limites definidos- mesmo para uma e o mesmo Heme. A variação depende da concentração de sal, de solvente, etc. Se a altura de uma banda diminui, sua largura geralmente aumenta, enquanto que a área dentro dos limites parece permanecer constante. A altura absoluta das bandas só é significante se as dimensões estiverem harmonizadas.
A banda principal e a Banda-a do fermentador serão referidas como “bandas fermentadoras” pois o fermentador foi o primeiro onde elas foram determinadas.
 
Classificação do Heme
Hemes são os complexos de ferro que compõem as porfirinas, onde duas valências do ferro são ligadas ao nitrogênio. As porfirinas, as quais suas estruturas químicas foram determinadas por Hans Fischer, são compostos tetrapirrólicos onde os quatro núcleos pirrólicos são mantidos juntos por grupos metano interpostos na posição cr.
O verde, o vermelho, e tonalidades misturadas de Haemin são conhecidos. Se o magnésio é substituído por ferro na clorofila, Hemes verdes são obtidos. Sua coloração é devido a uma banda forte no vermelho, que já é reconhecida na clorofila.
O fermentador não absorve e não pode, contudo, ser um Heme verde. Os Hemes vermelhos são os hemes comuns no pigmento do sangue e são relacionadas substâncias, como o mesoheme e deutérioheme. O Coproheme também é um heme vermelho que é um composto de ferro da coproporfirina H.
Fischer reconheceu no corpo. Outros hemes vermelhos são pirroheme, filoheme, e rodoheme, as quais foram preparadas Willstäter por completa quebra redutiva da clorofila. As posições da banda de absorção principal e da banda-a do complexo monóxido de carbono dos hemes vermelhos são:
As bandas fermentadoras são no mínimo 13 a 20, L+ mais perto do vermelho do que das bandas hemes. Isto diz que o fermentador não é um heme vermelho.
Entre o heme verde e o vermelho estão aquelas colorações misturadas que são tão chamadas porque, em solução, mudanças muito leves na grossura de uma camada fazem ela perecer verde ou vermelha. As porfirinas correspondentes- que foram descobertas por Hans Fischer e chamadas por ele feoporfirinas- são formadas quando a clorofila é cuidadosamente reduzida com ácido hidroídico. A filoeritina é também uma feoporfirina que é formada pela redução da clorofila no canal intestinal dos ruminantes e que Lobisch e Fischer isolaram da bile oxidada. As feoporfirinas são mais relacionadas ao pigmento sangüíneo, mas como Fischer mostrou, a feoporfirina a é simplesmente mesoporfirina onde o ácido propiônico foi oxidado então o fechamento do anel com núcleos porfirínicos foi possível. A feoporfirina a é um produto da redução da clorofila a ou um produto da oxidação do pigmento sangüíneo, e conecta junto, de uma maneira simples e espantosa, os pigmentos principais do mundo orgânico, o pigmento sangüíneo e o pigmento da folha.
As bandas das feoporfirinas de Fischer são substituídas com respeito às bandas do pigmento sangüíneo para o vermelho, i.e., em direção ás bandas fermentadoras, mas não para assemelhar uma extensão e fazê-las idênticas a estas. A clorofila b tem, em geral, bandas de comprimento de ondas mais longas do que a clorofila a, e por esta razão, W.Christian e eu aplicamos o método de redução de Fischer para isto. Neste caminho nós obtivemos feoheme b, que quando ligada com proteína, corresponde ao fermentador na posição da banda principal. As bandas dos complexos de monóxido de carbono da feohemoglobina b são:
Enquanto a banda prncipal da feohemoglobina corresponde às bandas do fermentador dentro dos limites permitidos, a banda-a substiui longamente além deles porque fica muito perto do vermelho. Ela está, entretanto, interessada em quando a clorofila b estiver reduzida, ela obtém e feoporfirina cujo heme de todos os feohemes que têm sido demonstrado neste artigo, é o mais parecido com o fermentador.
Ainda mais perto do fermentador neste espectro, está um Heme que ocorre na natureza.
Este é o Heme espirógrafo, que tem sido isolado da clorocruorina, o pigmento sangüíneo do verme ciliado Spirographis, em colaboração com Negelein e Haas. As bandas do heme espirógrafo, acopladas à globina são:
Isto segue daquilo que foi dito de que a estrutura química do heme espirógrafo é importante, mas por causa da dificuldade de obter quantidades suficientes de heme analiticamente puro, e cristalizado, experimentos neste heme estão ainda incompletos. Otto Warburg trabalhou com Negelein, e foi distante encontrar que o heme espirógrafo e também a porfirina espirógrafa cristalizada (que também tem sido analisada) contém dois grupos carboxila e cinco átomos de oxigênio, e além disso, um átomo de oxigênio excedente. 
Com a hidroxilamina, este doa uma oxila e se torna então uma típica cetona-oxigênio. O heme Spirographis difere do heme vermelho pelo excesso de átomos cetona-oxigênio, e é classificado como feoheme. Como os feohemes de Fischer, o heme spirographis é intermediário entre os pigmentos da clorofila e do sangue em respeito ao grau de oxidação das cadeias laterais.
 
Formação e desaparecimento das bandas fermentadoras
Os dois hemes com um espectro maior do que aquele do fermentador- feoheme b e heme spirographis – possui uma propriedade notável. Se eles forem dissolvido sem diluente sódio-hidróxido de sódio, na forma de compostos ferrosos, a absorção das bandas percorre mais vagarosamente perto do azul, próximo às bandas do heme sangüíneo. Neste caminho, hemes de cores mistas se convertem em hemes vermelhos. Na acidificação, a mudança se reverte, as bandas sanguíneas desaparecem e as bandas fermentadoras aparecem. Este experimento mostra que a oxidação das cadeias laterais não é suficiente para dar origem às bandas fermentadoras, mas alguns processos do tipo formação de anidrido também devem ocorrer.
Esta reação, que é a base química do desenvolvimento das bandas fermentadoras, não será mais discutida aqui: somente o princípio em que o trabalho está baseado será comentado.
A física traz as bandas fermentadoras para a existência, mas a química orgânica é necessária para a identificação ou criação dessas bandas. Como Anson e Mirsky dizem, o procedimento é similar à análise espectroscópica das estrelas. De fato, a substância fermentadora – que pensavam estar tão perto deles, estava como a substância das estrelas, inacessível.
 
A origem comum da hemoglobina e da clorofila 
Se o oxigênio for passado por uma solução aquoso de heme spirographis, em temperatura ordenada, sob certas condições, o heme será oxidado.
A coloração primeiramente misturada da solução se torna verde, e uma banda semelhante àquela da clorofila aparece no vermelho em 650 u.u.. Por outro lado, se o hidrogênio for passado por uma solução de heme spirographis a 37o, na presença de paládio, o heme spirographis sofre redução na cadeia lateral e o heme semelhante àquele do sangue é formado. Este é um heme vermelho genuíno*, que não se torna uma mistura de cores quando acidificado.
O único estágio intermediário do fermentador- como o heme demonstrado por estes simples experimentos sugerem a suspeita de que o pigmento do sangue e o pigmento das folhas ambos surgiram do fermentador- pigmentos do sangue por redução e pigmentos das folhas por oxidação. Evidentemente, o fermentador surgiu antes do que a hemoglobina e a clorofila.
As investigações no fermentador da oxigênio-transferase têm sido sustentadas desde o começo pelo Notgemeinschaft der deutschen Wissenschaft e a Fundação Rockefeller, a quem sem sua ajuda elas não poderiam ter sido realizadas. Otto Warburg agradecia ambas as organizações pela colaboração.
De acordo com seu espectro e número de ácidos hidroclóricos desta porfirina, este heme lembra principalmente o mesoheme, mas tem um grupo metil na posição B. por essa razão, o heme spirogaphis (C32) contém dois átomos de carbono a menos do que o heme do sangue (C34). 
(Experimentos em colaboração com E. Negelein.)
 
CÉLULAS CANCERÍGENAS
O ATP das céelulas é derivado de duas fontes: glicõlise e fosforilação oxidativa. A Fosforilação oxidativa é característica dos organismos aeróbios e fabrica 17 vezes mais ATP por mol de glicose, do que a glicolise anaeróbia. Essas duas vias estão localizadas em compartimentos celulares diferentes, a glicolise no citoplasma e a fosforilação oxidativa na mitocôndria, porém ambas promovem a fosforilação do ADP pelo fósforo inorgânico, para gerar ATP.
Há quase 80 anos atrás, Otto Warburg enunciou uma das mais importantes teorias sobre o desenvolvimento e crescimento do câncer : impedimento respiratório.
Warburg fez duas observações experimentais e propôs uma hipótese. A primeira observação foi que na ausência de oxigênio , tanto o tecido tumoral como o tecido normal, utilizam glicose e produzem ácido lático no processo chamado de glicólise anaeróbia. Geralmente, mas não sempre, o tecido tumoral produz mais ácido lático que o tecido normal. 
A segunda observação foi que ambos os tecidos, normal e neoplásico, produzem menos ácido lático na presença de oxigênio ( glicólise aeróbia ) do que na presença de nitrogênio ( glicólise anaeróbia ). Warburg , chamou este fenômeno de Efeito Pasteur, baseado na observação do famoso cientista francês, na qual a levedura cessa a fermentação quando exposta ao oxigênio . 
Neste trabalho , Warburg utilizou 14 tipos de tecidos normais e 15 tipos diferentes de tumores sólidos, de vários animais, na ausência de oxigênio. 
Estas observações são fundamentais e de relevante importância, porém a hipótese de Warburg tem mais a ver com a intuição deste magnífico pesquisador. 
Otto detectou, juntamente com Dr. Carl Reich, que a deficiência enzimática em certos gêneros alimentícios provocava um acúmulo de hemácias em vasos pequenos que não conseguiam atravessar. Nesse local, havia enfraquecimento da parede dos vasos e baixo consumo de oxigênio, dando início a uma respirração anaeróbica que provocaria a produção de ácido no local, com posterior diminuição do pH. Esse produto permite o desenvolvimento de células cancerígenas, pois a maior parte das pessoas acometidas de câncer apresentam um pH no tecido de 4,5. Warburg também classificou essas células como desadaptadas, menos evoluídas e mais vulneráveis.
Transcrevemos aqui as palavras do prefácio do seu livro sobre metabolismo tumoral (1926): “Enquanto que as células normais morrem se forem mantidas em glicólise anaeróbia, as células tumorais não somente continuam a existir, mas são capazes de crescer a uma extensão sem limite, com a energia química proveniente da glicólise. A glicólise anaeróbia da célula tumoral é derivada em qualquer caso de um distúrbio da respiração. Como regra, a respiração da célula tumoral é pequena, mas recentemente encontrou-se tumores com respiração elevada. Seja a respiração tumoral pequena ou grande, a glicólise anaeróbia está sempre presente. A respiração está sempre perturbada e ela é incapaz de provocar o desaparecimento da fermentação ( glicólise ) . Assim os dois tipos de distúrbios da respiração que podem ser artificialmente produzidos nas células normais – limitar a extensão da respiração ou impedir o efeito da respiração – ocorrem naturalmente nos tumores. Warburg concluiu que as células tumorais possuem um distúrbio da fosforilação oxidativa mitocondrial e que são perfeitamente viáveis e se reproduzem com a energia proveniente quase que exclusivamente da glicólise.” 
 
CONCLUSÃO
O Prêmio Nobel premeia ano após ano ilustres cientistas que além de terem enorme importância na comunidade científica devido à elaboração de inovadores experimentos, ainda contribuem para incentivar novos desbravadores do conhecimento. Otto Heinrich Warburg pesquisou sobre inúmeros assuntos e fez descobertas importantes a respeito do ciclo oxidativo da respiração celular, algo que possibilitou achados essencias para a atualidade, como a descoberta do ATP. Também, detectou a diferença no consumo de oxigênio entre células normais e células cancerígenas, mostrando que todo câncer nasce em ambiente de baixa ou nenhuma oxigenação, passando a ser referência básica para pesquisas na MBA ( Medicina Biológica Alemã), que atualmente testa métodos de tratamento principalmente do câncer, mas que já está generalizada para demais doenças degenerativas, tendo como base as teorias de Otto Warburg.
 
BIBLIOGRAFIA
 
•http://nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1931/warburg-bio.html <acessado em 25 de junho>
 
•http://www.medicinacomplementar.com.br/temaAgo04.asp <acessado em 25 de junho>
 
•http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/OttoHein.html <acessado em 17 de julho>
 
•http://www.stopcancer.com/ottolecture.htm <acessado em 19 de agosto>
 
•http: www.sobiografia.com.br < acessado em 9 de junho>
 
Orientadores:
Evania Araujo
Jorge Salton
1932: SHERRINGTON e ADRIAN

 

Artigo escrito por:
BAGATINI,Luciana
RUAS,Liana
VALMORBIDA,Luana
Faculdade de Medicina/UPF
 
FOTO: SHERRINGTON
 
 
ABSTRACT
 
The objective of this article is to make a soon review about the life and about the work of two important awarded cientists with the Nobel of 1932, Sir Charles sherrington and Lord Edgar Adrian.These untired neurofisiologists were pioneers on the study of the Nervous System, in such their observations and experiments served of base to the Neurocience.
 
RESUMO
 
Este artigo tem por objetivo fazer um breve relato  da vida e do trabalho de dois importantes cientistas premiados com o nobel de 1932, sir Charles Sherrington e Lord Edgar Adrian. Esses incansáveis neurofisiologistas foram pioneiros no estudo do Sistem Nervoso, sendo suas observações e experimentos base para a neurociência.
 
 
INTRODUÇÃO
 
O prêmio Nobel tem por objetivo gratificar pessoas que fizeram pesquisas importantes, inventaram técnicas pioneiras ou deram contribuições destacadas à sociedade. Sir Charles Sherrington e Lord Edgar Adrian foram então agraciados, no ano de 1932, com o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, por “suas descobertas relativas aos neurônios”.Esses renomados cientistas foram pioneiros no estudo da neurociência, contribuindo de maneira incondicional para o desenvolvimento dessa fascinante área da medicina que permanece até hoje longe de ser totalmente esclarecida. As pesquisas de Sir Charles Sherrington proporcionaram um dos fatores mais relevantes para o funcionalismo humano. Ele descobriu a função neuronal, a partir de estudos sobre os sistemas nervoso e muscular. Para investigar propriedades gerais dos neurônios e do sistema nervoso, dedicou-se ao estudo sobre reflexo medular, determinando a reciprocidade da inervação, a qual consiste em dizer que para todo nervo ativado no músculo, existe um correspondente inibitório antagonista ao músculo e ao estímulo. Lord Adrian, por sua vez, partiu do conhecimento de que os órgãos do sentido respondem a determinadas mudanças em seu ambiente emitindo mensagens ou sinais ao sistema nervoso central. Esses sinais viajam rapidamente sobre as linhas longas do protoplasma dando forma às fibras sensoriais do nervo, e, então, sinais frescos são emitidos para fora pelas fibras do nervo motor para despertar a contração nos músculos apropriados. Mas, a indagação a respeito de que tipo de sinais são esses, e como eles são elaborados nos mesmos órgãos e pilhas do nervo, o levaram à elaboração dos mais variados estudos que  culminaram, juntamente com Sherrington, no ganho do Prêmio Nobel.
 
 
DESENVOLVIMENTO
 
Sir.Charles Scott Sherrington
 
       
Charles Scott Sherrington nasceu em Islington, Londres, no dia 27 de novembro de 1857.Seu pai faleceu quando ainda era pequeno e sua mãe, então, casou-se com um notável arqueologista que, sem dúvida, o influenciou bastante. Em 1876 iniciou seus estudos no Royal College of Surgeons e, em 1879, tornou-se “fellowship” dessa instituição. Também nesse ano, estudou fisiologia em Cambridge com Michael Foster e entrou no Gonville and Caius College .Em 1881, após freqüentar um congresso em Londres, no qual discutia-se o funcionamento dos nervos, Sherrington iniciou seus estudos na neurociência. Acompanhando renomados pesquisadores da época, estudou o efeito de incisões de partes do córtex cerebral de macacos e cachorros. Em 1884, obteve seu M.R.C.S. e, em 1885, um primeiro lugar em Ciências Naturais com distinção em Cambridge. Nesse ano, como um membro do comitê da Associação para Pesquisa em Medicina, foi para a Espanha estudar uma eclosão de cólera e, em 1886, passou um ano com Robert Kock fazendo pesquisas em bacteriologia. Seu aspecto físico, de um homem saudável, não muito alto e com uma constituição física forte, o ajudou a seguir com extensas pesquisas.
Em 1887, foi eleito “fellow” do Gonville and Caius College em Cambridge e, em 1891, influenciado por neurologistas espanhóis, começou a estudar a medula espinhal, o suplemento nervoso dos músculos e os problemas envolvendo os reflexos espinhais, publicando muitos trabalhos sobre esses assuntos. Casou-se, em 1892, com Ethel Mary. No período de 1893 a 1897, estudou a distribuição dos dermátonos e fez a importante descoberta de que aproximadamente um terço do suplemento das fibras nervosas de um músculo são aferentes (sensitivas), sendo o restante delas motoras (eferentes).A partir de 1895, Sir. Sherrington dedicou-se mais ao estudo da inervação de músculos antagonistas e mostrou que a inibição do reflexo de um sobre o outro é uma importante parte da ação conjunta desses músculos. Também, paralelamente a isso, estudou a conexão entre o cérebro e a medula espinhal, através do trato piramidal.
Ao pesquisar propriedades gerais dos neurônios e do sistema nervoso, Sherrington norteou seus estudos acerca de reflexos provenientes da substância cinzenta da extremidade espinal. A partir de então, determinou a “reciprocidade da inervação”. Nisso consiste a tese de que para todo estímulo muscular nervoso excitatório, há um estímulo muscular inibitório correspondente. Demonstra-se que a atuação de tal efeito inibitório assume uma postura coordenativa no que tange o reflexo espinhal. Ao agir proporcionalmente ao efeito excitatório, acaba por exercer uma função moderadora sobre esse. Essa reciprocidade da inervação também se relaciona à intensidade do estímulo. Dessa forma, um estímulo fraco provoca um relaxamento inibitório fraco, junto a uma contração excitatória fraca no músculo antagonista. Já um estímulo forte provoca um relaxamento maior e mais rápido, acompanhado de uma contração maior e mais acelerada no antagonista.
Quando ocorre um reflexo de contração, a excitação exibe uma tensão proporcional ao número de unidades motoras – nervos e fibras musculares referentes – acopladas. A contração máxima para o reflexo muscular contrátil somente será alcançada quando todas as unidades motoras que compõe o músculo são ativadas. Porém, a estimulação de cada unidade motora segue o princípio do “tudo ou nada”, o qual determina um limiar de excitabilidade para que o estímulo seja efetivado. Por isso, tanto uma sinapse de excitação, quanto uma de inibição só ratificar-se-ão se atingirem esse limiar de excitabilidade. Conquanto, torna-se válido observar que os estímulos individuais sublimiares podem vir a se manifestar, pois eles podem agir adicionalmente, sob soma algébrica, tornando-se, assim, supralimiares.  Para analisar estímulos inibitórios, parte-se dos estímulos excitatórios concomitantes, servindo, assim, como um teste quantitativo para os reflexos inibitórios. Sua taxa de intensidade depende da intensidade de contração exercida, podendo, então, retardar ou suprimir o reflexo de contração e, conseqüentemente, de tensão do músculo. O reflexo inibitório ocorre a partir da interação de interneurônios com motoneurônios.
A fim de abolir ou retardar a ação do reflexo inibitório, mostra-se à ocorrência de reflexos de contração sucessivos, estímulos excitatórios intercalados que se sobrepõe pra neutralizar o estímulo antagônico. A recíproca também é verdadeira. Dessa forma, a inativação mútua é quantitativa, ocorrendo no neurônio individual uma soma algébrica dos valores das duas influências opostas. Vale observar que cada unidade motora recebe efeitos, excitatórios e inibitórios, individualmente, por isso, um efeito pode sobrepor-se ao outro.  Essencialmente, referindo-se a excitação nervosa, consiste na despolarização local da membrana da célula na superfície do neurônio, ocorrendo um potencial graduado e, posteriormente, se atingir o limiar de excitabilidade, um potencial de ação.
Assim, em casos de doenças ou traumas, onde ocorre lesão de algum neurônio de projeção, o qual provocaria excitação do músculo, a ação inibitória mostra-se duplicada, podendo causar plegia ou parestesia no membro lesado. Dessa forma, já não mais se considera o reflexo inibitório meramente um fator de antagonismo à ação muscular, mas sim, assumindo um papel de coordenação do reflexo excitatório, ajustando a intensidade de contração, demonstrando, assim, mais uma das compensações notáveis do corpo humano.
Para relatar os resultados de seus estudos, publicou, em 1906, seu mais conhecido livro “Ação integrada do Sistema Nervoso” e, em 1913, tornou-se professor de Fisiologia de Oxford, um cargo que há anos almejava e que manteve até sua aposentadoria em 1936. Já durante a 1° Guerra Mundial, foi presidente de uma indústria de bombas em Birmingham, num turno diário de 13 horas durante a semana e 9 horas aos domingos, o que, na idade de 57 anos, não o cansou. Em 1919, publicou “Fisiologia dos mamíferos: um curso de exercícios práticos”. 
Homem da ciência, mas também sensível à arte e à poesia, em 1925 publicou um livro de versos, mostrando ao público seu lado mais sensitivo às artes. Em 1940, publicou seu maior livro, ”Homem na sua Natureza”, que, utilizando-se de um ponto de vista filosófico, trata sobre os ideais e a vida do médico francês do séc. XVI, Jean Fernel, associado aos seus próprios pontos de vista. Em 1946, publica outro livro sobre esse médico, intitulado “O empenho de Jean Fernel”.Seu trabalho foi reconhecido ao longo de sua vida, sendo homenageado por várias importantes universidades da Europa e da América do Norte. Foi eleito “fellow” da Sociedade Real de Londres em 1893, premiado com a medalha real em 1905 e com a medalha “Copley” em 1927. Em 1922, foi condecorado como Cavalheiro do Império Britânico e, em 1924, com uma Ordem de Mérito. Depois de alguns anos de saúde frágil, Sir. Sherrington veio a falecer de problemas cardíacos em 4 de março de 1952, em Eastbourne. Por todos os seus estudos que desenvolveram um modelo para a estrutura e função do sistema nervoso baseado somente em observações comportamentais e deduções, foi indicado, juntamente com Edgar Adrian, para ser ganhador do Prêmio Nobel de 1932. Setenta anos de pesquisas neurobiológicas subseqüentes corroboraram completamente as inferências de Sherrington a partir das observações comportamentais de suas pesquisas.
 
 
Edgar Adrian
 
Edgar Douglas Adrian nasceu em 30 de novembro de 1889, em Londres. Em 1908, entrou no Trinity College em Cambridge, onde recebeu uma bolsa de estudos em Ciências. Na Universidade de Cambridge estudou Fisiologia e outras matérias de Ciências Naturais. Na época de sua formação, Cambridge contava com distintos pesquisadores em seu Departamento de Fisiologia, entre eles, Keith Lucas.
 O primeiro trabalho de pesquisa de Adrian foi feito com Keith Lucas, que estava trabalhando com impulsos transmitidos por nervos motores. Os experimentos de Keith Lucas em 1909 haviam demonstrado que, ao variar a intensidade do estímulo excitatório aplicado ao nervo ciático, se obtinham diferentes graus de contração no músculo e que estes não eram tão numerosos como os graus de intensidade do estímulo. Além disso, as contrações ocorriam em escalas menos numerosas que o número de fibras motoras. Estes resultados foram considerados como uma indicação de que os diferentes graus de contração eram devidos somente ao número de fibras musculares contraindo-se; em outras palavras, cada fibra nervosa ou muscular podia ser excitada a sua máxima capacidade ou não. Esse fato já havia sido observado em 1871 por H.P. Bowditch (1840-1911) estimulando diretamente o coração e a possibilidade de que o fenômeno também pôde ser aplicado ao nervo havia sido discutida em 1902 por Francis Gotch (1853-1913). Entretanto, a demonstração do caráter tudo – ou - nada da excitação propagada foi obtida por Adrian (1913), quem pôde demonstrar que depois de passar uma região anestesiada do nervo ciático, o potencial de ação recuperava sua máxima amplitude quando entrava em uma área normal. Em vista de sua investigação sobre esse princípio, em 1913, Adrian  foi eleito “fellowship” do Trinity College. Após isso, começou a estudar medicina, trabalhando no hospital de San Bartholomew, em Londres, formando-se em 1915.
Durante a 1° Guerra Mundial, Edgar Adrian ocupou-se de tratar militares com ferimentos nervosos ou doenças mentais. Com o fim da guerra, voltou a Cambridge para trabalhar no laboratório de Keith Lucas. Continuando seus estudos, utilizou um tubo de raio capilar de eletrômetro e de cátodo para amplificar os sinais produzidos pelo SN. Assim pôde gravar a descarga elétrica de uma única fibra nervosa sob o estímulo físico. Em 1923, casou-se com Hester Agnes Pinsent, com a qual teve três filhos, um menino e duas meninas. Nesse mesmo ano foi eleito “fellow” da Sociedade Real e, em 1925, começou a investigar métodos elétricos para sensibilizar órgãos. Em 1927, publicou o livro “A Base da Sensação” com os resultados de seus estudos. Em 1928 descobriu a eletricidade no nervo acidentalmente, em experiências realizadas através do nervo ótico de um sapo. Nesse mesmo ano, um resultado chave indicou que a excitação na pele sob o estímulo constante é inicialmente forte, mas diminui gradualmente com o tempo, visto que os impulsos sensoriais que passam ao longo dos nervos a partir do ponto de contato são constantes na força, mas reduzidas na freqüência com o tempo e a sensação no cérebro diminui em conseqüência. Isto é, os neurônios respondem aos estímulos em uma seqüência de recarregamentos e descarregamentos. Quanto mais intenso o estímulo, mais vezes o neurônio se descarrega; mas a cada vez, o descarregamento é sempre igual. Isso quer dizer que os neurônios indicam a presença e intensidade do estímulo se descarregando mais ou menos vezes, e não simplesmente um pouco mais ou um pouco menos.
Essa descoberta lhe rendeu, juntamente com Sherrington, o Prêmio Nobel de Medicina de 1932. Estendendo esses resultados para o estudo das causas da dor pelo estímulo do SN, descobriu a recepção de tais sinais no cérebro e na distribuição espacial das áreas sensoriais no córtex de animais diferentes. Estas conclusões conduziram a um mapa sensorial chamado homúnculo, no sistema somatosensorial. Seu trabalho serviu para a investigação da olfação, de lesões cerebrais, como a epilepsia, e para a utilização do eletro encefalograma para estudar a atividade elétrica no cérebro. Em 1932, também, publicou “O mecanismo da Ação Nervosa” e, mais tarde, em 1947, publicou seu outro livro, “A Base Física da Percepção”.Em 1937, juntamente com outros pesquisadores escreveu “Fatores que Determinam o Comportamento Humano” e tornou-se professor de Fisiologia da Universidade de Cambridge, posto que manteve até 1951. Foi presidente, de 1950 a 1955, da Sociedade Real e, de 1960 a 1962, da Sociedade Real de Medicina e também foi “Master” do Trinity College de 1951 a 1965. Em 1955, foi condecorado Barão do condado de Cambridge pela Coroa Britânica. 
Seu trabalho teve o reconhecimento de numerosas universidades e instituições de ensino, sendo homenageado por elas. Como um pesquisador incansável, Adrian foi, ao longo de sua ocupada vida como membro do Conselho para Pesquisa Médica e detentor de outros importantes cargos, um homem de grande influência não apenas para com seus pupilos ou colaboradores, mas para com todo o desenvolvimento da pesquisa e das ciências em geral. Lord Adrian morreu em 8 de agosto de 1977.
 
 
CONCLUSÃO:
 
Esses dois notáveis cientistas contribuíram enormemente com o desenvolvimento da fisiologia e da medicina, além de outras ciências naturais. A partir dos estudos de Sir Charles Sherrington, por exemplo, pode-se ampliar a função exercida pelo reflexo inibitório. Comprovou-se que esse reflexo não assume meramente um papel antagonista na contração muscular, mas sim, um papel coordenativo do reflexo excitatório, o qual regula a intensidade contrátil e revela mais uma das notáveis ações compensatórias do organismo humano. Já os experimentos conduzidos pelo eletrofisiologista Edgar Douglas Adrian proporcionaram-lhe, além de muitas honrarias em todo o mundo, o desenvolvimento dos conhecimentos bases da neurofisiologia, os quais são até hoje aceitos. Por meio dessas descobertas, muitos outros mecanismos puderam ser desvendados, como por exemplo, o funcionamento dos órgãos dos sentidos. Dessa forma, então, esses dois laureados instituíram mais um significativo ponto na história da medicina e da fisiologia.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
http://nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1932/sherrington-bio.html
http://nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1932/adrian-bio.html
http://wikipedia.org
http://www.nobelpreis.org
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-294X1999000200011
 
Orientadores:
Evania Araújo
Jorge Salton
 
1933: MORGAN

 

Artigo científico escrito por:
Tomiozzo Jr., José Carlos
Damo, Larissa
Rossi, Leonardo
Faculdade de Medicina UPF
 
 
RESUMO:
Zoólogo e geneticista, Thomas Hunt Morgan nasceu em 25 de setembro de 1866, em Lexington (Kentucky, Estados Unidos), filho de diplomata e sobrinho de um general do exército. Começou seus estudos na Universidade de Kentucky, depois doutorou-se em 1890 em biologia pela Universidade Johns Hopkins. Optando pelo trabalho de pesquisa, Morgan dedicou-se à embriologia experimental, e tornou-se um dos melhores especialistas nessa área. Depois redescobriu as leis de Mendel e aprofundou seus estudos de genética, num primeiro momento com ratos e, a partir de 1909, com a Drosophila melanogaster, a “mosca das frutas”. Até então, Thomas Morgan se revelava um forte opositor dessa teoria cromossômica. Com três de seus alunos – Calvin B. Bridges, Alfred H. Sturtevant e Hermann Muller – Morgan descobriu que os genes (unidades responsáveis pela transmissão das características hereditárias) estavam dispostos de forma linear ao longo dos cromossomos, a partir dos experimentos realizados com essas moscas. Os resultados dessa pesquisa foram publicados em 1910 e são até hoje empregados em estudos de genética e evolução. Nessa pesquisa, Thomas Morgan descobriu o primeiro mutante na drosófila, o qual possuía olhos brancos ao invés de vermelhos. Em 1915, também lançou um livro. Com a ajuda dos alunos e pesquisadores auxiliares, Morgan escreveu Mecanismo da Hereditariedade Mendeliana, em que formula a teoria do arranjo linear dos genes nos cromossomos. A partir disso Morgan conseguiu realizar a descoberta da herança ligada ao sexo. Posteriormente, Thomas Morgan ao observar outras mutações por meio do estudo sistemático do tipo de herança, ele e seus seguidores formularam um novo conceito de gene e da teoria cromossômica da herança. Escreveu vários livros, entre eles The Theory Of The Gene (A Teoria do Gene), de 1926, e Embriology and Genetics (Embriologia e Genéticas), em 1933. Em 1939, recebeu da Sociedade Real de Londres um novo prêmio por suas pesquisas.
Palavras-chave: Thomas Hunt Morgan, Prêmio Nobel Medicina 1933, drosófila, teoria cromossômica da hereditariedade.
 
ABSTRACT:
Zoologist and geneticist, Thomas Hunt Morgan was born in September 25, 1866, in Lexington (Kentucky, United States of America), son of a diplomat and nephew of an army’s general. Started his studies at Kentucky University, and then took his doctor degree in 1890 in Biology by Johns Hopkins University. Morgan chose the research work, applied himself to experimental embryology, and became one of the best specialists in this area. After this, he rediscovered Mendel’s Laws and dug his genetic studies, in a first moment with mice and, starting from 1909, with Drosophila melanogaster, the “fruit fly”, where until then Thomas H. Morgan used to show himself as a strong oppositor of this chromosomic theory. With three of his pupils – Calvin B. Bridges, Alfred H. Sturtevant and Herman Muller – Morgan discovered that the genes (the responsible for the transmition of the hereditary characteristics units) were disposed in a linear form along the chromosomes, through the experiments made with these flyes. This research’s results were published in 1910 and are still today used in genetic and evolution’s studies. In this research, Thomas Morgan discovered the first mutant of the drosophila, which was white-eyed and not red-eyed as usual. In 1915 he wrote a book. With the help of his pupils and auxiliary researchers, Morgan wrote The Mechanism of Mendelian Hereditariety, where he formulates the theory of the linear disposition of the genes in the chromosomes. Starting from this, Morgan could make the discovery of the sex-linked inheritance, what later by observing other mutations and, through the systematic study of the inheritance kind, he and his followers formulated a new concept of gene and of chromosomic theory of inheritance. Wrote several books, among them The Theory of the Gene in 1926, and Embryology and Genetics in 1933. In 1939, received from the London Royal Society a new prize by his researchers. 
Keywords: Thomas Hunt Morgan, 1933 Medicine Nobel Prize, drosophila, hereditary sucession of chromosomic theory.
 
INTRODUÇÃO:
 
Os Prêmios Nobel foram instituídos por Alfred Nobel, um industrial sueco, inventor da dinamite, que em seu testamento, deixou expresso sua vontade em forma de lei. O Prêmio é atribuído anualmente no dia 10 de Dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel, às pessoas que fizeram pesquisas importantes, inventaram técnicas pioneiras, ou deram contribuições destacadas à sociedade nas áreas da Física, Química, Medicina e Fisiologia, Literatura, Paz e Economia. O Prêmio Nobel é administrado pela Nobel Foundation em Estocolmo, Suécia, e cada prêmio consiste numa medalha de ouro, um diploma com a citação da condecoração e uma soma em dinheiro que varia de acordo com os rendimentos da Fundação Nobel. Em 1933 Thomas Hunt Morgan foi condecorado com o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina por suas descobertas sobre a relação entre os cromossomos e a hereditariedade, por serem eles portadores dos genes. 
 
BIOGRAFIA: 
 
Thomas Hunt Morgan nasceu em 25 de setembro de 1866, em Kentucky, Estados Unidos. Ele era o filho mais velho de Charlton Hunt Morgan (diplomata) e sua mulher Ellen Key Howard e sobrinho de John Hunt Morgan, um general do exército. Desde criança Morgan mostrava um imenso interesse por história natural e aos dez anos já colecionava pássaros, ovos de pássaros e fósseis. Depois de ingressar na Universidade de Kentucky, formou-se em Zoologia em 1886, estudou morfologia com W.K. Brooks e fisiologia com H. Newell Martin, na Universidade Johns Hopkins onde graduou-se em Biologia e fez doutorado (1890). Após anos viajando por Jamaica, Bahamas e Nápoles, no ano de 1904, Thomas Morgan tornou-se professor na Universidade Colúmbia, em Nova York, onde permaneceu por 24 anos. Nesse mesmo ano casou-se com Lilian Vaughan Sampson, uma estudante, sua aluna no Bryn Mawr College, com quem teve quatro filhos. Durante esse período, estudou os conceitos da hereditariedade formulados pelo monge austríaco Gregor Mendel, no século XIX. Nesse estudo Morgan revelou seu caráter de quem realmente era, como um estudante crítico e independente, que através de um trabalho publicado, criticou as idéias de hereditariedade mendelianas. Em 1909 as drosófilas entram na história de Thomas Hunt Morgan. Em seus trabalhos demonstrou associações chamadas de acoplamento e repulsão, descobertas por cientistas ingleses em 1909 e 1910, que na realidade representavam o mesmo fenômeno, o linkage. Com seus alunos e colaboradores Alfred H. Sturtevant (1891-1970), Calvin B. Bridges (1889-1938) e Herman J. Muller (1890-1967), publicaram O mecanismo da hereditariedade mendeliana (1915), em que descreviam o sistema dos genes, termo criado pelo botânico dinamarquês Wilhelm Ludvig Johannsen (1857-1927), no qual relatavam experimentos com drosófilas e mostravam que os genes estão linearmente dispostos nos cromossomos. Formularam, assim, a teoria cromossômica da herança, descobrindo importantes princípios da Genética. Durante o período em que lecionou na Universidade Colúmbia de 1910 a 1928, Morgan estava em seu primor. Seu estilo de fazer ciência era de importância imensa e não estava receoso de desafiar dogmas existentes. Era uma pessoa estimulante que reconheceu bons estudantes e lhes deu liberdade e espaço para trabalhar, e inspirando-os a trabalhar com a imaginação que era tão importante na ciência avançada. No ano de 1928, foi convidado pelo astrônomo G. E. Hale para ser diretor da divisão da Biologia do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) em Pasadena (EUA), onde alguns anos mais tarde seria recrutado por R.A. Millikan (Nobel de Física de 1923) e A.A. Noyes, para chefiar a seção de Física e Química, respectivamente. Durante esse período em que trabalhou na Caltech, Morgan teve contato com vários geneticistas ilustres que futuramente iriam ser ganhadores do Prêmio Nobel, como B. McClintock e J. Monod. Foi presidente da Academia Nacional de Ciências (1927 – 1931) e da Associação Americana para os Avanços na Ciência. (1930). Ao ganhar o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia no ano de 1933, por descobertas sobre o papel dos cromossomos na hereditariedade, Morgan já era reconhecido em toda a comunidade científica mundial. Ser laureado com o Nobel foi um importante fator para a elevação do prestígio da Caltech e do status da Divisão de Biologia do Instituto. Permaneceu no Instituto até sua morte em 4 de dezembro de 1945, em Pasadena. Thomas Hunt Morgan publicou vários livros durante sua vida, considerados clássicos da genética como Heredity and Sex (1913), The Physical Basis of Heredity(1919), Embryology and Genetics (1924), Evolution and Genetics (1925), The Theory of the Gene (1926), Experimental Embryology (1927) e The Scientifc Basis of Evolution (1935). Thomas Morgan, juntamente com Walter S. Sutton (1877-1916), são considerados os fundadores da teoria cromossômica.
 
O PERÍODO DA PESQUISA:
 
Thomas H. Morgan nasceu no ano de 1866, em Kentucky (EUA). Começou seus estudos na Universidade de Kentucky, depois doutorou-se em 1890, em biologia pela Universidade Johns Hopkins, onde começou seus trabalhos em pesquisa e embriologia. Após viajar por Jamaica, Bahamas e Nápoles, no ano de 1904, Thomas Morgan tornou-se professor na Universidade Colúmbia, em Nova York. Lá trabalhou durante 24 anos e foi onde estudou a teoria de Gregor Mendel, que serviu de embasamento para suas pesquisas e busca de respostas.
A pesquisa de Thomas Hunt Morgan começou com um objetivo inicial bem diferente ao que ia buscar ao final, isto é, no início Morgan foi um forte opositor tanto da teoria mendeliana como da teoria cromossômica. A primeira procurava estabelecer um paralelo entre o comportamento dos fatores (cruzamentos) e o comportamento dos cromossomos (citológicos). Já a segunda foi formulada a partir de estudos citológicos onde haviam sido identificados no núcleo das células em divisão estruturas chamadas cromossomos, que acreditavam ser portadoras de elementos responsáveis pela hereditariedade. Nesse período, Morgan não temia desafiar dogmas existentes. Num mesmo ano (1910), após publicar um artigo atacando ambas as teorias, começou a publicar uma série de artigos através do que, gradualmente, passou a aceitar e defender.
Na primeira década do século XX, apesar do avanço do conhecimento experimental e do esclarecimento conceitual relativo às leis de herança, os geneticistas não aceitavam, de modo geral, a hipótese cromossômica da herança. Bateson, Johannsen, Richard Goldschimdt e Thomas H. Morgan, entre outros, publicaram trabalhos em que combatiam essa hipótese. No entanto entre 1910 e 1915, a situação sofreu uma grande mudança. Thomas Morgan e sua equipe, através de uma famosa série de estudos sobre a hereditariedade usando a mosca das frutas (Drosophila melanogaster), encontraram evidências favoráveis à hipótese cromossômica da herança. Além disso, construíram os primeiros “mapas” indicando a disposição linear e as distâncias relativas de vários loci gênicos em Drosophila. Morgan era grande defensor da Teoria da Mutação de Hugo de Vries (1848-1935), que apareceu em dois volumes entre 1901 e 1903. Este autor havia observado nítidas diferenças entre a rosa natural Oenothera lamarckiana e espécies cultivadas, o que o levou a analisar o problema da evolução sob enfoque experimental, em substituição ao método de observação e inferência. Cultivando essa espécie, descobriu novas variedades botânicas da planta que apareciam aleatoriamente entre os espécimes normais. Concebeu então a evolução como série de mudanças radicais abruptas que dariam surgimento a novas espécies. Atualmente sabe-se que aquilo que ele chamou de “mutação” era, na maioria dos casos, resultado não de mudanças no material genético, mas de complexos arranjos cromossômicos peculiares a Oenothera, isto é, que grandes variações hereditárias ocorridas em uma geração poderiam produzir descendentes diferentes daquela de seus progenitores.  Com isso Morgan pretendia através de pesquisas verificar se a teoria de De Vries se aplicava também a animais. Ao que tudo indica, sua intenção inicial era realizar esses experimentos com coelhos; contudo, como não obteve fundos suficientes para isso e, devido às vantagens práticas, tais como: tamanho pequeno, alta fecundidade e curto ciclo de vida, optou pela utilização da Drosophila melanogaster. Entretanto, não está claro como ele veio a utilizar este organismo ou onde obteve suas culturas originais. A Drosophila iria auxiliá-lo a descobrir a herança ligada ao sexo e logo após a descoberta de um segundo mutante com herança ligada ao sexo, o qual, de modo rudimentar, levou-o ao crossing-over.
No início de 1910, Morgan atraiu alguns estudantes da Universidade de Columbia que foram de grande valor em seu trabalho além dos mesmos terem sido premiados por outras pesquisas, com destaques para Alfred Henry Sturtevant, que construiu o primeiro mapa genético de um cromossomo em 1913, Calvin Blackman Bridges, que lhe forneceu o primeiro microscópio, e Hermann Joseph Muller que ganhou o Prêmio Nobel de 1946 com a descoberta de mutações genéticas induzidas por raios-X. Primeiramente Morgan, ao que parece, teria exposto as culturas de Drosophila ao rádio para induzir a formação de novos mutantes, mas nunca chegou a obter mutações da magnitude daquelas obtidas por De Vries. Porém, após muita persistência, em 1910 surgiu uma variação diferente numa mosca macho de uma de suas garrafas de cultura. Essa mosca distinguiu-se das demais por apresentar olhos brancos, opondo-se ao tipo normal (selvagem), cujos olhos eram vermelhos. Embora essa variação não constituísse uma nova espécie, Morgan cruzou a “mosca-de-olhos-brancos” com uma mosca selvagem que gerou um total de 1245 moscas, sendo que apenas três delas possuíam olhos brancos. A quantidade foi desprezada e essa característica foi atribuída à mutação. Em sucessivos cruzamentos foram constatados que surgiram algumas moscas, quase sempre do sexo masculino, com olhos brancos. Morgan constatou que as características olhos brancos e vermelhos comportavam-se como fatores mendelianos sendo que o vermelho era dominante sobre o branco. Assim, procurou cruzá-la com suas irmãs de olhos vermelhos para ver o que ocorria. Constatou que todos os descendentes de F1 tinham olhos vermelhos. Em F2 Morgan observou que surgiam alguns descendentes de olhos brancos do sexo masculino. Cruzamentos posteriores mostraram que a condição olho branco, embora ocorresse quase sempre em indivíduos machos, podia ocasionalmente ocorrer em fêmeas. Essa limitação dos olhos brancos quase que exclusivamente aos indivíduos do sexo masculino apresentou um problema curioso o qual Morgan procurou elucidar.
Em um artigo publicado na revista Science, Morgan apresentou os primeiros resultados de seu trabalho: cruzando-se o macho de olhos brancos com suas irmãs de olhos vermelhos resultaram em F1 1237 descendentes de olhos vermelhos. Ao cruzar os descendentes de F1 obteve-se 2459 fêmeas de olhos vermelhos, 1011 machos de olhos vermelhos e 782 machos de olhos brancos. Até então não haviam surgido fêmeas de olhos brancos, então Morgan concluiu que esse caráter era limitado ao sexo, pois era somente transmitido aos machos. Entretanto não era incompatível com a feminilidade, pois do cruzamento de machos mutantes com suas filhas obteve-se 129 fêmeas de olhos vermelhos, 132 machos de olhos vermelhos, 88 fêmeas de olhos brancos e 86 machos de olhos brancos. A partir de então, Morgan deduziu que o caráter olhos brancos podia permanecer nas fêmeas através de um cruzamento adequado, conseqüentemente não era ligado ao sexo.
Em 1911, Sturtevant em uma conversa com Morgan acerca da relação espacial dos genes no núcleo percebeu que os genes ligados ao sexo podiam estar arranjados em uma ordem linear. Assim, no mesmo ano, Morgan formulou sua segunda hipótese. Essa segunda hipótese, em vez de supor que os alelos limitados ao sexo estivessem associados ao fator X, considerou-os como fazendo parte do cromossomo, no qual também estariam localizados os genes determinantes do sexo feminino - na primeira hipótese Morgan não falava em cromossomos, mas em associação de fatores.  De acordo com a nova hipótese, se o fator R para olhos vermelhos estava no cromossomo X, nunca poderia aparecer isolado, fora dele. Todo espermatozóide que tem o R tem o X. como o fator W para olho branco é um alelo de R, ele também deverá estar no cromossomo X. Como os machos de Drosophila só possuem um cromossomo X(e um Y), eles só poderão possuir R ou W, em dose simples. A partir daí, durante mais de duas décadas, Morgan dedicou-se integralmente ao programa mendeliano-cromossômico de pesquisa.
Em 1912, Bridges e Sturtevant, identificaram e mapearam dois grupos de fatores autossômicos (não ligados ao sexo) e um terceiro grupo foi identificado por Muller em 1914. Os quatro grupos ligados combinaram perfeitamente com os quatro pares de cromossomos que a Drosophila possuía. Evidência de que a correlação não fora acidental, foi quando Bridges usou os resultados da segregação irregular dos cromossomos sexuais para fornecer uma elegante prova de que os cromossomos eram realmente os portadores dos fatores ou genes hereditários como agora eles conheciam. Aqui nota-se que Morgan não era apenas uma pessoa estimulante mas sim alguém que reconheceu bons estudantes e lhes deu liberdade e espaço para trabalhar sua imaginação e suas idéias.
No ano de 1928, Morgan passou a trabalhar no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) em Pasadena (EUA), onde por meio dos contatos com vários geneticistas de renome na época, continuou dando embasamento à sua pesquisa.
CONCLUSÃO:
 
O trabalho de Thomas Hunt Morgan com a mosca da fruta, Drosophila melanogaster, estabeleceu uma conexão crítica entre a biologia experimental e a evolução, assim como entre a genética mendeliana, a seleção natural e a teoria cromossômica da herança. A descoberta, em 1910, de uma mosca mutante com olhos brancos (A Drosophila selvagem possui olhos vermelhos) levou-o a concluir que essa condição era herdada precisamente como uma característica mendeliana recessiva. Nos anos seguintes, ele e seus colegas desenvolveram a teoria cromossômica mendeliana de herança e Morgan e seus colegas publicaram O Mecanismo de Herança Mendeliana, em 1915. O trabalho de Morgan foi tão popular que é considerado um marco da genética clássica. Por suas contribuições à unificação de diversas teorias antes distantes, Thomas Hunt Morgan figurava entre os grandes nomes da genética. O Prêmio Nobel Eric Kandell escreveu o seguinte sobre Morgan: “Bem como as observações de Darwin sobre a evolução das espécies animais inicialmente deram coerência à biologia do século XIX como uma ciência descritiva, as descobertas de Morgan sobre os genes e a sua localização nos cromossomos ajudaram a transformar a biologia em uma ciência experimental”.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGÁFICAS:
1.NOVA Barsa. Encyclopaedia Britannica do Brasil: São Paulo, 1999. 1 CD-ROM
2.MARTINS, Lílian Al-Chueyr Pereira. Thomas Hunt Morgan e a teoria cromossômica: de crítico a defensor. Episteme. Filosofia e História das Ciências em Revista, Porto Alegre, v. 3, n. 6, p. 100-126, 1998. Disponível em <http://www.ifi.unicamp.br/~ghtc/lil-r10.htm> Acesso em: 14 jun. 2006.
3.LEWIS, Edward B.. Thomas Hunt Morgan and His Legacy. Disponível em: <http://nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1933/index.html> Acesso em: 13 jul. 2006.
4.WIKIPEDIA: The Free Encyclopedia. Thomas Hunt Morgan. Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/Thomas_Hunt_Morgan> Acesso em: 13 jul. 2006.
5.WIKIPEDIA: A Enciclopédia Livre. Thomas Hunt Morgan. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_H._Morgan> Acesso em: 13 jul. 2006.
6.WIKIPEDIA: A Enciclopédia Livre. Síntese Evolutiva Moderna. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/s%c3%Adntese_evolutiva_moderna> Acesso em: 15 jul. 2006.
7.WIKIPEDIA: The Free Encyclopedia. Modern Evolutionary Synthesis. Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/Modern_evolutionary_sysntesis> Acesso em: 15 jul. 2006.
 
Orientadores:
Evania Araújo
Jorge Salton
 
1934: MINOT, WHIPPLE e MURPHY

 

Artigo científico escrito por:
CASALI, Hellen M.
NOSCHANG, Hanna
REINEHR, Gustav
Faculdade de Medicina da UPF
 
(Foto: William Murphy)
 
RESUMO
O presente artigo faz parte de uma série de revisões bibliográficas sobre os laureados com o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia, realizadas por acadêmicos da Faculdade de Medicina da Universidade de Passo Fundo, Rio Grande do Sul, Brasil. Este trabalho consiste em um estudo bibliográfico sobre George Richard Minot, George Hoyt Whipple e William Parry Murphy, médicos que se uniram em prol da descoberta de tratamento para anemia perniciosa. Estes estudiosos fizeram experimentos e constataram que esta doença consistia em alterações na composição sangüínea e que a mesma podia ser tratada com uma dieta a base de fígado cru. Por esta descoberta, importante na cura desta patologia, ganharam o Prêmio de 1934. Hoje se sabe que a anemia perniciosa é devido à deficiência de vitamina B12 em conseqüência de uma doença auto-imune na mucosa do estômago: a gastrite atrófica. Esta doença leva a sintomas graves que justificam a pesquisa e a conseqüente premiação.
 
 
PALAVRAS-CHAVE: Prêmio Nobel; anemia perniciosa; vitamina B12
 
 
ABSTRACT
The current article is part of a serie of bibliographics reviews about the Nobel Prize in Phisiology and Medicine Laureates’, made by academics of the Faculdade de Medicina of the Universidade de Passo Fundo, Rio Grande do Sul, Brazil. This work consists in a bibliographic study about George Richard Minot, George Hoyt Whipple and William Parry Murphy, physicians that joined each other on behalf of the discovery of the treatment of the pernicious anemia. This studious made experiments and found out this disease consists of alterations of the blood composition and it can be treated with a raw liver based diet. Because this discovery, important in the cure of this pathology, they won the Prize of 1934. Today is known that the pernicious anemia due to and B12 vitamin lack in consequence of and self immune disease at the gastric mucosa: the atrophic gastritis. This disease takes to serious symptoms that justify the research and the consequent awarding.
 
KEY WORDS: Nobel Prize; pernicious anemia; B12 vitamin
 
INTRODUÇÃO
O Prêmio Nobel é hoje o maior símbolo de reconhecimento dos meios acadêmicos e científicos. Foi idealizado por Alfred Nobel e criado depois de sua morte em 1896. Foi entregue pela primeira vez em 1901, e a partir de então vem homenageando e entregando quantias notórias de dinheiro, como incentivo à novas pesquisas, à cientistas que realizaram trabalhos importantes para a humanidade. São premiados pesquisadores que se destacam nos campos de Medicina e Fisiologia, Química, Física, Literatura e Promoção da Paz. Apesar de merecedores de reconhecimento, há pouca informação disponível acerca dos feitos e biografias dos ganhadores deste prêmio.
Os ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia do ano de 1934 foram George Hoyt Whipple, George Richard Minot e William Parry Murphy, que sempre ocuparam cargos de destaque, e que desenvolveram pesquisas importantes, as quais contribuíram muito para o tratamento da anemia perniciosa através da descoberta dos benefícios da ingesta de fígado cru. Esta doença deve-se à deficiência de vitamina B12, que é decorrente de uma doença auto-imune da mucosa gástrica, denominada gastrite atrófica. Hoje, a dieta à base de fígado cru foi substituída por novas alternativas terapêuticas, principalmente a reposição da vitamina B12 por injeções intramusculares, que apresentam um resultado muito mais eficiente e praticamente imediato.
Esta pesquisa tem como objetivo reunir informações sobre a vida e obra destes três médicos, além de conhecer e justificar a importância dada às suas descobertas; uma vez que, em sua época, representaram um avanço no tratamento de uma doença prevalente na população adulta. O estudo contém um breve histórico do Prêmio Nobel, seguindo-se da biografia dos laureados de 1934 bem como suas descobertas e as conclusões dos autores.
 
DESENVOLVIMENTO
Alfred Nobel, nascido em 1833 na cidade de Estocolmo na Suécia, descobriu a dinamite em 1866 e então montou indústrias e laboratórios em mais de 20 países, se tornando um milionário dono de um verdadeiro império. No dia 27 de Novembro de 1895 realizou seu último desejo, criando o Prêmio Nobel. Em 1896, no dia 10 de dezembro, mesmo dia em que ocorrem as cerimônias de premiação, Nobel morreu de hemorragia cerebral. O prêmio deveria condecorar homens de destaque e suas descobertas nos campos de Física, Química, Medicina e Fisiologia e Literatura; e ainda, um prêmio àquele que mais se empenhasse em prol da paz. Em 1969 foi acrescentada uma nova categoria de premiação, a de Ciências Econômicas.
No dia 29 de Junho de 1900 foi criada a Fundação Nobel, uma instituição privada, designada a realizar o sonho de Nobel. Assim, no dia 10 de Dezembro de 1901, ocorreu a primeira cerimônia de premiação, que desde então são realizadas anualmente nas cidades de Estocolmo na Suécia e Oslo na Noruega. O processo de escolha dos premiados começa com a formação de um comitê que envia convites às autoridades científicas de vários países, que nomeiam possíveis candidatos. Estes passam por uma análise criteriosa e depois são votados por instituições como a Academia Real de Ciências da Suécia para Física, Química e Economia; a Academia de Literatura da Suécia e o Comitê Nobel da Noruega. Aquele que for escolhido é condecorado com uma medalha de ouro com a efígie de Alfred Nobel, um diploma e um prêmio em dinheiro. Os laureados têm, ainda, o direito de recusar o recebimento do Prêmio.
George Richard Minot, um dos laureados no ano de 1934 pelos empenhos na descoberta de um tratamento para a anemia perniciosa, nasceu no dia 2 de Dezembro de 1885 na cidade de Boston, Massachussets, EUA. Ingressou na Universidade de Harvard, onde obteve seu Artium Baccarlaureatus (domínio de grego, latim, artes e ciências) no ano de 1908. Na mesma instituição, recebeu seu diploma de Médico, em 1912. Realizou seu treinamento hospitalar no Hospital Geral de Massachussets e trabalhou no Hospital e Escola de Medicina Johns Hopkins. Em 1915 se tornou assistente de medicina da Escola de Medicina de Harvard e no Hospital Geral de Massachussets. No ano de 1922 assumiu o cargo de Médico Chefe do Hospital Memorial Collis P. Huntington da Universidade de Harvard. Depois disso, Minot foi indicado para a diretoria do Hospital Peter Bent Brigham. Em 1928 assumiu o cargo de professor de Medicina da Universidade de Harvard e de Diretor do Laboratório Memorial de Thorndike.
Ainda estudante de medicina, Minot demonstrava grande interesse pelas patologias do sangue - estudou a coagulação sangüínea, as transfusões, as plaquetas e os reticulócitos - tendo publicado diversos materiais sobre este assunto. Ele também descreveu uma hemorragia atípica que está associada à anemia prolongada, além de ter analisado as condições do sangue em certos casos de intoxicação industrial. Entre os seus outros interesses estavam as patologias do tecido linfático - a policitemia, a artrite, o câncer, as deficiências nutricionais, bem como os aspectos sociais das doenças. Entretanto, sua maior contribuição para a ciência foi o estudo sobre a anemia. George Minot iniciou seus estudos desta patologia em 1914. Nesse período, ele e o estudioso William P. Murphy passaram a contribuir com as pesquisas de George Hoyt Whipple no tratamento experimental da anemia em cães. A partir deste trabalho, eles descreveram, em 1926, o tratamento da anemia perniciosa através da ingesta de fígado cru e dessa forma, no ano de 1934, receberam o Prêmio Nobel. 
Minot ainda realizou pesquisas sobre o funcionamento gastrintestinal e sobre o tratamento da anemia a base de aço. No exercício de sua profissão participou de organizações e publicações médicas e foi condecorado com prêmios dentre os quais destacamos o Prêmio Cameron em Práticas Terapêuticas da Universidade de Edinburgh (1930), Medalha de Ouro Mensal e Anual de Ciência Popular (1930) e Medalha John Scott Medal da cidade da Philadelphia. Depois de muitas realizações George Richards Minot faleceu no dia 25 de fevereiro de 1950.
George Hoyt Whipple, também premiado em 1934, nasceu no dia 28 de agosto de 1878, em Ashland, New Hampshire, EUA. Concluiu sua graduação no ano de 1900 na faculdade de Medicina da Universidade de Yale. Nesse mesmo ano, ingresso na Universidade de Johns Hopkins onde, no ano de 1905, concluiu sua especialização e foi escolhido Assistente de Patologia. Nessa instituição, Whipple pesquisou os pigmentos relacionados a necrose do fígado, quando em contato com anestesia de clorofórmio, e constatou que a regeneração das células desse órgão tem um limite. 
Em 1914, Whipple tornou-se Professor de Pesquisa Médica da Escola Médica da Califórnia e Diretor da Fundação para Pesquisa Médica Hooper. Onde estudou a rota da bile, a produção da hemoglobina e fez experimentos, juntamente com C.W. Hooper e com Mestre Robscheit- Robbins, sobre a anemia em cães. O tratamento descoberto com essas experiências proporcionou a George Hoyt Whipple o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia junto com George R. Minot e William P. Murphy. Mais tarde, em 1921, o estudioso foi escolhido como Professor de Patologia e Reitor da Faculdade de Medicina e Odontologia da Universidade de Rochester. De1936 até 1953 Whipple participou do Conselho Diretor e Científico do Instituto Rockefeller.
George Hoyt Whipple também pesquisou vários outros assuntos, entre os quais podemos destacar a tuberculose, pancreatite, metabolismo do ferro e de proteínas, vitamina B12 e suas funções. Durante sua trajetória foi condecorado com muitos prêmios e títulos, entre eles: Medalha de Ouro da Ciência Popular (1930) e Medalha de Ouro William Wood Gerhard da Sociedade de Patologia da Filadélfia (1934). Faleceu no ano de 1976 com 97 anos.
William Parry Murphy, outro premiado em 1934, nasceu no dia 6 de Fevereiro de 1892, em Stoughton Wisconsin, EUA. Estudou na Escola Pública de Wisconsin, de Oregon e na Universidade de Oregon, onde se formou em 1914 em Artium Baccarlaureatus (domínio de grego, latim, artes e ciências). Nos dois anos seguintes lecionou física e matemática em escolas de ensino médio de Oregon. Depois, freqüentou por um ano a Escola Médica da Universidade de Oregon em Portland, onde atuou como assistente de laboratório do Departamento de Anatomia. Em seguida, ele participou de um curso de verão na Escola Médica Rush em Chicago, e mais tarde ganhou uma bolsa de estudos na Escola Médica de Harvard, com duração de três anos.
Murphy se formou em medicina em 1922, por dois anos fez residência no Hospital Rhode Island e tornou-se assistente da residência médica no Hospital Peter Bent Brigham por um ano e seis meses. Em 1924 William tornou-se assistente de Medicina em Harvard. Depois de formado, Murphy participou de pesquisas sobre Diabetes Mellitus e sobre doenças do sangue, porém obteve maior destaque no meio científico devido ao seu trabalho sobre a anemia perniciosa, juntamente com Minot e Whipple, que lhes rendeu o Prêmio Nobel em 1934. De 1935 até 1938 ele participou da Associação de Medicina de Harvard e de 1948 até 1958 foi professor de Medicina.
Em 1939 ele escreveu e lançou o livro “Anemia em Consultório: Anemia Perniciosa”. Durante sua vida, também atuou como hematologista em vários hospitais. Entre suas conquistas e honras estão o Prêmio Cameron da Universidade de Edinburgh, junto com Richards Minot por seu trabalho com anemia perniciosa; a Medalha de Bronze da Associação Médica Americana por uma exibição demonstrando seu método de tratamento da anemia com a ingesta de fígado; e o Mérito Nacional da Ordem Carlos J. Finlay Cuba. Faleceu em 1987.
A anemia perniciosa é caracterizada pela falta de vitamina B12, cuja absorção é diminuída em decorrência da gastrite auto-imune, a gastrite atrófica. Também está associada a outros distúrbios imunológicos, como a tireoidite Hashimoto, hipertireoidismo, Diabetes Mellitus insulino-dependente e vitiligo. As manifestações clínicas típicas são a glossite, dormência e falta de sensibilidade das extremidades e deterioração neurológica irreversível.
O tratamento atual para esta patologia consiste em injeções intramusculares de vitamina B12. De dois a três dias após a primeira injeção, o paciente já percebe os primeiros sinais de melhora: sente-se eufórico, bem disposto e com apetite. A anemia cura-se dentro de poucas semanas, porém os sintomas neurológicos são mais lentos ou até irreversíveis.
 
CONCLUSÃO
A pesquisa sobre o Prêmio Nobel de 1934, no qual George R. Minot, George H. Whipple e William P. Murphy foram laureados, demonstrou a grande importância e a necessidade de um método terapêutico efetivo no combate a anemia perniciosa. A descoberta realizada por esses três cientistas não repercutiu apenas na época da pesquisa, mas também se refletiu anos mais tarde, pois a mesma abriu caminhos para o descobrimento da vitamina B12 e suas funções no organismo. Conhecer a história de grandes cientistas foi o meio pelo qual fomos introduzidos à pesquisa científica, estimulando assim a produção de novos trabalhos. Na elaboração desse artigo também entramos em contato com normas de trabalhos científicos, o que foi um aprendizado útil para a nossa formação acadêmica, pois tais normas farão parte de toda nossa graduação e vida profissional, e o seu conhecimento é indispensável. Ao refletirmos sobre os ganhadores do Prêmio Nobel de 1934 e suas vidas repletas de conquistas, notamos a importância da pesquisa em medicina e do espírito crítico para a construção do saber médico e para a evolução dessa ciência no tempo.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
NORO, João J. Nobel, O Prêmio e o Homem. 1a. ed. São Paulo: JSN Editora, 1999.
GOLDMAN, Lee; AUSIELLO, Dennis. Cecil: Tratado de Medicina Interna. 22a. ed. São Paulo: Elsevier, 2005
NOBEL PRIZE, Nobel Lectures. Disponível em: www.nobelprize.org Acesso em: 12 de abril de 2006.
SÓ BIOGRAFIAS, Biografias. Disponível em: www.sobiografias.hpg.ig.com.br Acesso em 17 de abril de 2006.
REVISTA Morashá, A História do Prêmio Nobel: Alfred Nobel. Ed. 32 – Abril de 2001.
 
Orientadores:
Evania Araújo
Jorge Salton
 
1935: HANS SPEMANN

 

Artigo científico escrito por:
FERNANDO BALESTRERI
GIANA KÜHN
GLAUCIA GIACOBBO
Faculdade de Medicina da UPF
 
 
Resumo:
O presente artigo é parte de uma série de revisões bibliográficas que versam sobre a biografia e o trabalho dos laureados com o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina, realizadas por acadêmicos do primeiro ano da Faculdade de Medicina da Universidade de Passo Fundo e destaca vida e obra do alemão Hans Spemann, laureado em 1935. Spemann baseou suas pesquisas no ramo da Embriologia e a descoberta que fez sobre a existência de induções embriológicas, as quais chamou de “Efeito Organizador”, rendeu-lhe a cobiçada premiação.
Palavras-chaves:prêmio nobel; induções embriológicas; efeito-organizador.
 
Abstract
 
The current article is part of a bibliografic revision series about  the biografy and work of the Nobel Prize Phisiology ands Medicine’s winners realized by the Passo Fundo’s Medicine College’s first grade academics and highlightes live and work of Germany Hans Spemann, lariated in 1935. Spemann based his researches in branch of Embriology and discovered the existence of the  embrionary indutions, and whinch called the “Organizer-efect” that gave the covetous premiation.
Key-words: Nobel prize; Embriology inductions; organizer-efect.
 
Introdução:
 
O Prêmio Nobel, hoje considerado sinônimo de excelência no universo científico, tomou forma a partir do sonho do milionário pesquisador sueco Alfred Nobel em reconhecer o trabalho daqueles que durante o ano precedente houvessem realizado o maior benefício à humanidade nos campos da Física, da Química, da Fisiologia e da Medicina, da Literatura e na manutenção da paz mundial. Dessa forma, os nomes de maior destaque são agraciados anualmente com o prêmio como forma de reconhecimento ao seu trabalho.
O laureado com o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina no ano de 1935 foi o zoólogo e fisiologista alemão Hans Spemann, que tomou como objeto principal de suas pesquisas a parte embrionária de um ovo recém-fecundado, a qual chamou de “organizador”. Em seus experimentos, Spemann constatou que o “organizador” cria, dentro da matéria indiferente em que se encontra, ou onde é artificialmente transplantado, um campo de organização de determinada direção e extensão, que geraria a diferenciação e o desenvolvimento do embrião.
Esta revisão bibliográfica tem como objetivo reunir informações sobre a vida e a obra de Hans Spemann, com o intuito de elucidar as suas descobertas, tão destacadas à sua época, e traçar paralelos quanto às contribuições que propiciou a novas pesquisas. Desse modo, segue-se um breve relato histórico sobre o Prêmio Nobel, a biografia do laureado em 1935, bem como um apanhado geral de seu trabalho e conclusões.
 
 
Prêmio Nobel, relato histórico:
 
Os ganhadores do Prêmio Nobel devem sua glória e seu sucesso internacional ao inventor Alfred Nobel, nascido em 1833 em Estocolmo, na Suécia. Alfred Nobel tornou-se milionário devido a numerosas descobertas na área de explosivos, em especial a dinamite.Dono de gigantesco império industrial, Nobel deixou, ao falecer em 1896, uma grande fortuna destinada à criação de uma fundação que deveria financiar cinco grandes prêmios internacionais. Dentre os cinco, quatro deveriam condecorar àqueles que destacassem em pesquisas em Física, Química, Fisiologia e Medicina e Literatura. O quinto prêmio destinar-se-ia a quem mais se empenhasse em prol da paz entre as nações. 
No dia 29 de junho de 1900, foi criada a Fundação Nobel, uma instituição privada encarregada em concretizar o sonho de Nobel. Com isso, em 1901, foi realizada a primeira das cerimônias de premiação, que desde então ocorrem anualmente sempre em 10 de dezembro, aniversário da morte de Nobel, em Estocolmo, na Suécia, e Oslo, na Noruega. Em 1969, foi criada uma nova categoria de premiação, a de Ciências Econômicas.
O processo para a escolha dos agraciados começa com a formação de um comitê responsável por enviar convites às autoridades científicas de vários países para que indiquem possíveis candidatos. Os nomes indicados passam por criteriosa análise e depois são votados pela Real Academia de Ciências da Suécia, para os prêmios de Física, Química e Economia, pela Academia de Literatura da Suécia, pelo Real Instituto Médico-Cirúrgico Karolinska, para o prêmio de Fisiologia e Medicina, e pelo Comitê Nobel da Noruega, para o prêmio aos promotores da paz. O escolhido é agraciado com uma medalha de ouro com a efígie de Alfred Nobel, um diploma e uma vultosa quantia em dinheiro.
Assim, servindo ao mesmo tempo ao desenvolvimento das letras e das ciências e à promoção da paz, o Prêmio Nobel dá a todos os laureados uma projeção tão grande que modifica as suas vidas. Nenhum outro prêmio obteve tanto prestígio a nível mundial.
 
 
Hans Spemann, dados biográficos:
 
O zoólogo e fisiologista alemão Hans Spemann nasceu em Stuttgart,na  Alemanha, no dia 27 de junho do ano de 1869. Era o filho mais velho do editor Wilhelm Spemann. Hans freqüentou, entre 1878 e 1888, a escola de Eberhard-Ludwig em Stuttgard. Ao terminar seus estudos, passou um ano auxiliando o pai em seus negócios editoriais. Entre 1889 e 1891, prestou serviço militar e trabalhou como livreiro, quando se fascinou pela área médica ao entrar em contato com a literatura científica.
Em 1891, ingressou à Faculdade de Medicina da Universidade de Heidelberg, onde foi influenciado pelo trabalho de anatomia comparada de Carl Gegembaur. Em 1894, transferiu-se para a Universidade de Munique, onde passou a cursar Zoologia e conheceu August Pauly, de quem se tornou grande admirador.
Entre 1894 e 1908, trabalhou no Instituto de Zoologia da Universidade de Würzburg, onde obteve os conhecimentos em micro-cirurgia de que precisaria mais tarde em seus trabalhos sobre as dinâmicas do desenvolvimento embrionário. Formou-se em Zoologia e Fisiologia em 1895. Qualificou-se como mestre em Zoologia, em 1898, pela Universidade de Würzburg, tornando-se professor de Zoologia e Anatomia Comparativa em Rostock a partir de 1908.
Em 1914, tornou-se diretor associado do Instituto kaiser Wilhelm de Biologia de Berlim-Dahlem e, em 1919, foi apontado professor da cadeira de Zoologia da Universidade de Friburgo, uma das mais respeitadas e de maior destaque de toda a Europa.
As pesquisas que desenvolveu em Rostock, Berlim e Friburgo levaram-no, nos anos de 1920, aos resultados científicos que o consagraram e que lhe renderam, em 1935, a Premiação Nobel. A partir de 1935, afastado das salas de aula, dedicou-se exclusivamente às pesquisas laboratoriais. Permaneceu em Friburgo como Professor Emérito, vindo a falecer em nove de setembro de 1941 nessa mesma cidade.
 
 
O Efeito-Organizador no desenvolvimento embrionário:
 
Como ocorre o entrelaçamento harmonioso de processos separados que fazem, em conjunto, o desenvolvimento completo do embrião? Os experimentos que conduziram Hans Spemann à descoberta do fenômeno por ele designado por “Efeito-Organizador” retornam a essa questão e ao início das mecânicas do desenvolvimento.
Instigado por essa dúvida, Spemann passou a analisar os trabalhos de Wilhelm Roux e de Hans Driesch, pioneiros no uso de métodos experimentais em pesquisas sobre o desenvolvimento. Roux observou que ao furar um dos dois blastômeros de um ovo de sapo, obteve-se apenas metade de um embrião.  Já Driesch, separou os dois blastômeros de um ovo de ouriço-do-mar e obteve dois menores, mas completos embriões.
Comparando os experimentos, Spemann percebeu que a diferença obtida nos resultados independia do material utilizado, era conseqüência do método aplicado por cada um. A célula completamente isolada, a qual fora reduzida pela metade, poderia crescer por inteiro, no entanto, esse crescimento fica inibido se a célula morta estiver presente, isto é, a célula continua a crescer de acordo com a sua determinação original. Spemann começava a elaborar a sua teoria.
A partir dessas premissas, Hans Spemann iniciou os seus experimentos, todos realizados em embriões de anfíbios jovens. O primeiro deles consistiu na troca de uma porção da epiderme presumida e outra de placa neural entre dois embriões de mesma idade, ambos no início da gastrulação. O desenvolvimento procedeu normalmente e ficou óbvio que as porções eram permutáveis.
Com isso, Spemann pode inferir não somente a natureza indiferente das células nesse primeiro estágio de desenvolvimento, o que já seria revolucionário à época, mas também que a porção transplantada deve, no seu novo ambiente, sujeitar-se a alguns tipos de influência, que determinam o seu desenvolvimento subseqüente, ou seja, a célula é induzida a desenvolver-se de modo a suprir as necessidades do meio onde se encontra.
Bem-sucedido, Spemann resolveu ir mais além. Acreditou ser possível, usando outras técnicas de implante, incorporar no embrião hospedeiro partes de outro em idade e espécies diferentes. Partindo desse princípio, Spemann removeu uma porção de placa neural presumida de um embrião triton taeniatus, que possui pigmentação normal, no começo da gastrulação, e a permutou com uma porção de epiderme presumida de um embrião triton cristatus, sem pigmentação.
O embrião, no qual o hospedeiro era o triton taeniatus, mostrou mais tarde uma área retangular de tecido cristatus branco, que se desenvolveu em seguida em partes do cérebro e do olho. O embrião que tinha o triton cristatus como hospedeiro mostrou no lado direito da epiderme da área da guelra uma longa lista de tecido taeniatus escura, a qual veio a desenvolver mais epiderme e a formar a cobertura das guelras externas.
Esses implantes heteroblásticos permitiram a Spemann o entendimento da distribuição e das mudanças do material implantado durante o processo de desenvolvimento embrionário. Devido ao fato de permanecer distinguível por considerável período de tempo, Spemann pode testar a permutabilidade das partes dos embriões e verificar a existência de centros organizadores específicos, que induzem a diferenciação celular e orientam o crescimento do embrião.
Dessa forma, Spemann definiu que as induções embrionárias consistem na capacidade de um tecido em orientar a diferenciação e a evolução de tecidos vizinhos. O desenvolvimento embrionário, pois, pode ser definido como uma série sucessiva de induções de ordem crescente, isto é, em que há, a cada nova indução, influência de um grupo cada vez maior de células, os “organizadores”.
Spemann constatou, então, que o cordamesoderma primordial, que passou a chamar de organizador primário, é o foco em torno do qual se desenvolve todo o resto do embrião. Ele se diferencia no eixo mesodérmico, contendo os somitos, com disposição segmentar e, como resultado de induções nos tecidos circundantes, determina a formação de quase todos os órgãos do corpo. Constatou que o mesmo ocorre com as demais regiões do embrião, essas constituindo o que chamou de organizadores secundários. Exemplo claro de estímulo indutivo desse tipo é quando as vesículas ópticas em desenvolvimento entram em contato com a ectoderme da cabeça, fazendo com que se espessem e se invaginem, originando o cristalino do olho.
Além disso, Spemann pode inferir que o estimulo indutivo, que acreditava ser de natureza química e, por isso, inespecífico, não prescreve a característica específica, mas libera o já inerente no sistema de reação e desenvolvimento. Assim, a seqüência de processos de indução promove uma variedade morfofuncional de células embrionárias, que elas passam a se organizar em grupos conforme a sua semelhança, formando os tecidos, que, agindo sob a orientação de outras induções num processo de migração celular, traçam os primeiros esboços dos órgãos do adulto, num período chamado organogênese.
As pesquisas de Hans Spemann demonstram, portanto, que determinadas células embrionárias controlam a diferenciação das células adjacentes e que grande parte do embrião desenvolve-se às custas dessas induções embriológicas, isto é, uma parte do corpo agindo sobre outra e esta, por sua vez, atuando ainda sobre outras até que se entrelacem harmoniosamente os processos que formam as diferentes estruturas corporais.
Esses experimentos propiciaram a Spemann a consagração internacional e, em 1935, a premiação Nobel. A fama e o prestígio não marcaram, no entanto, a aposentadoria de Spemann, como ocorreu com outros pesquisadores. Pelo contrário, serviram-lhe de incentivo para que avançasse com trabalhos ainda mais inovadores.
Spemann mostrava-se contrariado com a teoria sobre a diferenciação celular vigente à época, que dizia que a composição genética do núcleo sofria modificações ao correr das gerações, de tal modo que uma célula-filha herdasse um conjunto distinto de genes que o herdado pela outra célula-filha.
Em 1938, Spemann derrubou essa teoria, mostrando-a errônea de forma especialmente ilustrativa ao transplantar o núcleo de uma célula da mucosa intestinal de rã em um óvulo também de rã, cujo núcleo havia sido previamente removido, e comprovar que este óvulo pode, muitas vezes, levar à formação de uma rã inteiramente normal. Spemann demonstrou com esse experimento que até mesmo a célula da mucosa intestinal, que é relativamente bem diferenciada, ainda contém toda a informação genética necessária ao desenvolvimento de todas as estruturas corporais.
 
 
Contribuições:
 
O estudo e a relação entre o desenvolvimento embrionário e a evolução, hoje conhecido como Biologia do Desenvolvimento, passou por anos de esquecimento e empirismo, inclusive na literatura Mayr, o qual negligencia a importante descoberta de Hans Spermann, nos anos 20, na qual células de um embrião geravam um efeito casual nas células vizinhas, ou seja, a comprovação de que um grupo de células induz um efeito em outra. Isso mostra, portanto, que há centros organizadores nas células, não de naturaza vitalista, mas de natureza química que seriam os hormônios. Com um programa de pesquisa, baseado na identificação dos centros organizadores que surgiam no desenvolvimento do embrião.
Infelizmente nenhum historiador está salvo de omitir algum nome na história da ciência ou de também desconsiderar a importância de alguns programas de pesquisa, como aconteceu com a base do pensamento da embriologia atual e de seus complexos processos de  diferenciação celular.
Os passos de Spemann ainda são a base para a compreensão de processos como a clonagem. Em 1902, ele propõe o primeiro trabalho de clonagem por divisão embrionária: divide células do embrião bicelular de uma salamandra em dois cada células resultante originou um animal. Processo semelhante ao que ocorre na natureza quando na geração de gêmeos univitelinos que tem origem a partir de uma mesmo óvulo e de um mesmo espermatozóide.  Já em 1938, suas pesquisas levam às  bases teóricas da clonagem por transferência nuclear. A substituição do núcleo de um óvulo por outro proveniente de uma célula de um indivíduo já existente, que foi a modalidade utilizada para a geração da ovelha Dolly.
Além disso, ao identificar as induções embriológicas, instigou também pesquisas no ramo da comunicação intercelular. Hoje sabe-se que essa comunicação é feita por proteínas, sobretudo, a Proteína-G, cuja descoberta propiciou a Alfred G. Gilman e Martin Rodbell a premiação Nobel de 1994. Da mesma forma, ao relatar que as induções embriológicas estimulam o desenvolvimento do embrião, abriu caminho para as pesquisas com o que se convencionou chamar fatores de crescimento, cujos descobridores Rita Levi Moltalcini e Stanley Cohen forma laureados com o Prêmio Nobel de 1986.
Quando verificou a natureza indiferente das células embrionárias, Spemann abriu caminho para o desenvolvimento de pesquisas com células-tronco, que só muito recentemente vêm tomando forma. Outras importantes contribuições de Spemann foram a nova idéia de diferenciação celular e a técnica de implante de núcleo, que levaram muitos pesquisadores a investir em pesquisas sobre clonagem. Ambas, pesquisas que, além de abrirem controvérsia do ponto-de-vista ético e legal, trazem a esperança de novas terapias médicas e vêm tornando-se realidade em programas de manipulação genética e de bioengenharia. 
 
 
Conclusão:
 
Por tudo isso, é indiscutível a importância do trabalho do alemão Hans Spemann, bem como são inúmeras e frutíferas as suas contribuições para o crescer do saber científico e a elaboração de novas pesquisas. Afinal, além de esclarecer as mecânicas do desenvolvimento embrionário, ainda propiciou o ingresso em áreas de pesquisas até então impensáveis.
 
 
Referências Bibliográficas
1.NORO, J. J.- Nobel, O Prêmio e o Homem. 1º ed., São Paulo: JSN Editora, 1999.
2.MOORE, K. L. & PERSAUD, T. V. N.- Embriologia Básica. 5ºed, Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2000.
3.GUYTON, A.C. & HALL, J.E.- Tratado de Fisiologia Médica. 10ºed, Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2004.
4.http://nobelprize.org/medicine/laureates/1935/spemann-bio.html - acesso em abril de 2006.
5.http:://scientiaestudia.org.br/revista/PDF/02_03_01_Springer.pdf – acesso em abril de 2006.
6.http://www.sobiografias.hpg.ig.com.br/HansSpem.html - acesso em maio de 2006.
7.http://www.fflch.usp.br/df/opessoa/AO&C-tex.pdf - acesso em maio de 2006.
8.http://www.ufrgs.br/Imunogenetica/comciencia.doc - acesso em julho de 2006.
9.http://ribeiraopreto.sp.gov.br/ssaude/principal/painel/I16clones.htm - acesso em julho de 2006.
10. http://www.ufrgs.br/bioetica/clone.htm - acesso em julho de 2006.
 
Orientadores:
Evania Araújo
Jorge Salton
 
1936: DALE e LOEWI

 

Artigo científico escrito por:
DENTI, Felipe 
MATURANA, Diego
PALMA, Fernanda
Faculdade de Medicina da UPF
 
(FOTO: OTTO LOEWI)
 
RESUMO
O presente artigo é uma revisão bibliográfica sobre a vida e a obra dos laureados com o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1936, que são Sir Henry Dale e Otto Loewi. Eles estudaram a transmissão química dos impulsos nervosos. Suas descobertas representaram uma renovação dos conceitos sobre o sistema nervoso simpático.
 
PALAVRAS-CHAVE
Prêmio Nobel, sistema nervoso, transmissão química dos impulsos nervosos, acetilcolina, adrenalina.
 
ABSTRACT
The current article is a bibliographic review about life and work  of the Nobel Prize in Physiology and Medicine Laureates’ of 1936, witch are Sir Henry Dale and Otto Loewi. They studied the chemical transmission of nerve impulses. Their discoveries represented a renewal of the concepts of the sympathetic nervous system.
 
KEY WORDS
Nobel Prize, nervous system, chemical transmission of nerve impulse, acetylcholine, adrenaline.
 
INTRODUÇÃO
Otto Loewi e Henry Hallett Dale foram importantes figuras na historia da fisiologia e da medicina. Suas contribuições permitiram grandes avanços em uma época onde os recursos técnicos eram escassos e dependiam somente de sua genialidade e ousadia. Tanto fizeram que receberam o Premio Nobel de Medicina, símbolo máximo do reconhecimento a obras cientificas. Idealizado, este, por Alfred Nobel e criado em 1895, pouco antes de seu falecimento, homenageando e incentivando cientistas das áreas de Medicina e Fisiologia, Química, Física, Literatura e Promoção da Paz.  
 
DESENVOLVIMENTO
Otto Loewi, um dos ganhadores do Nobel em 1936, nasceu em 3 de junho de 1873, em Freankfurt-am-Main, Alemanha. Depois de completar o ginásio, ele entrou nas Universidades de Munich e Strassburg em 1891 como estudante de medicina e formou-se em 1986.
No começo de sua carreira, trabalhou em pesquisa em diversos laboratórios, e depois de trabalhar com um clínico, e observar o alto nível de mortalidade de seus pacientes, que não tinham opções terapêuticas para o tratamento de suas doenças, ele decidiu estudar a ciência médica, especialmente a farmacologia.
Em 1908 ele se casou com Guida Goldschmiedt, com quem teve três filhos e uma filha. Ele então trabalhou assistindo a vários médicos, até que, em 1909, ele foi apontado para a cadeira de farmacologia, em Graz. 
No início de seu trabalho, ele pesquisava o metabolismo humano, e em 1902 pode provar que os animais podiam ressintetizar suas proteínas a partir de seus produtos de degradação, os aminoácidos, uma grande descoberta para a nutrição.
Nesse mesmo ano, passou alguns meses trabalhando no laboratório de Starling, em Londres, onde conheceu seu futuro amigo Henry Dale.
Em 1905, retomou suas pesquisas no metabolismo dos carboidratos, e provou que há preferência do metabolismo para o gasto da frutose em vez da glicose, em situações em que o glicogênio não possa ser encontrado. Ele provou também, que, ao contrario do fígado, o coração não pode usar frutose para adquirir energia. Além disso, mostrou que injeções de epinefrina em coelhos sem glicogênio no fígado devido à privação podem trazê-lo de volta ao órgão a níveis quase normais.
Neste mesmo ano ele ainda trabalhou em Viena, com Alfred Fröhlich no campo da neurologia, estudando o sistema nervoso vegetativo. A parte mais importante de seu estudo foi a que mostrava que pequenas doses de cocaína potencializam as respostas de órgãos inervados pelo sistema nervoso simpático à epinefrina e à estimulação nervosa do simpático.
Em 1921 descobriu a transmissão química dos impulsos nervosos, pesquisa que foi amplamente desenvolvida por ele e seus colegas nos anos seguintes, culminando na demonstração de que o agente do sistema nervoso parassimpático é a acetilcolina, e que uma substancia próxima à adrenalina agia de forma parecida nas terminações nervosas simpáticas.
Foi por essas pesquisas que ele recebeu, juntamente com Henry Dale, o prêmio Nobel em 1936. Essa e outras descobertas posteriores foram responsáveis por uma completa renovação nos conceitos sobre o sistema nervoso simpático.
Em 1938 ele teve que abandonar a Alemanha devido à guerra, e em 1940 foi para os Estados Unidos trabalhar como professor e pesquisador da área de farmacologia. Lecionou em muitas Universidades de destaque e ganhou vários prêmios. Tornou-se cidadão americano em 1946, e morreu em 25 de dezembro de 1961.
Henry Hallett Dale, o outro cientista laureado com o prêmio Nobel no mesmo ano, nasceu em Londres, em 9 de junho de 1875. Em 1894 ingressou em Trinity com uma bolsa de estudos, e graduou-se em ciências naturais, especializado em fisiologia e zoologia. Entre 1898 e 1900 ele continuou seus estudos em Trinity e em 1900 ele ganhou uma bolsa para trabalhar a parte clinica do curso de medicina no hospital São Bartolomeu. Durante seus estudos costumava acompanhar Starling em suas pesquisas, e em 1902 conheceu ali Otto Loewi, com quem desempenharia um grande papel para a medicina.
Casou-se em 1904 com Ellen Harriet Dale, sua prima, e uma de suas filhas, Alison, veio a se casar com Lord Todd, laureado com o premio Nobel de química em 1957.
Em 1914 foi indicado diretor do departamento de bioquímica e farmacologia do instituto nacional para a pesquisa médica, em Londres, e em 1928 tornou-se diretor dessa instituição até 1942, quando se tornou professor de química e diretor do laboratório Davy-Faraday.
Foi apontado cavaleiro em 1932, laureado com o premio Nobel em 1936 e recebeu uma medalha de honra da Rainha em 1942.
Dentre suas pesquisas está a da ação da histamina, o que possibilitou estudos em anafilase e condições de choque. E também estudou a acetilcolina, que contribuiu para a descoberta de Otto Loewi para o prêmio, e escreveu dois livros: “Adventures in Physiology” e “An autumn Gleaning”.
Durante toda sua vida, Sir Henry Dale ocupou muitos cargos importantes em diversas instituições e recebeu muitos prêmios durante a sua carreira, vindo a falecer em 23 de julho de 1957.
Os trabalhos de Loewi e Dale basearam-se nas informações iniciais que eles possuíam, de que os neurônios não se fundem em suas ramificações, mas havia ainda o questionamento sobre qual era o tipo de comunicação entre os neurônios que permitia a transmissão do impulso nervoso. Essa comunicação era muito pequena para ser vista nos microscópios da época. A prova morfológica definitiva foi dada apenas em 1954 com um microscópio eletrônico mais moderno. 
Henry Hallett Dale tinha investigado em 1914 as ações de uma substância ativa no ergot, que era extraído de um fungo que infectava grãos como o trigo, e que provocava fortíssimos efeitos sobre o sistema nervoso autônomo, podendo levar à morte. Por acaso ele descobriu que esta substância revertia os efeitos da adrenalina no coração conforme tinha sido determinado pelos estudos de outro fisiologista inglês, T.R, Elliot, em 1904. Estudando mais intimamente os efeitos dessa substância misteriosa do ergot em preparações de coração, ele determinou que ela era idêntica à uma molécula conhecida como acetilcolina, e que tinha uma ação similar à conseguida por estimulação do sistema parassimpático.
Todas estas evidências convenceram os cientistas que muitas das sinapses eram de natureza química e que a adrenalina e a acetilcolina poderiam ser alguns destes transmissores. Entretanto, a prova fundamental que faltava para isso veio apenas em 1921, com os experimentos cruciais realizados por Otto Loewi. Ele idealizou o experimento crucial que comprovou de forma confiável pela primeira vez a existência de transmissão química no SNA. Ele perfundiu 2 corações de sapo isolados, assim eles permaneciam tendo contrações por um tempo. Em um ele estimulou o nervo vago e obteve uma inibição das contrações. Então ele perfundiu o outro coração com a substância efluente do primeiro, obtendo o mesmo resultado. Concluiu assim que avia alguma substancia no coração estimulado que era liberada pelo sistema parassimpático que agia na sinapse neuromuscular do coração. Ele estava quase convicto que esta substancia era a acetilcolina. Fez a experiência novamente mas agora estimulando os nervos ganglionares do coração, o sistema simpático, obtendo uma aceleração dos batimentos cardíacos. Perfundiu o liquido no coração não estimulado e obteve o mesmo efeito de aceleração, obtendo um efeito similar a adrenalina. Ele deu o nome de “transmissão neuro-humoral” para sua descoberta.
No entanto, Loewi duvidava ainda, que se pudesse generalizar essa descoberta para o sistema nervoso como um todo, incluindo o SNC. As pesquisas nesta área eram muito mais difíceis de serem realizadas, pois não haviam ainda técnicas adequadas para isso. Sir Henry Dale, em uma série de experimentos entre 1929 e 1936, determinou que a acetilcolina era também o neurotransmissor na sinapse entre o sistema nervoso e o músculo esquelético, e que as sinapses ganglionares no SNA eram todas colinérgicas, em contraste com as pós-ganglionares, que podiam ser colinérgicas ou adrenérgicas, conforme tinha sido demonstrado por Loewi. Dale também foi o primeiro a isolar acetilcolina de órgãos de mamíferos e a inventar os termos "sinapse colinérgica" e "sinapse adrenérgica".
 
CONCLUSÃO
Os trabalhos de Dale e Loewi tiveram grande relevância no estudo das transmissões nervosas. O próprio Dale concluiu: "De acordo com esta evidência relativamente nova, o mecanismo químico da transmissão diz respeito não apenas aos efeitos dos nervos autonômicos, mas também como a totalidade das atividades eferentes do sistema nervoso periférico, seja voluntário ou involuntário em função" . Ou seja, a importância de seus trabalhos não se resume somente a descobertas isoladas, mas mudou o pensamento sobre todo o funcionamento do sistema nervoso, principalmente no que tange às substancias neurotransmissoras e sua ação, tanto no sistema nervoso autônomo como no voluntário.  É obvia a grande importância que esses avanços têm hoje em dia se levarmos em conta a fisiopatologia que os envolve, bem como a farmacologia aplicada nesses casos.  
 
BIBLIOGRAFIA  
NOBEL prize. Disponível em: <www.nobelprize.org>. Acesso em 15 de maio de 2006.
SÓ biografias. Disponível em: <www.sobiografias.hpg.ig.com.br>. Acesso em 17 de maio de 2006.
SABBATINI, Renato. Neurônios e sinapses: A história de sua descoberta. Disponível em: <www.cerebromente.org.br>. Acesso em 23 de maio de 2006.
 
Orientadores
Evania Araújo
Jorge Salton
 
1937: SZENT GIÖRGYI

 

Artigo científico escrito por:
DANIEL SILVA
DANIELE BRISOTTO
DIEGO DELLAI
Faculdade de Medicina UPF
 
 
Introdução:
 
Este estudo bibliográfica sobre Albert von Szent Györgyi, ganhador do prêmio Nobel de 1937, tem por finalidade mostrar seu trajeto de pesquisas ao longo de sua vida, que o tornou reconhecido pela classe médica como importante descobridor e pesquisador. 
O escorbuto afetou muitas pessoas no Egito antigo, Grécia e Roma e, provavelmente, era conhecido por Hipócrates e pelo naturalista romano Plínio. O escorbuto influenciou o curso da história por causa da dieta que os soldados e marinheiros tinham durante as campanhas militares ou longas viagens pelos oceanos que, em geral, não apresentavam quantidades suficientes de vitamina C , pois não dispunham de frutos e vegetais frescos e, por isso, o número de baixas era muito grande. Em algumas semanas muitos destes soldados e marinheiros apresentavam sangramento nas gengivas, dentes soltos, hemorragias, juntas doloridas, letargia e feridas que não cicatrizavam - estes são os sintomas do escorbuto . Ao final da Idade Média o escorbuto tornou-se epidêmico no norte e centro da Europa. Entre 1556 e 1857, 114 epidemias de escorbuto foram descritas em vários países, ocorrendo a maior parte durante o inverno, quando frutas e vegetais frescos não se encontravam disponíveis. Nesse período, entre 1500 e 1900, mais de 2 milhões de marinheiros morreram de escorbuto.
O conceito de uma vitamina antiescorbútica foi postulado em 1912 por Funk, depois que Axel Holst e Teodor Frölich, em 1907, induziram escorbuto em cobaias. O primeiro isolamento da vitamina C foi obtido pelo cientista húngaro Albert Szent-Györgyi em 1928, que trabalhava com a natureza das oxidações dos nutrientes e sua relação com a produção de energia. 
Com certeza, as descobertas sobre a vitamina C, contração muscular e processos de combustão mostram ser muito importantes para os avanços da medicina referente aos anos posteriores e de grande melhoria para a sociedade atual.  
 
Biografia:
 
Em 16 de setembro de 1983, nasceu o bioquímico húngaro Albert Von Szent Gyorgyi, na cidade de Budapeste, o segundo filho de Nicolaus Von Gyorgyi, um grande proprietário de terras, e de Josefine, cujo pai, Joseph Lenhossék era professor de anatomia na universidade de Budapeste. O interesse de Albert pela ciência era inspirado pelo seu tio Mihály, um fisiologista famoso, que era uma presença constante durante a sua infância. 
Quando criança pouco gostava de livros e necessitava freqüentemente de ajuda nos exames. Aos dezesseis anos anunciou a sua família que pretendia se transformar em um pesquisador médico, mas seu tio Mihály o desanimou. Anos depois seu tio teve que se arrepender de suas palavras ao ver Szent graduado com honras no colegial.   
No ano de 1911 Szent entrou na escola médica  de Budapeste, e passou a trabalhar no laboratório de seu tio Mihály até o início da I Guerra mundial. Serviu nas frentes italianas e russas, foi condecorado por bravura e dispensado depois de ferido em ação. No tempo de guerra casou com Cornelia Demeny, filha de um general húngaro, e em outubro de 1918 tornou-se pai de uma menina.  
Após terminar os estudos em Budapeste, trabalhou como farmacólogo e estudou eletrofisiologia em Praga, e foi para Hamburgo para um curso de fisioquímica. Em 1920, torna-se assistente na Universidade de farmacologia, e trabalhou no instituto de fisiologia nos Países Baixos.
Já em 1927, vai para Cambridge e estagiou na fundação de Mayo Rochester, Minnesota. Em 1928 Szent foi o primeiro a isolar a vitamina C, quando o mesmo trabalhava com a natureza das oxidações dos nutrientes  e sua relação com a produção de energia. Conta a história que ao ir a Londres em uma conferência para mostrar uma amostra de vitamina C que ele separou do sal puro, acabou caindo de motocicleta na Espanha, e por ter ferimentos, terminou por comer a amostra, chegando a Londres sem vitaminas, mas sem infecção. 
Ao voltar a Cambridge toma posse da cadeira de química médica no curso de medicina em 1936 e de química orgânica em 1935. 
• 1933-36 – Viajou amplamente, “pregando vitamina C” utilizando-a em várias doenças; também continuou a trabalhar em processos metabólicos de células musculares.
• 1933-41 - Aumentou a atividade antifascista, especialmente como professor universitário e reitor, incluindo auxiliar amigos judeus a escapar quando as condições ficaram mais repressivas.
• 1937 -  Recebeu o Prêmio Nobel de Psicologia ou Medicina por “descobertas em conexão com processos de combustão biológica, com referência especial à vitamina C e a catálise de ácido fumárico”. 
• 1938-43 – Começou o trabalho com a bioquímica de movimento muscular, articulou idéias sobre a aplicação de física quântica em estudos bioquímicos (1941).
• 1941 – Divorciou-se de Nelly;casou com Marta Miskolczy.
• 1941-45 – Tornou-se mais envolvido em política, e eventualmente com o underground antifascista húngaro; conheceu representantes aliados pela possível deserção do eixo aliado em 1943, levando Hitler a exigir sua prisão. Sob prisão domiciliar em 1944, escapou da Gestapo e passou o resto da guerra como fugitivo.
• 1945-47 -  Ajudou a reconstruir Budapeste, especialmente a Universidade e Academia de Ciências; esperou que as forças russas fossem tolerantes a democracia social, mas foi desapontado.
• 1947 – Emigrou para os Estados Unidos, se estabeleceu em Woods Hole, Massachusetts, e começou a Fundação Szent-Györgyi para pesquisa muscular.
• 1948-50 – Recebeu uma verba para pesquisa do Instituto nacional de Saúde (NIH); também recebeu fundos da Fundação Rockefeller e da Universidade de Princeton, a Fundação Szent-Györgyi foi renomeada Instituto para Pesquisa Muscular.
• 1950-54 – Recebeu verba para pesquisa de Armour Meat Company para continuar a pesquisa em tecidos musculares e bioquímica. Recebeu verbas adicionais da American Heart Association .
• 1954 – Recebeu um prêmio Lasker em 1954 pela sua contribuição na compreensão de doenças cardiovasculares através de pesquisa básica.
• 1955 – Tornou-se cidadão americano. 
• 1955-70 – Começou a trabalhar com bioflavinoides, se concentrando em seu valor possível para a compreensão e tratamento de câncer, recebendo a maior parte da verba de NIH.
• 1956 – Eleito na Academia Nacional de Ciências.
• 1960 – Começou a escrever e palestrar sobre a ameaça nuclear e o movimento para a paz, mais tarde sobre a guerra do Vietnã.
• 1963 – Marta Szent-Györgyi morre de câncer.
• 1972 – Franklin e Tâmara Salisbury começam a angariar fundos para uma fundação para apoiar as pesquisas de câncer de Szent-Györyi, a Fundação Nacional para Pesquisa de Câncer.
•1973-83 – O trabalho de Szent-Györgyi têm o apoio da NFCR; teorias desenvolvidas sobre as conexões entre radicais livres químicos e câncer.
•1975 – Casou-se com Márcia Houston.
•1986 – Morre em Woods Hole (22 de Outubro).
 
Tese:
Em 1931, Joseph Svirbely, doutor americano reúne a equipe de pesquisa de Albert, seu amigo. Joseph trabalhou com C.G. King da Universidade de Pitisburgh a fim de isolar a vitamina C. Em seus experimentos, Albert lhes deu os remanescentes de ácido hexurônico que ele havia isolado em Mayo para eles usarem em cobaias com escorbuto induzido, com tal experimento, provaram que o ácido hexurônico era, de fato, a vitamina C..
Em abril de 1932, a ciência publicou o anúncio de C.G que tinha descoberto a vitamina C, que era idêntico ao ácido hexurônico. C.G., falou que Szent-Gyorgyi havia  trabalhado com ácido hexurônico, mas não lhe deu nenhum crédito pela vitamina C. Albert ficou desanimado, foi uma controvérsia amarga que se seguiu. Contudo, os cientistas europeus britânicos souberam  do longo trajeto de Albert com essa substância anti-oxidante e aceitaram suas reivindicações referente a suas pesquisas.
Por estar impedido de repetir suas experiências da vitamina, em glândulas adrenais, e por não ter sucesso com as experiências com frutas e vegetais, ocorreu-lhe em 1932, testar em pimentas, descobrindo com isso, ser esta uma fonte rica em vitamina C.
Szent emitiu na época, também uma fonte à organização da saúde da liga das nações, para que distribuíssem a vitamina nas áreas onde o escorbuto era ainda prevalente, como por exemplo, na Noruega. O cientista,  levou muito tempo sugerindo que a vitamina poderia ser valiosa como curativa e preventiva para algumas doenças. Tentou interessar alguns bioquímicos britânicos e ingleses a fazerem algumas experimentações clínicas, mas esses recusaram tais métodos. A vitamina C provou decepcionar enquanto método curativo, entretanto Szent iniciou pesquisa em outras áreas.
O pesquisador,  começou a investigar, a respiração no tecido do músculo do peito do pombo, descobrindo por sua vez, que alguns ácidos tais como ácido fumárico, málico, e sucinato ( ácidos dicarboxílicos) têm papel na respiração. Ao adicionar pequenas quantias deles no músculo do pombo, percebeu que os ácidos não são consumidos como combustíveis, mas que estimulam a oxidação de um hidrato de carbono.
Ele propôs que o hidrogênio reduz um primeiro ácido dicarboxìlico, o ácido oxalacetato; o ácido málico resultante, reduziu o fumarato, e o ácido sucinato produzido assim por sua vez, transferia seus hidrogênio aos citocromos. Por volta de 1937, Szent tinha identificado o processo como um ciclo capaz de gerar ATP. Após, Hans Krebs estuda mais sobre o ciclo e o define como sendo o ciclo do ácido cítrico, ou Ciclo de Krebs.
A pesquisa de Albert  na respiração do tecido do músculo conduziu-lhe à pergunta de como o músculo se move. Szent-Gyorgyi raciocinou que a interação miosina-ATP explica o movimento do músculo. Para aprender mais sobre como o tecido do músculo muda de forma e tamanho, e sobre as substâncias químicas envolvidas, para isso extraiu a miosina do músculo do coelho com uma seringa, pressionando, então, ela para fora em linhas finas. Quando adicionou o ATP, as linhas  contraíram-se rapidamente a um terço de seu tamanho original.
Com essa experiência viu o músculo contrair e percebeu um dos sinais mais velhos e mais misteriosos da vida- o movimento- reproduzido pela primeira vez in vitro, era a experiência mais emocionante de sua carreira em pesquisas, comentou ele. Mais tarde Bruno Straub e Llnoa Babga, descobrem uma segunda proteína, a actina, que se combinaria com a miosina. Com esses estudos em 1944, a equipe elucida o mecanismo da contração do músculo e o papel do ATP no processo, assim publicando uma série de estudos sobre a pesquisa.
As pesquisas de Gyorgyi,  trouxeram benefícios para a sociedade como um todo, pois a vitamina, além de atuar na prevenção de infecções gerais, aumenta a resistência natural do corpo, e é reconhecida no combate aos radicais livres causadores de envelhecimento e como auxiliar no fortalecimento do sistema imunológico.
O estresse, o tabaco, o álcool, as frituras, as conservas, e os alimentos defumados produzem substâncias denominadas oxidantes, que metabolizam no organismo humano a produção de compostos genericamente denominados de radicais livres. Por ser a vitamina C uma substância antioxidante, ela age no combate desses radicais, prevenindo, com isso, a ação deles no organismo.
Conclusão:
No decorrer da leitura e elaboração do presente artigo, adquiriu-se conhecimento sobre a trajetória do pesquisador Albert Von Szent-Gyorgyi, bem como, de seus experimentos científicos, tal como, a descoberta da vitamina C, que lhe rendeu o Prêmio Nobel no ano de 1937.
Diante de sua vida e obra, observou-se o empenho com que o cientista desenvolveu seus estudos desde sua entrada na escola médica em Budapeste, seu trabalho no laboratório de seu tio, seus trabalhos na área de fisioquímica até suas pesquisas.
Observou-se também que sua tese que lhe rendeu o Prêmio Nobel em 1937, foi fruto de anos de trabalho e pesquisa. O pesquisador com suas teses e testes em glândulas adrenais, frutas, cobaias, ajudaram-lhe a compreender melhor o efeito da vitamina C no corpo humano.
Além de ter estudado os processos de combustão, Albert ao descobrir os mecanismos de contração, trouxe inúmeras contribuições ao fenômeno do movimento do corpo, por reproduzir pela primeira vez o efeito in vitro.
Por fim, as contribuições do pesquisador e estudioso para a ciência, mostram-se  presentes, pois a descoberta da vitamina C, além de prevenir acerca de infecções em geral, combate radicais livres por ser uma substância oxidante, previne a ação do tabaco e do estresse no organismo, como também a influência das frituras, dos alimentos defumados, entre outros.
 
Bibliografia:
-Site: www.nobelprize.org
- acesso em maio/2006
-Site: www.nfcr.org
- acesso em junho/2006
 
Orientadores:
Evania Araújo
Jorge Salton
1938: HEYMANS

 

Artigo escrito por:
Carlos Eduardo Grams
Cristine Suzana Trein
Daiane Cristine Dörr
Faculdade de Medicina - UPF
 
Corneille Heymans
 
RESUMO
Este artigo refere-se aos trabalhos de Corneille Jean François Heymans, mais especificamente sobre seus experimentos que o levaram a receber o Premio Nobel de Medicina de 1938. Suas duvidas o levaram a pesquisar sobre os sistemas envolvidos na fisiologia da respiração e seus respectivos meios de controle, concentrando seus estudos nas interações entre freqüência respiratória, pressão sanguínea e freqüência cardíaca. As pesquisas culminaram com a descoberta dos quimioreceptores, localizados nos seios carotídeo e aórtico, que contribuiu com diversas áreas biomédicas.
Palavras-chave: Corneille Jean François Heymans, Premio Nobel de Medicina de 1938, fisiologia da respiração, quimioreceptores.
ABSTRACT
This article is about Corneille Jean François Heymans and his works, especially of his experiments that gave him the Nobel Prize of Medicine in 1938. Corneille´s thoughts inspirate his research of the breathig systems and its controlers, whith a focus at the interatcions between repiratory frequency, blood pressure, and heart frequency.His project culminate at the discovery of the quimioreceptors, located at the aortic and carotic sinus.
BIOGRAFIA
Corneille Jean François Heymans nasceu em Ghent, Bélgica, no dia 28 de março de 1892. O pai dele era J. F. Heymans, Professor de Farmacologia e Reitor da Universidade de Ghent que fundou o J. F. Heymans Institute de Farmacologia e Terapêuticas na mesma universidade. Corneille estudou quando criança na escola St. Lievenscollege (Ghent), St. Jozefscollege (Turnhout) e St. Barbaracollege (Ghent). Estudou medicina na Universidade de Ghent onde ele obteve o seu titulo de doutor em 1920. 
Trabalhou no Collège de France, Paris (juntamente com Prof. E. Gley), na Universidade de Lausanne (com Prof. M. Arthus), Universidade de Viena (Prof. H. H. Meyer), Faculdade de Londres (Prof. E. H. Starling) e na Western Reserve Medical School (Prof. C. F. Wiggers).
Em 1922 ele começou a lecionar Farmacologia na Universidade de Ghent. Em 1930 ele sucedeu o pai dele como Professor de Farmacologia, enquanto assumia o cargo mais alto no Departamento de Farmacologia e Toxicologia. Veio também a assumir a diretoria do J. F. Heymans Instituem.
As investigações científicas estudadas no Heymans Instituem são principalmente dirigidas para a fisiologia e farmacologia da respiração, circulação do sangue e metabolismo humanos. Estes estudos conduziram, em particular, para a descoberta dos quimioreceptores, situados na aorta e áreas do seio de carótida, e também para contribuições relativo ao regulamento da pressão sanguínea arterial e hipertensão. A descoberta do papel reflexogênico de tais estudos, fez de Heymans o ganhador do Prêmio Nobel em 1938.
Um autor prolífico, Heymans tem desde 1920, mais de 800 artigos, publicados em vários periódicos diferentes. Heymans foi o publicador e redator-chefe dos Archives Internationales de et de Pharmacodynamie de Thérapie, fundado em 1895 por seu pai e o Professor E. Gley.
De 1945 até 1962, Heymans dissertou em numerosas universidades na Europa, América do Norte e América do Sul, África e Ásia, incluindo University of New York, Harvard University, University of Chicago e University of Dublin.
Engajado em missões especiais pelo Governo Belga, União Internacional de Ciências Fisiológicas e OMS, ele viajou para o Irã e Índia (1953), Egito (1955), o Congo (1957), América Latina (1958), China (1959), Japão (1960), Iraque (1962), Tunísia (1963), Camarões (1963). Ele foi o Presidente da União Internacional de Ciências Fisiológicas e do Conselho Internacional de Farmacólogos e presidiu o 20º Congresso Internacional de Fisiologia de Bruxelas em 1956. O conhecimento vasto dele de farmacologia justificou a nomeação dele como Sócio do Committee of Experts of the International Pharmacopoeia da OMS.
Corneille Heymans faleceu em 18 de julho de 1968.
TESE
Era sabido antigamente que variações na pressão e no fluxo sanguíneo afetavam a respiração, havendo uma interação pressão/respiração ocorrendo de forma direta e sendo esse mecanismo controlado pelo centro respiratório, devido a modificações do fluxo sanguíneo.
Heymans suspeitava que outras estruturas estavam envolvidas no controle do centro respiratório e queria descobrir que mecanismos envolviam esse controle.
 O estudo principal foi desenvolvido utilizando uma cabeça de cachorro isolada (B), perfundida com sangue de um corpo de outro cachorro (A) através de anastomoses entre as duas artérias carótidas comuns do cachorro A com as extremidades cefálicas das carótidas comuns do cachorro B e também das respectivas veias jugulares externas. A cabeça isolada do animal B também está ligada ao corpo do A por meio do nervo vago-depressor. Foram mantidos intactos os nervos vagoaórticos de ambos os animais.
Fase 1: uma hipotensão causada no corpo B provoca um estímulo no centro respiratório da cabeça B; e uma hipertensão, uma inibição no centro respiratório. Corneille concluiu que o estímulo foi dado pelo nervo vagoaórtico que foi mantido intacto.
Fase 2: um terceiro animal é introduzido no experimento (C). A região carotídea do corpo B é perfundida com o sangue do cachorro C, enquanto a cabeça continua sendo perfundida pelo animal A. Um aumento na pressão da região carotídea do corpo B, inibe o centro respiratório da cabeça B; ocorrendo o contrario quando ocorre a diminuição da pressão. Conclusão: a variação da pressão circulatória cefálica estimula o centro respiratório por um mecanismo reflexogênico.
Em 1924 a investigação de H. E. Hering mostrou que o seio carotídeo contém receptores (pressoreceptores endovasculares) que, por mecanismos de reflexo, atuam sobre o centro cardiovascular e respiratório regulando suas atividades.
O próximo problema era determinar se o centro respiratório era diretamente afetado pela variação na pressão e no fluxo sanguíneo. Após estudos foi observado que não: é necessário diminuir muito o fluxo sanguíneo para o cérebro para que o estímulo à resposta fosse obtido.
Conclui-se que as variações na pressão sanguínea arterial manifestam algum efeito no centro respiratório por meio de mecanismos de reflexos envolvendo os receptores dos seios aórtico e carotídeo.
Heymans também estudou os efeitos da composição química do sangue e do teor de O2 e CO2 sobre o centro respiratório, que antigamente pensavam que o afetava diretamente. Seus estudos demonstraram que asfixia e hipoxemia (limitadas à circulação sistêmica) estimulam o centro respiratório; enquanto uma hipercapnia inibe a respiração. Os reflexos dos impulsos do sistema circulatório, produzidos por algum desses efeitos, chegam à área cardioaortica que contém quimioreceptores reflexogênicos.
Os experimentos com perfusão de seio carotídeo, isolado de seu sistema circulatório, mostraram que ele é sensível aos estímulos fisiológicos contidos no sangue. Quando se induzia hipoxemia em um animal com os nervos quimiosensitivos da área do seio carotídeo e aórtico cortados, notava-se uma inibição progressiva da respiração e queda da pressão. Já em um animal com os nervos quimiosensitivos preservados, o mesmo procedimento causava hipertensão e taquipnéia. Logo, a falta de O2 estimula a respiração e causa hipertensão por um mecanismo reflexivo envolvendo os quimioreceptores do seio carotídeo e aórtico, que possuem o papel de manter a vida do organismo.
Experiências realizadas por C. F. Schmidt e J. H. Comroe provaram que é a tensão de O2 que atua nos quimioreceptores. Sua experiências demonstraram também o papel desse sensores químicos no estimulo ao centro respiratório quando ele é deprimido por feitos diretos exercidos por inúmeras drogas (morfina, éter, sedativos...), que conduzem o estimulo da hipoxemia ao centro respiratório continuamente.
Quanto à regulação do centro respiratório pelas quantidades de CO2 no sangue, Heymans mostrou que também é feita através desses sensores químicos. A hipercapnia causa primeiramente um efeito por meio dos mecanismos de reflexo e secundariamente por ação direta nos centro respiratório.
Outros experimentos demonstraram que diversas substancias farmacológicas (nicotina, cianeto, acetilcolina) produzem intensa estimulação nos quimioreceptores do seio carotídeo e estimulam portanto o centro respiratório e cardiovascular de maneira reflexiva. A ação direta só ocorrerá quando altas doses dessas substancias foram administradas.
Esses vários achados experimentais resumidos nessa pesquisa trazem a tona um novo mecanismo fisiológico, fisiopatológico e farmacológico que, pela regulação do centro respiratório por meio dos reflexos presso e quimio sensoriais vasculares, estabilizam e até mesmo uma relação funcional mais próxima entre a circulação, o metabolismo e respiração.
Referencias Bibliograficas
1.Nobelprize.org, the official web site of the Nobel Foundation 
(http://www.nobelprize.org) Acesso em agosto de 2006
2PubMed(http://www.pubmed.gov) Acessado em agosto de 2006
 
Orientadores:
EVANIA ARAÚJO
JORGE SALTON
1943:EDWARD DOISY e CARL HENRIK DAM

 

Artigo Científico escrito por:
Dornelles, Indara;
Miranda, Isabela;
Palludo, Luana.
 
Faculdade de Medicina da UPF
 
Edward A. Doisy
(Foto: Edward Doisy)
 
Resumo
 
O presente trabalho consiste em um relato a respeito do Prêmio Nobel de Medicina de 1943. Destaca-se a biografia dos vencedores Edward Adelbert Doisy, bioquímico americano, e Carl Peter Henrik Dam, bioquímico dinamarquês, que descobriram a vitamina K no ano de 1929 e 1939, respectivamente. Essa vitamina é um fator anti-hemorrágico capaz de restabelecer perturbações sangüíneas. Dam e Doisy isolaram a vitamina K1 da alfafa e determinaram sua exata estrutura. As formas naturais de vitamina K são a filoquinona e as menaquinonas. A vitamina K1, hoje chamada de filoquinona, é o único análogo da vitamina presente em plantas; é encontrada em hortaliças e óleos vegetais, os quais representam a fonte predominante da vitamina. A forma sintetizada por bactérias, as menaquinonas, originalmente chamadas de K2, foram subseqüentemente caracterizadas.
 
Palavras-chave: Prêmio Nobel 1943; vitamina K.
 
Abstract: The current article is about the Nobel Prize in Physiology and Medicine for 1943. Is outstanded the biography of the winners, Edward Adelbert Doisy, american biochemist, and Carl Peter Henrik Dam, danish biochemist, that have discovered the vitamin K in 1929 and 1939, respectively. This vitamin is an anthemorrhagic factor that have the capacity of re-establish blood injuries. Dam and Doisy have determined the vitamin K from the alfafa sprouts and also discovered it’s exactly structure. The natural presentations of vitamin K are the filoquinone and menaquinones. That vitamin, in filoquinone form (K1), can be found in plants, vegetables and vegetable oils. The menaquinones, called vitamin K2, are synthesized by microbes, and were recognized subsequently. 
 
Introdução
 
O Prémio Nobel foi instituído por Alfred Nobel, químico e industrial sueco, inventor da dinamite, em seu testamento. 
Alfred Nobel, que já vinha desgostoso com o uso militar dos explosivos que havia criado, ficou chocado ao ver a edição de um jornal francês, que noticiara por engano a morte de seu irmão Ludvig como sendo a sua e qualificando-o como "mercador da morte". É possível que essa visão antecipada do seu obituário tenha despertado nele o desejo de modificá-lo. Daí sua decisão de premiar aqueles que, no futuro, servissem ao bem da Humanidade - mais propriamente nos campos da física, química, fisiologia ou medicina, literatura e paz.
Os prêmios são entregues anualmente, no dia 10 de Dezembro, aniversário da morte do seu criador, a pessoas que fizeram pesquisas importantes, criaram técnicas pioneiras ou deram contribuições destacadas à sociedade.
A vitamina K foi descoberta no ano de 1929, por Edward Adelbert Doisy, e por Carl Peter Henrik Dam, em 1939. Tal fato proporcionou-lhes o Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia de 1943. 
O presente trabalho tem como objetivo reunir informações a respeito da descoberta dessa vitamina , da sua importância fisiológica e patológica, assim como da biografia de seus descobridores.
 
Desenvolvimento
 
Biografias
Edward Adelbert Doisy, bioquímico americano nascido em Hume, Illinois, no ano de 1893, ganhou o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina (1943) pela descoberta da natureza química da vitamina K, juntamente com o dinamarquês do Instituto Politécnico de Copenhagen, Henrik Carl Peter Dam (1895-1976), que havia descoberto esta mesma vitamina. Filho de Edward Perez e de Ada, Alley, foi educado na University of Illinois, onde obteve seu A.B. (1914) e o M.S. (1916). Foi assistente em bioquímica na Harvard Medical School (1915-1917) e esteve durante a guerra (1917-1919) a serviço da Sanitary Corps of the United States Army. Foi para a Harvard University, onde obteve seu Ph.D., em1920, e no período de 1919-1923 foi Instrutor, Associado e Professor Associado na Washington University School of Medicine, tornando-se em 1923 professor de bioquímica na St. Louis University School of Medicine, onde foi nomeado Diretor do Departamento de Bioquímica em 1924, permanecendo nesta mesma instituição até 1965. Paralelamente com o alemão Adolf Friedrich Butenandt (1903-1995), na Alemanha, isolou, em 1929, a Esterona, um dos hormônios responsáveis pela atividade sexual feminina. Morreu em Saint Louis, Missouri, no ano de 1986.
 
Juntamente a Doisy, Carl Peter Henrik Dam, bioquímico dinamarquês, nascido em Copenhagen, no ano de 1895, foi um dos ganhadores do Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina do ano de1943, pela descoberta da vitamina K, ocorrida em 1935. Filho de um apotecário, Emil Dam, e de uma professora, Emilie Peterson, formou-se em química no Instituto Politécnico de Copenhagen em 1920. Ensinou como instrutor de química na Escola de Medicina Agrícola e Veterinária (1921-1923), passando a instrutor de bioquímica do laboratório de fisiologia da Universidade de Copenhagen (1923). Casou em 1924 com Inger Olsen, e no ano seguinte foi estudar microquímica em Graz, Áustria, com F. Pregl. Tornou-se Professor Assistente (1928) e foi Professor Associado (1929-1941) no Instituto de Bioquímica da Universidade de Copenhagen. Com a tese Nogle Undersøgelser over Sterinernes Biologiske Betydning (1934) obteve o Ph.D em bioquímica pela Universidade de Copenhagen. Procurando por um desconhecido fator necessário para a coagulação do sangue, ele encontrou uma substância presente em folhas verdes que chamou de vitamina K. Ele e Doisy, independentemente, isolaram a substância (1939). Posteriormente, ainda pesquisou sobre as doenças advindas da deficiência da vitamina E. Foi pesquisador nos Estados Unidos no período de 1942 a 1945, e retornou a Copenhagen, em 1946, para trabalhar como professor de bioquímica, onde se aposentou e tornou-se professor emérito (1965) e chefe do departamento de biologia, hoje departamento de bioquímica e nutrição, no Instituto Politécnico. Aposentado, morreu em Copenhague, no ano de 1976. 
A vitamina
A vitamina K foi descoberta como um fator anti-hemorrágico, capaz de restabelecer perturbações sangüíneas observadas em galinhas, alimentadas com dieta livre de gordura. Em 1939, Dam na Dinamarca e Doisy em St. Louis isolaram a vitamina K1 da alfafa e determinaram sua exata estrutura: 2-metil-3-phytyl-1,4 naftoquinona. As formas naturais de vitamina K são a filoquinona e as menaquinonas. A vitamina K1, hoje chamada de filoquinona, é o único análogo da vitamina presente em plantas; é encontrada em hortaliças e óleos vegetais, os quais representam a fonte predominante da vitamina. A forma sintetizada por bactérias, as menaquinonas, originalmente chamadas de K2, foram subseqüentemente caracterizadas (Dowd et al., 1995). 
Diversas investigações conduzidas de meados dos anos 60s a meados dos anos 70s, culminaram com a descoberta de fatores de coagulação (protrombina, fatores VII, IX, e X) que continham um aminoácido, o ácido gama carboxiglutâmico (Gla). Outras duas proteínas adicionais contendo Gla, a proteína S e C, atuam como inibidoras do mecanismo de coagulação (Suttie, 1992). A vitamina K atua como cofator essencial na reação de carboxilação de resíduos específicos de ácido glutâmico (Glu), levando à formação de Gla. A carboxilação capacita as proteínas de coagulação a se ligarem ao cálcio, permitindo assim a interação com os fosfolipídios das membranas de plaquetas e células endoteliais, o que, por sua vez, possibilita o processo de coagulação sangüínea normal. No início dos anos 90s foi isolada e caracterizada a enzima hepática carboxilase, envolvida na ativação dessas proteínas (Suttie, 1996). 
Foram descobertos diversos grupos de proteínas dependentes de vitamina K, que não têm conexão com a coagulação sangüínea, mas estão implicados na homeostasia do cálcio. Existem atualmente diversas evidências de que a vitamina K é importante tanto no desenvolvimento precoce do esqueleto, quanto na manutenção do osso maduro sadio (Shearer, 1995). Em recente publicação (Berkner, 2000) são citadas outras proteínas dependentes de vitamina K, como a proteína produzida pelo growth-arrest-specific gene 6 (gas 6), ligada ao controle de crescimento, as proteínas Gla ricas em prolina 1 e 2, com função potencial na transdução de sinais, e a proteína Z, cujas funções não são conhecidas. Para Berkener (2000), a própria enzima carboxilase pode ser considerada uma proteína dependente de vitamina K. 
 
Fontes
Constituem as principais fontes de vitamina K o fígado, vegetais de folhas verdes (espinafre, couve-flor, repolho), leite, tomate, arroz integral, ervilha, óleos vegetais, sementes de soja, chá verde, gema de ovo, aveia, trigo integral, batatas, aspargos, manteiga, queijo, carne de vaca e de porco, presunto, cenouras e milho.
 
Absorção, distribuição e metabolismo 
A vitamina K da dieta é absorvida no intestino delgado, incorporada aos quilomícrons e transportada pelas vias linfáticas; requer bile e suco pancreático para máximo aproveitamento. O fígado tem um papel exclusivo na transformação metabólica que leva à excreção da vitamina K do organismo. O extenso catabolismo da vitamina K pelo fígado explica o rápido turnover e a depleção das reservas hepáticas em pacientes com dieta pobre na mesma. 
Estudo feito em tecidos humanos, retirados de cadáveres, mostrou que existem, no homem, padrões de distribuição tecidual de vitamina K comparáveis aos já observados em ratos. Elevados níveis de vitamina K1 foram encontrados no fígado, coração e pâncreas e níveis mais reduzidos no cérebro, rim e pulmão. Por ser o local de síntese de proteínas da coagulação dependentes de vitamina K, o fígado sempre é considerado o maior órgão de estoque das vitaminas K (Shearer, 1995); entretanto, o osso cortical contém tanta vitamina K quanto o fígado, podendo funcionar como um fornecedor desta. Vale notar que o espectro das vitaminas K circulantes no plasma não reflete os estoques hepáticos (Shearer et al., 1996). 
 
Vitamina K no sangue 
A concentração de vitamina K no plasma, em jejum, de pessoas saudáveis é menor do que 1 ng/mL (2,2nmol/L) (Olson, 1994). A variação normal é de 0,4 a 2,2 nmol/L (0,2-1,0 ng/mL) com média de 1,1 nmol/L (Sadowski et al., 1989). 
 
Deficiência de Vitamina K
Diversos fatores, já discutidos, protegem os adultos da deficiência de vitamina K, como: a distribuição ampla de vitamina K nos alimentos, o ciclo endógeno da vitamina e a própria flora intestinal. As principais manifestações de deficiência da vitamina são a deficiência subclínica, manifestação hemorrágica e osteoporose. Destacam-se entre as principais causas de deficiência a inadequação dietética, doença hemorrágica do recém-nato, medicamentos, Nutrição Parenteral Total (NPT), alterações da absorção intestinal e megadoses de vitaminas A e E. 
 
Conclusão
 
O Prêmio Nobel de 1943, atribuído aos bioquímicos Edward Adelbert Doisy e Carl Peter Henrik Dam, reconheceu a importância da descoberta da vitamina K. Seus achados mostraram-se fundamentais para a compreensão do processo fisiológico da coagulação e das patologias relacionadas a sua deficiência.
Elaborar este trabalho propiciou a busca de novos conhecimentos, que visam enriquecer a capacidade intelectual do aluno e despertar o interesse pela pesquisa científica. É importante ressaltar que somente com a investigação baseada na ciência é possível progredir no âmbito do conhecimento das mais diversas áreas, em especial a médica.
 
Bibliografia
 
http://www.colegiosaofrancisco.com.br/alfa/vitaminas/vitaminak.phppt.wikipedia.org/wiki/Henrik_Dam
www.wikipedia.org/wiki/Edward_Adelbert_Doisy
www.nobelpreis.org/portugues/medizin.html
www.pgr.mpf.gov.br/pgr/saude/nutricao/vlipo.htm
www.nobelpreis.org/portugues/medizin.html
http://nobelprize.org
1945: ALEXANDER FLEMING, ERNST BORIS CHAIN e HOWARD FLOREY

 

O presente artigo tem como objetivo relatar as importantes conquistas e descobertas dos pesquisadores Alexander Fleming, Ernst Boris Chain e Howard Walter Florey na área da medicina curativa de doenças infecciosas, através do desenvolvimento de uma substância com alto poder bactericida e sua aplicabilidade à população em geral: a penicilina. Os três pesquisadores mencionados foram reconhecidos e premiados em 1945 com o Prêmio Nobel de Medicina. Todos os anos desde 1901 o Prêmio Nobel tem sido atribuído por descobertas em Física, Química, Medicina, Literatura e pela Paz. O Prêmio Nobel é uma premiação internacional administrada pela Fundação Nobel em Estocolmo, Suécia, em homenagem ao seu criador, Alfred Nobel. O Prêmio consiste em uma medalha, um diploma pessoal e um valor em dinheiro. O artigo a seguir contempla um resumo das biografias dos pesquisadores e  uma pequena explicação a respeito de sua maior descoberta, a qual marcou a história da medicina e a cada dia se reafirma como indispensável na recuperação da saúde de milhares de vidas humanas.
 
Palavras-chave: Alexander Fleming; Ernst Boris Chain; Howard Walter Florey; Penicilina; Antibióticos; Prêmio Nobel de Medicina.
 
Foto: A. Fleming
Abstract:
 
The present article aims to show the important achievements and discoveries of the researchers Alexander Fleming, Ernst Boris Chain and Howard Walter Florey in the medicine area related to healing infectious diseases, through the development of a substance with high bactericide power and its applicability to the general population: the penicillin. The three mentioned researchers were recognized and awarded in 1945 with the Medicine Nobel Prize. Every year since 1901 the Nobel Prize has been awarded for achievements in Physics, Chemistry, Physiology or Medicine, Literature and for Peace. The Nobel Prize is an international award administered by the Nobel Foundation in Stockholm, Sweden, as a tribute to its founder, Alfred Nobel. The prize consists of a medal, a personal diploma, and an amount of money. The following article contemplates a summary of the researcher’s biography and a brief explanation about their biggest discovery, the one that marked medicine history and each day restates itself as essential oh the health recovery of thousands of human lives.
 
Key-words: Alexander Fleming; Ernst Boris Chain; Howard Walter Florey; Penicillin; Antibiotics; Medicine Nobel Prize.  
 
Introdução:
 
Até o final da Segunda Guerra Mundial, milhares de pessoas morriam anualmente devido a inúmeras enfermidades causadas por infecções bacterianas contra as quais não existiam medicamentos realmente eficazes. A história da medicina, entretanto, foi fortemente alterada a partir do momento em que a substância descoberta por Fleming em 1928, batizada como penicilina – e isolada por Florey e Chain uma década mais tarde-, começou a ser comercializada e amplamente aplicada, atingindo quase 150 mil toneladas fabricadas em 1950. Tais avanços na área da ciência médica confirmam e comprovam a genialidade dos três pesquisadores, que acabaram por fornecer à humanidade um fármaco com propriedades capazes de curar doenças potencialmente fatais há 50 anos, como pneumonia, sífilis, difteria, abcessos pulmonares, endocardite, meningite ou mesmo bronquite. O Prêmio Nobel foi uma maneira de reconhecer o estudo e a dedicação dos cientistas e agradecê-los por sua brilhante atuação .
 
Alexander Fleming
(1981 – 1955)
 
Alexander Fleming é um cientista escocês, nascido do dia 06/08/1881, em Lochfield, Ayrshire, na Escócia.
Não inventei a penicilina, disse Alexander Fleming sobre o medicamento que lhe rendeu o Prêmio Nobel e revolucionou a medicina. A natureza é que a fez. Eu só a descobri por acaso. Alec, como todos o chamavam, era o sétimo de oito filhos e ficou órfão de pai aos sete anos. Ele viveu numa fazenda até os 16 anos.
Em 1895, seu irmão Tom, oculista, levou para Londres os irmãos John, que aprendeu a fazer lentes, e os mais novos Robert e Alec, para estudar na Escola Politécnica. Na capital inglesa, Alec também trabalhou numa agência de navegação até ingressar, em outubro de 1901, na Escola Médica do Hospital de Saint Mary.
Após a formatura, Fleming entrou na equipe de Almroth Wright, um dos pioneiros da vacinação. Ele gostaria de ter sido cirurgião, mas apaixonou-se pela pesquisa da equipe de Wright. Seu primeiro grande feito foi simplificar o teste da sífilis, que era uma das grandes epidemias da época.
Com a Primeira Guerra, num hospital na França, desenvolveu técnicas que melhoraram o tratamento de feridas infectadas. Numa das suas curtas licenças, em 1915, casou-se em Londres com Sally McElroy. Após a guerra, seu irmão John casou-se com a gêmea de Sally, Elisabeth.
Em 1921, Fleming descobriu as lisozimas, parte importante do sistema imunológico, que foram seu principal objeto de estudo até uma manhã de setembro de 1928, quando viu uma cultura de estafilococos sendo destruída por um fungo que aparecera por acaso. Isolou a substância que dissolvia as bactérias sem atacar o organismo humano e desenvolveu a penicilina, o primeiro antibiótico. 
Tornou-se um colecionador fanático de fungos, revirando casas dos amigos e cozinhas atrás de outro bolor com efeito antibiótico. Apesar do empenho, a penicilina era única. Paralelamente, uma equipe de Oxford, chefiada por Howard Florey e Ernst Chain, desenvolveu o medicamento que causou furor ao ser usado em pacientes a partir de 1942. 
Fleming se tornou um herói popular e recebeu diversos prêmios. Porém, a felicidade desses anos terminou com a morte de sua mulher em 28 de Outubro de 1949. Alec fechou-se no laboratório e apenas o trabalho o distraía. Até que uma jovem cientista grega, Amalia Voureka, passou a ser a sua companheira predileta de trabalho. Eles se casaram em 1953. O cientista continuou a trabalhar e viajar até sua morte, por infarto, em 11/03/1955, em Londres, na Inglaterra.
 
Howard Walter Florey
(1898 - 1968)
 
Patologista australiano nascido em Adelaide, Oceania, onde se graduou em Medicina, pesquisador da penicilina e um dos agraciados com o Prêmio Nobel (1945), dividido igualmente com Sir Ernst Boris Chain (1906-1979), colega de universidade, por isolar e purificar a penicilina, descoberta por Sir Alexander Fleming (1881-1955), então, também premiado. Filho de Joseph e Bertha Mary Florey, foi educado na St. Peters Collegiate School, Adelaide, seguindo para a Adelaide University onde graduou-se M.B. e B.S. (1921). Ganhou um Rhodes Scholarship para o Magdalen College, Oxford, onde obteve o B.Sc. e M.A. (1924). Foi para Cambridge como um John Lucas Walker Student, e estagiou nos United States (1925) como um Rockefeller Travelling Fellowship por um ano, retornando (1926) como um Fellowship no Gonville and Caius College, Cambridge, onde recebeu seu Ph.D. (1927), período em que também serviu como Freedom Research Fellowship, no London Hospital. Foi nomeado (1927) Huddersfield Lecturer em patologia, em Cambridge, e assumiu (1931-1935) a Joseph Hunter Chair of Pathology, na University of Sheffield. Naturalizado britânico foi professor de patologia e um Fellow do Lincoln College, Oxford (1935-1962). Passou a chefiar um grupo de pesquisadores ingleses e estadunidenses dedicados inteiramente ao estudo da penicilina (1939). Durante a II Guerra Mundial foi indicado Honorary Consultant em patologias para o exército e tornou-se Nuffield Visiting Professor para a Australia e a New Zealand (1944). Tornou-se Honorary Fellow of Gonville and Caius College, Cambridge (1946), Honorary Fellow of Magdalen College, Oxford (1952) e Provost do The Queens College, Oxford (1962). Além do Nobel, recebeu inúmeras honrarias e, casado com Mary Ethel Hayter Reed (1926), ambos tiveram duas crianças, a saber Paquita Mary Joanna e Charles du Vé, morreu em Oxford, Eng.
 
Ernst Boris Chain
(1906 - 1979)
 
Bioquímico alemão nascido em Berlim e naturalizado britânico, conhecido por conseguir pioneiramente isolar e purificar a penicilina. Estudou na Universidade de Berlim. Lecturer da Oxford University (1935-1950), fez pesquisas sobre enzimas nas universidades de Cambridge e Oxford, onde colaborou com o patologista inglês Sir Howard Walter Florey na investigação de substâncias antibióticas. Professor do Instituto Superiore di Sanita (1948-1961), passou a trabalhar no Instituto de Saúde, em Roma (1950) e foi professor na University of London (1961-1979). Dividiu igualmente o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina (1945), com Sir Alexander Fleming, da London University, e Lord Howard Walter Florey, da Oxford University, por isolar e purificar a penicilina, descoberta (1928) pelo escocês Alexander Fleming. Fleming havia descoberto um bolor, uma espécie do fungo Penicillium, que segregava uma substância que destruía as bactérias. Porém ele não conseguiu isolar a substância que ele chamou de penicilina. Isto só foi feito dez anos depois pelo alemão-britânico e o inglês Howard Florey, na Inglaterra. Com a Segunda Guerra Mundial houve uma necessidade de anti-sépticos para combater as infecções das tropas feridas. Integrando a equipe do Dr. Howard Walter Florey, professor de patologia em Oxford, o cientista germânico conseguiu extrair da solução com apenas cerca de 5% de penicilina na sua forma química pura, que testada em 80 diferentes micróbios; descobriram que os fluidos do sangue não eram hostis à substância e que os glóbulos brancos não eram danificados nem se tornavam inativos, mas era fatal para Staphylococcus aureus, Streptococcus pyogenes e outras bactérias. Essas descobertas formaram a base para o tratamento com penicilina desde então. A penicilina foi utilizada no primeiro paciente humano, na Inglaterra (1940). Casou-se (1948) com a Dra. Anne Beloff, com quem teve dois filhos, Benjamin e Daniel, e uma filha, Judith, e morreu na Irlanda.
O ACASO E A OBSERVAÇÃO.
        
Tem-se dito que muitas descobertas científicas são feitas ao acaso. O acaso, já dizia Pasteur, só favorece aos espíritos preparados e não prescinde da observação. A descoberta da penicilina constitui um exemplo típico. 
        Alexander Fleming, bacteriologista do St. Marys Hospital, de Londres, vinha já há algum tempo pesquisando substâncias capazes de matar ou impedir o crescimento de bactérias nas feridas infectadas. Essa preocupação se justificava pela experiência adquirida na Primeira Grande Guerra (1914-1918), na qual muitos combatentes morreram em conseqüência da infecção em ferimentos profundos. 
Em 1922, Fleming descobrira uma substância antibacteriana na lágrima e na saliva, a qual dera o nome de lisozima. 
Em 1928, Fleming desenvolvia pesquisas sobre estafilococos, quando descobriu a penicilina. A descoberta da penicilina deu-se em condições muito peculiares, graças a uma seqüência de acontecimentos imprevistos e surpreendentes. 
        No mês de agosto daquele ano Fleming tirou férias e, por esquecimento, deixou algumas placas com culturas de estafilococos sobre a mesa, em lugar de guardá-las na geladeira ou inutilizá-las, como seria natural. 
        Quando retornou ao trabalho, em setembro, observou que algumas das placas estavam contaminadas com mofo, fato que é relativamente freqüente. Colocou-as então, em uma bandeja para limpeza e esterilização com lisol. Neste exato momento entrou no laboratório um seu colega, Dr. Pryce, e lhe perguntou como iam suas pesquisas. Fleming apanhou novamente as placas para explicar alguns detalhes ao seu colega sobre as culturas de estafilococos que estava realizando, quando notou que havia, em uma das placas, um halo transparente em torno do mofo contaminante, o que parecia indicar que aquele fungo produzia uma substância bactericida. O assunto foi discutido entre ambos e Fleming decidiu fazer algumas culturas do fungo para estudo posterior. 
        O fungo foi identificado como pertencente ao gênero Penicilium, donde deriva o nome de penicilina dado à substância por ele produzida. Fleming passou a empregá-la em seu laboratório para selecionar determinadas bactérias, eliminando das culturas as espécies sensíveis à sua ação. 
        A descoberta de Fleming não despertou inicialmente maior interesse e não houve a preocupação em utilizá-la para fins terapêuticos em casos de infecção humana até a eclosão da Segunda Guerra Mundial, em 1939. 
        Em 1940, Sir Howard Florey e Ernst Chain, de Oxford, retomaram as pesquisas de Fleming e conseguiram produzir penicilina com fins terapêuticos em escala industrial, inaugurando uma nova era para a medicina - a era dos antibióticos. 
        Alguns anos mais tarde, Ronald Hare, colega de trabalho de Fleming, tentou, sem êxito, redescobrir a penicilina em condições semelhantes às que envolveram a descoberta de Fleming. Após um grande número de experiências verificou que a descoberta da penicilina só se tornou possível graças a uma série inacreditável de coincidências, quais sejam: 
- O fungo que contaminou a placa, como se demonstrou posteriormente, é um dos três melhores produtores de penicilina dentre todas as espécies do gênero Penicilium; 
- O fungo contaminante teria vindo pela escada do andar inferior, onde se realizavam pesquisas sobre fungos; 
- O crescimento do fungo e dos estafilococos se fez lentamente, condição necessária para se evidenciar a lise bacteriana; 
- No mês de agosto daquele ano, em pleno verão, sobreveio uma inesperada onda de frio em Londres, que proporcionou a temperatura ideal ao crescimento lento da cultura; 
- A providencial entrada do Dr. Pryce no Laboratório permitiu que Fleming reexaminasse as placas contaminadas e observasse o halo transparente em torno do fungo, antes de sua inutilização. 
        Apesar de todas essas felizes coincidências, se Fleming não tivesse a mente preparada não teria valorizado o halo transparente em torno do fungo e descoberto a penicilina. 
 
A Penicilina
Um antibiótico betalactâmico  
 
Os antibióticos betalactâmicos são agentes microbianos úteis e freqüentemente prescritos, que têm em comum uma estrutura e um mecanismo de ação – a inibição da síntese da parede celular bacteriana de peptidoglicano.  
As penicilinas constituem um dos grupos mais importantes entre os antibióticos. Apesar da produção de numerosos outros agentes antimicrobianos desde a introdução da primeira penicilina, as penicilinas continuam sendo antibióticos importantes e amplamente utilizados, e ainda estão sendo produzidos novos derivados do núcleo básico da penicilina. Muitos desses fármacos apresentam vantagens peculiares, de modo que os membros desse grupo de antibióticos constituem, hoje, os fármacos de escolha para o tratamento de um grande numero de doenças infecciosas.
 
Mecanismo de ação das penicilinas: 
A parede celular das bactérias é essencial para o seu crescimento e seu desenvolvimento normais. O peptidoglicano é um componente heteropolimérico da parede celular que proporciona uma estabilidade mecânica rígida em virtude da sua estrutura reticulada com elevado número de ligações cruzadas. Nos microorganismos Gram-positivos, a parede celular tem uma espessura constituída por 50 a 100 moléculas, enquanto a das Gram-negativas tem uma espessura constituída por apenas 1 ou 2 moléculas. 
A biossíntese do peptidoglicano envolve cerca de 30 enzimas bacterianas e pode ser dividida em três estágios.  É na ultima etapa dessa síntese que os antibióticos como as penicilinas atuam, inibindo uma enzima crucial para o processo, uma transpeptidase e, evitando, por conseqüência, que as bactérias tenham seu desenvolvimento normal. 
Embora a inibição da transpeptidase seja comprovadamente importante, as ações das penicilinas têm outros alvos relacionados, que, em conjunto, são denominados de proteínas de ligação da penicilina (PBP). Todas as bactérias têm varias entidades desse tipo. As PBP variam nas suas afinidades pelos diferentes tipos de antibióticos betalactâmicos. As PBP de maior peso molecular de E. coli, por exemplo, incluem as transpeptidases responsáveis pela síntese do peptidoglicano. Outras PBP de E. coli incluem aquelas necessárias para a manutenção da forma em bastonete da bactéria para a formação do septo durante a divisão da bactéria. A ação letal da penicilina sobre as bactérias parece envolver mecanismos tanto líticos quanto não-líticos. A ruptura do equilíbrio entre a montagem do peptidoglicano mediada pela PBP a atividade da mureína hidrolase pela penicilina resulta em autólise. A destruição não-lítica das bactérias pela penicilina pode envolver a participação de proteínas semelhantes à holina na membrana bacteriana, que aniquilam o potencial de membrana.  
 
Mecanismos de resistência bacteriana às penicilinas: 
Embora todas as bactérias que têm parede celular possuam PBP, os antibióticos betalactâmicos são incapazes de matar ou até mesmo de inibir todas as bactérias, devido à existência de vários mecanismos por meio dos quais as bactérias podem resistir a esses agentes. O microorganismo pode ser intrinsecamente resistente devido a diferenças estruturais nas PBP que constituem os alvos desses fármacos. Além disso, uma cepa sensível pode adquirir esse tipo de resistência através do desenvolvimento de PBP de alto peso molecular com afinidade diminuída pelo antibiótico. Outros casos de resistência bacteriana aos antibióticos betalactâmicos decorrem da incapacidade do agente de penetrar no local de ação.    
Nas bactérias Gram-positivas, o polímero do peptidoglicano localiza-se muito próximo à superfície celular. Algumas bactérias Gram-positivas possuem cápsulas de polissacarídeos que são externas à parede celular; entretanto, essas estruturas não representam uma barreira à difusão dos betalactâmicos; as pequenas moléculas de antibióticos betalactâmicos podem penetrar facilmente na camada externa da membrana citoplasmática e PBP, onde ocorrem os estágios finas de síntese do peptidoglicano. A situação é diferente com as bactérias Gram-negativas. A estrutura de sua superfície é mais complexa, e a membrana interna, que é análoga à membrana citoplasmática das bactérias Gram-positivas, é recoberta pela membrana externa, por lipopolissacarídeos e pela cápsula. A membrana externa atua como uma barreira impenetrável para alguns antibióticos. Entretanto, alguns antibióticos hidrofílicos pequenos sofrem difusão por meio dos canais aquosos presentes na membrana externa, que são constituídos por proteínas denominadas porinas. Penicilinas de espectro mais amplo, tais como ampicilina e amoxicilina difundem-se pelos poros da membrana externa de bactérias com rapidez significativamente maior do que a penicilina G. 
 As bombas de efluxo ativo atuam como outro mecanismo de resistência, removendo o antibiótico do seu local de ação antes que possa atuar. As bactérias também são capazes de destruir enzimaticamente os antibióticos betalactâmicos. As betalactamases têm a capacidade de inativar alguns desses antibióticos e podem ocorrer em grandes quantidades. 
 
Classificação das penicilinas:
1. Penicilina G: altamente ativa contra cepas sensíveis de bactérias Gram-positivas, mas são facilmente hidrolisadas pelas penicilases. Usada para tratar pneumonia pneumocócica, meningite pneumocócica, infecções estreptocócicas (pneumonia, artrite, meningite e endocardite), sífilis, difteria...
2. Penicilinas resistentes à penicilase: têm atividade antimicrobiana menos potente contra os organismos sensíveis à penicilina G.
3. Ampicilina, amoxicilina: suas atividades antimicrobianas são ampliadas para incluir determinados microorganismos Gram-negativos. Todos são destruídos pelas betalactamases. Usadas para tratar infecções das vias respiratórias, infecções do trato urinário, meningite, infecções por Salmonella. 
4. Carbenicilina.
5. Mazlocina, azlocilina e piperacilina.
Após a absorção das penicilinas administradas por via oral, esses agentes distribuem-se amplamente por todo o corpo e são rapidamente eliminados, sobretudo por filtração glomerular e secreção tubular renal, de modo que as meias-vidas desses fármacos no corpo são curtas, sendo os valores típicos de 30 a 60 minutos. Por conseguinte, as concentrações na urina são elevadas.     
 
Usos profiláticos das penicilinas: 
A comprovação da eficiência da penicilina na erradicação de microorganismos foi rapidamente seguida, de modo muito natural, de tentativas de comprovar também a sua eficácia na prevenção de infecções em hospedeiros sensíveis. Em conseqüência, o antibiótico passou a ser administrado em quase todas as situações em que havia risco de infecção bacteriana. Como a profilaxia tem sido investigada em condições controladas, tornou-se evidente que a penicilina é altamente efetiva em algumas situações e potencialmente perigosa em outras e de valor questionável em outras ainda. 
 
Reações adversas às penicilinas:
As reações de hipersensibilidade são, sem dúvida, os efeitos adversos mais comuns observados com as penicilinas. As reações alérgicas complicam 0,7 a 4% de todos os tratamentos. As manifestações de alergia a penicilinas incluem exantema maculopapular, erupção urticariforme, febre, broncoespasmo, vasculite, doença do soro, dermatite esfoliativa e anafilaxia. 
Podem ocorrer reações de hipersensibilidade a qualquer forma posológica de penicilina. A alergia determinada à penicilina expõe o paciente a um maior risco de reação em caso de administração de outra penicilina. Por outro lado, a ocorrência de um efeito adverso não implica necessariamente a sua repetição em exposições subseqüentes. Reações de hipersensibilidade podem surgir na ausência de exposição prévia conhecida ao fármaco.  Isso pode ser causado por uma exposição anterior não-reconhecida a penicilina (ex.: em alimentos de origem animal ou em fungos produtores de penicilina). Embora a eliminação do antibiótico geralmente resulte em rápido desaparecimento das manifestações alérgicas, elas podem persistir por 1 ou 2 semanas ou mais após a interrupção da terapia.
As reações mais graves provocadas por penicilinas consistem em angioedema e anafilaxia. O angioedema, com acentuado volume dos lábios, da língua, da face e dos tecidos periorbitários, que é freqüentemente acompanhado de respiração asmática, tem sido observado após administração tópica, oral ou sistêmica de vários tipos de penicilina. 
Os pacientes que possuem uma história de alergia a penicilina devem ser tratados, em sua maioria, com num tipo diferente de antibiótico. Infelizmente, não existe um método totalmente confiável para confirmar uma história de alergia à penicilina. Em certas ocasiões, recomenda-se a dessensibilização para pacientes alérgicos a penicilinas e que precisam ser tratados com o fármaco. Esse procedimento, que consiste na administração de doses gradualmente crescentes de penicilina na esperança de evitar uma reação grave, só deve ser efetuado em local que disponha de terapia intensiva.   
 
Conclusão:
 
Conseguimos compreender através desse estudo como foi a descoberta científica da penicilina. Apesar de ter sido descoberta ao acaso, a penicilina foi o primeiro antibiótico usado com sucesso no tratamento de infecções causadas por bactérias, sendo eficaz contra espécies Gram-positivas ou de Streptococcus, Clostridium, Neisseria e anaeróbios excluindo Bacteróides. Em virtude dessa importante descoberta, milhares de vidas foram poupadas, pois iniciava-se a nova era da medicina – a era dos antibióticos. Alexander Fleming obteve reconhecimento por seu trabalho de pesquisa ao receber o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina, junto com seus colegas Chain e Florey, consagrando, dessa forma, suas brilhantes carreiras em vida.
 
Bibliografia:
 
www.netsaber.com.br/biografias
www.wikipedia.org
www.nobelprize.org
http://www.revistasalute.com.br/?p=66
Goodman e Gilman; As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 
 
1946: HERMANN JOSEPH MULLER

 

Artigo escrito por:
Machado, Eliandra
Fasolin, Felipe B.
de Oliveira, Gabriel P.
 
Faculdade de Medicina UPF
Hermann J. Muller
 
 
RESUMO:
Este artigo científico tem como objetivo relatar a vida e obra de Hermann Joseph Muller, vencedor do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1946 pelas pesquisas que demonstraram que irradiações de raios-x aceleram ou mesmo desencadeiam mutações gênicas e que apresentou um brilhante trabalho sobre a permutação cromossômica na meiose em 1915. O artigo se dirige a um resumo de suas biografias e a respeito das pesquisas que destacaram Muller no cenário mundial como um dos maiores geneticistas e o primeiro que descobriu os efeitos danosos das radiações as células do corpo humano.
Palavras-chave: Herman Joseph Muller, Prêmio Nobel, 1946, raios-x, mutações gênicas.
 
ABSTRACT:
The main point of this cientific article is to introduce Hermann Joseph Muller’s biografy, the Nobel Prize winner on Phisiology and Medicine in 1946, for the research showed that x-ray irradiation accelerate or even trigger genics changes and that presented a brilliant work on chromosome permutation in meiosis in 1915. The article is directed to a summary of their biographies and respect for research that highlighted Muller on the world stage as one of the largest and the first geneticists who discovered the harmful effects of radiation the cells of the human body.
Key-words: Hermann Joseph Muller, Nobel Prize, 1946, x-ray, genics mutations.
 
INTRODUÇÃO:
O Prêmio Nobel é hoje o maior símbolo de reconhecimento dos meios acadêmicos e científicos. Foi entregue pela primeira vez em 1901, e a partir de então vem homenageando e entregando quantias em dinheiro como incentivo a novas pesquisas a cientistas que realizam trabalhos importantes à humanidade.
O ganhador do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina do ano de 1946 foi o americano Hermann Joseph Muller. Em 1915, ao estudar o acasalamento das moscas das frutas Drosophila, junto com o geneticista Thomas Hunt Morgan, Muller, na época estudante da Universidade de Columbia, fez importantes descobertas no campo da hereditariedade. Mais tarde, Muller fez novas experiências para a produção de mutações artificiais nas moscas Drosophila, os resultados desses experimentos, publicados em 1927, lhe conceberam o Prêmio Nobel ganho por ele em 1946.
O presente estudo tem como objetivo reunir informações sobre a vida e obra do agraciado Hermann Muller, contendo, portanto, a biografia do pesquisador contemplado, suas descobertas e conclusões.
 
BIOGRAFIA:
Hermann Joseph Muller nasceu na cidade de Nova York em 21 de dezembro de 1890. Seu pai morreu em 1900, mas despertou cedo no menino um vivo interesse pela natureza do universo e pelo processo de evolução, bem como no bem-estar dos homens em geral. Assim como o pai, sua mãe também incentivou o garoto a ter uma ampla simpatia pelas coisas vivas, e um amor pela natureza. Muller freqüentou Morris High School(escola pública) no Brox. Lá ele e seus colegas Lester Thompson e Edgar Altenburg fundaram a primeira escola de ciência. Mais tarde ele estava habilitado a fazer parte da primeira turma da faculdade Columbia, através da atribuição de uma bolsa de estudo. Na Columbia College ele era  fascinado pelo tema da biologia. Leu por si próprio, no verão de 1908 RH Locks (1906) livro sobre genética, e ficou centrando seus interesses nesse domínio. Aprofundou-se também nas obras de Jacques Loeb e por outros escritores experimentais em biologia e fisiologia. Sua primeira graduação de dois anos, não foi em zoologia, por falta de oportunidade. Ele conseguiu obter uma bolsa de estudos (1911-1912) em fisiologia, na Cornell Medical College. Manteve a genética em segundo plano, e foi fazendo vários trabalhos extras, tais como o ensino de Inglês para estrangeiros a noite na escola (1912-1915). Por último, no entanto, ele fez  zoologia na Columbia (1912-1915). No verão (1911) seu tempo foi gasto em estudos no laboratório de ensino da Columbia. Durante esses cinco anos, ele ficou gravemente sobre carregado.Em todo esse período, ele ficou  principalmente interessados no trabalho da Drosophila que Morgan  tinha aberto, e a partir de 1910 em que ele seguiu atentamente este tipo de investigação e foi um membro íntimo desse grupo, embora ele não tenha tido muita oportunidade para o trabalho experimental nesse material até 1912. Depois, ele iniciou a sua investigação simultânea de inter-relacionamento de muitos genes ligados, que constituiu a sua teoria. Ao mesmo tempo ele assumiu sua análise da variável, múltiplo fator, e os personagens por meio do dispositivo de marcadores genéticos. Este prorrogou a validade de ambos os cromossomos, herança genética e da estabilidade, e levou mais tarde (1916) a sua teoria. Chamado para o Instituto Rice, Houston, como instrutor, por Julian Huxley, ele ensinou variados cursos biológicos (1915-1918), e iniciou estudos em mutação. Durante esse tempo e nos dois anos seguintes, quando ele estava novamente na Columbia (1918-1920), agora como instrutor, ele elaborou métodos quantitativos para o estudo da mutação. Altenburg, entretanto, mudou-se para o Instituto Rice, em parte, colaborou com os primeiros resultados obtidos no domínio (1918-1919), incluindo provas de que fez um provável efeito da temperatura. Muller então (1920) voltou ao Texas, desta vez para a Universidade, em Austin, como professor associado, e a partir de 1925 como professor, ensinando principalmente genética e evolução, fazendo investigação principalmente em mutação. Ele formulou, em 1918, 1920, 1921, 1926 os principais princípios de mutação genética espontânea como agora reconhecida, incluindo as demais mutações como sendo prejudicias e recessivas. Ao mesmo tempo ele apresentou a concepção do gene enquanto que constituem a base da vida, bem como da evolução, em virtude de possuírem a propriedade de reproduzir a sua própria evolução, e ele representou este fenômeno como o grande problema da matéria viva. Em finais 1926, obteve críticas à abundante evidência de produção de mutações genéticas e alterações cromossômicas por raios-X (publicado 1927). Isso abriu as portas para inúmeras pesquisas, muitas delas exercidas com o auxílio de estudantes e colegas de trabalho, tanto no seu próprio e de outras instituições, nos vinte anos que se seguiram. Estes foram brevemente descritos na sua Nobel Alcorão, uma vez que, juntamente com a primeira descoberta do efeito, constituem os trabalhos para os quais o Prêmio Nobel foi concedido. Eles incluem estudos sobre os mecanismos da mutação genética e os efeitos das mudanças estruturais, sobre os papéis de cada tipo de mudança, quando ocorrem espontaneamente, a jogar em evolução, e sobre as propriedades dos genes e dos cromossomos. Em 1932 foi-lhe atribuído uma bolsa  Guggenheim e durante um ano Muller trabalhou no Oscar Vogt do instituto, em Berlim, na Timoféeff do departamento de genética. A pedido de NI Vavilov, então ele gastou  2 anos como geneticista Sênior do Instituto de Genética da Academia de Ciências da URSS, em primeiro lugar em Leningrado mais tarde (1934-1937) em Moscou. Com a ascensão do anti-Lysenko movimento de genética, ele mudou-se para o Instituto de Genética Animal, da Universidade de Edimburgo (1937-1940); aqui numerosos estudantes diplomados, em grande parte da Índia, tomoram parte. Em seguida, a partir de 1940 a 1945, fez  ensino e pesquisa em Amherst College, sendo professor interino de  lá, de 1942 a 1945. Em Amherst ele completou uma experiência de grande escala que mostra a relação de envelhecimento e mutações espontâneas. Finalmente, em 1945, ele aceitou ser docente do Departamento de Zoologia da Universidade Indiana, em Bloomington. Depois ele novamente dedicou seu tempo a trabalhar principalmente na radiação induzida por mutações, usando-os, por um lado, para fins de análise genética e, por outro lado, no estudo de como a radiação produz seus efeitos biológicos. Tem-se preocupado com a influência sobre a freqüência de mutação na mosca da fruta Drosophila, da diversidade de condições e agentes, quando estes forem usadas com radioterapia, ou sem radiação, sobre a influência da dose e de taxa de radiação, e sobre a relação de sensibilidade nas diferentes fases para célula induzida ou natural na mutagênese. Os tipos de mutações estudadas incluem ponto e mudança tanto bruta como  mudanças estruturais dos cromossomos. A incidência de radiação causa danos aos organismos dos indivíduos que tenham sido expostos, e se manifesta em uma mortalidade de longo prazo, ou, em outras palavras, tempo de vida encurtando ou acelerado envelhecimento, também foi investigado, por W. Ostertag e Helen U. Meyer, em colaboração com Muller. As provas foram obtidas que estes efeitos são, na maior parte conseqüências das perdas de cromossomos a partir de células somáticas divididas, depois de estes terem sido cromossomos quebrados pela radiação.O envelhecimento natural, porém, deu provas de não ser causado por esta via. Foi demonstrado que a maioria dos genes mutantes são incompletamente recessiva e são postas em prática pela seleção enquanto heterozigotos. Estudos de posição dominante em relação aos  de  dosagem compensação revelam que a seleção atua normalmente com alta precisão, tendendo a estabelecer homozigótico normal. A maior parte da variação genética dentro de populações foi deduzida a depender da recorrência de mutações que prejudicam, o equilíbrio pela eliminação seletiva, que constitui uma carga. As estimativas destas cargas foram formadas para ambas Drosophila e para o homem. Foram feitas estimativas dos efeitos das mudanças na freqüência mutação, por um lado, e da pressão de seleção, por outro lado, sobre a carga. Foi demonstrado que eugênicas políticas são necessárias para evitar a degeneração genética do homem, bem como de trazer para o melhoramento genético chamado por seus avanços na tecnologia e em outros aspectos de sua cultura. Foi salientado que modernas tecnologias reprodutivas, tais como bancos de células germinativas, e agora liberalizados costumes que tornam possível o exercício do voluntariado germinal escolha em reprodução humana, e que este procedimento oferece a solução prática necessária para permitir a evolução cultural e para promover a evolução biológica do homem em vez de perverter-lo. Prof. Muller deixou a Indiana University, em junho de 1964, para ter uma nomeação no Instituto de Ensino Avançado em Ciências Médicas. Muller contribuiu com mais de 300 artigos sobre temas biológicos para as publicações científicas de academias.Seus principais livros são os mecanismos  mendelianos Hereditariedade com TH Morgan e outros(1915 e 1922), a partir de uma Noite - um biólogo da perspectiva do futuro, 1935, 1936 e 1938, e de Genética, Medicina e com CC Little Man e LH Snyder , 1947. Ele era presidente do oitavo Congresso Internacional de Genética em 1948 e da American Association Humanista durante 1956-1958. Ele recebeu o Doutorado em Ciências das Universidades de Edimburgo (1940), Columbia (1949) e Chicago (1959), o honorário de Doutor em Medicina Jefferson Medical College (1963), o Prêmio Anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (1927), o Kimber Genética Award (1955) e as Comemorações Medalha Darwin-Wallace (1958). Em 1945,  foi designado Humanista do Ano pela Associação Humanista Americana em 1963. Ele também recebeu menção honrosa e bolsas de afiliações nos Estados Unidos, Inglaterra, Escócia, Suécia, Dinamarca, Índia, Japão e Itália. Muller casou-se com sua primeira esposa,  Jessie M. Jacobs, em 1923 - eles tiveram um filho, David Eugene. Em 1939 ele casou-se com Dorothea Kantorowicz - eles tiveram um filha, Helen Juliette. Hermann J. Muller, que morreu em 5 de abril de 1967.
 
ATUALIDADES:
Para o tratamento eficaz do câncer deve visar não somente o tumor primário, mas também os tumores que podem ter se disseminado para outras partes do corpo (metástases). Por essa razão, a cirurgia ou a radioterapia de áreas específicas do corpo é freqüentemente combinada com a quimioterapia, que afeta todo o organismo. Mesmo quando a cura é impossível, os sintomas freqüentemente podem ser aliviados com a terapia paliativa, melhorando a qualidade e a sobrevida do indivíduo.
RADIOTERAPIA
A radiação destrói preferencialmente as células que se dividem rapidamente. Geralmente, isto significa câncer, mas a radiação também pode lesar tecidos normais, especialmente os tecidos nos quais as células normalmente se reproduzem rapidamente, como a pele, os folículos capilares, o revestimento dos intestinos, os ovários ou os testículos e a medula óssea. A definição e direcionamento preciso da radioterapia protegem tanto quanto sejam possíveis as células normais. As células que possuem um suprimento adequado de oxigênio são mais suscetíveis aos efeitos lesivos da radiação. As células mais próximas do centro de um tumor grande freqüentemente possuem um mau suprimento sangüíneo e níveis baixos de oxigênio.
À medida que o tumor diminui, as células sobreviventes parecem obter um melhor suprimento sangüíneo, que podem torná-las mais vulneráveis as próximas dose de radiação. A divisão da radiação em um a série de doses aplicadas durante um período prolongado aumenta os efeitos letais sobre as células tumorais e diminui os efeitos tóxicos sobre as células normais. As células têm a capacidade de auto-reparação após serem expostas à radiação. O plano terapêutico visa a reparação máxima das células e tecidos normais.
Geralmente, a radioterapia é realizada com um equipamento denominado acelerador linear. Os raios são direcionados com bastante precisão sobre o tumor. O modo como os raios irão afetar de modo adverso os tecidos normais dependem do tamanho da área que está sendo irradiada e de sua proximidade com esses tecidos. Por exemplo, a irradiação de tumores da cabeça e do pescoço freqüentemente causa inflamação das membranas mucosas do nariz e boca, resultando em feridas e ulcerações. A radiação sobre o estômago ou o abdômen freqüentemente causa inflamação do estômago (gastrite) e da parte inferior do intestino (enterite), resultando em diarréia.
INDICAÇÕES PARA RADIOTERAPIA
Estima-se que cerca de 60 % de todos os pacientes portadores de doenças malignas terão alguma indicação de radioterapia durante o curso de sua doença, seja com o objetivo curativo ou paliativo.
A radioterapia atualmente pode ser aplicada em diversas situações:
tratamento adjuvante para assegurar a esterilização do leito tumoral após uma cirurgia. 
tratamento exclusivo, como única modalidade terapêutica empregada. 
tratamento neo-adjuvante, com o objetivo de causar redução tumoral em lesões irressecáveis a fim de torná-la operáveis. 
tratamento associado (sinérgico) com Quimioterapia. 
tratamento paliativo seja do tumor primário ou de metástases. 
para prevenir ou coibir hemorragias ou obstruções respiratórias. 
como parte integrante dos protocolos de tratamento no transplante de medula óssea. 
tratamento de alguma doenças benignas com indicações restritas. 
Tratamento de câncer através da colocação de fontes junto do tumor.
QUIMIOTERAPIA
A quimioterapia antineoplásica moderna teve seu início durante a II Guerra Mundial com o gás mostarda.  A  partir daí não mais parou seu desenvolvimento, contando hoje com várias drogas e combinações para o tratamento do câncer. Existem também  medicamentos que estimulam o sistema de defesa contra o câncer, ou seja, drogas que se direcionam mais especificamente contra a célula maligna e drogas que diminuem o suprimento sangüíneo do tumor.Drogas modernas contra vômitos também fazem parte do arsenal terapêutico atual. A anemia, a baixa de imunidade e até mesmo a queda de cabelo já vem sendo estudadas no sentido de serem minimizadas. É bom lembrar que quando o cabelo cai (nem todas as drogas fazem os cabelos caírem) durante a terapia, ele volta a crescer quando termina o tratamento,
INDICAÇÕES DA QUIMIOTERAPIA
tratamento neo-adjuvante com o intuito de redução tumoral possibilitando tratamentos conservadores e menos mutilantes além de impedir a disseminação precoce da doença. 
tratamento exclusivo como única modalidade terapêutica empregada. 
tratamento adjuvante para possibilitar um melhor controle da doença local e evitar o surgimento de doença à distância. 
tratamento associado com a radioterapia. 
tratamento paliativo tanto do tumor primário como de suas metástases. 
parte integrante dos protocolos de tratamento no transplante de medula óssea.
 
CONCLUSÃO:
Concluímos que o prêmio entregue ao geneticista americano Hermann Joseph Muller foi um reconhecimento a seu árduo trabalho e a suas pesquisas que iniciaram um ciclo de descobertas sobre a radiação ionizante, estas quais que cooperaram para o significativo avanço durante a pós-segunda guerra mundial da radiologia e de vários métodos diagnósticos como a tomografia computadorizada e os raios-X, deixando-os mais sensíveis, específicos e mais seguros para o paciente.
 
BIBLIOGRAFIA:
http://nobelprize.org
http://www.biofisica.ufsc.br
http://www.ctopetropolis.com.br
http://www.checkup.med.br
http:// www.avmcc.com.br
1949: W.R.HESS e EGAZ MUNIZ

 

Acadêmicos: Chayane Dedonatto, Diego Tarasconi e Emanuelle Gobbo.
 
Egas Moniz
Foto: Egaz Moniz
 
RESUMO
 
O Prêmio Nobel de 1949 foi divido por dois grandes médicos e pesquisadores, o suíço Walter Rudolf Hess, e o português Egaz Moniz. Este, por praticar a lobotomia em doentes psiquiátricos, processo que consistia numa incisão profunda em fibras nervosas que ligam o lobo pré-frontal a outras regiões do cérebro, resultando, em teoria, no fim do comportamento anormal do paciente; aquele pelos incessantes estudos que resultaram na descoberta das funções do cérebro médio.
 
PALAVRAS-CHAVE: Prêmio Nobel de 1949, Walter Rudolf Hess, Egaz Moniz, cérebro médio, lobotomia.
 
ABSTRACT
 
The Nobel Prize of 1949 was divided by two great doctors and researchers, the swiss Walter Rudolf Hess, and portuguese Egaz Moniz. This one, practice lobotomy in psychiatric patients, which was a deep incision in the nerve fibers connecting the prefrontal lobe to other brain regions, resulting in the end theory of abnormal behavior; that one which  endless studies resulted in the discovery of the functions of midbrain.
 
KEYWORDS: Nobel Prize of 1949, Walter Rudolf Hess, Egaz Moniz, midbrain, lobotomy.
 
INTRODUÇÃO
 
Alfred Nobel, inventor de explosivos, em especial da dinamite, decepcionou-se ao ver seus experimentos sendo usados em ações bélicas já que sempre apoiou os movimentos em prol da paz. Temendo ser lembrado como o homem que tornara possível matar mais pessoas em um curto período de tempo, destinou sua grande fortuna à criação de uma fundação que deveria financiar, anualmente, cinco grandes prêmios internacionais. Dentre esses, deveriam ser homenageados cientistas cujas descobertas se destacassem em Física, Química, Medicina e Literatura; também, um prêmio para quem mais se empenhasse em prol da paz e amizade entre as nações. Anos mais tarde foi acrescentado o Prêmio para Ciências Econômicas.
Tanto Walter Ruldof Hess quanto Egas Moniz se destacaram  em suas pesquisas por inovarem no âmbito do sistema nervoso; este pela aplicação da lobotomia em seres humanos com doenças psiquiátricas, e aquele pela descoberta das funções do cérebro médio.
 
 
 
 
 
DESENVOLVIMENTO
 
Walter Ruldof Hess, um dos ganhadores do Prêmio Nobel em 1949, nasceu no ano de 1881, em Frauenfeld, Suíça. Graduou-se em medicina em Lausanne, Berna, Berlim, Kiel e Zurique, onde em 1806 obteve o grau de Doutor em medicina. Em 1912 iniciou os estudos em fisiologia na Universidade de Bonn, assumindo, cinco anos depois, a direção do instituto de fisiologia da Universidade de Zurique.
No ano de 1930 começou a desenvolver a metodologia de estimulação elétrica subcortical em animais sob efeito anestésico e não anestésico. Constatou que extensas zonas subcorticais apresentavam relações com funções motoras, principalmente em automatismos. Comprovou ainda, que haviam no cérebro circuitos complexos de organização de comportamentos que envolviam muitos grupos musculares, além do sistema nervoso autônomo, reproduzindo comportamentos emocionais bem conhecidos.
Atualmente, é considerado um gênio da estimulação subcortical por tê-la usada para investigar as bases neurais de comportamentos complexos. Faleceu em 1973 na cidade de Locarno, Suíça.
 
António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz, primeiro português a receber o Prêmio Nobel, compartilhou-o com Walter Rudolf Hess no mesmo ano. Nascido em 1874 na cidade de Avanca, Portugal, de família aristocrata rural, Moniz formou-se em medicina na Universidade de Coimbra, lecionando anatomia e fisiologia. Em 1911 ocupou a cátedra de neurologia na Universidade de Lisboa. Jubilou-se no ano de 1944.
Além de médico teve um papel ativo na vida política, foi fundador do Partido Republicano Centrista. Também foi um notável escritor e autor de uma consagrada obra literária as quais se destacam “A nossa casa” e “Confidências de um investigador científico”.
Após longas experiências com raios-X conseguiu, pela primeira vez, dar visibilidade às artérias do cérebro, lançando mão de práticas precursoras da Angiografia Cerebral, tornando possível a localização de neoplasias, aneurismas, hemorragias e outras mal-formações no cérebro humano. Através dessas descobertas foi indicado ao Prêmio Nobel em 1928, sem sucesso. Prosseguiu com as nomeações de 1933, 1937, 1944, finalmente obtendo a coroada nomeação de 1949.
No final de 1935, em Londres, participara do 2° Congresso Internacional de Neurologia no qual assistiu a apresentação dos resultados obtidos da ablação bilateral do córtex pré-frontal de duas chipanzés pelo cientista Charles Jacobsen e com a colaboração de John Fulton. Demonstraram que após a lobectomia, a reação furiosa que se constatava anteriormente, quando as chipanzés procuravam comida e não a encontravam, desaparecia, levando a um comportamento calmo, destituído de picos emocionais. A partir desta experiência, Moniz desenvolveu no ano de 1936 a lobotomia - usada para tratar doenças mentais, epilepsia e até dores de cabeça crônicas que até então, eram tratadas, sobretudo, com choques elétricos e insulínicos – praticando-a em pacientes com doenças psiquiátricas graves, como a esquizofrenia. O processo consistia numa incisão profunda em fibras nervosas que ligam o lobo pré-frontal a outras regiões do cérebro através de orifícios feitos no crânio, resultando, em teoria, no fim do comportamento anormal do paciente .
Em um de seus raros momentos em que se ocupou publicamente das avaliações negativas do seu método, anunciou: “Quando pensei em alterar o circuito de influxos no encadeamento das células nervosas cerebrais, no propósito de modificar a vida psíquica dos alienados, meditei cerca de três anos sobre a ousada tentativa. Apenas Almeida Lima, colaborador constante dos nossos trabalhos de investigação, soube dos meus ainda mal esboçados propósitos e da base anatômica em que os firmava”.
No Hospital Julio de Matos foi fundado, em 1940, o Centro de Estudos Egas Moniz do qual era presidente.
Faleceu em Lisboa em 1955. Dezenove anos após sua morte, foi homenageado com uma estátua de bronze posicionada em frente ao Hospital de Santa Maria.    
    
       
 
CONCLUSÃO
 
O mapeamento funcional do cérebro foi induzido a partir de estudos seguintes aos de Hess, tendo contribuído não apenas para a neurologia e psiquiatria, como também em todas as áreas da medicina. 
 O médico que trouxe fama à lobotomia, Egas Moniz, apesar das críticas, defendia a aplicação do método somente em casos graves com risco de violência ou suicídio. Foi praticada em grande escala por inúmeros países, principalmente Japão e Estados Unidos. Cerca de 6% dos pacientes não sobreviviam à operação, e muitos ficavam com alterações de personalidade significativas. Por ser uma prática irreversível e agressiva, foi banida a partir dos anos 50. Época em que muito se investiu nos fármacos antipsicóticos. 
Apesar de algumas dessas idéias, atualmente, estarem em desuso, elas propiciaram uma alternativa terapêutica para a época e mereceram, com grande mérito, o prêmio mais almejado para aqueles que participam da comunidade científica.
 
BIBLIOGRAFIA
 
http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_3523.html
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-69912008000400001&script=sci_arttext
http://www.morasha.com.br/conteudo/ed32/premio.htm
http://sadato.hypermart.net/weblog/egas_moniz_portugues_premio_no.html/04/2006
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Egas_Moniz
 
1951: MAX THEILER

 

Artigo escrito por:
HANCKE, Marcelo
NUNES, Tábada T.
MISTURA, Tarciane C.
Faculdade de Medicina/UPF
 
Max Theiler
 
RESUMO
 
O presente artigo científico versa sobre um dos profissionais mais importantes da história da medicina, Max Theiler. Trata da biografia e dos estudos realizados pelo Microbiologista e Médico Sanitarista, nascido em Pretória, no Sul da África, e que teve o curso médico concluído em 1922, na London School of Tropical Medicine. Theiler revolucionou a área da saúde após desenvolver pesquisas sobre a Febre Amarela, afirmando que a doença era causada por um vírus e não por uma bactéria, como se acreditava na época. Além disso, descobriu a vacina para imunizar a população contra o agente causador da doença, o que fez com que fosse laureado com o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia no ano de 1951. A descoberta da substância que ativa as defesas do organismo contra a doença transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti teve suma importância para a redução do número de mortes ocasionadas pela patologia e contribuiu de forma significativa para o não alastramento do vírus e para a não formação de epidemias.
 
Palavras-chave: Max Theiler, Prêmio Nobel, Febre Amarela, Vacina Febre Amarela.
 
 
ABSTRACT
 
The present scientific article deals with one of the most important professionals of the Medicine History, Max Theiler. It´s related to the biography and the studies of the microbiologist and Sanitarist Doctor, born in Pretória, in the South of Africa, whose Medical Course was concluded in 1922, in the London School of Tropical Medicine. Theiler revolutionized the health area after developing research on the Yellow Fever, affirming that the illness was caused by a virus and not by a bacterium, as believed at the time. Moreover, he discovered the vaccine to immunize the population against the illness causing agent, what made him to be honored with the Medicine and Phisiology Nobel Prize in the year of 1951. The discovery of the substance that actives the organism defenses against the illness transmitted by the Aedes Aegypti mosquito had great importance for the reduction of the number of deaths caused by the pathology and contributed significantly for not spreading out the virus and not forming epidemys.
 
Key Words: Max Theiler, Nobel Prize, Yellow Fever, Vaccine Yellow Fever.
 
INTRODUÇÃO
 
Na história da Medicina, existiram competentes médicos pesquisadores que dedicaram parte de suas vidas ao estudo de um tipo de substância que pudesse garantir imunidade temporária ou definitiva às pessoas contra algumas patologias atualmente consideradas menos perigosas ou, até certo ponto, erradicadas. Um excelente exemplo a ser citado é Max Theiler, importante médico sanitarista e ganhador do Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia do ano de 1951 pelo desenvolvimento da vacina contra a febre amarela, tornando este ano um marco histórico na área médica.
 
BIOGRAFIA
 
Max Theiler, brilhante médico sanitarista e microbiologista nascido em Pretória, no sul da África, em 30/01/1899, foi o ganhador do Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia do ano de 1951 pela descoberta da vacina contra a febre amarela no ano de 1930, a qual somente teve seu reconhecimento e aprovação na década de 1940. Filho do famoso cientista veterinário suíço Arnold Theiler e de Emma Jegge, freqüentou escolas locais, com exceção do ano em que esteve em Basel, Suíça; seguindo para a Rhodes University College, Grahamstown e a University of Capetown Medical School (1916-1918). Após, seguiu para a Inglaterra para estudar no St. Thomas' Hospital e na London School of Tropical Medicine, graduando-se no curso de Medicina em 1922. No mesmo ano se tornou um licenciado do Royal College of Physicians e membro do Royal College of Surgeons. Emigrou para os Estados Unidos, indo trabalhar no Department of Tropical Medicine da Harvard Medical School, Boston, Massachusetts, de início como assistente e, mais tarde, como instrutor. Durante esse período provou que a febre amarela era provocada por um vírus e não por uma bactéria. Nesta mesma época, casou-se com Lillian Graham, com quem teve uma filha. Juntou-se (1930-1964) ao staff do International Health Division da Rockefeller Foundation, onde se tornou Director of Laboratories da Rockefeller Foundation's Division of Medicine and Public Health, New York. Esteve na Yale Medical School e morreu em New Haven, Connecticut, no ano de 1972. Publicou dois grandes livros:Viral and Rickettsial Infections of Man em 1948 e Yellow Fever em 1951, sem contar sua valiosa contribuição nos numerosos artigos editados no The American Journal of Tropical Medicine e Annals of Tropical Medicine and Parasitology. Além do Prêmio Nobel, foi laureado com outros importantes prêmios como o Chalmer's Medal da Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene (1939), a Flattery Medal da Harvard (1945) e o Lasker Award of the Lasker Foundation (1949).
 
PESQUISA / HISTÓRICO
 
O controle da febre amarela, devido a sua morbidade e mortalidade, foi um dos grandes desafios da medicina. Vários pesquisadores, em diferentes países e épocas se dedicaram ao estudo desta doença, especialmente no que se refere a forma de transmissão. 
A febre amarela é doença infecciosa não-contagiosa causada por um arbovírus mantido em ciclos silvestres em que macacos atuam como hospedeiros amplificadores e mosquitos dos gêneros Aedes na África, e Haemagogus e Sabethes na América, são os transmissores. Cerca de 90% dos casos da doença apresentam-se com formas clínicas benignas que evoluem para a cura , enquanto 10% desenvolvem quadros dramáticos com mortalidade em torno de 50% . O problema mostra-se mais grave na África onde ainda há casos urbanos . Nas Américas, no período de 1970-2001, descreveram-se 4543 casos. Os paises que mais diagnosticaram a doença  foram o Peru (51,5%), Bolívia(20,1%) e o Brasil (18,7%).Os métodos diagnósticos utilizados incluem a sorologia (IgM), isolamento viral, imunohistoquímica  e RT-PCR. A zoonose não pode ser erradicada mas a doença humana é prevenível mediante a vacinação com a amostra  17D do vírus amarílico. A OMS recomenda nova vacinação a cada dez anos .
O Dr. Carlos Juan Finlay, médico cubano, com formação feita nos EUA, apresentou, em 14 de agosto de 1881, um trabalho sobre  "O mosquito hipoteticamente considerado como agente transmissor da febre amarela". Esta doença causava a morte de pelo menos 40% das pessoas que a contraíam. 
Antes de apresentar seu trabalho testou a sua hipótese em cinco pessoas, que permitiram que mosquitos alimentados com sangue de pessoas contaminadas as picassem. Todas as cinco pessoas desenvolveram a doença, sendo duas na forma leve. Nenhuma delas, contudo, foi convincente o suficiente para comprovar esta hipótese para outros especialistas. Durante os 19 anos que se seguiram, continuou testando esta idéia em mais 102 ou 104 pessoas. Várias delas desenvolveram a doença, sem contudo gerarem evidências definitivas desta forma de transmissão. Aparentemente, Finlay não se incluiu nestes experimentos. 
Em 1894 o Dr. Finlay propôs, em um congresso médico em Budapeste, que a melhor maneira de erradicar a febre amarela seria através da eliminação dos mosquitos. Esta proposta não teve repercussão na época. No início do século XX esta idéia foi posta em prática salvando milhares de pessoas em todo o mundo.
Em 1897, o bacteriologista italiano Giuseppe Sanarelli, que havia trabalhado no Instituto Pasteur, na França, apresentou a sua proposta de que o bacillus icterioides seria o causador da febre amarela, tomando por base as suas observações feitas no Brasil e no Uruguay. Estes estudos geraram dois posicionamentos muito fortes. Por um lado alguns médicos e cientistas saudaram esta descoberta pela sua contribuição à ciência. Outros, contudo, denunciaram que os estudos haviam sido muito inadequados. Um deles foi feito em cinco pessoas que receberam este bacilo, por via injetável, sem serem adequadamente informadas ou terem autorizado este procedimento. Deste cinco, três morreram por complicações decorrentes da pesquisa. O Dr. William Osler, que na época era considerado o mais conceituado médico norte-americano, declarou que esta pesquisa de Sanarelli era "criminosa". 
A repercussão da proposta de Sanarelli foi muito grande, pois uma das mais importantes preocupações do exército norte-americano,  que estava envolvido na Guerra Hispano-Americana, era o fato de terem morrido mais soldados de febre amarela que em combate. 
Com o objetivo de estudar a mecanismo de contágio da Febre Amarela o Departamento Médico do Exército Norte-Americano, em maio de 1900, criou uma comissão para realizar uma pesquisa a este respeito. O Dr. Walter Reed, major do exército e professor de medicina na Universidade Johns Hopkins, em Baltimore/EUA, foi nomeado seu coordenador. Os Drs. James Carrol, Jesse W. Lazear e Aristides Agramonte, todos méd